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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: HelenaBeatriz em 07 de Abril de 2009, 12:42

Título: Não deixamos a doutrina avançar
Enviado por: HelenaBeatriz em 07 de Abril de 2009, 12:42
"..................É o que eu sempre digo: Igrejaram a Doutrina, fizeram dela uma seita de rezação e muitos espíritas não fazem outra coisa a não ser freqüentar centro (por obrigação, como iam à missa), participar do ritual: Entrar no centro e fazer SILÊNCIO, porque determinaram que “silêncio é uma prece”, prece inicial, palestra, prece de encerramento para agradecer a Jesus, passe, água fluidificada, desejar “Muita Paz” para os confrades e voltar para casa...."


Coloquei esta citação do Alamar Regis, encabeçando, porque concordo e assino embaixo.

A DE se apequena, quando se mostra mais uma igreja!!
Ninguém espera nada da ICAR (Igreja Católica apóstólica Romana), nem de qualquer outra crença igrejeira protestante, orientalista ou qualquer que seja, porque elas estão, simplesmente, estagnadas. Fecharam questão: O papa é infalível, a Bíblia é a palavra de Deus, Maomé é o grande profeta, se você se suicidar pela causa ganhará o paraíso, a vaca é sagrada, o Diabo estará com você no inferno, Deus é um sábio ancião de barbas brancas antropomórfico, e outros dogmas engessantes.
E de águas estagnadas o que esperar??!! Proliferação de germes talvez, secagem ou algo assim...
Mas a DE, que Kardec codificou, é algo grandioso ou eu não seria espírita. Iria preferir continuar visitando a Igreja Adventista aos sábados, cantando seus belos hinos de louvor, lendo a Bíblia como leitura sagrada, faria as lições da escola sabatina diariamente, distribuiria panfletos, participaria da "Recolta" e coisa e tal.
Por que me desliguei dela?? Por que fiquei à deriva lendo de tudo que encontrasse pela frente??
Porque, amigos, buscava algo, e ainda busco, que trancendesse... E sei que a DE veio para isso!!
Acho que é por esta razão que Alamar - dentre outros muitos - questionam a estagnação do espiritismo.

Helena Beatriz
Título: Re: Não deixamos a doutrina avançar
Enviado por: HelenaBeatriz em 07 de Abril de 2009, 12:44
Texto de Alamar Régis...

Os meus amigos do GEAE, Grupo de Estudos Avançados Espíritas, http://www.geae.inf.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5nZWFlLmluZi5icg==) que é pioneiro em termos de Espiritismo na Internet, a primeira iniciativa de se colocar Espiritismo em um site, me mandaram a matéria abaixo, de autoria do Deolindo Amorim, e eu achei por bem escrever sobre ela aqui.



Inspirado por um artigo escrito por Deolindo Amorim, no ano de 1974, eu quero, mais uma vez, levar alguns tópicos para reflexão dos espíritas mais simpáticos ao raciocínio, haja vista a necessidade de uma mudança, ou aperfeiçoamento, de conduta de grande parte do nosso movimento espírita.

Para aqueles que não sabem quem é Deolindo Amorim (... pois é, ele desencarnou, mas continua sendo...) já que nem sempre os confrades cuidam da memória do Espiritismo, o quanto deveriam, trata-se de um dos mais notáveis nomes da nossa história, um baiano que viveu no Rio de Janeiro, um manancial de conhecimentos doutrinário extraordinário, praticante de um espiritismo de coerência e bom senso, tendo sido, inclusive, fundador do Instituto de Cultura Espírita do Brasil, iniciativa esta que terminou por lhe causar muitos problemas, devido a incompreensão do movimento que, sem muita disposição para apreciar as boas intenções das pessoas, terminou achando que a sua idéia nada mais era do que uma suposta presunção sua, em auto afirmar-se culto. Por conta deste achismo, deliberadamente causaram-lhe todo tipo de problema.

Deolindo, uma alma de nível elevadíssimo, é um dos mais atuantes nomes da história do Espiritismo, no mundo, escreveu vários livros, como encarnado, escreveu, depois de desencarnado e, de vez em quando, nos envia mensagens altamente edificantes, pelas mediúnicas de vários centros espíritas, cujos dirigentes e trabalhadores são conhecedores da sua importância e do seu cabedal.

