Forum Espirita

GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Cláudio Zadorosny em 24 de Março de 2016, 21:22

Título: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: Cláudio Zadorosny em 24 de Março de 2016, 21:22
[size=12pt][size=12pt]Texto aberto para discussão e ideias, e críticas.


Evolução do Espiritismo (?)

            Muito se fala e divulga do progressismo da Doutrina Espírita, mas será que realmente estamos prontos para admitir que Kardec se equivocou em algum ponto?
            O professor Rivail[1], em A Gênese, capítulo I, item 55, diz:

Citar
Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.[2] (grifo nosso)

            Inclusive, ele próprio, na obra citada, corrige um ponto de vista adotado e colocado de forma expressa em O Livro dos Médiuns, no tocante ao assunto "possessão", uma vez que diz que não somente ela existe, o que antes havia sido negado[3], como ainda afirma e explica o fenômeno, trazendo um novo aspecto, que é a do bem, quando realizada por um espírito bom, conforme o trecho a seguir (Cap. XIV item 48):

Citar
Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo.[2] (grifos nossos)
            Pois bem: mais de um século e meio se passou, a ciência evoluiu enormemente, a sociedade dos anos 2000 se tornou totalmente diferente da França daqueles tempos, o movimento espírita espalhou-se por todo o Brasil e o desafio é: como olhar para o Pentateuco, estrutura sólida como o é, bem como as obras subsidiárias já aceitas e não as deixar dogmáticas.
            É muito bonito dizer que no Consolador Prometido há debate, que podem ser feitos questionamentos, mas quanto isso é realizado na prática? Quantas pessoas que simplesmente discordam de determinados pontos, seja de forma fundamentada ou por ser novata, são realmente ouvidas, e não tratadas com impaciência, intolerância ou, desculpem a grosseria, um certo desprezo escondido? Quantas são silenciadas ou não voltam à casa por terem escutado que algo era de determinada forma mas, ao contra-argumentarem, obtiveram não exatamente essas, mas respostas que lembram o "mas é assim", ou então "fulano disse".
            Isso cria uma demanda urgente no preparo e sobretudo na humildade para aqueles que conduzem uma reunião ou são abordados para tirar dúvidas, dizerem que não sabem, mas que irá procurar, ou mesmo sugerir que aquele que pergunta o faça, lhe dando obras de referência e deixando pesquisar na internet, trazendo o material obtido para ser avaliado e comentado (percebem o quão acolhida a pessoa pode se sentir com esse tipo de atitude?).   
            Deve-se sim respeitar a coerência doutrinária, mas ainda que seja sobre um dos pontos mais básicos da doutrina, como reencarnação ou pluralidade dos mundos habitados, a abertura ao debate deve ser permanente. Inclusive, peço licença nesse momento para relatar o que me aconteceu logo que entrei no primeiro grupo de estudos de O Livro dos Espíritos que fiz parte: a reunião tinha duração de 1 hora, e a "travei" por 30 minutos, até entender por que o véu do esquecimento é justo. Graças a Deus, fui bem tratado, tiveram paciência e ninguém se exaltou, sendo solícitos para que eu entendesse o tema.
            O Cristo veio para todos, e consideramos a Doutrina dos Espíritos como o Cristianismo Redivivo, através da fé raciocinada apregoada claramente em toda ela. Portanto, deve-se acolher todos os corações e inteligências que de boa-fé a buscarem, sem correr o risco de se fechar em círculos de pontos inquestionáveis. A pior atitude que podemos ter para com a Boa Nova é o seu engessamento.
            Não se enganem, sou um profundo admirador do codificador e procuro estudar e me aprofundar em sua obra e biografia. Quanto mais leio a Revista Espírita, mais vejo sua genialidade e sua humildade, e sei que devido a estes mesmos fatos, juntamente com seu nobre e magnífico trabalho, uma quantidade enorme de pontos já estão mais que sólidos e é praticamente impossível contestar de forma bem explicada. Entretanto, ao que me oponho aqui é não permitir que a indagação, as perguntas sejam feitas.
            Existem também as novas realidades, as quais não se tinha como serem relatadas 158 anos atrás, nem mesmo nas obras do início e meados do século XX, pelo fato de tão somente não existirem. Um exemplo claro disso é a nomofobia (com N mesmo). Kardec já desencarnou, então tais assuntos não serão abordados por que não foram colocados na codificação?
            Por fim, o próprio professor Hippolyte previa o infinito de possibilidades da obra que ajudou a organizar, inclusive aconselhando como proceder com o avanço:

