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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: walterdpereira em 04 de Abril de 2009, 14:53

Título: o passe magnético e suas limitações
Enviado por: walterdpereira em 04 de Abril de 2009, 14:53


Quatro são as causas principais que limitam a ação fluídica curadora, o que explica por que nem sempre o passe
magnético logra obter num determinado caso o que
noutra circunstância foi conseguido


Em 1866, ao tratar das curas realizadas pelo Sr. Henri Jacob, Allan Kardec explicou que existe uma diferença radical entre os médiuns curadores e os receitistas. Enquanto estes tão-somente receitam remédios, os primeiros curam os enfermos por meio da ação fluídica, em mais ou menos tempo, sem o emprego de qualquer remédio. O poder curativo está todo no fluido depurado a que servem de condutores. A aptidão para curar, diz Kardec, é inerente ao médium, mas o exercício da faculdade só se dá com o concurso dos Espíritos, de onde se segue que, se os Espíritos não querem, o médium é como um instrumento sem músico e nada obtém. Ele pode, pois, perder instantaneamente a sua faculdade, o que exclui a possibilidade de transformá-la em profissão.(Revista Espírita de 1866, págs. 347 e 348.)

O Codificador relaciona, na sequência do estudo, os casos em que a ação fluídica é impotente para promover a cura. A ação fluídica, diz ele, pode dar sensibilidade a um órgão, fazer dissolver e desaparecer um obstáculo ao movimento e à percepção, cicatrizar uma ferida, porque nesses casos o fluido torna-se um verdadeiro agente terapêutico, mas é evidente que não pode remediar a ausência ou a destruição de um órgão, o que seria um verdadeiro milagre. Assim, a vista poderá ser restaurada a um cego por amaurose, oftalmia, belida ou catarata, mas não a quem tivesse os olhos estalados.

Existem, pois, doenças fundamentalmente incuráveis e seria ilusão crer que a mediunidade curadora vá livrar a Humanidade de todas as suas enfermidades.(Idem, págs. 348 e 349.)

De forma resumida, podemos dizer então, com base nos ensinamentos espíritas, que quatro são as causas principais que limitam a ação fluídica curadora:

·        falta de fé ou de receptividade do paciente
·        comportamento do enfermo
·        a natureza do problema ou da enfermidade
·        a lei de causa e efeito.

A falta de fé ou de receptividade do paciente

 Diz Martins Peralva, em seu extraordinário Estudando a Mediunidade, cap. XXVII, que existem criaturas que oferecem extraordinária receptividade aos fluidos magnéticos. São aquelas que possuem “fé robusta e sincera, recolhimento e respeito ante o trabalho que, a seu e a favor de outrem, se realiza”.

Na pessoa de fé, no momento em que recebe o passe, sua mente e seu coração funcionam à maneira de poderoso    ímã,  “atraindo    e   aglutinando   as   forças
 
 
curativas”. “Já com o descrente, o irônico e o duro de coração – esclarece Peralva - o fenômeno é naturalmente oposto.”
 

A explicação desse fato é dada pelo instrutor Áulus na seguinte passagem constante do livro Nos Domínios da Mediunidade, cap. 17, de autoria de André Luiz:

“Alinhando apontamentos, começamos a reparar que alguns enfermos não alcançavam a mais leve melhoria.

As irradiações magnéticas não lhes penetravam o veículo orgânico.

Registrando o fenômeno, a pergunta de Hilário não se fez esperar.

- Por quê?

- Falta-lhes o estado de confiança – esclareceu o orientador.

- Será, então, indispensável a fé para que registrem o socorro de que necessitam?

- Ah! sim. Em fotografia precisamos da chapa impressionável para deter a imagem, tanto quanto em eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz. No terreno das vantagens espirituais, é imprescindível que o candidato apresente uma certa tensão favorável. Essa tensão decorre da fé.”

Eis aí o motivo pelo qual a falta de fé do paciente constitui um dos fatores limitativos da ação fluídica curadora, fato conhecido ao tempo de Jesus, como narra o Evangelho de Marcos (cap. 6:3-6), segundo o qual Jesus curou pouquíssimos enfermos em Nazaré por causa da incredulidade de seu povo. E foi o próprio Jesus quem, admirado com a descrença de sua gente, cunhou ali uma frase que se tornaria famosa e conhecida até em nossos dias: “Ninguém é profeta em sua terra”.