Pois bem, vamos à matéria:

“O Espiritismo e a investigação científica” é o título da matéria a qual me refiro, matéria esta que pode ser lida abaixo.


(Deolindo Amorim)

Os religiosos apegados à letra da Bíblia concebem que Deus “falou” aos homens, apenas naqueles momentos que são relatados pela referida obra. Somente aqueles homens, privilegiados, tiveram a oportunidade de contato com o Criador: Moisés, Abraão, Isaac, Jacob, Elias, Esdras, Jeremias... etc. Em época nenhuma, ninguém mais, pode ter qualquer contato do Pai. A não ser os seus “pastores”, que eles acham, também, privilegiados, para receberem a “inspiração” do Senhor ou do Espírito Santo.

No campo da Filosofia, muitos acham que é impossível alguém fazer filosofia melhor do que Sócrates, Platão, Plotino, Thales de Mileto, Sartre, etc.

No campo da Psicanálise, também, endeusaram Freud e Jung e muitos acham que é impossível alguém chegar aos pés deles, nesta área do conhecimento.

Na verdade, nos dias de hoje temos muitos filósofos melhores que Sócrates e Platão e muitos Psicanalistas cujos conhecimentos superam, em muito, aos conhecimentos de Freud e de Jung.
http://www.redevisao.net/fotoemail/freud.jpg (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5yZWRldmlzYW8ubmV0L2ZvdG9lbWFpbC9mcmV1ZC5qcGc=)
(FREUD)

Questão de lógica: Um profissional de Psicanálise, hoje, além de possuir, à sua disposição, todo o manancial deixado por eles dois, dispõe, também, de outras fontes de pensamentos como Adler, Stacker, Edward Titchener, Hockenbury, Wundt, William James, Watson, Carl Rogers...

Além de tudo isto, o profissional de hoje dispõe de bibliotecas vastíssimas, além de literatura a disposição, na internet, 24 horas, a hora que quiser, inclusive com possibilidades de conversar com outros colegas, de qualquer parte do mundo, ao vivo, o tempo que quiser, pelo MSN ou até mesmo pelo telefone, sem pagar ligação internacional, caso possua, por exemplo, um Voip da Disk a Vontade ou outro.

Por acaso: Freud possuía estas facilidades, no seu tempo? Jung possuía?

Claro que não. Apesar das genialidades de cada um, os de hoje possuem muito mais recursos para se tornarem bem melhores do que eles.

(JUNG)

Eu conheço um que, modéstia a parte é meu amigo, que é fantástico tanto no campo da Filosofia como da Psicanálise, que é o Adenauer Marcos Novaes, de Salvador, Bahia.

Alguns podem questionar: “Calma aí, Alamar, isto é muito relativo”... eu também concordo, mas não vamos discutir essa relatividade aí não, porque agora eu preciso falar sobre outro assunto, embora dentro da mesma linha de raciocínio.



Será que o Espiritismo parou no tempo?



Calma! Eu só perguntei se será que...

Sou defensor da idéia de que o Espiritismo não tem problemas, quem tem problemas é o movimento espírita que, infelizmente, parece marchar de encontro a ele. Mas tenho conhecimento, também, do alerta de Léon Denis quando nos diz que “O futuro do Espiritismo será aquilo que os espíritas fizerem dele”.

Comecemos a questionar:

Será que equipes de Espíritos Superiores, tipo aquela coordenada pelo Espírito da Verdade, se dispôs a falar com homens encarnados, através da mediunidade, somente naquele curto período de meados do século 19, quando Kardec nos trouxe a Doutrina?


Será que fora das irmãs Japhet, da Ermance Dufaux e dos outros médiuns daquele tempo, ninguém mais pode ter a competência e a habilidade para receber, através de espíritos elevados, ensinamentos, orientações e sugestões para a melhor conduta da humanidade, sobretudo no campo moral?


(Adenauer Marcos)

De repente você pode interromper-me e dizer:

- “Ora, Alamar, e o Chico Xavier, que trabalhou por décadas e décadas, em contato com espíritos elevados? E o Divaldo? E Dona Yvone Pereira, Peixotinho e outros que a gente conhece, que viveram depois do século 19?”