     
Citar
Não esqueçamos que o Espiritismo não está acabado; ainda não fez senão fincar balizas. Mas, para avançar com segurança, deve fazê-lo gradualmente, à medida que o terreno estiver preparado para o receber, e bastante consolidado para nele pôr o pé com segurança. Os impacientes, que não sabem esperar o momento propício, comprometem a colheita como comprometem a sorte das batalhas.[4] (grifo nosso)
     
            E o repetiu, dando outras instruções, na Revista do mês de abril de 1867:

     
Citar
O Espiritismo ainda não disse a última palavra; longe disso: nem sobre as coisas físicas, nem sobre as coisas espirituais. Muitas das descobertas serão fruto de observações ulteriores. De certo modo o Espiritismo não fez, até agora, senão fincar as primeiras balizas de uma ciência cujo alcance é desconhecido.[5] (grifos nossos)
            Quais as novas descobertas e observações? Estejamos prontos e abertos para recebê-las e analisá-las, criando um ambiente aberto e solidário para que façamos do Espiritismo o que Allan Kardec, junto com os espíritos superiores, direcionaram para ser: uma doutrina consoladora e que realmente avança e se adapta, agrega o que surge de novo no decorrer da estrada evolutiva, abraçando com o crivo da razão, mas sem medo, pois como dito por ele, a base do Espiritismo está nos fatos e, como se sabe, não há como atacar fatos, meticulosamente estudados e comprovados.
            É fato que certas coisas precisam de uma atualização, e talvez o Movimento Espírita o necessite mais do que da própria filosofia. Derrubando certos tabus, colocando em discussão assuntos que não se quer tocar mas que são úteis e mesmo necessários para que a ciência espírita chegue ao maior número de pessoas possível, de maneira educada e singela, como uma mão que afaga e se estende para conhecimentos maiores e consolo, entendimento, esclarecimento e amparo amigo.
           
                                   
            Muita paz a todos!

[1] Hippolyte Léon Denizard Rivail, nome de batismo de Allan Kardec
[2] KARDEC, Allan.  A Gênese. Disponível: http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/A-genese_Guillon.pdf. Acesso em 12/02/2016
[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Disponível: http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/136.pdf. Acesso em 12/02/2016
[4] KARDEC, Allan. Revista Espírita de junho de 1865. Disponível: http://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1865.pdf. Acesso em 12/02/2016
[5] KARDEC, Allan. Revista Espírita de abril de 1867. Disponível: http://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1867.pdf. Acesso em 12/02/2016[/size][/size][/size]
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: Antonio Renato em 25 de Março de 2016, 15:18
Meu nobre(nobre na alma)companheiro e irmão de caminhada Claudio, Não entendi muito 
bem os propósitos das suas colocações, poderia então ser mais claro e mais específico 
nelas. Veja então que o professor Rivail contrariando até mesmo o meio acadêmico em que
vivia, pondo em risco até mesmo a sua credibilidade,para colocar para o mundo um novo
conhecimento de uma realidade que até aquele momento era visto tão somente como
fenômenos inexplicáveis, pois era assim que era visto o espiritismo, cuja a sua existência
antecedem a era cristã. Portanto se o amigo puder, coloque-nos mais alguma coisa para
que se possa melhor entender.
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: MCN2609 em 26 de Março de 2016, 00:52
Muito bem colocado Cláudio. Realmente a doutrina espirita tem característica evolucionista, o que garante que ela nunca vai ficar ultrapassada ou amarrada em dogmas que muitas vezes não tem uma coerência racional. Assim queria Kardec pois deixou claro em várias obras que escreveu que a doutrina caminha com a ciência e a razão. Se alguma coisa que Kardec escreveu no passado vier a confrontar a racionalidade no presente ou futuro, devemos nos alinhar com a verdade sem orgulho e sem medo de reformularmos certos pontos da doutrina. O mesmo critério também deve ser adotado para as publicações/opiniões pós Kardec, escritas por médiuns notórios ou estudiosos da doutrina, pois tenho visto que muitas dessas obras/pontos de vistas contém argumentos no mínimo questionáveis, sem uma base de verdade e tendo apenas como avalista o peso do nome do médium ou o carisma de pessoa no meio espirita. Reflitamos bem sobre isso para não sermos confundidos como ingênuos ou lunáticos que cremos em qualquer coisa que nos apresentem. Abraços.
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: lconforjr em 26 de Março de 2016, 17:52
Evolução e Espiritismo (?)

