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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Ignarus em 31 de Agosto de 2010, 16:05

Título: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 31 de Agosto de 2010, 16:05
O aspecto religioso do Espiritismo

Do mesmo modo como tem havido falta de compreensão acerca do caráter científico do Espiritismo e de suas relações com as ciências, seu caráter religioso e suas relações com as religiões também têm constituído ponto de frequentes confusões. Assim como se pode mostrar ser o Espiritismo científico, embora não se inclua entre as ciências ordinárias, por estudar um domínio diverso de fenômenos, pode-se, conforme o fez o próprio Kardec, mostrar que o Espiritismo é religioso, embora não se confunda com as religiões ordinárias. Se no estabelecimento da primeira dessas teses é necessário identificar corretamente que características de uma teoria a tornam científica, temos, para justificar a segunda, que estabelecer critérios adequados para a classificação de uma doutrina no âmbito religioso.
 
A palavra religião evoca, por sua origem, à ideia da “re-ligação” do homem ao Criador. Como se sabe, ao longo da história inúmeras propostas se apresentaram de como essa “re-ligação” deve ser entendida e efetuada, resultando daí as diversas “religiões”.
 
Afora divergências sobre a própria noção de Deus e da natureza do ser humano, as religiões se diferenciam quanto aos requisitos propostos para que a criatura se religue a Deus. Quase sempre, eles incluem a adequação da conduta a certas regras morais. Tipicamente, também incluem a satisfação de providências formais e externas de vária ordem: participação em cultos, rituais, cerimônias; realização de determinados gestos; recitação de fórmulas e rezas; adoração de imagens e objetos diversos; promessas, penitências, jejuns, etc.
 
Ora, já se pode perceber aqui algumas distinções fundamentais entre o Espiritismo e as religiões ordinárias. Como elas, o Espiritismo também se preocupa com o destino do homem, na Terra e no além-túmulo, procurando instruí-lo quanto ao que deve fazer para que alcance estados de felicidade cada vez maior. No entanto, o Espiritismo propõe que esse objetivo  pode ser alcançado exclusivamente pela adaptação da conduta a determinados preceitos morais. Qualquer medida de ordem exterior é mostrada ser não somente ineficaz, mas também, em muitos casos, nociva, por desviar a atenção do ponto principal e induzir ao sectarismo.
 
Depois, uma diferença crucial surge no modo pelo qual as regras éticas são justificadas. As religiões ordinárias procuram justificar as normas morais que propõem recorrendo à autoridade desse ou daquele indivíduo ou instituição. Já o Espiritismo fundamenta o corpo de seus princípios éticos – sintetizados no preceito cristão do amor ao próximo – no conhecimento que cientificamente alcança das consequências das ações humanas ao longo da existência ilimitada dos seres, conjugado à cláusula teleológica de que todos almejam a felicidade. Não há aqui lugar para dogmas e imposições, mas exclusivamente investigação livre e racional dos fatos. Aliás esse já era o modo pelo qual o Apóstolo Paulo entendia a moral, pois em sua primeira carta aos Coríntios (10:23) asseverou: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, porém nem todas edificam.”
 
Em diversas de suas obras, Kardec deu grande importância ao estabelecimento da moral espírita, abordando o assunto em profundidade. Mostrou que, com o conhecimento científico espírita, a moral deixa de ser uma questão de especulações abstratas ou de opiniões, estando indissociavelmente ligada ao estudo dos efeitos naturais das ações humanas, em conexão com a busca da felicidade, objetivo comum de todos os seres humanos. Ressaltou ainda que o corpo de princípios morais obtidos por essa via da razão e da experiência coincide com aquele proposto por Jesus. Conforme registrou no parágrafo 56 do primeiro capítulo de A Gênese, o Espiritismo “[dá] por sanção à doutrina cristã as próprias leis da Natureza”.
 
Continua...
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 31 de Agosto de 2010, 16:07
Continuação e final.

Ora, na medida em que fornece ao homem conhecimento seguro das regras de conduta capazes de harmonizá-lo consigo mesmo e com os demais seres – e portanto, efetivamente, com o plano divino –, o Espiritismo torna-se “o mais potente auxiliar da religião”, conforme nota Kardec nos lúcidos comentários adidos às questões 147 e 148 de O Livro dos Espíritos. A religião aqui aludida não se confunde, evidentemente, com as doutrinas religiosas tradicionais, com suas hierarquias, dogmas inquestionáveis e práticas exteriores, sendo antes uma religião no sentido próprio do termo, explicado acima.

 

A velha questão de se o Espiritismo é ou não uma religião não admite, pois, resposta unívoca, dada a duplicidade semântica do termo ‘religião’. Esse ponto foi estudado em profundidade no artigo de Kardec intitulado justamente “Le Spiritisme est-il une religion?”, que apareceu na Revue Spirite de 1868. Para encerrar, vejamos estes parágrafos do famoso texto:

 

[...] o Espiritismo é, assim, uma religião? Sim, sem dúvida, senhores: No sentido filosófico o Espiritismo é uma religião, e disso nos honramos, pois que é a doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos não em uma simples convenção, mas sobre a mais sólida das bases: as próprias leis da Natureza.

 

Por que então declaramos que o Espiritismo não era uma religião? Pela razão de que há apenas uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, segundo a opinião geral, o termo religião é inseparável da noção de culto, evocando unicamente uma ideia de forma, com o que o Espiritismo não guarda qualquer relação. Se se tivesse proclamado uma religião, o público nele não veria senão uma nova edição, ou uma variante, se quisermos, dos princípios absolutos em matéria de fé, uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, cerimônias e privilégios; não o distinguiria das ideias de misticismo e dos enganos contra os quais se está frequentemente bem instruído.

 

Não apresentando nenhuma das características de uma religião, na acepção usual da palavra, o Espiritismo não poderia nem deveria ornar-se de um título sobre cujo significado inevitavelmente haveria mal-entendidos. Eis porque ele se diz simplesmente uma doutrina filosófica e moral.

***

Paz e Sabedoria



Ignarus
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 31 de Agosto de 2010, 17:44
Se formos buscar melhor meu amigo Ignarus, não é só neste discurso de kardec que ele demonstra bem que Espiritismo não é religião. Na obra mais básica de doutrina "O Que é o Espiritismo", ele também fala em dopis momnentos, o primeiro ao fim do preâmbulo. o segundo  quando fala ao Padre. Obsevermos esses dois momentos que insisto em colar aqui:

"O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações.
Pode-se defini-lo assim:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.

Em resumo, a Igreja, repelindo sistematicamente os espíritas que voltavam para ela, forçou-os a retrocederem; pela natureza e violência de seus ataques, ela alargou a discussão e a conduziu para um terreno novo. O Espiritismo não era senão uma simples doutrina filosófica e foi ela mesma que o engrandeceu apresentando-o como um inimigo terrível;enfim, foi ela que o proclamou como uma nova religião. Foi umaimperícia, mas a paixão não raciocina."
 Observemos com bastante atenção a última frase:"O Espiritismo não era senão uma simples doutrina filosófica e foi ela   mesma que o engrandeceu apresentando-o como um inimigo terrível;enfim,   foi ela que o proclamou como uma nova religião. Foi uma imperícia, mas a   paixão não raciocina.", e veremos que kardec dá a conotação de "paixão", ao ato da igreja.
Sendo assim, não se pode conceber a doutrina como nova religião,  todavia, por falar nos aspectos morais e atrela-los ao contente do estudo contido na obra O Evangelho Segundo o Espiritismo", teremos bem exposto o aspecto moral e não religioso que a doutrina trás.
Senão O próprio codificador teria falado coisas díspares deixando dúbia toda a concepção da doutrina, vejam aqui:"O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina   filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem   estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as   conseqüências morais que decorrem dessas relações."
Abraços,
Moura
"

Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Bluemoon em 31 de Agosto de 2010, 17:55
Olá a todos os amigos, muita paz...

Amigo Ignarus e mano Moura obrigada por partilharem os vossos conhecimentos desta linda Doutrina!!

Grandes ensinamentos!!! :)

Um abraço fraterno.
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: bisognini em 31 de Agosto de 2010, 18:26
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 31 de Agosto de 2010, 20:44
Vamos estudar mais e debater mais amigos!

vejamos primeiramente algumas considerações de Kardec a repeito do tema:

Espiritismo e Religião

Num discurso proferido na Sociedade Espírita Parisiense - registrado na Revista Espírita, 1868 - Allan Kardec coloca o tema:

 “Espiritismo é uma Religião?”