Eu já fiz esta intervenção de propósito.

E você acha que Chico Xavier enfrentou moleza, com o movimento espírita, assim que ele surgiu, com toda aquela sua beleza espiritual inquestionável, com toda aquela mediunidade no nível que foi, embora trazendo sempre conteúdos de nível elevado?

Os espíritas da época não o aceitaram, principalmente a FEB, Federação Espírita Brasileira que, pela sua posição, deveria ser rigorozíssima na aplicação do bom senso e da coerência em todas as suas ações, preocupada, sempre, com o indispensável cuidado de não praticar qualquer tipo de injustiça, qualquer tipo de deslize, de equívoco, de engano, de análise precipitada, postando-se sempre em elevado sistema de vigilância em cima da probabilidade de, pelo menos um dos seus membros, optar por decisões com base em paixões pessoais, ânimos e sentimentos pessoais em relação a determinada criatura ou determinada idéia.

Não é que todos os membros de diretoria da FEB, da época, repudiaram o Chico, porque sempre aquela instituição, ainda bem, é possuidora de maioria equilibrada nos seus quadros de comando, mas, que seja um diretor, apenas, que venha levantar a voz contra alguém, principalmente se for um daqueles perturbados que se acha dono exclusivo da instituição (muitas casas espíritas tem desses), para que todos os outros cedam aos seus doentios desejos, “para evitar problemas”, “para evitar desentendimentos” e essas coisas que a “bondade” espírita muitas vezes gosta de fazer.

Do mesmo jeito que no segmento religioso tradicional acham que somente Moisés, Abraão, Isaac, Jacob e outros foram os únicos privilegiados ao “contato” com Deus, no meio espírita, também, muitos espíritas acham que somente os do tempo de Kardec tiveram condições de contatos com Espíritos do nível da Equipe da Codificação.

Foi por isto que não deram bola para o Chico e muito menos para o Divaldo.

Depois de muito tempo, mas muito tempo mesmo, que foram perceber a excelência do velho mineiro e o aceitaram. Hoje a FEB não abre mão do patrimônio que tem, que é o direito sobre os principais livros psicografados por ele e as suas obras são referidas, pelo movimento espírita, como Obras Subsidiárias, ou complemento às Obras Básicas.

Divaldo, hoje, é recebido na FEB com tapete vermelho (merece, sim), mas não foi sempre assim. Ele comeu “o pão que o diabo amassou”. José Raul Teixeira, também.

Mas alguém, mais uma vez, pode interromper-me e dizer:

- “Mas as coisas têm que ser assim mesmo, Alamar. Tudo tem seu tempo. Os dez ou quinze anos que deixaram o Chico na geladeira, foram suficientes e necessários para o seu aperfeiçoamento. A natureza não dá saltos”.

Muito engraçado né? Sinceramente, eu acho uma palhaçada, esse tipo de coisa.

E a quantidade de mortes por suicídios, abortos e outros males que acontecem nas dezenas de anos que deixam notáveis espíritas na geladeira, por desconhecimento da doutrina que eles poderiam ter levado ao conhecimento público, conta o quê?

Observem bem: Se colocassem um determinado tempo, como fundamentalmente necessário, para conclusão sobre um trabalho ou uma pessoa, mas, nesse período de intermissão (vamos chamar assim), disponibilizassem equipes ou grupos a acompanharem o trabalho ou a pessoa, em busca de checarem a sua autenticidade, a sua seriedade, utilidade e a sua conduta moral, obviamente que estariam dentro do coerente e até da indispensável cultura de observação que o bom senso espírita nos recomenda, mas não é assim que fazem, é abandono mesmo, é gelo mesmo, é indiferença mesmo, promovida por quem reprova por reprovar, é contra por ser contra, boicota por boicotar e queima por queimar.

Quando um determinado medicamento é descoberto, para a cura de algum mal, ele não é disponibilizado logo ao público, mas também não é condenado e muito menos abandonado. Ele é tratado com carinho e recomendado a vários laboratórios de pesquisas que o estudem, até que possa ser obtida a certeza da sua eficiência, por repetidas experimentações. É isto que o bom senso recomenda.