      Ref msg inicial, de Claudio Zadorosny

      Cláudio, nosso novo companheiro de estudos, escreveu:... O professor Rivail... diz: Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará. 

      Conf: perfeito e muito bem colocado seu texto, companheiro! E, aproveitando o “gancho” que ele nos dá, faço algumas considerações:

      Eu mesmo já, e por muitas vezes, senti na “pele” isso a que vc se refere; por várias vezes me vi literalmente “excomungado” das fileiras de grupos espíritas e, mais recentemente, de endereços eletrônicos/sites de debates sobre a doutrina, por fazer indagações acerca de pontos que considero estranhos, confusos ou incoerentes e mesmo contraditórios. Muitas de minhas indagações são tidas como absurdas, tolas, infantis, aborrecedoras, e muitos companheiros de estudos nem mesmo lhes dão atenção, nem ao trabalho de respondê-las. Não obtenho respostas/explicações às indagações feitas, como se fossem invisíveis aos olhos dos amigos espíritas, ou, se obtenho, são sempre meias-respostas, não conclusivas, pois sempre questionáveis.

      Sem dúvida que novas realidades surgiram, entre elas novas revelações comprovadas com todo o rigor da ciência, e que nos mostram um papel do homem, antes não suspeitado, relativo a sua intervenção na criação/percepção das realidades universais. Porém, pelo que podemos perceber, embora a codificação tenha assegurado estar aberta a essas novas revelações, já passado mais de um século, os educadores espiritas nem mesmo se referiram a elas e não consultaram, como certamente deveriam fazer, os espíritos amigos superiores para que pudessem sobre elas se manifestar.

      Até mesmo coisa mais grave aconteceu: conceituado escritor espírita foi ridicularizado quando, num site de debates, as expôs para o conhecimento dos que, talvez, não as conhecessem.
..............
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: Cláudio Zadorosny em 29 de Março de 2016, 16:52
Agradecendo pelos comentários até o presente momento feitos, uma breve resposta ou comentário.

Antonio Renato: O objetivo do presente artigo é mostrar fundamentadamente a "não-cristalização" da doutrina.

MCN2609: Interessante sua colocação e pertinente.

lconforjr: Se não fugir do assunto, pode trazer suas questões, colocar links (se o forum permitir) para elas.

Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: lconforjr em 29 de Março de 2016, 21:54
Re: Evolução e Espiritismo (?)

      Ref resp #4 em: 29 03 16, às 16:52, de Claudio Zadorosny

      Olá, meu amigo. Já trouxe muitas vezes essas questões e como lhe disse, ou não são levadas em consideração pelos amigos, ou então as respostas que obtemos nunca são definitivas; trazê-las, novamente, será apenas repeti-las. Mas, vamos lá. Se o amigo puder respondê-las será ótimo.

