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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: jose da silva de jesus em 25 de Novembro de 2018, 14:38

Título: Ingratidão crônica
Enviado por: jose da silva de jesus em 25 de Novembro de 2018, 14:38



A ingratidão crônica

“Denomina-se gratidão ao sentimento positivo e harmonizador pelo qual reconhecemos o bem que outrem nos proporcionou.”

O que seria a ingratidão crônica? A partir da frase acima, pode-se concluir que a ingratidão é a característica da pessoa que não possui o sentimento positivo de satisfação e reconhecimento do bem que lhe foi proporcionado. De crônica chamaremos aqui aquela que apesar de esforços feitos para que seja eliminada, permanece firme e forte e (aparentemente) sem cura.

Você já viu uma destas pessoas que apesar de não terem uma vida nada sofrida estão sempre reclamando de tudo à sua volta?

São pessoas que possuem uma qualidade razoável de vida, possuem uma saúde, se não perfeita, pelo menos razoável, uma condição financeira razoável, e que não passaram por grandes tragédias pessoais além daqueles percalços comuns a que todos os seres humanos estão sujeitos.

Apesar disso, este tipo de pessoa está sempre a reclamar, mas não por um sentimento de indignação pelas injustiças que sofrem as outras pessoas, o que poderia ser compreendido dada a enorme carga de notícias negativas que nos bombardeiam diariamente pelos noticiários, mas sim um sentimento de indignação geral mas restrito apenas às situações que afetam a elas mesmas.

Ora, quem não se sente infeliz com algo lhe prejudique, isso é totalmente natural, mas as pessoas de bom senso conseguem se desvencilhar de um pensamento negativo rapidamente, principalmente porque numa sucessão natural de eventos da vida de qualquer pessoa ocorrem coisas positivas e negativas todo o tempo; como por exemplo: “passei com meu carro num buraco que se abriu no asfalto depois da chuva, ao virar a próxima esquina  descobri que aquela outra rua que tinha um asfalto velho cheio de buracos foi recapeada”.A pessoa com ingratidão crônica irá ficar o resto da semana comentando com seus colegas de trabalho sobre o possível prejuízo ao seu carro (que nem chegou a se materializar) e da incompetência da administração pública, dizendo frases do tipo: “isso é culpa da incompetência desse governo” ou “se fosse em tal lugar isto não aconteceria” e se esquecerá de mencionar o fato da outra rua, que era toda esburacada, agora estar “um tapete”.

Pessoas assim existem em todos os lugares, um dos assuntos mais comuns e que mais desencadeia reclamações típicas deste comportamento é a situação política, econômica, social, cultural etc. do Brasil; quantas vezes não ouvimos as frases:  ou “só no Brasil mesmo” ou “esse país é uma piada” ou ainda “por isso é que o Brasil não vai pra frente”.

Estas pessoas reclamam da miséria, dos impostos, da corrupção, da saúde, da educação etc. Mas vejamos, estão reclamando da miséria pelo sentimento de compaixão pelos miseráveis e indignação pelas condições de pobreza das pessoas das classes mais trabalhadoras e sofridas como os pedreiros, faxineiras, garis e trabalhadores rurais? A resposta é não, estão na verdade reclamando do fato de miseráveis baterem à sua porta pedindo ajuda todo o tempo, de cruzar com a visão desagradável de uma rua suja com casas feias de um bairro pobre, com o risco de assalto ao ter que cruzar uma região cheia de favelas ou moradores de rua etc. Reclamam sempre também dos impostos, estarão elas indignadas com a carga tributária de 50% que oprime por exemplo uma família que possui renda de 1 salário mínimo no Brasil? Não, estão indignadas mesmo é com a carga tributária de 20% típica das famílias brasileiras que possuem renda de 20 salários mínimos nos quais elas por acaso se incluem. E a corrupção? Causa indignação poder oferecer propina a um guarda, ou transferir a multa para um parente que não possui pontos na carteira? Não, isso parece não ser problema, nem tampouco a corrupção que criou um cargo bem remunerado a pessoa da sua família que possui bons contatos políticos; a indignação é dirigida àquela corrupção que prejudica o ingrato crônico, como a corrupção do fiscal tributário que “quebra um galho” para o lojista da concorrência, se fizesse o mesmo para ele não estaria indignado, também não causa indignação a baixíssima qualidade da educação oferecida às camadas mais pobres (pois ele pode pagar ensino particular) nem o sistema corrompido de educação superior teoricamente público e democrático que praticamente só oferece chances reais de ingresso àqueles que não precisariam do estado para bancar seus estudos.