“É sim, senhores, sem dúvida uma religião e disso nos honramos, pois é a doutrina que funda os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não em uma simples convenção, mas sobre a mais sólida das bases; as próprias Leis da Natureza. Por que então declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem.
Se o Espiritismo se dissesse uma religião o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública.”

Por fim, Kardec conclui:
 “Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral.”

***
 
Emmanuel, em uma de suas colocações afirma:
 “Na Doutrina Espírita, a Filosofia reflexiona, a Ciência indaga, o Evangelho ilumina. A Filosofia e a Ciência são os meios, o Evangelho é o fim.” Apesar de algumas opiniões contrárias, o Espiritismo é o “Cristianismo Redivivo”. O Cristo encarnou no Planeta em momento que julgou oportuno para dar continuidade às Leis Mosaicas e trazer a “Boa Nova”. Sua vinda foi amplamente anunciada por Isaias, Miquéias e Jeremias; Zacarias anunciava a “vinda de um rei, mas que será humilde e pacífico”. Jesus veio, pregou, exemplificou e afirmou “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; Ninguém vai ao Pai, senão por mim.”
 
***

Para alguns, religião significa ligação com Deus, respeitando suas Leis que Jesus nos ensinou. É termos religiosidade.
 
Para outros religião é uma instituição com organização clerical, com seus dogmas, ritos e conceitos, onde os prosélitos ouvem e devem acatar os clérigos que passam, então, a serem "donos" exclusivos do entendimento da "palavra de Deus" impondo a fé conforme as diretrizes de suas igrejas.
 
O espiritismo, por não possuir tais características não é entendido como religião, mas a partir do ponto que desenvolve a fé raciocinada em Deus e mostra a necessidade de um padrão de conduta condizente com a Moral Evangélica acaba por ser, também, uma religião. A principal diferença consiste no fato que a fé no espiritismo é patrimônio da alma que desenvolve com a autoconscientização. Mesmo por que a humanidade ainda presas ao velhos hábito milenares tem necessidade deste conceito.

Kardec indaga aos Espíritos, na questão 625, do O Livro dos Espíritos:
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”, a resposta: “Jesus.”


Devemos, portanto, seguir seu exemplo vivendo dentro de um comportamento ético moral; procurando “Amar o próximo como a nós mesmos” e para isso é necessário abjurar todo sentimento de ódio, compreender e perdoar, esta é a maneira de vivermos uma religião de amor, vivermos com religiosidade.
 
Paz e Sabedoria!
 
Ignarus

Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 31 de Agosto de 2010, 21:00

O site: www.ajornada.hpg.ig.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5ham9ybmFkYS5ocGcuaWcuY29tLmJy) realizou, no período de novembro a dezembro de 2001, uma entrevista para conhecer e disponibilizar aos internautas o perfil de cada um de seus colunistas. Entre as várias perguntas destacamos uma, já que ela ainda gera polêmica no meio Espírita: O Espiritismo é Religião?

01 – Albert Paul Dahoui
Escritor de "A Saga dos Capelinos".
Resposta: Sim. Pura e simplesmente sim. Qualquer palavra adicional é supérflua.

02 – Amílcar Del Chiaro Filho
Apresentador de vários programas na Rede Boa Nova de Rádio, articulista em vários jornais e presidente do Grupo de Estudos e Pesquisas Espíritas Herculano Pires, de Guarulhos e 2º secretário da USE Intermunicipal de Guarulhos.
Resposta: O assunto é delicado mas não posso me omitir. Não o tenho como religião, mas ele me conduz a uma intensa religiosidade. Aceito-o como religião natural, como ensinou Herculano Pires, sem nenhuma conotação com qualquer religião, rito ou o que seja.

03 – Carlos de Brito Imbassahy
Engenheiro e Professor de Física aposentado, articulista e escritor de vários livros.
Resposta: Não, mas tem uma parte religiosa contida logo no capítulo I do Livro dos Espíritos (Que é Deus). Uma religião possui sacerdotes, mitos, cultos, dogmas enfim e o Espiritismo não tem nada disso. Contudo, como Virgilio definiu a religião (em latim: religio, onis) como sendo o estudo dos deuses e de suas obras, seu culto e rituais em sua homenagem, sem dúvida, temos a primeira parte desse conceito. O Espiritismo é uma doutrina, como define Kardec no seu livro "O Que é o Espiritismo".

04 – Carmen Imbassahy
Escritora e Articulista espírita.
Resposta: Segundo Allan Kardec, no seu principal livro - O Que é o Espiritismo -, a Codificação espírita é uma doutrina de caráter experimental cientifico e conseqüências filosóficas, encerrando uma parte religiosa, como garante a um padre, respondendo-o, no mesmo livro.

05 – Clécio Carlos Gomes
Médium de incorporação, psicólogo e psicopatologista especializado em saúde mental. Divulgador da técnica apométrica e escritor.
Resposta: Do ponto de vista de religação a Deus, sim. Porém as religiões possuem uma tendência dogmática e isso já ocorre dentro do espiritismo. Não podemos esquecer que o dogmatismo é humano e não divino e isso cria uma série de julgamentos e pré-conceitos. Encaro o espiritismo mais como uma doutrina-filosófica e, conseqüentemente, como a ciência da alma.

06 – Eduardo Carvalho Monteiro
Psicólogo, Vice-Presidente da Sociedade Espírita “Anália Franco” de Eldorado (Diadema); Assessor Pró-Memória da USE-União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, responsável pelo seu CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO HISTÓRICA; palestrante e escritor com 21 livros publicados.
Resposta: Sem dúvida alguma. Relembro aqui uma magistral síntese do prof. Herculano Pires sobre a questão: "Espiritismo é a ciência do Espírito e de suas relações como Homem, advindo daí uma doutrina filosófica de conseqüências morais ou religiosas”. Quem sou eu para rebater mestre Herculano?

07 – Iso Jorge Teixeira
Médico. Psiquiatra. Livre-Docente de Psicopatologia e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Resposta: Com certeza NÃO. É uma Doutrina com conseqüências religiosas.

08 – Jacob Melo
Engenheiro Civil e Empresário. Expositor espírita desde os 15 anos de idade. Escreveu o livro O Passe: seu estudo, suas técnicas, sua prática, entre outros.
Resposta: É sim. Não nos moldes convencionais, mas dentro do princípio de que o Espiritismo é baliza para almas que querem norte e buscam consolo, amparo e força, além de razão e bom-senso.

09 – Jussara Korngold
Envolvida com o Conselho Espírita Internacional (CEI) na programação de atividades e também nas traduções de livros espíritas para o Inglês.
Resposta: Sem duvida, porque sem o aspecto religioso da doutrina não conseguiríamos encontrar o sustentáculo necessário para nos manter firmes em nossa disposição de crescimento espiritual. E a parte religiosa que nos enche de fé e que nos guia nas adversidades do caminho. É ela que nos liga a Jesus e que nos auxilia em nossa aproximação com o Pai. Sem o aspecto religioso da doutrina seriamos intelectuais letrados a respeito das coisas do espírito mas traríamos o nosso coração vazio de humildade, caridade e amor.

10 – Luiz Carlos D. Formiga
Biomédico com Doutorado em Microbiologia e Imunologia. Professor Universitário, palestrante e articulista Espírita.
Reposta: Até no dicionário a palavra religião é de difícil compreensão. Espiritismo é um neologismo, necessário para explicar uma nova ordem de idéias apresentada em "O Livro dos Espíritos". Nele encontramos uma filosofia de caráter científico e uma ciência de conseqüências religiosas. Oferecendo uma filosofia existencial religa a criatura ao Criador. A compreensão pode ser ampliada com reflexão profunda usando o Capítulo II do Livro Terceiro, Leis Morais, Lei de Adoração de "O Livro dos Espíritos".

Continua...
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 31 de Agosto de 2010, 21:04
continuação.