      Para não me alongar, pois que há quem nem leia respostas longas, coloco abaixo, entre outras, apenas 2 questões:

      - porq (= qual é a causa de) uns são bons e outros são maus? (este é um conhecimento imprescindível, sem o qual não entenderemos nem a doutrina, nem mesmo a vida);

      - porq, espíritos que, são criados perfeitamente iguais, se tornam gigantescamente desiguais?

      Qto a “novas” realidades, que a doutrina se diz pronta a aceitar, desde que cientificamente comprovadas, pergunto: e as revelações trazidas pela nova ciência, a física quântica, entre elas a que afirma que, não existindo um observador senciente (senciente = que tem a capacidade de sentir, sensações e sentimentos; aquele que tem a capacidade de sentir conscientemente algo, ou seja, de ter percepções conscientes do que lhe acontece e do que o rodeia) a energia não se transforma  em partículas de matéria e, consequentemente, não existirá o universo como o observamos?

      Por essa nova revelação podemos dizer que Deus cria e que nós damos o “retoque final” em Sua criação. Já se passaram mais de 100 anos da chegada dessa revelação mas, até hoje, a doutrina não a aceitou e nem mesmo se manifestou a respeito!

      Abçs!
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: Cláudio Zadorosny em 30 de Março de 2016, 22:18
Ref resp lconfojr:

1)Por que uns são bons e outros maus?
Todos foram criados iguais, simples e ignorantes. Entretanto, enquanto em determinadas circunstâncias, uns escolheram o caminho das virtudes (seguir a caridade, o sacrifício do interesse próprio em certas situações, fazer o bem a outrem), outros escolheram o caminho dos vícios (egoísmo, deixar o outro com fome enquanto ele tem de sobra, por exemplo). Aos primeiros, muitos chamam "bons"; aos últimos, há quem chame "maus".
A essência de ambos é a mesma, o que os diferencia, nesse quesito dual, ou seja, qual nome se lhes dará, é o que fizeram de seu livre arbítrio.
Resumindo, convencionou-se chamar "bom" usou seu livre arbítrio para o bem, e "mau" quem o utilizou de forma propositadamente ruim, de forma ativa ou se omitindo quando lhe cabia fazer o bem.

2)Por que espíritos que são criados perfeitamente iguais se tornam gigantescamente desiguais?
Por que igualmente foram dotados de livre arbítrio, e através dele tomaram atitudes diferentes que geraram consequências diferentes. Exemplo: Os dois viram uma criança com frio (e ambos tinam 2 casacos). Um o agasalhou e outro o ignorou. Todas as desigualdades sociais são explicadas através das consequências que cada um fez de seu livre arbítrio.

3) Em relação à física quântica.
Essa ciência ainda está num estágio bem inicial, até onde vão meus ínfimos conhecimentos a respeito do assunto. Recomendo procurar sobre Alexandre Fontes da Fonseca para se informar melhor  a respeito, e um ponto de vista bem interessante.

3-a) Doutrina não aceitou essa nova revelação.
Primeira questão: A doutrina, conforme orientado por Kardec (vou colocar no futuro num outro artigo escrito a referência apropriada), só deve aceitar o que ressaltar da lógica e já não estiver mais no domínio da utopia, estiver devidamente comprovado. Então, tratando-se de algo ainda tão embrionário quanto a física quântica (sobretudo por que há um desejo forte de vê-la comprovando o Espiritismo, o que segundo o citado pós-doutor - Alexandre - não acontecerá), é prudente um cuidado e esperar que ela se desenvolva.
Noutro ponto, quem se afirma com autoridade para dizer o que é ou não Espiritismo, quais avanços ela aceita, aceitará, já aceitou ou não? Qual o critério para dizer que o Espiritismo já aceitou determinadas novas descobertas ou não?