Não foi assim com o Chico. Ele foi totalmente abandonado, esta que é a verdade. Só foi aceito, porque o seu nome começou a ficar famoso demais, o que surgia em torno dele poderia se tornar uma nova religião e, por via das dúvidas, passaram a adotá-lo, talvez como Constantino adotou o Cristianismo, pra ficar numa boa.

O conservadorismo de alguns é algo repugnante.

É o problema do “Fora da minha cabeça, não existe nenhuma outra verdade espírita”.

Em sua matéria, Deolindo diz: “Depois de uma fase realmente notável, fase em que refulgiram os nomes de CROOKES, AKSAKOF, ZOELLNER, por exemplo, nunca mais se fez um trabalho de cunho científico, na acepção exata”.

Tem razão. Os espíritas não deixam!!! Tudo em nome da famigerada “pureza” doutrinária. Os que vêem o Espiritismo apenas como religião (eu não vejo e, aqui pra nós, não gosto dessa caracterização e acho até desrespeitosa para com a doutrina) mantém uma verdadeira aversão a qualquer movimento que se faça no sentido científico, sob a estúpida alegação de que estão fazendo cientificismo da doutrina.

Não conheço um cientista espírita, sequer, que tenha tido apoio do movimento espírita, em nenhum lugar do mundo.

O que sofreu o notável, maravilhoso e extraordinário Dr. Hernani Guimarães Andrade, no curso da sua vida, por conta da indiferença e do descaso, chegando a ter as suas matérias proibidas, tendo que escrever sob pseudônimo, certa ocasião, para poder ter os seus artigos publicados, foi algo extremamente repugnante.

O Dr. João Alberto Fiorine, do Paraná, com descobertas notáveis acerca da reencarnação, é outro que ninguém dá a menor bola e a maioria dos espíritas não conhece.

O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, meu querido amigo Serginho, com experiências fantásticas dentro da Pineal Mind, que até a USP tirou o chapéu, chegando a ponto de autorizar o curso de extensão médica “Medicina e Espiritualidade”, onde mediunidade e reencarnação são coisas tratadas com naturalidade e condução científica, ele que é aplaudido de pé em auditórios lotados de cientistas, quando visita a outros países, que já esteve oito vezes no programa Globo Repórter, sendo tratado respeitosamente todas as vezes, também enfrenta dificuldades em nosso movimento e muitos não querem saber dele fazendo palestras em seus centros, nem pintado de ouro.

Por que, tem que ser desse jeito?

Deolindo diz, também: “Bons médiuns existem por toda parte, ocorrem fenômenos relevantes, mas a impressão que se tem, hoje em dia, é de que não há mais investigadores do tipo de Crookes, Gibier, Bozzano e outros.”

Verdade. É isto mesmo. Médium nenhum, dos dias de hoje, tem condição nenhuma de ser igual, ou melhor, que Ermance Dufaux, por exemplo. Cientista atual nenhum tem capacidade nenhuma de ser comparado a Crookes, Gibier, Bozzano e outros, como ele diz.

Pra nós aqui, não é uma postura besta?

Atentemos para outra colocação do Deolindo, na matéria: “Veio, daí, a popularização do Espiritismo, trazendo certos prejuízos, é inegável, porque se desprezou muito o estudo sério, a pesquisa, o raciocínio analítico para enveredar pela simples crença nos espíritos, como que abrindo caminho para a formação de mais uma seita...

É o que acontece. É o que eu sempre digo: Igrejaram a Doutrina, fizeram dela uma seita de rezação e muitos espíritas não fazem outra coisa a não ser freqüentar centro (por obrigação, como iam à missa), participar do ritual: Entrar no centro e fazer SILÊNCIO, porque determinaram que “silêncio é uma prece”, prece inicial, palestra, prece de encerramento para agradecer a Jesus, passe, água fluidificada, desejar “Muita Paz” para os confrades e voltar para casa.

