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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: jose da silva de jesus em 07 de Julho de 2018, 16:46

Título: Minions
Enviado por: jose da silva de jesus em 07 de Julho de 2018, 16:46







Minions

A obra do bem na terra, seja aquela executada por espíritos encarnados ou desencarnados, é sempre um trabalho voluntário, pois não faria mesmo sentido obrigar espíritos bons a praticarem o bem. Mas ao contrário do que possa parecer, também as estruturas injustas na terra, que oprimem os mais fracos, são fruto de ações voluntárias tanto daqueles que fazem sofrer mas também por parte daqueles que sofrem.

Seja um chefe tribal violento, um rei e sua nobreza ou um empresário ganancioso e explorador, todos precisam de grupos de pessoas que se submetam a eles voluntariamente, seja por ignorância, medo ou ganância, ou quase sempre por uma mistura de tudo isso.

Vejamos o exemplo do funcionário do RH de uma firma que obedece a ordem de seu patrão para não pagar ao funcionário demitido tudo aquilo que ele tem direito por lei. Pode ser que este funcionário ignore o fato de que aquela é uma ordem injusta, ou pode ser que tenha medo de ser o próximo a ser demitido, mas pode ser também que seja um pouco de covardia e que então prefira pisar naquele que já está por baixo, ao invés de enfrentar as consequências de fazer aquilo que sua consciência considera justo. Pode ser também que seja um pouco de ganância e que ele veja nessa situação uma oportunidade cair nas graças de seu patrão, provando ser um funcionário indispensável para este tipo de tarefa.

Esta situação está longe de ser uma exceção, na verdade é quase uma regra que funcionários de empresas privadas prefiram obedecer às ordens injustas daqueles que tem poder para demiti-los, nada mais lógico poderia se dizer, mas é sempre uma submissão voluntária a um poder injusto. Gostamos tanto de reclamar do poder público e das atitudes antidemocráticas dos governantes, mas nos acostumamos a obedecer quase cegamente aos mandos e desmandos quando se trata do poder privado. Na verdade acostumamos também a criticar e desmerecer o trabalho e a competência dos servidores públicos, este tipo de trabalhador que possui estabilidade no emprego é o único que pode se opor às ordens injustas e ilegais emitidas por políticos que estão mais preocupados com suas carreiras do que com as leis. Mas ao invés de exigir para nós nas empresas privadas o mesmo direito de poder se opor a uma ordem injusta sem ser ameaçado de perder o emprego, a maioria de nós sonha é em cair nas graças do patrão e conseguir uma boa promoção para um cargo importante dentro destas estruturas de poder privado, onde frequentemente temos de escolher entre praticar uma injustiça ou contrariar nossos superiores.

Uma atitude de submissão similar é aquela do homem que obedece ao instinto de manada e prefere não se opor ao comportamento do grupo, participando de atos que teria vergonha de praticar sozinho. Quando de junta um grupo de pessoas, principalmente se forem homens e pior ainda se estiverem sob efeito de álcool, somos às vezes capazes de concordar com as ideias e atitudes mais ridículas, como a dos homens que se juntam para gritar palavras de baixo calão a uma mulher sozinha. Ao invés de contrariar a maioria e ser o chato do grupo, preferimos nos submeter voluntariamente e entrar no coro.

Outro tipo de submissão voluntária é aquela que praticamos quando estamos num grupo que se junta numa roda de conversa, por exemplo em uma festa, e começa a esbravejar posições radicais, que teríamos vergonha de defender numa conversa normal. Nestes tempos de polarização política, tornou-se comum os ataques verbais contra todas as minorias e rapidamente um pequeno grupo de pessoas inteligentes e racionais juntas se transformam numa turba raivosa atacando estas minorias e chegam logo à conclusão de que tudo que existe de errado é culpa dos homossexuais, imigrantes, índios, favelados, das bolsas e das cotas, deste que nenhum representante destes grupos esteja presente nas proximidades é claro. Novamente é mais fácil gritar e xingar junto, balançar a cabeça concordando ou simplesmente ficar quieto, ninguém quer ser o chato do grupo que tenta apresentar pelo menos alguma ponderação contra as ideias radicais.

Estes são alguns exemplos da nossa tendência à submissão voluntária. Gostamos de acreditar que temos opiniões próprias e que lutamos contra as injustiças. Mas é muito mais fácil se omitir da luta, se aliando e se submetendo ao poder dominante do momento. Para que se desgastar, se prejudicar defendendo o funcionário que já está demitido, a mulher sozinha na rua ou os direitos dos pobres, pretos e gays? Mais fácil e mais seguro é se aliar ao lado mais forte, num misto de medo e comodidade.

Se opor às injustiças, resistir ao mal, não significa de forma alguma, é claro, usar de qualquer tipo de violência, física ou verbal, significa simplesmente não participar do mal, se recusar a fazer parte da injustiça e se declarar contra estas atitudes de forma pacífica e, quase sempre, sofrer corajosamente as consequências negativas que resultarem desta atitude. Gandhi é conhecido como o maior expoente do princípio da não violência, que consiste na resistência pacifica a uma injustiça. Ele foi inspirado pelos escritos de Leo Tolstoi que escreveu uma obra sobre o assunto em que descreveu o que chamou de “conceito cristão de vida”.

Como não poderia deixar de ser, a chave para todos estes nossos conflitos internos está bem próxima de nós, nascidos e criados dentro de uma pátria que se considera cristã, basta seguir o exemplo de Gandhi (que só conheceu o cristianismo na idade adulta) e colocar em prática aqueles princípios cristãos que já conhecemos quase deste a primeira infância. O verdadeiro cristão, o homem de bem segundo Alan Kardec “toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.” Quantas vezes temos seguido este exemplo? Quanto temos aceitado sofrer prejuízos pessoais em nome do bem comum? Até quando vamos nos esconder no meio do grupo como os Minions do desenho animado? (as criaturinhas amarelas que seguem e obedecem sempre aos mais poderosos, sejam quem forem) A desobediência a uma ordem injusta é uma obrigação para o cristão. Nos acostumamos com a frase “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”, mas num mundo cheio de autoritarismos e injustiças, em muitas situações pode-se dizer que: Manda quem pode, mas desobedece quem tem Jesus.

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