Desculpe pela longa, e talvez inexpressiva, resposta.

Abraço
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: lconforjr em 30 de Março de 2016, 23:03
Re: Evolução e Espiritismo (?)

      Ref resp #6 em: 30 03 16, às 22:18, de Claudio Zadorosny

      Claudio disse: ref resposta de lconforjr:

      1)Por que uns são bons e outros maus?

      Todos foram criados iguais, simples e ignorantes. Entretanto, enquanto em determinadas circunstâncias, uns escolheram o caminho das virtudes,... outros escolheram o caminho dos vícios. Aos primeiros, muitos chamam "bons"; aos últimos, há quem chame "maus".

      Conf: mas, se somos todos criados iguais, simples e ignorantes, porq  uns escolhem o caminho das virtudes e outros o dos vícios? E porq vc diz que “aos últimos, há quem os chame de ‘maus’”? É, segundo a doutrina, Deus que os considera maus, tanto que lhes impões terríveis penalidades por serem maus!

      Vc fala do livre-arbítrio e que a essência de todos é a mesma, e a doutrina afirma que, no principio somos todos perfeitamente iguais, portanto inclusive em todos os requisitos necessários à evolução. Sendo assim, porq os livres-arbítrios de espíritos perfeitamente iguais são gigantescamente desiguais? Se todos são iguais, devido a que seus livres-arbítrios serão desiguais?

      Claudio: Resumindo, convencionou-se chamar "bom" usou seu livre arbítrio para o bem, e "mau" quem o utilizou de forma propositadamente ruim, de forma ativa ou se omitindo quando lhe cabia fazer o bem.

      Conf: é essa a minha pergunta: porq espíritos iguais têm decisões desiguais, uns utilizando o livre-arbítrio para fazer o bem, outros para fazer o mal?

      Claudio: Qto à física quântica,

      3-a) Doutrina não aceitou essa nova revelação... segundo Kardec só deve aceitar o que ressaltar da lógica e já não estiver mais no domínio da utopia, estiver devidamente comprovado.

      Conf: exatamente, meu amigo; por isso mesmo fiz essa pergunta; as novas revelações científicas ressaltam e de modo extraordinário algo que, para as doutrinas teístas, era até então insuspeitado,  e foram comprovadas com todo o rigor da ciência!
...............
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 31 de Março de 2016, 02:02
Estou com o amigo Antonio Renato

Li e não entendi a proposta

deve ser uma falha minha
deve ser

Li também a resposta ao Antonio renato
e
também não entendi

Bom!

Abraços

quis dizer o objetivo

Abraços



Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: Cláudio Zadorosny em 31 de Março de 2016, 16:45
Primeiramente, em relação ao objetivo: a proposta é ver o quanto o progressismo da doutrina está sendo colocado em prática.

Respondendo ao lconforjr:

1) Recomenda-se uma leitura atenta das questões 114 a 127 de O Livro dos Espíritos, em especial as de número 115, 121 e 123. Se ainda assim não estiver satisfeito, leia o que foi escrito abaixo (apesar de o livro explicar muito melhor).
O livre-arbítrio é exatamente a característica que, desde quando foi colocado em nós, permite uma diferenciação. Todos somos criados iguais, mas a partir do momento em que o livre-arbítrio é colocado, Deus permite que façamos escolhas diferentes. O Pai não criou bonecos sem escolha, e a escolha, o que implica diretamente na velocidade em que vamos evoluir, é exatamente, por assim dizer, "o componente variável", cuja variabilidade é cada um de nós quem dá. Deus criou todos iguais, dotando todos igualmente com a liberdade de escolha (teria criado desigualmente se desse a liberdade de escolha para uns e não desse para outros) para termos o mérito da jornada. Por que uns escolhem o caminho do bem e outros o caminho do mau? Pegue outras perguntas: por que alguns gostam de sorvete de maracujá e outros não gostam, mas gostam de chocolate?  Uns acreditam que o caminho X vai ser melhor, outros que o caminho Y. Repetindo: a igualdade na criação consiste em criar todos de forma igual com os mesmos atributos, incluindo o livre-arbítrio. Ter livre-arbítrio significa cada um poder fazer suas próprias escolhas. Se Deus não permitisse que cada um fizesse suas próprias escolhas, nenhum mérito existiria. Se Ele não tivesse colocado o livre-arbítrio, seríamos meras marionetes dos fatos ( somos nós os responsáveis pelo que fazemos dele.