11 – Luiz Signates
Jornalista, professor e pesquisador na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Goiás, presidente da ONG espírita Instituto de Comunicação Social Espírita, membro da Abrade, a Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo, e também palestrante e escritor espírita.
Resposta: Esta pergunta, se feita para um cientista social, causar-lhe-ia risos. "Claro que é", diria ele. "Basta observar a realidade social do espiritismo, para concluir que é, sim, uma grande religião brasileira, organizada e institucionalizada".
A controvérsia entre espíritas sobre esse assunto, que remonta os primórdios do espiritismo no Brasil e dividia "místicos" contra "cientificistas", tem se verificado exclusivamente num terreno de discussão que eu chamaria de "teológico", porque o que se debate não é a realidade concreta, mas os sentidos e significados dos textos fundadores.
Recentemente, em diálogo com alguns amigos que compõem a CEPA (Confederação Espírita Panamericana, que advoga que o espiritismo não é religião), argumentei que, ante a realidade social e antropológica do espiritismo contemporâneo (inclusive aquele que eles praticam), não há que discutir se somos ou não uma religião. Se não éramos, disse a eles, tornamo-nos. E colhendo quase tudo da herança católica brasileira, inclusive algumas de suas idiossincrasias. Cabe-nos, sim, resolver o que faremos do que somos, da tradição que criamos e que hoje nos estrutura uma identidade cultural espírita, por sinal, bastante diferente daquela que Kardec fundara, lá na França do século 19... Esta, sim, seria uma discussão interessante.

12 – Marcus De Mario
Escritor e Articulista. Realiza palestras, seminários e a escreve para a imprensa espírita..
Resposta: Sim. Não no sentido velho do termo, ou seja, como seita com dogmas, rituais, corpo sacerdotal, etc. É religião no sentido moral/espiritual, de ser doutrina baseada nos ensinos de Jesus e que trabalha a moralização e espiritualização do ser humano. O Espiritismo leva o homem à busca de si mesmo e ao encontro da religiosidade, ou seja, do sentimento raciocinado de fé.

13 – Mercedes Marin
Psicóloga, divulgadora espírita com programas na rádio Boa Nova. Ministra cursos e palestras em centros espíritas.
Resposta: Considero espiritismo também religião, conceituando religião como o sentimento que nos liga ao Divino, a Deus e não uma religião institucionalizada. Mas confesso que o espiritismo me atrai muito enquanto ciência e filosofia.

14 – Orson Peter Carrara
Expositor, escritor, articulista da imprensa, assessor de imprensa da Casa Editora O Clarim colaborando em diversos jornais e sites espíritas.
Resposta: Sim, mas aliada à ciência e à filosofia. Doutrina racional, baseada nos fatos e usando a lógica e o bom senso, leva ao bem.

15 – Paulo da Silva Neto Sobrinho
Bacharel em Ciências Contábeis e Administração de Empresas. Funcionário público aposentado. Expositor espírita com artigos publicados em diversos jornais, revistas e sites.
Resposta: Pensamos que sim. Muito embora não tenha nada a haver com as práticas das religiões tradicionais, e isso leva alguns a não quererem que ela seja uma religião. Fora do meio espírita ela vem sendo gradativamente aceita como uma religião, conforme podemos notar na divulgação de algum resultado de pesquisa popular feita por órgão especializado ou mesmo oficial.

16 – Ricardo Di Bernardi
Médico homeopata geral e pediatra, Presidente da Assoc. Médico-Espírita de Santa Catarina. Articulista espírita, palestrante e autor de diversos livros.
Resposta: Não. É uma Doutrina. Como não tem sacerdotes, dogmas,rituais, dízimos, não é religião porém tem conseqüências ético-morais. No entanto isto não tem importância nenhuma ao meu ver. Na hora que passa o censo na minha casa e pergunta : Religião ? coloco "espírita", pois teria que dar uma hora de aula para explicar ao pesquisador do censo.

17 – Saara Nousiainen
Vice-Presidente da Ass. de Divulgadores do Espiritismo do Ceará, radialista com 3 programas de rádio em Fortaleza e na Rádio Boa Nova e escritora de vários livros.
Resposta: Entendo Espiritismo como um universo de informações, cujo conteúdo modifica paradigmas, amplia conceitos, deixa a criatura de bem com a vida e, aplicado na prática, desenvolve a religiosidade, dando rumos e roteiros para o crescimento interior do ser, rumo ao Pai.

18 – Wlademir Lisso
Advogado, diretor na FEESP da área Federativa que realiza a integração com os Centros, ministra palestras e cursos em Casas Espíritas e Autor de um livro.
Resposta: Sem dúvida. Basta verificar a definição de religião dos dicionários que também significa conjunto de práticas e princípios que buscam ligar o homem a Deus. Religião apoiada na filosofia e ambas apoiadas na ciência espírita. Se entender religião no seu conceito dogmático existe a dúvida mas religião no seu conceito mais amplo e profundo incluímos o espiritismo.

Continua...
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 31 de Agosto de 2010, 21:06
Continuação e final.

                        Resumo
                        Responderam SIM   11 entrevistados   61% do total
                        Responderam NÃO   04 entrevistados   22% do total
                        Respostas Indefinidas   03 entrevistados   17% do total.

Quando será que iremos ter uma definição clara sobre esse assunto?
Mas até que isso aconteça, podemos refletir sobre a opinião de Kardec, quando do seu discurso de abertura na Sociedade de Paris, na Sessão Anual Comemorativa dos mortos, feito no dia 1º de novembro de 1868, publicado na Revista Espírita de dezembro do mesmo ano, em que ele diz:
“Se assim é, dir-se-á, o Espiritismo é, pois, uma religião? Pois bem, sim! sem dúvida, Senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e disto nos glorificamos, porque é a doutrina que fundamenta os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as bases mais sólidas; as próprias leis da Natureza”.
“Por que, pois, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Pela razão de que não há senão uma palavra para expressar duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; que ela desperta exclusivamente uma idéia de forma, e que o Espiritismo não a tem. Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria nele senão uma nova edição, uma variante, se assim nos quisermos expressar, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com um cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo, e dos abusos contra os quais a opinião freqüentemente é levantada”.
“O Espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria se ornar de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral”.
*********
 
Paz e Sabedoria
 
Ignarus
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: bisognini em 31 de Agosto de 2010, 22:47
Ignarus, interessante a pesquisa e as respostas, no me ponto de vista mostrar que o aspecto religioso dentro do espiritismo ainda é um pouco confuso apesar que algumas respostas SIM tem um complemento contrario.

Em fim, é um tema interessante

Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: fcfigueiredo em 31 de Agosto de 2010, 23:36
Ignarus quero te congratular pelo magnífico trabalho!
Admiro sua persistencia, pois vc postou o discurso de Kardec de Novembro de l868, portanto ONZE anos depois de publicado o Livro dos Espíritos e notem, QUATRO meses, antes de desencarnar.
Não consta nos anais do Espiritismo, o registro de que Kardec, estaria, nos últimos anos de vida, senil, esclerozado ou coisa parecida.  Ora, se ele afirma com todas as letras que no sentido filosofico, ela é uma Religião e que disso nos Glorificamos?
O que querem mais? Reafirma o caráter religioso do Espiritismo, explica o porque não o apresentou dessa forma desde o início, mostra a dificuldade de lidar com uma só palavra para designar uma coisa nova que apesar de cumprir o objetivo de ligar a criatura a Deus e a desenvolver sentimentos morais e fraternos, não possue os  velhos iingredientes, como culto, rituais e ordem sacerdotal...
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: fcfigueiredo em 31 de Agosto de 2010, 23:41
continuação...
e mostra que se o tivesse apresentado, naquele momento histórico, como religião, teria sido regeitado.
Agora, pode-se questionar o contorno religioso que ele adquiriu em terras tupiniquins...isso sim!
Pra encerrar, o trecho do discurso de Kardec que vem logo a seguir ao parágrafo em que vc Ignarus encerrou a sua citação:
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: fcfigueiredo em 31 de Agosto de 2010, 23:46
encerrando...
diz Kardec, ainda sem encerrar seu discurso:
As reuniões espíritas podem, pois, ser mantidas religiosamente, quer dizer, com recolhimento e o respeito que comporta a natureza séria dos assuntos dos quais ela se ocupa; pode-se mesmo ali dizer, se for possível, as preces que, em lugar de serem ditas em particular, são ditas em comum, sem ser por isto que se entendam por assembléias religiosas. Que não se creia que esteja aí um jogo de palavras; a nuança é perfeitamente clara, e a aparente confusão não vem senão da falta de uma palavra para cada idéia.

Qual é, pois, o laço que deve existir entre os Espíritas? Eles não são unidos entre si por nenhum contrato material, por nenhuma prática obrigatória; qual é o sentimento no qual devem se confundir todos os pensamentos? É um sentimento todo moral, todo espiritual, todo humanitário: o da caridade para todos, de outro modo dito: o amor do próximo que compreende os vivos e os mortos, uma vez que sabemos que os mortos sempre fazem parte da Humanidade.

Ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/revista-espirita/discurso-de-abertura-pelo-sr-allan-kardec-(1)/#ixzz0yE1rqwRm
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 31 de Agosto de 2010, 23:56
Ignarus quero te congratular pelo magnífico trabalho!
Admiro sua persistencia, pois vc postou o discurso de Kardec de Novembro de l868, portanto ONZE anos depois de publicado o Livro dos Espíritos e notem, QUATRO meses, antes de desencarnar.
Não consta nos anais do Espiritismo, o registro de que Kardec, estaria, nos últimos anos de vida, senil, esclerozado ou coisa parecida.  Ora, se ele afirma com todas as letras que no sentido filosofico, ela é uma Religião e que disso nos Glorificamos?
O que querem mais? Reafirma o caráter religioso do Espiritismo, explica o porque não o apresentou dessa forma desde o início, mostra a dificuldade de lidar com uma só palavra para designar uma coisa nova que apesar de cumprir o objetivo de ligar a criatura a Deus e a desenvolver sentimentos morais e fraternos, não possue os  velhos iingredientes, como culto, rituais e ordem sacerdotal...

Figueiredo,
Kardec disse com todas as letras: " no sentido filosófico", apenas neste sentido amigo e por favor não recorte apenas a parte que lhe serve, pois logo abaixo Kardec diz porque não é religião.
manter religiosamente amigo figueiredo é manter dentro de extrema seriedade a partir do horário e dos dias, sem deixar de lado todo o re4stante que ele mesmo expõe.
amigo ninguém aqui no Fórum  se deixa levar por falácia, se todos leram o trabalho do amigo Ignarus, notaram a isenção com que ele colocou todo o discurso do codificador., logo cabe ao amigo fazer o mesmo, valendo-se do exemplo dele.
Se o amigo quer continuar com a religião antes professada tudo bem, vá a igreja,tome a hóstia, confesse em fim, cometa todos os atos próprio daquela religião, pode mesmo ser católico e ser Espírita pois uma coisa não invalida a outra,  mas por favor, deixe de repetir a velha e falsa falácia de os Espíritos ser religião. não é, o codificador assim o disse.
abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: filhodobino em 01 de Setembro de 2010, 00:04
Amigo Moura,
Repares no que me disse lá no outro tópico...
Evangelizador não é Religião também não...
Evangelizador é ligado ao que o Cristo ensinou... e o que Cristo ensinou não foi religião...
Porque lá o amigo apoia critica a Evangelizador e aqui defendes doutrinador...
Evangelizador e Doutrinador é a mesma coisa... independe do ramo de religião do qual ele veio.
Estou em erro?
se estou corrija-me por favor...
Saúde e Paz!
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: bisognini em 01 de Setembro de 2010, 00:12
Perfeito Moura!!!!!
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 00:19
releia com atenção amigo filho do Bino e veja se apoio o termo doutrinador...
Não temos nem o cacoete para tal, falta-nos conhecimento e moral ilibada condição sine qua non para um doutrinador.
Jesus o foi, nós nem chegamos á poeira de suas sandalhas...
apóio toda e qualquer crítica bem enuncada que demonstra a mã execução desse evangelizar que já começa errado pela perda do H que o verbo deveria conter tendo em vista a palavra que lhe deu origem e a língua que nos é mãe, amigo é a latina, pois o português é a última língua das Neo latinas, ou româticas.
A grande maioria das casas espíritas usa mal, e sem fulcro no que a doutrina ensina, a possibilidade do ensino moral para as crianças.
Parecem  jardins de infância onde a hora do recreio seja o mote que os Evangelizadores usem, isso quando não se metem a ensinar o que não conhecem.
Existem Casas Espiritas que façam bem tal trabalho? Existem mas com imensa tristeza, lhe vou informar que se não mudou a estatística nesses poucos meses em que não vigio isso, ainda ocorre a mesmice  desentoada. Essas casas são a exceção, quando deveriam ser a regra, como muita coisa errada que se ensina como sendo Espiritismo dentro das casas espíritas desse brasilzão.
Antes que eu me posicione eu corro atrás mano, vou ver em cada uma delas, ou seja na maioria delas,  e hoje mias no meu estado, não falo da boca para fora.
Abração,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: fcfigueiredo em 01 de Setembro de 2010, 00:22
Meu querido Moura, acho que vc é quem não leu o discurso de Kardec, na íntegra, acho que vc encastelou algumas idéias, como reação inconsciente, à fase em que perambulou por outras filosofias e expressões religiosas exdrúxulas.  Pra vc que se livrou, talvez com sacrifício, daquelas fórmulas e rituais, falar em Doutrina Espírita como Religião parece um retrocesso...
Calma, meu amigo, não é não!
A Religião Espírita não abraça essas fórmulas, não. Quem as abraça, são líderes que vieram daquelas religiões...de minha parte, nunca estive, pelo menos nessa encarnação, dentro delas, pois meu universo sempre foi o Espírita.
Mais eu sou capaz de entender sua reação, pois tudo ainda é muito recente em sua mente...
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 00:59
Amigo Figeueiredo, esse discurso eu mesmo já coloquei nesse Fórum mais de 5 vezes, mas parece que o amigo não reparou...
Abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: mecame em 01 de Setembro de 2010, 02:03
Irmãozinhos, todas as postagens estão de parabéns. Inteligentissimas colocações. Eu não sou defensor disso. Para mim tanto faz ser ou não religião. Para mim o que importa é o teor das obras kardequianas. Mas, se posso dar a minha opinião eu posso dizer que não vejo o espiritismo como religião. E uma das maiores provas de que o Espíritismo não é religião é que em nenhum livros da codificação é dito que tudo o que ali está escrito salva. Deiferente de uma religião que diz que seus conhecimento é a salvação. No caso do Espiritismo todo o teor das obras deixam bem claro que mesmo um homem não conhecendo a doutrina seria ele bem aventurado ou não dependendo do estado moral do seu espírito. Esse homem pode ser um evangélico, um católico ou mesmo estar em qualquer outra religião ou não estar em religiaõs nenhuma. Devido este aspecto da não condenação eu acredito que o Espiritismo já pode se anunciar que não é uma religião. Pois todas as religiões conhecidas apresentam esta característica condenatória, impondo que sem seus dogmas não se pode obter qualquer êxito. No caso do Espiritismo não temos este problema. Sabemos que um homem em independente de religião pode encontrar o êxito mesmo sem ter qualquer conhecimento do espiritismo. A paz de Cristo a todos
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Antonio Renato em 01 de Setembro de 2010, 03:24
Caros irmãos,porque tanta discursão sobre um tema mesmo sendo ele contraditório,eu vejo o espiritismo como uma doutrina filosófica que nos conduz na forma de religião.
fiquem na paz
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 01 de Setembro de 2010, 16:55
Caros amigos!

Muito se discute a fim de se categorizar a Doutrina nos Espíritos. Uns alegam que é Ciência unicamente ao passo que outros dizem ser Religião exclusivamente e  muitos insistem que é uma filosofia doutrinária.

Seria possível a existência da Doutrina dos Espíritos se não houvesse o perfeito entrosamento entre ciência, filosofia e religião?

Não é a fé em Deus um fruto da religiosidade?

A fé na doutrina espírita não apoiada pela ciência e pela filosofia?

Será mesmo que podemos desconsiderar uma das três características da doutrina espírita?

Vejamos o que Diz Allan Kardec no Evangelho segundo o Espiritismo  Capítulo 1:

“ALIANÇA DA CIÊNCIA E DA RELIGIÃO

8. A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo  material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se.
Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra. A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.

São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo têm de ser completados; em que o véu intencionalmente lançado sobre algumas partes desse ensino tem de ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, já se lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos fatos.

A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres.

Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo. Mas, nisso, como em tudo, há pessoas que ficam atrás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe, em vez de o acompanharem. É toda uma revolução que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais de dezoito séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma nova era na vida da Humanidade. Fáceis são de prever as consequências: acarretará para as relações sociais inevitáveis modificações, às quais ninguém terá força para se opor, porque elas estão nos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que é lei de Deus.”

Como vimos, para estudar e entender  a Doutrina dos Espíritos é impossível separar a Ciência da Religião, pois que, uma dá o suporte a outra, uma completa a outra. A Ciência sem religião fica restrita apenas ao campo finito do materialismo e a fé sem o concurso da Ciência a apoiá-la cairia fatalmente na redundância fanática com a preponderância dos dogmas e pragmatismos.

