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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Anton Kiudero em 20 de Fevereiro de 2011, 01:16

Título: O que é científico no espiritismo?
Enviado por: Anton Kiudero em 20 de Fevereiro de 2011, 01:16
O que é científico no espiritismo?
Adilson Marques - asamar_sc@hotmail.com

Se há algum caráter científico no Espiritismo kardequiano não é na doutrina ditada pelos Espíritos, ou seja, em sua parte filosófica, mas no estudo dos chamados “fatos espíritas”. Estes podem ser transformados em objetos de estudos científicos. Ou seja, sobre eles é possível criar teorias espiritistas.

Por sua vez, sua dimensão filosófica é “dogmática”, uma vez que é formada por ensinamentos incapazes de serem comprovados cientificamente, pelo menos por enquanto, apesar de serem expostos de forma racional, como, por exemplo, o ensinamento da questão 258 que afirma que o livre-arbítrio foi exercido antes da encarnação, durante a escolha do gênero de provas a ser vivenciado na Terra. Como podemos comprovar cientificamente esse ensinamento da Doutrina espírita? Ouseja, se intuitiva ou sentimentalmente achar que esse ensinamento é verdadeiro, que faz sentido para mim a crença de que antes de encarnar eu escolhi voluntariamente um gênero de provas e por causa disso nasci homem ou mulher, branco oupreto, rico ou pobre, no Brasil ou na Alemanha etc., então vou me assumir como “espírita” ou espiritista, ou seja, como um seguidor da Doutrina espírita. Mas, se eu não aceito esse ensinamento, não posso me considerar “espírita”, mesmo que acredite em reencarnação e participe de reuniões mediúnicas. Em suma, enquanto eu estiver encarnado, posso acreditar nesse ensinamento, mas não comprová-lo.

Através desse exemplo podemos compreender que a dimensão filosófica do Espiritismo não é científica, mesmo que ela tenha sido revelada pelos Espíritos. A Doutrina espírita é uma filosofia espiritualista de cunho moral, obviamente, mas nunca poderá ser classificada como uma teoria científica. Daí a necessidade de legitimar a doutrina dizendo que ela foi ditada por “espíritos superiores”, mesmo que não seja possível comprovar este argumento.

É por isso que, atualmente, a Epistemologia diferencia o que é teoria e o que é doutrina. Assim, e reafirmando o que salientamos acima, apenas os “fatos espíritas” podem ser tratados como um objeto de estudo científico. E todas as diferentes formas de comunicação ou intercâmbio com o mundo espiritual são “fatos espíritas” e podem ser  estudadas cientificamente, não apenas as que acontecem dentro de um “centro espírita”, apesar dos chamados espíritas científicos só se preocuparem com estas, ignorando outras manifestações mediúnicas em seus estudos.

Nesse sentido, não tem lógica afirmar que o REIKI, a Umbanda ou a Apometria não são “fatos” ou “manifestações espíritas”. São e podem ser estudados sem nenhum preconceito pelo método kardequiano. Porém, para dizer se tais práticas seriam “elementos estranhos” ao Espiritismo teríamos que estudar o que ensinam os Espíritos nessas práticas e compará-las com os ensinamentos que formam a Doutrina espírita que, de forma resumida, é composta pelos seguintes ensinamentos:


Em suma, apesar do encaminhamento lógico e racional, estes ensinamentos que compõem a Doutrina espírita ou o Espiritismo, não podem ser comprovados cientificamente, por isso, como já salientamos, preferimos afirmar que o Espiritismo é uma doutrina e não uma teoria científica, mas podemos estudar cientificamente o fenômeno mediúnico, seja aquele praticado nos chamados “centros espíritas”, como aqueles que acontecem em um terreiro de umbanda ou qualquer outra forma de intercâmbio com o mundo espiritual. Aliás, foi do estudo das famosas “mesas girantes” que Kardec descobriu a existência de inteligências incorpóreas e a possibilidade de comunicação com elas.

Assim, não importa o meio. Se os Espíritos manifestarem concordância com os ensinamentos acima, estarão de acordo com o Espiritismo. Mas, para sabermos, é importante, antes de tudo, estudar.

E, nesse sentido, através do estudo, é possível encontrar inúmeros “centros espíritas” que, mesmo filiados às Uniões de Sociedades Espíritas ou Federações, não praticam os ensinamentos da Doutrina espírita. Por exemplo, todos aqueles que difundem que, por imprudência ou outro motivo qualquer, alguém morre antes da hora, contradizem o ensinamento presente na questão 853. Encontramos em livros, revistas e até na Internet artigos de “espíritas” dizendo que Airton Senna, por exemplo, morreu antes da hora. Mesmo que o próprio Espírito que vivenciou essa personalidade na Terra se manifestar em um centro espírita e falar que morreu antes do tempo planejado, ele está contradizendo o ensinamento da Doutrina espírita, pois, “não importando o perigo, ninguém morre antes da hora”.

Também é comum encontrar no meio espiritista a divulgação de que expiar é sofrimento, contradizendo a questão 132. E podemos falar também do ativismo assistencialista que move vários centros, realizando diversos atos materiais (dar sopa para mendigos, roupas etc.), mas se esquecendo que é a intenção com que o ato é vivenciado que importa, contradizendo, assim, os ensinamentos das questões 747 e a 886. Quanto pão não é dado com egoísmo e para se tornar famoso?

Da mesma forma, poderá estar em sintonia com o Espiritismo, ou seja, com a Doutrina dos Espíritos, o terreiro de umbanda que usa objetos materiais (congá com imagens, etc.) ou símbolos (pontos riscados e cantados) seguindo os ensinamentos que aparecem na questão 653.

Em suma, a Doutrina espírita é um conjunto de ensinamentos morais e não define como esses ensinamentos devem ser vivenciados. E Kardec, por ter essa compreensão profunda, afirmou que o católico, o maometano, o brâmane etc., apesarde seguirem todos os rituais de suas religiões, também poderiam ser espíritas, se acreditassem na manifestação e nos ensinamentos dos Espíritos. Ou seja, o Espiritismo, como doutrina, não define como devem ser as manifestações mediúnicas, mas quais os ensinamentos que o compõem. Porém, sempre será uma doutrina espiritualista não-científica, já que seus ensinamentos não podem ser comprovados, apenas aceitos como “dogmas”, no sentido pleno dessa expressão.

leia mais sobre o tema em:

http://www.scribd.com/doc/17463798/O-reiki-a-TVI-e-outros-tratamentos-complementares
Título: Re: O que é científico no espiritismo?
Enviado por: Zambá em 20 de Fevereiro de 2011, 22:01
Boa noite... se me permitem gostaria de acrescentar que Kardec ao sistematizar as perguntas e respostas já estava a fazer ciência. Um antropólogo que vai estudar uma comunidade culturalmente diferente da sua também irá recolher vários testemunhos de variadíssimas pessoas mas, através da ciência, irá chegar um dia a sistematizar essa cultura, que poderá ou não estar próximo da realidade. Dessa forma esses testemunhos recolhidos, embora só palavras, são dados científicos a que se vai utilizar a estatística para aceitar ou rejeitar a hipótese de trabalho, mas sempre com uma probabilidade de estar errado. Aliás como acontece em todas as ciências, exactas ou não, pois não existem sistemas completamente fechados (existe sempre a probabilidade de algo que não tens ideia que sequer existe, pois não o podes detectar ou medir, estar a influenciar o resultado). Bem haja.