O livre arbítrio de todos é igual. Qual o seu conceito de livre-arbítrio? O uso que os Espíritos fazem dele que é diferente. Eis o conceito do dicionário Houaiss sobre livre-arbítrio: "possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante".
Ao que parece, vc entende que livre-arbítrio igual significaria todos fazerem as mesmas escolhas. Ora, se assim fosse, ele sequer existiria, pois tal ideia é contraditória à própria definição dele. Se todos obrigatoriamente escolhessem as mesmas coisas, não haveria liberdade alguma de escolha.

Em relação à penalidades, certa vez argumentei sobre isso numa roda de estudo num centro. Surgiram duas possibilidades de explicação, todas pautadas no fato de que Deus não pune ninguém.
Então, por que tantas vezes as obras básicas usam o verbo punir?
a) Por que Kardec escreveu as obras quando a religião dominante falava em punição, então ele precisava se fazer entender.

b) Deus não pune ninguém, mas a própria pessoa, com cada ato bom ou mal seu gera uma consequência, e depois colhe o que plantou. Ora, imagine, cada vez que fosse falar sobre isso, repetir essa explicação (que talvez precisasse ser ainda mais longa). Muito mais fácil usar um verbo que as pessoas conhecem, tendo em vista a observação de que não deve ser levado ao pé da letra.

Por fim, a parte da física quântica:
Não sei se restou alguma dúvida. E refaço o lembrete de procurar sobre o Alexandre Fontes da Fonseca.
Título: Progressismo da Doutrina Espírita 2
Enviado por: Cláudio Zadorosny em 01 de Abril de 2016, 19:43
 Antes de tudo, o porque do "2". É que em outro artigo, com nome diferente, já foi tratado desse tema.           
           

              Há algum tempo, num artigo anterior, fui questionado se, para mim, o caráter progressista da Doutrina Espírita só ocorre se forem admitidos erros de Kardec.
               E sabem de uma coisa? A pessoa está certa.

         
              Sem querer repetir argumentos anteriores, Allan Kardec deixou muito claro que a Doutrina dos Espíritos, a seu tempo - e sabemos que ainda hoje - era uma obra inacabada. Assim, vamos, para iniciar, ver e analisar o conceito de progressista.

            De acordo com o dicionário Houaiss[1], seria "relativo a progressismo". E o que seria progressismo? A mesma fonte, em seu conceito número 2, diz que é uma " corrente de pensamento ou atitude mental dos que aceitam a evolução ou mudanças, esp. em matéria de religião". Ou seja, aceitar a evolução ou mudanças, sem traçar um limite específico, como, por exemplo, mudanças científicas, mudanças sociais, etc, o que leva a perceber o quão amplo é o conceito, cabendos entender se Allan Kardec desejava circunscrevê-lo a algumas dessas áreas, ou não.

                 Em A Gênese[2], encontramos no item 55:

Citar
Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, a Doutrina tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação.(...) (grifo nosso).

               E mais adiante, no mesmo item:

Citar
O Espiritismo, pois, estabelece como princípio absoluto somente o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo-se com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia(...)(grifo nosso)
            Poderia colocar mais referências[3] aqui, mas dentro dessa obra já se vê claramente que o codificador não estabeleceu fronteiras para o aspecto analisado que não a comprovação e realidade do das ideias que se quer incluir/estabelecer, e que a Doutrina se comunica com todas as áreas, levando a uma perfeita sintonia com o que traz o dicionário.