O comportamento do enfermo

Muitas vezes, quando não impede a eficácia da ação fluídica curadora, o comportamento do paciente acaba concorrendo para a reincidência do mal, como tem sido mostrado inúmeras vezes nas obras espíritas. Refere Allan Kardec, na Revista Espírita de 1865, págs. 205 e 206, o caso de um jovem cego que havia sido recolhido por um espírita dedicado que se propôs curá-lo por meio do magnetismo, pois os Espíritos haviam dito que sua cura era possível. O tratamento não surtiu, contudo, nenhum resultado, porque o jovem, em vez de se mostrar reconhecido pela bondade do amigo, só manifestou ingratidão e mau procedimento, dando provas do pior caráter.

São Luís, dirigente espiritual da Sociedade Espírita de Paris, explicou que, de fato, a enfermidade do rapaz era curável. Uma magnetização espiritual praticada com zelo, devotamento e perseverança certamente teria êxito, e sua visão teria sensível melhora, se os maus fluidos de que estava cercado não opusessem um obstáculo à penetração dos bons fluidos. “No estado em que se encontra – acrescentou São Luís –, a ação magnética será impotente enquanto, por sua vontade e sua melhora, não se desembaraçar desses fluidos perniciosos.” Um retorno sério daquele moço sobre si mesmo era a única coisa que poderia tornar eficazes os cuidados de seu magnetizador; do contrário, perder-se-ia o pouco de luz que lhe restava e novas provações o acometeriam.

Três exemplos de como o comportamento do enfermo pode ser causa de distúrbios orgânicos, e até mesmo inviabilizar a cura, podemos colher no livro Missionários da Luz, págs. 326 a 333, de André Luiz:

1) Uma mulher adentrou o Centro Espírita portando uma nuvem negra na região do coração, mais especificamente na área da válvula mitral. A mente, como sabemos, pode intoxicar-se com as emissões mentais daqueles com quem convive. A mulher tivera naquele dia sérios atritos com o esposo. Com o passe, a porção de matéria negra deslocou-se e veio aos tecidos
 
 
da superfície, espraiando-se sob a mão irradiante, ao longo da epiderme. Se os atritos domésticos persistissem, o efeito mórbido poderia refletir-se sobre o corpo somático, produzindo uma lesão de consequências imprevisíveis.
 

2) Na mesma Casa Espírita, o grupo de médiuns passistas assistiu um certo homem tão irritadiço e invigilante que seus rins pareciam envolvidos em crepe negro, tal a densidade de matéria mental fulminante que os cercava.

3) Um cavalheiro idoso, tratado em seguida, apresentava o fígado e o baço em enorme desequilíbrio; contudo, apesar de seu estado, o passe só lhe daria naquele noite alívio, não a cura. Eis a explicação do mentor espiritual: "Após dez vezes de socorro completo, é preciso deixá-lo entregue a si mesmo, até que adote nova resolução". Aquele homem era portador de um temperamento menos simpático e extremamente caprichoso. Estimava as rixas frequentes, as discussões apaixonadas, o império de seus pontos de vista. Encolerizava-se com facilidade e despertava a cólera e a mágoa dos que lhe desfrutavam a companhia. Deveria, pois, ficar por algum tempo entregue a si mesmo. Quem sabe a dor e o sofrimento não lograriam o sucesso que as curas anteriores não conseguiram?

A natureza do problema ou da enfermidade

Como vimos inicialmente, Kardec diz, na Revista Espírita de 1866, pág. 349, que existem doenças fundamentalmente incuráveis e seria ilusão crer que a mediunidade curadora vá livrar a Humanidade de todas as suas enfermidades. Ter em conta a natureza do problema ou da enfermidade do paciente constitui, portanto, medida necessária a quem se proponha tratar das pessoas por meio da ação fluídica curadora.

Além do caso referido no preâmbulo – ausência ou a destruição de um órgão – é preciso ter em mente que a ação fluídica é incapaz, por si só, de resolver os distúrbios ocasionados pela consciência culpada e os processos obsessivos mais graves, como a subjugação.

O caso Mário Silva, relatado por André Luiz em seu livro Entre a Terra e o Céu, cap. 34, págs. 224 a 226, é bem ilustrativo disso.