Uma Ciência Religiosa ou um Religião Científica, vai depender do ponto de vista de quem inicia um estudo. Mas com toda segurança podemos afirmar que o Espiritismo está acima do Conceito de Religião apenas, e depende da ciência a fim de consubstancia-lo. Pois que, diferencia-se muito de toda manifestação religiosa existente, principalmente, por aliar-se com a ciência e a filosofia que lhe dão as provas que a fundamenta através de estudos dos fatos reais sem ideias preconcebidas estabelecendo os padrões de conduta moral a que deve se submeter toda a humanidade.

Com certeza é uma Ciência Religiosa, pois que, estuda todos os fatos à luz da Fé em Deus e de Suas Leis Universais. E também é uma Religião Científica pois jamais poderia se sustentar sem comprovações que satisfazem a Lógica e a Razão.

Continua...
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 01 de Setembro de 2010, 17:00
Continuação..


Por tanto, separar a Ciência da Religião ao estudar o Espiritismo é, ao mesmo tempo, tirar-lhe a Razão da Fé e retroceder à fé cega, submissa, dogmática e supersticiosa.

Vejamos as palavras de Kardec, quando do seu discurso de abertura na Sociedade de Paris, na Sessão Anual Comemorativa dos mortos, feito no dia 1º de novembro de 1868, publicado na Revista Espírita de dezembro do mesmo ano, em que ele diz:

“Se assim é, dir-se-á, o Espiritismo é, pois, uma religião? Pois bem, sim! sem dúvida, Senhores; no sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e disto nos glorificamos, porque é a doutrina que fundamenta os laços da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre as bases mais sólidas; as próprias leis da Natureza”.
“Por que, pois, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Pela razão de que não há senão uma palavra para expressar duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; que ela desperta exclusivamente uma idéia de forma, e que o Espiritismo não a tem. Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria nele senão uma nova edição, uma variante, se assim nos quisermos expressar, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com um cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo, e dos abusos contra os quais a opinião freqüentemente é levantada”.

“O Espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria se ornar de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral”.


O texto define com exatidão o caráter religioso da DE, mas para não se confundido com os arcaicos conceitos de religiosidade até então,  o que poderia ser argumentos dos adversários e ser muito mais combatido do que foi e que para pudesse ser aceito por aqueles que veriam somente mais uma pretensa doutrina religiosa a tomar conta da verdade com exclusividade. Assim Kardec sabiamente usa um jogo de palavras apenas e começa dizendo “é sim uma religião” e termina o texto completando que é uma “doutrina filosófica moral”.

Caro amigos, existem vários confrades que negam a religiosidade do Espiritismo, assim como alguns outros que se preocupam trazer para a DE conceitos  espiritualistas  para a Doutrina dos Espíritos.

Agora façamos algumas perguntas

1) fé em Deus que direciona a alma para um padrão de conduta moral conforme o evangelho de Jesus está para religião como os fatos estão para a ciência, ou não?

2) toda filosofia voltada para o estudo e a crítica relacionada com a existência da alma diante do universo e da soberania criadora de Deus estabelecendo conceitos para orientação da humanidade tendo em vista a paz e a harmonia deixa de ser fomentadora da fé?

3) toda ciência que consegue explicar a fé dando-lhe conceitos racionais e consubstanciar os conceitos filosóficos deixa de ser ciência?

4) a fé com o aval da ciência e em consonância com os padrões filosóficos que lhe atestam, deixa de ter o caráter religiosos?

5) se a fé está inserida no contexto religioso a religião tem que ser necessariamente exteriorizada através de algum tipo de culto?


6) qual a diferença entre filosofia científica e doutrina religiosa? e mais, se a união da filosofia com ciência nos traz verdades para que servem estas verdades, senão, para atestar uma religião verdadeira?

7) poderia somente a ciência filosófica moral sem a religião instituir uma fé?

8 ) seria possível uma religião, sem ser uma ciência e filosofia moral instituir uma fé racional?
 
Entendamos que o Espiritismo estabelece que a verdadeira religião tem seu templo no coração, o altar  na consciência, a vela que ilumina é a do estudo, o santo é o mais sábio e prudente, o sacerdote que guia é a fé racional e o "rito" é a prática do bem e da caridade e o únicos demônios a serem vencidos são o orgulho, o egoísmo, a ignorância, o medo e a dúvida através luta constante com a reforma íntima.


Entendamos mais:

Jesus, o Divino Amigo de nossas almas, prometeu que nos enviaria o Consolador, que nos recordaria tudo o que Ele nos ensinou e que nos ensinaria outras coisas mais, as quais, para compreendê‐las, estaríamos preparados, acrescentando que tal tesouro ficaria eternamente conosco. Sua promessa foi registrada por João, no seu Evangelho, no cap. XIV, vv. 14 a 17 e 26.

O cumprimento da promessa de Jesus – O Consolador – , representa, assim, na Terra, mais uma etapa da escalada espiritual do homem, quando já se mostra suficientemente maduro para absorver o conhecimento das leis naturais que o regem desde seu princípio, dentro de um esquema  progressivo e dinâmico.

Alguns teóricos veem nas manifestações religiosas algo incompatível com a Doutrina dos Espíritos. Assim como muitos Espíritas ainda não compreenderam a necessidade do estudo constante para não caírem no fanatismo que os levaria fatalmente à superstição e aos extremismos preconceituosos e dogmáticos. 

Contudo, devemos compreender que religião e ciência filosófica  são os dois lados da mesma moeda, pois que, saber sem fé nada é e fé ignorante não é nada, e que a fé está para religião como o saber está para ciência e a moral está para filosofia.  Concluímos daí que é preciso alimentar a fé com a sabedoria e a razão com o sentimento. Só assim, as almas evoluirão.

Todos sabemos que é através do convívio que as almas evoluem, são provadas e restauram seus erros. Então, esta convivência à luz da Moral Evangélica e da Fé Racional nada mais é do que a verdadeira Igreja do Cristo, onde todos unidos oram, trabalham, fortalecem-se e seguem sua caminhada evolutiva, despojando-se dos velhos trajes.

Paz e Sabedoria!
 
Ignarus
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 17:28
Caros irmãos,porque tanta discursão sobre um tema mesmo sendo ele contraditório,eu vejo o espiritismo como uma doutrina filosófica que nos conduz na forma de religião.
fiquem na paz
Vês errado amigo Renato, pois não enxergas o ensino de Kardec sobre o ponto.
Uma coisa é ver, outra enxergar quem vê pensa que enxerga a tudo mas só quem enxerga o faz por deter sua atenção e raciocínio com base, no caso da doutrina.
Na verdade não há contradição no tema em si, há sim o desconhecimento e a paixão a empurrar as colocações mas como  disse Kardec ao padre, "A paixão não raciocina".
Vamos à parte final do preâmbulo da obra básica O Que é o Espiritismo?
"O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações.
Pode-se defini-lo assim:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal."
Amigo, esta a palavra do codificador, o cara que é tido ou foi, como o Bom senso encarnado, logo, não segui-la é falta deste bom senso, por isso o tema não é contraditório mas sim a confusão é feita por quem não lhe dê atenção.
Antes  que comecem as respostas explicando "eu estudo", eu sei", por favor falo em caráter geral, ou seja para todos que esteja ou que venham a ler, não especificamente para o amigo Renato, mesmo que esteja respondendo a ele. Estamos num Fórum, nele não há donos do tema, quem abre um, pela publicidade que dá via Fórum não tem caráter de dono do sub tópico.
abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 01 de Setembro de 2010, 17:49
Caro Mano Moura e como vc interpreta as palavras de Kardecno Evangelho segundo o Espiritismo  Capítulo 1: no tópico “ALIANÇA DA CIÊNCIA E DA RELIGIÃO" ? ou quando do seu discurso de abertura na Sociedade de Paris, na Sessão Anual Comemorativa dos mortos, feito no dia 1º de novembro de 1868, publicado na Revista Espírita de dezembro do mesmo ano?