Quando Clóvis Nunes propôs a idéia de “O Livro dos Espíritos 2”, misericórdia, foi um Deus nos acuda!!! Começaram, para debochar bem dos seus ideais, a afirmar, levianamente, que ele queria substituir “O Livro dos Espíritos”, que ele queria ser o novo Kardec, que ele, presunçosamente, estava querendo afirmar que o LE estava ultrapassado, quando a sua proposta nada tinha a ver com isto e, muito pelo contrário, era apenas fazer novas perguntas aos Espíritos, o que não é pecado nenhum, principalmente considerando as inúmeras descobertas científicas e tecnológicas ocorridas desde os tempos iniciais da doutrina, até hoje. Estava correto ele, porque prestou atenção quando Allan Kardec sugeriu que a doutrina deveria andar passo-a-passo com a Ciência.

Há quem diga que “a doutrina não precisa disto, porque tudo já está escrito”. Meu Deus, dos Céus, é igrejismo e mente bitolada demais. Como é que alguém pode querer afirmar que TUDO, já está escrito?

Há outros que, para desmerecer bem, dizem que esse tipo de proposta é obsessão pura, é orgulho, é falta de humildade. Não tem a menor idéia do que seja a autêntica Humildade.

Bom, vamos ler Deolindo Amorim, então, e que cada um tire as suas conclusões se ele tem ou não tem razão.
Abração, Gente!

Alamar Régis Carvalho
alamar@redevisao.net
www.redevisao.net (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5yZWRldmlzYW8ubmV0)


Título: Re: Não deixamos a doutrina avançar
Enviado por: HelenaBeatriz em 07 de Abril de 2009, 12:46
O Espiritismo e a Investigação Científica

Deolindo Amorim

Brasil
http://www.geae.inf.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy5nZWFlLmluZi5icg==)

http://coerenciaespirita.blogspot.com/2 (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL2NvZXJlbmNpYWVzcGlyaXRhLmJsb2dzcG90LmNvbS8y) ... tfica.html

Texto publicado no Anuário Espírita 74 do "Instituto de Difusão Espírita" de Araras, São Paulo, Brasil)

Já ouvimos dizer, mais de uma vez, que "o Espiritismo parou no século XIX", em matéria de estudos científicos. Depois de uma fase realmente notável, fase em que refulgiram os nomes de CROOKES, AKSAKOF, ZOELLNER, por exemplo, nunca mais se fez um trabalho de cunho científico, na acepção exata. É o que se diz. Até certo ponto, sinceramente, honestamente, devemos reconhecer que a crítica tem alguma procedência, não há duvida. Das últimas décadas do século passado ao começo do nosso século[1], é inegável, houve experiências rigorosas, comunicações e relatórios de alto teor científico. De certo tempo em diante, parece que se deu uma espécie de arrefecimento do espírito científico no campo mediúnico. Isto não quer dizer que não haja material. Há, sim.

Bons médiuns existem por toda parte, ocorrem fenômenos relevantes, mas a impressão que se tem, hoje em dia, é de que não há mais investigadores do tipo de Crookes, Gibier, Bozzano e outros.

Quase não se fazem registros nos trabalhos experimentais, nem há certos cuidados, na maioria dos casos. Muito fenômeno importante fica sem anotação, sem documento para exame ou verificação.

Queremos crer que haja homens de envergadura intelectual para investigações sérias, mas talvez não haja condições, ambiente favorável, em grande parte, pois nem todas as pessoas que se dedicam a parte experimental do Espiritismo tem mentalidade científica. Há muita diferença entre mentalidade científica e cultura científica.

É certo que a cultura abre horizontes largos e pode contribuir muito para a formação da mentalidade, mas é preciso não perder de vista que muitas pessoas adquirem boa cultura científica, tem muita leitura, fazem cursos especializados, etc., etc., mas não tem a verdadeira mentalidade científica. Pode parecer um contra-senso. Quem, por exemplo, fica logo deslumbrado diante de um fenômeno ou de uma comunicação "sensacional" sem qualquer análise, não tem mentalidade científica, pois está procedendo apenas emocionalmente, não analiticamente. E quanta gente há, por aí, que procede assim, apesar de possuir currículos universitários?...

Há pessoas que são muito rigorosas noutros campos de pesquisa, mas quando entram no campo mediúnico procedem mais como místicos do que propriamente como homens de ciência. Não basta, portanto, ter a formação científica dos livros ou dos cursos de Universidade, é preciso ter atitudes científicas diante dos fenômenos. E é o que muita gente não tem.