Mário, impressionado com a morte do menino Júlio (que fora seu companheiro de peripécias anteriores por ocasião da Guerra do Paraguai), conservava aflitivo com­plexo de culpa e tinha seu pensamento ligado ao falecido, à maneira de imagem fixada na chapa fotográfica. Tendo passado o dia acamado, sob extrema perturbação, sentia-se vencido, envergonhado. André Luiz perguntou a Clarêncio se não seria possível socorrê-lo com passes magnéticos, ao que o Ministro respondeu, seguro de si: "O auxílio dessa natureza ampara-lhe as forças, mas não resolve o problema. Silva deve ser atingido na mente, a fim de melhorar-se. Requisita ideias renovadoras e, no mo­mento, Antonina é a única pessoa capaz de reerguê-lo com mais segu­rança". E acrescentou: "Tudo na vida tem a sua razão de ser. Noutra época, Silva, na personalidade de Esteves, aliou-se a Antonina, então na experiência de Lola Ibarruri, para se afogarem no prazer pecami­noso, com esquecimento das melhores obrigações da vida. Atualmente, estarão reunidos na recuperação justa. Os que se associam na levian­dade, à frente da Lei, acabam esposando enormes compromissos para o reajustamento necessário. Ninguém confunde os princípios que regem a existência".

A mesma limitação da ação fluídica, verificada em situações como a de Mário Silva, registra-se nos casos de subjugação, como o relatado na Revista Espírita de 1865, págs. 4 a 18, pelo Sr. Dombre, a respeito das crises convulsivas experimentadas por Valentine Laurent, de 13 anos.

As crises, além de se repetirem várias vezes por dia, eram de tal violência que cinco homens tinham dificuldade de manter a jovem na cama. Tratava-se de um caso obsessivo dos mais graves, produzido pelo Espírito de Germaine. Valentine era sensível ao tratamento recebido do Sr. Dombre por meio da imposição de mãos, mas, tão logo ele se afastava, voltavam as crises. Depois do tratamento por meio de passes magnéticos e de hábeis instruções transmitidas a Germaine – o Espírito que perturbava Valentine –, o processo obsessivo chegou ao fim e tudo se explicou.

À margem do caso, Kardec indaga: “Para que teria servido o magnetismo se a causa tivesse subsistido?” Era preciso primeiro destruir a causa, antes de atacar os efeitos, ou, pelo menos, agir sobre ambos simultaneamente, ensina o Codificador, mostrando que o magnetismo, por si só, é incapaz de curar as obsessões graves, entendimento que ele reiteraria na edição definitiva d’ O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 28, item 81.

A lei de causa e efeito

A lei de causa e efeito não é, como muitos pensam, uma inovação, uma invenção do Espiritismo. Jesus a ela se reportou em várias oportunidades. Numa delas, ensinou o Mestre que a cada um será dado conforme as suas obras. Em outra passagem, como registra o Evangelho de Mateus (cap. 26:52), o Senhor, ao pedir que Pedro guardasse sua espada, afirmou que todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão.

Ensina Allan Kardec, na Revista Espírita de 1868, pág. 85, que a maioria das moléstias, como todas as misérias humanas, são expiações do presente ou do passado, ou provas para o futuro. No primeiro caso, decorrem de dívidas contraídas, cujas consequências devem ser suportadas até que tenham sido resgatadas. Não pode, obviamente, ser curado aquele que deve passar por uma prova que não chegou ainda ao seu final.

A mesma tese, que por sinal não constitui nenhuma novidade para os estudiosos do Espiritismo, havia sido defendida no ano anterior, na Revue de 1867, págs. 190 a 193, pelo Espírito de Quinemant, que tece, numa importante comunicação, considerações valiosas em torno do magnetismo e do Espiritismo.

Depois de lembrar que a doença material é um efeito e, enquanto persistir a causa, produzirá esta novos efeitos mórbidos, o que inviabiliza a cura, o comunicante descreve a íntima relação que existe entre o Espiritismo, a mediunidade e o magnetismo, que, desenvolvido pelo Espiritismo, “é a chave da abóbada da saúde moral e material da humanidade futura”.

Eis aí um dos motivos mais frequentes de limitação da ação magnética curadora, que deve ser levado sempre em consideração pelas pessoas que buscam ajuda nas Casas Espíritas. Em tudo é preciso paciência, e é esta que faz com que a pessoa enferma prossiga até o fim, fazendo a parte que lhe toca, sem desânimo, certa de que, quando soar o momento, seu objetivo será alcançado.