Abçs

Ignarus

Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 18:01
Amigo Ignarus, a minha interpretação não é feita da mesma maneira que vocês fazem, eu parto do contexto da doutrina vocês partem do contexto das suas idéias, por isso esse desencontro.
agora o amigo não vai querer, (risos) que eu vá aos textos só para responder em espécioe não?
Se fosse este ocaso o amigo deveria ter colocado os textos.
abração,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: CHASIL em 01 de Setembro de 2010, 18:13
Caros irmãos,




Eu já participei da Igreja Adventista, fui Desbravador,também participei ativamente da Igreja Católica , e fazia parte do Grupo de Cantos, também fiz o ECC (Encontro de Casais Com Cristo)
mas chegou um certo momento que não deu mais pra suportar os procedimentos dos Párocos, com a idéia de : " Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço ", e por discordar de alguns Dogmas que a igreja Católica quer nos impor, sem ter um significado justo e comprovado.
Fui deixando aos poucos de participar das ações da Igreja, e enfim, resolvi vir a um Centro Espírita fazer uma consulta, onde constatou-se uma Mediunidade acentuada, tomei todos os passes, e dediquei-me a estudar a Doutrina, a partir da Codificação.
Mas estou notando que aqui entre nós, que estamos nos doutrinando, existe alguns "Doutores", que não permitem uma outra visão a ser discursada, e isso é muito ruim para quem está querendo uma resposta, pois da negativa é que se vem a afirmação, eu não vou conhecer o escuro, se eu permanecer sempre no claro...opiniões divergem e é por isso que as energias se coadunam, os diferentes se atraem. Precisamos ser mais coerentes com quem quer aprender, porque nunca sabemos de nada, sempre precisamos saber, quando não precisarmos saber, não existe motivo pra estarmos aqui....esta terra é de aprendizado e expiações....concluindo as transformações.




Muita Luz...Paz..a todos..



Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 18:45
Chasil,amigo:
Vamos deixar de dar título a este ou àquele. Esta uma das regras deste Fórum e que a todos é dado respeitar e seguir.
Fora isso o foco deste fórum é o estudo da doutrina logo, o fulcro, quer dizer, o esteio de qualquer debate são as 17 obras que fazem a codificação.
Não se vai à igreja discutir sobre regras de futebol vai?
Assim num Fórum Espírito o foco há de ser literalmente a doutrina ?Espírita.;
Citações à outras obras devem ter o caráter não contestativo, mas sim  cooperativo, com isso quero dizer que tais citações não podem divergir, por que?
Porque, como explica o ESE formam entre as opiniões pessoas e que portanto não são doutrina.
Sigamos as regras de conduta deste Fórum, obrigado,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: CHASIL em 01 de Setembro de 2010, 18:53
" Pode-se algum espírito aqui na terra, encarnado ou desencarnado, se achar o dono da Verdade ?" Como se encontrar a verdade, se não passar pela Mentira?






Muitas energias.....
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 19:04
Chasil,
vou propor-lhe um exercício de raciocínio ao qual peço ao amigo que responda sem rodeios ou floreios:
O amigo vai por uma calçada de uma rua,. a sua frente segue um bêbado que cambaleia.
A certo momento a calçada se estreita e nesse ponto mostra-se um buraco que toma quase toda a extensão da calçada...
O bêbado, por seu estado etílico não presta atenção e cai no buraco.
A questão é: O amigo que vem atrás terá que cair no mesmo buraco para saber que não deve intentar passar por ali?
Sim ou não? repito a resposta tem de ser sem floreios, ou seja sim ou não.
Abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: bisognini em 01 de Setembro de 2010, 19:27
Assim num Fórum Espírito o foco há de ser literalmente a doutrina ?Espírita.;
Citações à outras obras devem ter o caráter não contestativo, mas sim  cooperativo, com isso quero dizer que tais citações não podem divergir, por que?
Porque, como explica o ESE formam entre as opiniões pessoas e que portanto não são doutrina.
Sigamos as regras de conduta deste Fórum, obrigado,
Moura


Apague os tópicos fora das regras e verá que sobra menos da metade!
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 01 de Setembro de 2010, 19:56
Caro amigo Moura os textos já estão inserido neste tópico, eu esperava que o amigo já os tivesse lido, (rs rs rs) aliás não seria esperar muito, haja vista a sua participação no tópico!

Digo ainda que o seu entendimento, seja baseado no que for, é sim muito importante! não basta dizer apenas isto esté ou não está na codificação.
 
Vejo que tudo deve ser estudado e compreendido e nem sempre analisado ao pé da letra como fazem muitos estudantes de outras religiões a cerca do evangelho de Jesus principalmente.
 
Abster-se de elaborar um conceito não seria um extremismo também?
Para que participar de um fórum então se devemos seguir cegamente as letras?
Não devemos elabortar ideias e discuti-las com espírito fraternal com o objetivo de aprender mais?
Sabemos tudo já?
A nossa fé já  é capaz de movimentar montes?
A discussão não faz parte do aprendizado?
O aprendizado também não é alcançado através do convívio?
 
Espero, sim, sua opinião, pois a respeito pelo peso que tem, mas saiba que poderemos discordar também!

Abçs
Ignarus
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 01 de Setembro de 2010, 21:09
Amigos, não desejamos ser "entendedores", muito menos tentar impor a alguém nossas idéias e nem somos candidatos à posse exclusiva de toda verdade e razão. No entanto, insisto para que todos nós abramos mão dos extremismos e passemos a compreender a verdade cada vez mais através de um debate fraterno onde o espirito de humildade seja comum a todos.

Na minha modesta opinião não importa os títulos desde que cada um faça a parte que lhe compete. No entanto, vemos alguns irmãos a contestarem mensagens de Espíritos reconhecidamente mais sábios que nós e a atuação de humildes servos da mediunidade, só por que estes não estão inseridos na codificação original.

Tento estabelecer um paralelo entre a doutrina original e muitas verdades que vieram depois, para que um nunca estejam em desacordo com outro, mas antes, que se respaldem mutuamente.

Somos almas pensadoras, e faz parte do exercício de nossa razão e do nosso livre-arbítrio a elaboração de ideias através da análise racional de tudo o que nos cerca. Ora! não foi o codificador que nos orientou a tudo questionar, estudar e analisar antes de concluir? Será que as nossas conclusões, mesmo alinhadas com a doutrina mas postas com palavras diferentes a tornam dissonantes?

Pelo convívio que tivemos durante muito tempo com Centros Espíritas do Interior do Estado de São Paulo e, principalmente, nas cidade de Uberaba, Patrocínio, Araxá, Uberlândia e Ituiutaba na década de 80, podemos observar a característica religiosa da doutrina dentre as pessoas mais simples da sociedade e que, curiosamente, demonstravam serem sábias naturalmente e eram as que davam maiores demosntrações de fé, amor ao próximo e de caridade verdadeira além de possuírem uma alegria verdaeira mesmo enfrentando provações. Ao passo que muitos "doutores" de palavras fáceis jamais saíam de suas cadeiras pois tinham que estar estudando.

Agora a pergunta que ninguém me responde: o que vai mudar na doutrina se todos a compreenderem como religião também? qual é o demérito que isso lhe trará?

Será que o motivo de negarem a caraterística Religioas da doutrina se dá pelo fato de temerem assumir a postura de religioso espírita para se autodenominarem somente de estudiosos da filosofia espiritual? (que nome bonito e pomposo né?)

Agora quem tiver capacidade e moral ilibada que vá falar para os simples, humildes e sinceros trabalhadores do amor que espiritismo não é religião e que todos estão errados e que muitos médiuns e espíritos nada representam para a doutrina espírita.

Só quero lembrar que no Brasil o espiritismo só alcançou o destaque e a importância que tem hoje devido o trabalho incansável deste simples e humildes operários que reforçaram a conotação religiosa do espiritismo. Lembro mais ainda, que muitos desencantados com as religiões tradicionais procuram a Doutrina Espírita pois veem nesta uma Religião capaz de lhes satisfazer as ansiosas questões e suas buscas de verdades. Vejam o que aconteceu na Europa com Doutrina depois do desencarne de Allan Kardec e outros estudiosos que atribuiam ao espiritismo exclusivamente a conotação de ciência filosofica com consequências morais. Que analisem ainda repercursão mundial dos humilde médiusn cujas as obras psicografadas no Brasil são agora denomindados por alguns como "apócrifos".

Devemos sim zelar a todo custo pela pureza doutrina, passar pelo crivo da razão toda mensagem, todo conceito, toda ideia. Devemos sim falar a verdade esclarecedora a respeito do erro, do engodo da mentira a fim de que não se contamine a doutrina. Devemos sim alertar a todos sobre os perigos dos misticismos quando se tenta coadnuar à doutrina conceitos filosóficos que destoam em algum ponto com o Evangelho de Jesus.

E, parafrasenado um amigo digo apenas: se o espiritismo não era religião se tornou uma pois lida com a fé em Deus, o que é mais importante!

Paz e sabedoria!