            Assim, levando-se em conta que não há cerceamento para as inovações de quais disciplinas específicas serão aceitas, entende-se que não é somente contradizer o que já está estabelecido que seria o caráter progressista do Espiritismo, mas também novidades tecnológicas, leis naturais que forem descobertas, mudanças sociais, enfim, tudo o que vier de novo e ficar patentemente comprovado será "assimilado", ou seja, absorvido por ele.

      E aí sim podemos questionar: o Espiritismo está sendo posicionado, através de seus adeptos, a respeito de novas questões? Qual está sendo a base? Estamos abertos para os novos acontecimentos ou estamos nos omitindo, ou ainda, aceitando tudo sem exame sério? Qual a distância apropriada entre o conservadorismo e o descuido na análise das informações novas e a falta dela? Como estão sendo orientados os jovens nesse sentido dentro das casas? A boa vontade está presente nas reuniões para avaliar o que há de ser incorporado, e vendo como a lógica trata dos assuntos ainda não abordados, ou pouco abordados? Quais as outras questões a serem olhadas e pensadas sobre o caráter progressistas, no ano do 159º aniversário de lançamento de O Livro dos Espíritos?

       Opinem à vontade, colaborem para a conversa, divulguem seus pensamentos.



[1] Dicionário Houaiss. http://Disponível em [url]http://houaiss.uol.com.br/[/url]. Acesso em 23/03/2016.
[2] A. Kardec, A Gênese, Editora FEB, 53ª Edição. Disponível em http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/A-genese_Guillon.pdf.  Acesso em 23/03/2016.
[3] Na Revista Espírita de janeiro 1866, p. 24, por exemplo, temos o seguinte trecho: "Ora, tomando como ponto de partida todos esses princípios na observação dos fatos, o Espiritismo não pode ser derrubado por uma teoria; mantendo-se constantemente no nível das idéias progressistas, não poderá ser ultrapassado(...)".
Já edição de  dezembro de 1868, p. 516, encontra-se esta passagem:" (...)o que hoje nos parece falso pode amanhã ser reconhecido como verdadeiro, em conseqüência da descoberta de novas leis, e isso tanto na ordem moral, quanto na ordem física. Contra essa eventualidade, a Doutrina nunca deverá estar desprevenida. O princípio progressivo, que ela inscreve no seu código, será a salvaguarda da sua perenidade e a sua unidade se manterá, exatamente porque ela não assenta no princípio da imobilidade.(...)." Link para as revistas: http://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1866.pdf; http://www.febnet.org.br/ba/file/Downlivros/revistaespirita/Revista1868.pdf
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: lconforjr em 05 de Abril de 2016, 22:43
Re: Evolução e Espiritismo (?)

      Ref resp #9 em: 31 03 16, 16:45 de Claudio Zadorosny

      Sempre buscando uma “fé raciocinada” e tentando entender a doutrina do mesmo modo como os amigos a estão entendendo.
....

      Claudio escreveu: Primeiramente, em relação ao objetivo: a proposta é ver o quanto o progressismo da doutrina está sendo colocado em prática.

      Conf: qto a isso posso lhe dar uma rápida resposta: muito pouco e muito lentamente; e todos os que estudarem essa questão podem constatar que isso é uma verdade. Basta uma rápida passagem de olhos pelo nosso pequeno planeta azul!
...............

      Conf: Olá, novo amigo Cláudio, como sempre sou muito prolixo e por isso minhas msgs são muito longas, estou tentando ser mais objetivo e direto em tudo que escrevo. Assim, pode lhe parecer que em respostas que dou estou sendo ‘seco’, e mesmo ríspido. Mas não é essa a intenção. Vamos lá.