 
Título: Re: o passe magnético e suas limitações
Enviado por: ManSan em 27 de Março de 2014, 23:22
O magnetismo vs passe espiritual

Não existe a pretensão, muito menos ousadia, de confrontar o que quer que seja ou quem quer que seja. Falíveis todos nós somos, mas dentro da nossa falibilidade, não devemos nem podemos deixar de nos interrogar, relativamente a assuntos que nos dizem respeito e que devem ser analisados à luz da Doutrina Espírita, emanada de Espíritos Superiores ou esclarecidos, sob a tutela da Lei Divina. Por conseguinte longe de nós, de mim em particular, qualquer interesse em gerar um sentimento polémico.
A inteligência é património de todo o ser racional, a racionalidade é uma questão de bom-senso, responsabilidade e argúcia mental, para não lhe chamarmos espiritual, entre outras.
Vem ao caso o recente seminário sobre passes, ministrado por Jacob de Melo, em Portugal, no qual não estive presente, mas no qual estiveram presentes companheiros de jornada da nossa instituição. Uns mais habituados do que outros, uns há anos na doutrina, outros recém chegados, aos quais foi respondido, quando nos perguntaram o que achávamos do magnetismo: pode ser um tema interessante, mas não se deixem levar por ilusões; como cultura geral talvez acrescente alguma coisa, mas à posteriori tudo deve ser analisado à luz da Doutrina Espirita!

Com certeza que a proposta que nos é oferecida sobre o magnetismo, como terapia de alivio, de ajuda, de eventual cura é uma proposta como milhares de outras que antes de serem provadas são neutras em si mesmas, por isso não faz bem nem mal. E se for apresentada como preceito, técnica, terapia ou outra qualquer denominação que lhe queiramos atribuir, divorciada da razão e distanciada da moral cristã, nada há a comentar, a analisar ou a contrapor, tenha o método resultados práticos ou não. Utilizado como magnetismo animal, vegetal, universal, fluido de qualquer origem, a ser manipulado pelo ser humano, não tem implicações outras que não seja o papel, o nome e a imagem do magnetizador, ao colocá-lo dentro da Casa Espirita começa a ter implicações, que se poderia considerar graves e deslustrar um pouco o papel da Espiritualidade, reduzindo-os a meros espectadores de segunda linha.

Quanto ao trabalho de pesquisa do Sr. Jacob de Melo, como espirita que é, pelos vistos nascido em lar espírita, acredito que seja muito válido, tenha por trás muitas horas de trabalho exaustivo, até inovador em determinadas nuances, mas que procura de algum modo encontrar respaldo na Doutrina Espirita para se credenciar, amparar ou suportar. Quando teria mais lógica, como espirita consciente, ter enveredado por uma pesquisa paralela cimentando o método, como uma ciência, talvez próxima do Espiritismo, com metodologia, ferramentas de desenvolvimento e de constatação, que deveria caminhar  separado, da doutrina, em virtude de já existir um método de tratamento energético dentro da doutrina, chame-se ele passe, energético, consubstanciação, trespasse, biotoque, energitização, limpeza, toque, imposição, magnético, bionergia, fluidoterapia ou qualquer outra definição que se lhe dê. Assim, o magnetismo teria um vasto campo de liberdade e de ação, para se desenvolver de modo sério, sem estar sujeito às limitações que existem na essência da Doutrina Espirita, que todos conhecemos e que não dependem da nossa vontade.

Criar um método novo, com definições e técnicas que carecem de ser provadas e que, para se utilizar temos que os aceitar de boa-fé, ou mesmo como dogma, para usar dentro das casas espiritas, sem as consequências morais cristãs subjacentes, que o Espiritismo contém, não contribui para o próprio Magnetismo e não lhe dá uma base de suporte sustentável, que o mantenha autónomo e capaz de se impor.

Sujeitarmos o magnetismo às regras espirituais, temos que o despir de tudo o que são pretensão ou não esteja comprovado cientificamente, deixando-o livre para se encaixar na Disciplina Espiritual. A não ser assim, temos um trabalho de 40 anos, porventura extraordinário, mas que pode não passar de um arrebatamento megalómano, que pode acontecer a qualquer um de nós, e que um dia vamos ter que deixar de perseguir por dificuldade de o provarmos ou obter resultados palpáveis.
Pelo que se notou, e o entusiasmo pelos vistos era grande, baixaram os níveis de consciência, racionalidade e bom-senso, que devem presidir a tudo o que surja como novidade, modernices, arejamento, exotismo e coisas tais. De repente viu-se o brilho nos olhos dos mais fascinados, pela abordagem, como a oportunidade que esperavam de resolver os problemas da humanidade, propondo-se esquecer tudo o que aprenderam, com as compreensíveis limitações, ao longo de anos de estudo e constatações várias, onde não conseguiram ajudar a quem mais o desejavam, muitas delas nem sequer a si mesmas se ajudaram, a quererem agora tudo poder fazer e solucionar como por um passo de mágica!