Ignarus
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 01 de Setembro de 2010, 21:16
Historiando mais!

O Espiritismo surgiu como uma ciência de observação com consequências morais, como diria Kardec, e a sua divulgação foi rápida, principalmente na Europa e Estados Unidos. A facilidade, contudo, de comunicação com os 'mortos' levou as manifestações espíritas para o caminho da fraude e do charlatanismo e, consequentemente, do descrédito nessas regiões.

Isso ocorreu, contudo, porque as pessoas não tiveram a mesma abordagem criteriosa que teve Allan Kardec em seus estudos, que já alertava para os perigos das mistificações e da exploração econômica dos fenômenos e outro males advindos com os erros e as deficiências morais. Um critério adicional, contudo, permitiu que o Espiritismo crescesse como doutrina, que foi a sua vinculação ao Evangelho do Cristo, vinculação essa empreendida por Kardec, que foi muito criticado por seus colegas estudiosos.

Essa ligação com o Evangelho permitiu o surgimento da Religião Espírita, que não foi prevista por Kardec, mas que foi consequência natural do desenvolvimento da doutrina. Para melhor compreendermos, contudo, o surgimento da Religião Espírita, é necessário remontarmos às ideias básicas sobre religião e aos objetivos que uma verdadeira religião deve ter.

Como podemos entender uma religião?

Kardec foi contrário a designar o Espiritismo como uma religião, na acepção usual que as pessoas fazem dessa palavra, mas concordou que, no significado filosófico, o Espiritismo poderia se denominar uma religião (ver Revista Espírita, dezembro de 1868).

Para Kardec, a religião na sua origem significaria algo como uma ligação ou 'laço' que uniria as pessoas em torno de determinadas ideias e princípios. Nesse sentido, o Espiritismo poderia ser considerado uma religião, cujo principal elo de ligação seria a Caridade. Não a caridade, contudo no seu sentido material, que Kardec classificou como 'Caridade Beneficente', mas a caridade que envolve; principalmente, as qualidades do coração, como perdão das ofensas, boa-vontade para com todos e indulgência para com as imperfeições alheias. Essa forma de caridade Kardec classificou como 'Caridade Benevolente'.

A outra acepção que as pessoas fazem de religião é relacionada a culto e hierarquia, o que terminantemente Kardec rejeitou. É por essa razão que ele não considera o Espiritismo uma religião mas uma ciência de observação com consequências morais.

Pode-se considerar, entretanto, que a palavra religião também tem um sentido bastante difundido, que é o de 'religação' com Deus. A religião seria, assim, uma porta para nos religarmos com o Criador de quem, no passado, nos desligamos por alguma razão. E qual a outra porta que pode ser alcançada somente com a fé raciocinada, senão, através da Doutrina Espírita? Se a fé e canal de ligação com Deus e a Doutrina dos Espíritos é que desperta a verdadeira fé então o que ela senão uma religião também?
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 22:53
Poxa mano Ignarus, mesmo kardec tendo falado reiteradamente que não é uma religião o amigo ainda inventa que foi a vinculação ao Evangelho que fez nascer a Religião Espírita? Por favor, de tudo que Herculano Pires falou de certo esta foi uma citação boba que ele fez, sua opinião não pode ser dada como da doutrina, nem como a sua ou a minha, há de ser em mente o que a doutrina diz e ensina.
Não sei mas das duas uma, ou o amigo é mais que o codificador, e então kardec foi apenas um bobo da corte, ou  é Kardec que, ostentando o título de O Bom Senso Encarnado é quem nos veio , pelos Espíritos nos ensinar o correto.
Eu fico com a segunda opção e o amigo?
abração,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 01 de Setembro de 2010, 23:47
Amigo MOura, a questão não é o julgamento a respeito de Kardec e nem mesmo colocamos em dúvida sua capacidade e muito menos desejamos inferiorizar a Doutrina que professamos e lutamos na defesa de sua pureza.

Mas vamos dar o real valor ao sentido das palavras do próprio Kardec a quem admiramos e respeitamos. Embora o amigo não aceite, vemos sim um tríplice aspecto na Doutrina, onde todas se sustentam mutuamente de forma magistral e inédita, fato este único e jamais alcançado por qualquer outra doutrina.

Me desculpe mano Moura, com todo respeito que lhe devo e com toda admiração que lhe tenho, mas acho que estás a personalizar um entendimento também e te mostras irredutível ao ponto de alegar que estamos a inferiorizar ou banalizar Allan kardec o que não podemos aceitar em hipótese nenhuma. E a resposta à sua indagação, claro, só pode e deve ser sempre a segunda opção. Mas leia o que tenho postado neste tópico na íntegra e pense melhor ao dar a "cutucada" racional! (rs rs rs).

Forte e amistoso Abraço.

Ignarus
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 01 de Setembro de 2010, 23:53
Mano Ignarus,
você sabe do meu respeito por sua inteligência e pelo amigo como pessoa.
contudo é mesmo kardec que ao final do preâmnbulo da obra O Que é o Espiritismo explicita o tríplice aspecto quando informa:
"O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina   filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem   estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as   conseqüências morais que decorrem dessas relações."
Ai está o tríplice aspecto: Ciência, Filosofia e Consequências Morais.Abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: CHASIL em 02 de Setembro de 2010, 01:49
Quando você estiver preparado, quando você tiver crescido o suficiente, para escutar a resposta, eu te responderei, pois eu não sou o Espírito da Verdade....eu ainda não cresci o suficiente, nem me preparei para responder a tão ilustre sapiência...




Muita Paz....e muita luz no seu caminho...
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Antonio Renato em 02 de Setembro de 2010, 04:18
Caro irmão Mourarego,agradeço pelos esclarecimentos,acredito que eu esteja lendo e estudando a nossa Doutrina de uma forma errada ou memo tendo uma visão distorcida no que diz respeito ao Espiritismo como Filosófia e Religião,quando eu disse que era contraditório,talvez por uma questão de semântica e não por falta de entendimento a sua aceitação,o próprio Kardec nas suas conclusões nos conduz a entender desta maneira,por outro aspecto,baseado na filosofia nós entendemos as rasões em ser uma doutrina,pela fé(não cega)nós aceitamos como uma  religião,essa dualidade é que nos leva a um questionamento,e eu sempre o faço,pois não aceito a imposição das questóes colocadas,eu tiro as minhas conclusões e não faço uso de "conhecimento emprestado",muito bem colocada essas palavras pelo nosso irmão Coronel,há algum tempo atrás.Quanto ao nosso irmão Ingnarus,eu acho que ele foi muito feliz na sua esposição baseado no estudo e pesquisa dos dois aspectos,sem ele querer contender com a sua pessoa,pois todos neste forum,acredito eu,o tem como uma referência para tirar nossas dúvidas,sem ser arrogante por saber.
Fique na paz e que Deus na sua infinita grandeza nos abençoe sempre.
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 02 de Setembro de 2010, 17:43
Mano antonio,
não se trata de "aceitar a imposição", mas sim de seguir a doutrina.
Por que digo isso? Ora porque toda ela foi investigada, pelos próprios Espíritos Superiores, depois de colocada no papel. Este método é que chamamos pela sigla CUEE. Logo não se trata de "imposição" mas de trabalho pronto e acabado no que diz respeito a seus princípios constitutivos, sem os quais não poderia ser chamada de doutrina.
Fazer, como o amigo afirma "eu tiro as minhas conclusões", é errar no mais das vezes pois não se tem as luzes necessárias para tal.
O Codificador diz mesmo isso no item dois da introdução ao ESE.
Abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Ignarus em 02 de Setembro de 2010, 19:15
Caros Irmãos!

Esse assunto nunca chegará a um consenso, pois que, há diferenças de interpretações e posições assumidamente radicais.

Não vejo nisso mal algum. E muito menos algum desmerecimento à doutrina como um todo. Aliás, no que compromete a Doutrina se ela for entendidade com um filosofia com consequências morais ou religião? A questão toda gira em torno do que é certo ou errado, mas vejamos, estando certo aqueles que defendem que não é uma religião em nada acrescentam ou tiram da importância da fé raciocinada, por outro lado os que creem ser, também, uma religião em nada acrescestam ou tiram da ciência e da filosofia que sustentam a mesma fé.