Há pessoas, no entanto, que não fizeram uma cultura científica regular, não dispõe de certos instrumentos de pesquisa, mas apresentam reações diferentes, dando a impressão de que tem muito mais espírito científico do que muitos laureados. Mas não se pode dizer que não haja, atualmente, gente capaz de realizar trabalhos científicos.

Talvez essas pessoas não encontrem compreensão nem apoio para certos tipos de sessões. É outro problema. Em que sociedade, em que ambiente organizar uma sessão com médiuns preparados para determinadas experiências? Não é fácil, digamos a verdade. Por isso mesmo, e sem analisar o problema também por outros ângulos, é que algumas pessoas dizem que "o Espiritismo parou no século passado". Não parou, pois a mediunidade não se acabou, mas a preocupação científica, em grande parte, está sendo prejudicada pelas atitudes devocionais, atitudes que pretendem muito mais divinizar os espíritos e santificar os médiuns do que, a rigor, procurar a verdade pelo fio da razão esclarecida.

O problema comporta ainda outras considerações, não pode ser colocado apenas dentro de uma faixa de crítica. Aqui mesmo, no Brasil, onde o Espiritismo não ficou apenas na pura comprovação mediúnica, já se deram fenômenos de grande valor científico, mas não se fez relatório, não se deu divulgação, a bem dizer. Indiscutivelmente, nós nos descuidamos de anotar, confrontar, registrar em ata, testemunhar. Tudo isso faz parte do legítimo espírito científico, que é sempre cauteloso.

Nosso temperamento geralmente não dá muito para esperar com paciência, aguardando que as primeiras impressões se confirmem. Somos indiferentes em determinadas coisas e, ao mesmo tempo, somos precipitados noutras coisas: ou não damos a devida importância a manifestações realmente significativas ou somos capazes de nos arrebatar com pouca coisa... A experiência que o diga.

O lado místico, por sua vez, também pesa muito na prática mediúnica e, por isso mesmo, não é fácil imprimir uma orientação metódica em determinados grupos, ainda que haja médiuns de possibilidades aproveitáveis. A legião de sofredores é muito grande, em todas as camadas sociais, e a maior parte do público, por isso mesmo, recorre aos "canais mediúnicos" simplesmente como fonte de consolações ou à procura de esclarecimentos imediatos para suas situações; nunca, porém, como elemento de pesquisa, com visão científica ou filosófica.

Tudo isso, afinal-de-contas, deve ser objeto de consideração, pois há vários fatores confluentes no campo mediúnico. Então, voltemos ao ponto de partida: o Espiritismo não parou, mas as condições, hoje, são bem diferentes das condições em que pontificaram certos homens de ciência. Não se pode pensar em investigação científica sem pensar, necessariamente, no material humano que deve ser utilizado em trabalhos de tal natureza, muito específica e de muita complexidade.

No século passado[2] - vejamos bem - havia uma preocupação dominante, absorvente: provar ou negar a comunicação dos espíritos. Não havia outra alternativa. O Espiritismo enfrentava o desafio da ciência, muito mais relevante do que a sistemática oposição religiosa. Alguns homens de ciência entraram nesse campo exclusivamente para tirar a limpo a questão da comunicação entre vivos e mortos. Não tinham outro fito. E, por isso mesmo, empregaram todos os meios, forraram-se de cuidados especiais, amarraram médiuns, fiscalizaram sessões com vigilância implacáveis, mediram, pesaram, confrontaram, fizeram tudo. E era necessário. Chegaram às provas. A maioria deles ficou apenas no terreno experimental, deu testemunho, colocando-se corajosamente acima de preconceitos e conveniências, mas verdade é que não se dedicou à especulação filosófica, não chegou à Doutrina, em suma. Grande contribuição, indiscutivelmente, no campo experimental.