O facilitismo costuma ser mau conselheiro, conforme nos indicam os espíritos orientadores meio-esclarecidos, (já nem nos respaldamos nos Espíritos Superiores, estes são mais exigentes quanto à disciplina) mas a simples lei de interação humana confirma-nos que o facilitismos só nos pode trazer complicações e dissabores, quer sejam físicos quer sejam emocionais, deixemos para depois os espirituais.

Como cultura geral é bom e entendível, ao indicar o comportamento, atitude mental, regras de alimentação e tudo aquilo que são os cuidados a ter, para nos disponibilizarmos como colaboradores secundários, na ajuda aos outros, na transmissão de energia. É muito válido, mais focalizado, mais enfatizado, mais exaustivamente explicado, mas acredito que pára por aí, a semelhança que possa ter com o convencionado “passe espirita ou passe espiritual”.

Acredito que o entusiasmo por vezes nos retira capacidade de análise para, de modo isento  abordarmos os temas mais quentes e que se apresentam como inquestionáveis, no entanto, julgo que não é possível todo um movimento espirita dos dois lados do Atlântico, não se interrogar, não haver opiniões divergentes. E quem não está de acordo, di-lo ou dá a entender de um modo subliminar, deixando um rasto de omissão de arrepiar. Será que esquecemos a codificação e tudo que nos apresentam, independentemente do trabalho efetuado e do nome que assina? Será que um trabalho, por muito esforço que tivesse requerido, é por si só sinónimo de idoneidade e motivo para ser aceite sem interrogações? Se não fosse espirita diria que Allan Kardec até se virava no túmulo, pela incongruência de não ver tudo passar pelo “crivo da razão”! Sabemos que meio mundo dentro do movimento espirita gostaria de ter sido Divaldo, Xico ou Raul, etc., assim como o outro meio vai provavelmente ainda o querer, sendo que se nota essa tendência nos trejeitos, maneirismos, tiques, expressões, simpatia, amabilidade, etc., mas por razões óbvias não puderam ser, nem vamos poder ser. Todavia muitos, daqueles como destes, vão agora querer ser “médium passista ostensivo”, melhor dizendo “médium curador”, como se pode ver nos seus olhares, na sua ansiedade, nas suas expectativas. Este tema é recorrente, na vinda de Jacob de Melo há mais ou menos 10 anos atrás, tive a oportunidade de ver a exaltação a grassar no meio espirita que o acompanhou, com a implementação dos grupos de trabalho de cura efetiva, (a não efetiva já existia nos respetivos centros, nos tratamentos habituais de fluidoterapia) com marquesas e outros paramentos, contra os quais nada tenho contra.

Relembro aqui um facto acontecido com Divaldo, na sua primeira deslocação ao Panamá, quando no meio de um tumulto ele foi recolhido por um residente que estivera antes no Brasil e perguntou a Divaldo o que estava ali a fazer no Panamá – Divaldo explicou que tinha ido lá para falar da Doutrina Espirita porque era espirita - O residente virou-se para ele e disse - dê cá um abraço meu irmão eu também sou espirita. O senhor também é espirita? Perguntou Divaldo? Sou, sou. Eu frequentei o Tenda X quando vivi no Brasil. E Divaldo respondeu – Então o senhor não é propriamente irmão, é mais primo! Vamos começar por primos e um dia chegaremos a irmãos.
Diante da realidade que se nos apresenta comecemos por considerar o Magnetismo um método, que pode ser utilizado, até remunerado, em qualquer lado e a qualquer hora, sem implicações outras que não seja a vontade do magnetizador, como uma terapia prima da terapia que é gerida nas Casas Espiritas pelos Espíritos Passistas, utilizando o nosso melhor equilíbrio, boa vontade e amor fraterno, e um dia, quem sabe, talvez o magnetismo chegue a irmão dessa Terapia Superior, Sublime e Fraterna que é administrada sob a permissão Divina, na dose exata em que o pode ser, nem mais nem menos.

Não falamos de técnicas, condicionalismos e outra de nomenclatura utilizada, por Jacob de Melo, ficará para uma próxima abordagem sobre esta temática magnética e embora discorde de muitas das informações e certezas expressas nos seu trabalho, realço o esforço e dedicação como estudioso da matéria, pelo qual tenho todo o respeito, mas dentro da Doutrina Espirita ou Espiritismo, acredito que não tem espaço nos molde como é referido, sem as condicionantes espirituais.
Um abraço fraterno