Mas é preciso salientar que muito e muitos irmãos que trabalham humilde e sinceramente na Seara Espírita creem na religiosidade da Doutrina Espírita e que precisam ser respeitados e não relegados como ignorantes doutrinários. Aliás, o que deve realmente debatido e combatido com toda a caridade possível, é o personalismo, a ignorância, o misticismo, as superstições, os extremismos pregados pelos pseudosábios e pretensos donos da verdade nas instituições espíritas, aliás, ainda se vê muito "donos de centros" que arbitram como se fossem os apóstolos da verdade suprema.

Respeitemos pois quando alguém diz ser um religião e procuremos compreender que a humanidade ainda presa a velhos conceitos humanos necessita de alguns títulos para poder ser situar nesta sociedade. Entendamos que o espiritismo é tido como religião em todas as esferas da sociedade e aparece nas pesquisas como tal. Vejamos a dificuldade de comunicação e entendimento na sociedade quando o agente do IBGE perguntar qual a sua religião? iremos nós dizer Espírita ou apenas não tenho religião? ou iremos fazer toda uma dissertação a fim de que possamos nos fazer compreendidos que não seguimos uma religião, mas sim, uma doutrina filosófica moral?

Assim posto, meus amigos, com todo respeito à Doutrina e ao nobre Allan Kardec, e principalmente, àqueles que negam sumariamente que o espiritismo seja uma religião somos obrigados e repeitir a frase de confrade que diz: "se não era religião, acabou sendo por força das circunstâncias sociais e da necessidade do ser humano designar sua fé!"

Com tudo o que foi dito quero enaltecer a postura do mano Moura quando este se mantém em firme consonância com a doutrina, mas dizer-lhe, com respeito, que às vezes é preciso compreender um pouco mais das questões sociais e buscar uma forma de dizer a verdade sem ferir a fé que amadurece no coração daqueles que estão apenas começando.

Para finalizar, eu dou o meu real entendimento, que para alguns poderá parecer contradição, no entando, tudo o que expus foi no sentido de pensarmos como aqueles que só veem na doutrina espírita uma postura religiosa.

Pois bem, o Espiritismo é muito mais do que religião e não há uma palavra que possa lhe denominar corretamente as características. Mas não vejo erro em lhe atribuir a conotação de religião, embora seja uma Filosofia com consequências morais como disse Allan Kardec.

 A doutrina espírita não é fruto do homem para submeter-se à vontade de deuses mitológicos a fim de conquistar-lhe a benemerência ou favores especiais ou, ainda, para acalmar-lhes os ânimos como nos primórdios da humanidade em sua condição pastoril e agrária.

Estamos na era da união entre o sentimento e a razão, onde o sentimento nos leva pelos caminhos da bondade e do amor; e, a razão pelos da sabedoria e autodisciplina.  Também não se enquadra no significado literal da palavra religião, pois que, o obejtivo desta não é religar nada, mas conscientizar as almas a respeito das Verdades mostrando a cada um sua importância dentro do contexto Universal e a realidade do espírito eterno e seu objeitvo, além de esclarecer todos os pontos a respeito das provações e sofrimentos da humanidade.

Que cada um saiba fazer sua parte, agindo e promovendo o bem, ajudando sempre os que mais necessitam, não só de pão, remédio e agasalho, mas essencialmente, de compreensão, perdão e de palavras que incentivem a paz, a fé e o estudo!

Paz e Sabedoria!

Ignarus
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 02 de Setembro de 2010, 21:23
Viu maninho?
És tu quem dá ao tema essa conotação, tu mesmo indicas em tua resposta.
Acontece que a tua opinião não revoga a doutrina.
Abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Religio em 02 de Setembro de 2010, 22:30
Olá caro Ignarus,
Peço desculpa por intrometer-me no debate, mas atentando à seguinte citação surgiram-me algumas dúvidas:

Kardec indaga aos Espíritos, na questão 625, do O Livro dos Espíritos:
“Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”, a resposta: “Jesus.”


Devemos, portanto, seguir seu exemplo vivendo dentro de um comportamento ético moral; procurando “Amar o próximo como a nós mesmos” e para isso é necessário abjurar todo sentimento de ódio, compreender e perdoar, esta é a maneira de vivermos uma religião de amor, vivermos com religiosidade.

Esta resposta de certa forma não desvaloriza outras formas de religiosidade/espiritualidade, que não sejam ligadas ao Cristianismo?
É Jesus um modelo/guia ou uma entidade supra espiritual absoluta? A sua grandiosidade pode ser comparada com outros guias espirituais como por exemplo Buddha?
Agradecido pela atenção.

Cumprimentos
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 02 de Setembro de 2010, 22:40
È por isso amigo Religio,
que a resposta correta e em frances diz "Voiez jesus". Logo não é apenas Jesus mas sim e traduzindo, lê-se "Vêde jesus", esse "Vêde" indica que houve em cada curso de experiências um ser destinado a ensinar a turba.
Mesmo hoje, as variadas doutrina prevêem notícias diferentes e atinentes apenas para
aquele credo.
Contudo para nós "Jesus é o modelo de perfeição moral a que estava destinado a Terra."
Abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Religio em 02 de Setembro de 2010, 22:46
Caro Mourarego,
Muito obrigado pela sua resposta!

Contudo, se não for abusar da sua boa vontade, poderia elucidar-me sobre a relação entre a doutrina espirita e o Cristianismo?
Partirá esta relação da resposta anterior? Mais uma vez muito obrigado!

Cumprimentos
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Mourarego em 02 de Setembro de 2010, 23:20
A relação do Espiritismo com o cristianismo está no seguimento de algumas das máximas de moral que Jesus ensinou.
Costumam uns a dizê-la o cristianismo redivivo, quer dizer rejuvenescido, embora estes uns, queiram apenas dar um sentido de renascido, com o qual não concordo.
Desde o tempo em  que Jesus pregava a doutrina que o Pai o havia ensinado o cristianismo prosperou mas nunca morreu, logo o termo redivivo com alusão a renascido está totalmente equivocado.
Abraços,
Moura
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Religio em 02 de Setembro de 2010, 23:46
Caro Mourarego,

Agradecido mais uma vez pela sua  concludente resposta.
No entanto nasce uma nova dúvida. Sendo a doutrina espirita baseada em máximas ensinadas por Jesus, poderá um individuo com crenças diferentes ás do Cristianismo mas com máximas morais similares, ser adepto do espiritismo? Obrigado.

Cumprimentos
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Silvio Matos em 03 de Setembro de 2010, 00:14
Mano Religio,...

Se me permite dar um pitaco em sua pergunta ao Mano Moura, rsrs!
Sim, com certeza, todos os participantes, seguidores ou simpatizantes de correntes não-cristã podem e devem conhecer ou estudar o Espiritismo, tornando-se ou não Espíritas.
Lembrando que a Doutrina Espírita utiliza como exemplo a moral ensinada por Jesus, mas não ensina que essa moral é exclusiva de Jesus. Entendo que a moral ensinada por Jesus é baseada nas Leis de Deus, portanto universal, para todos em todos os tempos.
abç
Título: Re: O aspecto religioso do Espiritismo
Enviado por: Religio em 03 de Setembro de 2010, 01:14
Caro Sílvio Matos,
Agradeço-lhe muito pela feliz intervenção!

Lembrando que a Doutrina Espírita utiliza como exemplo a moral ensinada por Jesus, mas não ensina que essa moral é exclusiva de Jesus. Entendo que a moral ensinada por Jesus é baseada nas Leis de Deus, portanto universal, para todos em todos os tempos.

Muito me apraz a sua resposta!
Estas minhas questões derivam todas da concordância moral e filosófica que tenho para com a doutrina espirita. Contudo enfrento um paradoxo que não me deixa confortável na totalidade desta filosofia. Sou crente de uma visão politeísta panteísta do universo e isso vai contra o monoteísmo difundido pelos ensinamentos de Jesus e das respostas dadas no " O Livro dos Espíritos". Já pude presenciar duas sessões espíritas, concordando com todos os valores éticos e morais inspirados, mas não consigo retirar uma experiência mais profunda destes encontros  por não conseguir sentir ligação com o nome de Jesus e com as orações feitas. Adorava poder derrubar este obstáculo para sentir o meu espírito alimentado e revigorado após estas reuniões. Já expus o caso pessoalmente a um grupo espirita, que infelizmente interpretou mal a minha franqueza; fico aliviado por ver que as respostas aqui dadas tenham cariz tolerante, o contrário das que recebi anteriormente. Apelo aos mais esclarecidos por concelhos. Por favor, sintam-se livres de intervirem pois busco respostas, quantas mais tiver, melhor base terá a minha reflexão sobre o assunto! Muito obrigado a todos.

Cumprimentos