Não foi o caso, entretanto, de Gabriel Delanne. Este, sim, tinha embocadura de experimentador, era homem de formação científica, mas também fez obra doutrinária, na linha intelectual de ALLA KARDEC, LÉON DENIS, por exemplo. DELANNE partiu do fenômeno, como vários outros, mas entrou na indagação, fez estudos filosóficos, tirou conclusões válidas e lúcidas. A todos, no entanto, de um lado e do outro lado, isto é, tanto do lado puramente fenomênico quanto do lado doutrinário, muito deve o movimento espírita, pois todos eles são figuras clássicas na história do Espiritismo.

De certo tempo em diante (devemos compreender bem a situação), uma vez provada e comprovada a comunicação entre vivos e mortos, naturalmente já não havia tanto interesse pelo campo experimental, diante dos depoimentos de homens de projeção científica, sem qualquer compromisso de ordem sentimental, religiosa ou doutrinária. Passou, até certo ponto, a fase das experiências objetivas, porque a própria expansão das idéias espíritas começou a provocar interesses de outra natureza, devido às necessidades humanas. Abriram-se, na realidade, dois focos de atenção: o fenomênico e o doutrinário.

A divulgação da Doutrina criou a bem dizer uma polarização muito intensa, justamente porque muita gente queria mensagem, reclamava uma filosofia de vida, não se contentava somente com a prova direta das comunicações. Os estados de angústia, a desorientação espiritual, a falta de segurança interior, a deficiência de cultura religiosa, tudo isso, realmente, levou o homem, depois de algum tempo, a procurar a mensagem espírita em estado de quase sofreguidão e, por isso, deixou de se concentrar muito nas experiências científicas.

Veio, daí, a popularização do Espiritismo, trazendo certos prejuízos, é inegável, porque se desprezou muito o estudo sério, a pesquisa, o raciocínio analítico para enveredar pela simples crença nos espíritos, como que abrindo caminho para a formação de mais uma seita... Esse desvirtuamento, convenhamos, afastou certos homens afeitos a estudos científicos. Tudo isto é aceitável na consideração do problema. Há, porém, outro aspecto, e este deve ser levado em conta. É justamente o aspecto humano. O Espiritismo, hoje em dia, não é apenas um campo de experiências mediúnicas, é uma doutrina de vida, representa a solução de muitos problemas do homem moderno. As necessidades humanas vão aumentando cada vez mais, na medida em que a sociedade se torna mais complexa. E o Espiritismo, para boa parte da sociedade atual, é a "última esperança", é a grande resposta, que o homem não encontra noutras doutrinas, apesar de haver batido em muitas portas... É uma realidade diferente daquela realidade, que, na segunda metade do século XIX, viveram grandes experimentadores da fenomenologia mediúnica. Justamente por isso, o problema, não pode ser apresentado apenas por um prisma, seja qual for, mas através de vários ângulos de observação, sobretudo quanto às peculiaridades de cada país. Podemos, pois, chegar a estas sumárias conclusões:

Em primeiro lugar, pelo fato de não haver, hoje, ao que conste, experiências do tipo de Crookes, Geley, Lombroso e outros, isto não significa que não haja médiuns nem tampouco nos permite concluir que o ciclo experimental do Espiritismo tenha deixado de ser necessário;

Em segundo lugar, se é verdade, até certo ponto, que a falta de interesse pela investigação científica é prejudicial à compreensão e ao conceito do Espiritismo, também é verdade que o homem atual é absorvido por uma série de problemas prementes e, por isso, o aspecto doutrinário tem, para ele, maior interesse no momento, por causa da mensagem, que vai ao sentimento, aliviando as feridas da alma.

De tudo isso, afinal, podemos inferir que é necessário encarecer e estimular as pesquisas, a experiência científica, que teve sua razão de ser no século passado[2] e ainda se faz indispensável nos dias atuais, mas não devemos perder de vista o lado verdadeiramente humano do Espiritismo diante do sofrimento e da profunda decadência moral que se observa em todos os níveis sociais. Não nos esqueçamos de que o Espiritismo atende, ou deve atender, ao mesmo tempo, a necessidades diversas: necessidades científicas, necessidades sociais, necessidades emocionais e assim por diante.


Observações do GEAE:

[1] Deolindo Amorim escreveu este texto em 1974 assim ele se refere ao período que vai das últimas décadas do século XIX ao início do XX.
[2] Século XIX
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