O típico ingrato crônico tem sempre muito a reclamar apesar de sua condição social, econômica, de saúde etc. razoavelmente boa e comparativamente ótima; uma analogia muito fácil pode ser feita com uma criança que possui muitos brinquedos e esta sempre reclamando de não possuir mais ainda ou então por não possuir um igual ao do vizinho que tem um único brinquedo e ainda por cima é quase idêntico ao seu. É claramente uma questão de imaturidade, as pessoas ficam mais velhas mas em relação a certos comportamentos não conseguem amadurecer, mudam o foco de seus desejos e reclamações mas permanecem os comportamentos imaturos.

A esta altura muitos de nós já mentalizamos algumas pessoas que se enquadram neste perfil, mas dificilmente conseguimos nos auto enquadrar nele, isto é natural, Gandhi certa vez disse que apenas olhando nosso próprios defeitos com uma lente de aumento e os defeitos dos outros com a lente invertida é que teremos uma noção aproximada da realidade. Todos reclamamos daquela injustiça que nos afeta e, como criaturas imperfeitas que somos, tendemos aceitar com mais facilidade as injustiças que nos beneficiam, todos temos um pouco (ou muito) deste ingrato crônico, porque passamos muito do nosso tempo mentalizando aquilo que nos prejudica e muito pouco raciocinando sobre tudo o que nos foi concedido.

Como evitar então este comportamento? Como não se tornar uma pessoa parecida um este tal ingrato crônico? Um passo essencial para se desvencilhar deste comportamento é possuir fé em Deus. Mas por que? O que Deus tem a ver com isso? O Motivo é que somente a pessoa que tem fé em Deus , ou seja, aquela que acredita que existe uma força maior governando o universo e também a sua vida, pode começar a perceber que existe algo a agradecer além do mero acaso por ter uma condição de vida razoável ou até mesmo ótima se comparada a uma grande parcela da população que enfrenta diariamente necessidades e privações e que não é menor do que 70% no mundo todo, pois no mundo todo aqueles que não sofrem com a pobreza, problemas de saúde, liberdade, falta de oportunidades etc. constituem um minoria.

Apenas a pessoa que não acredita que seus privilégios comparativos não são fruto do acaso (como a criança que acha que possui muito mais brinquedos do que o vizinho por mero acaso) e que não acredita que já tenha nascido mais merecedora de privilégios e regalias (como a criança que acha que merece todos os brinquedos porque é a criança mais bonita do mundo), somente a pessoa que acredita que uma força maior comanda o universo e por algum motivo lhe concedeu e ainda lhe concede uma situação física, econômica, social etc. mais favorecida, sem esquecer também das oportunidades de trabalho e estudo que lhe proporcionaram ter tudo o que têm, somente esta pessoa pode possuir a gratidão por tudo o que conquistou.

Somente a pessoa que possui esta noção de que por algum motivo, alguma força maior lhe colocou numa situação que esta longe de ser das piores e que lhe são oferecidas oportunidades que não são oferecidas à maioria das outras pessoas, somente este indivíduo esta apto a enxergar com clareza suficiente para  poder colocar na balança as suas dificuldades e as suas facilidades, suas desvantagens e seus privilégios, e fazer a medição correta de quantas pedras lhe são atiradas no caminho e quantas oportunidades lhe são oferecidas, ou de quantos buracos existem no asfalto velho e quantas ruas ganharam asfalto novo.


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