      Dito isso, lhe peço que não me faça reler o que já li e reli por 7 décadas a fio; não tenho mais fôlego para isso; felizmente minha memória é boa e guardo nela a essência dos ensinamentos mais relevantes da doutrina e podemos sobre eles conversar à vontade.

      Mas não procuro, senão raramente, reler esta ou aquela questão/conceito de qualquer livro da codificação ou de fora dela. Assim lhe peço que qdo se referir a uma “questão número tal”, se possível, indique qual é o conteúdo, ou a pergunta, ou explicação que vc deseja que seja relembrada.

      Cláudio: O livre-arbítrio é exatamente a característica que, desde quando foi colocado em nós, permite uma diferenciação. Todos somos criados iguais, mas a partir do momento em que o livre-arbítrio é colocado, Deus permite que façamos escolhas diferentes.

      Conf: perfeito; Deus permite; mas não é essa a questão; a questão é: porq, meu jovem, espíritos, eu, vc, nós, se então éramos perfeitamente iguais, nossos livres-arbítrios eram totalmente desiguais?!

      E se, na sua explicação, a “variabilidade” é cada um de nós que dá, porq uns a concebem ou constroem de acordo com os princípios do amor, eqto outros a constroem de acordo com os princípios do mal?

      Claudio: O livre arbítrio de todos é igual. Qual o seu conceito de livre-arbítrio? O uso que os Espíritos fazem dele que é diferente. Eis o conceito do dicionário Houaiss sobre livre-arbítrio: "possibilidade de decidir, escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante".

      Conf: mas é exatamente essa a questão: porq, tendo sido todos nós criados perfeitamente iguais, nossas escolhas são tão gigantescamente desiguais? O livre-arbítrio (se existe) apenas nos confere a liberdade de escolher entre o bem e o mal, mas não nos “empurra” para fazer está ou aquela escolha! Se com o livre-arbítrio eu escolher o mal isso se deve ao fato de, em meu íntimo, eu já ser, antes dessa escolha, inclinado para o mal!

      E se a escolha cabe a nós, porq fazemos escolhas tão inclinadas para o mal, que é o mesmo que escolher sofrer? Deus, segundo a doutrina, apenas nos criou simples e ignorantes, mas não desequilibrados mentais! Pois escolhas tão absurdamente erradas, são próprias de dementados, de ignorantes!  Entretanto, se fazemos escolhas erradas devido à ignorância com que fomos criados, não haverá justificativa para nossos sofrimentos!

      Qto ao final de seu último argumento acima, procure se recordar, meu amigo, de alguma escolha que vc tenha feito de acordo com o que nele está escrito, uma escolha em função de sua própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante". Pra início de conversa, ninguém fará uma escolha “isenta” de motivo, nem mesmo um louco; e, depois, se os pensamentos não são verdadeiramente nossos, nada que deles deriva será verdadeiramente nosso; assim, pensamentos, sentimentos, desejos, vontades decisões e, consequentemente, escolhas, seja tudo isso no campo do bem ou do mal, não são verdadeiramente nossos! Logo, nunca podemos dizer nossa “própria” vontade. Pensamentos, sentimentos, desejos, vontades, decisões, escolhas, nada disso tem origem em nós, em nossa mente, em nosso íntimo, mas em eventos, fenômenos ou o que seja que acontece fora de nós! (fora de nós, corpo espiritual, não corpo material!).

      Claudio: Ao que parece, vc entende que livre-arbítrio igual significaria todos fazerem as mesmas escolhas.

      Conf: não, meu jovem; o que entendo é que não há respostas nem na codificação, nem nas escrituras, nem nesses milhares de textos, msgs de espíritos amigos etc, que lemos todos os dias, não há respostas definitivas, conclusivas, ou inquestionáveis para o fato de, todos sendo perfeitamente iguais, seus livres-arbítrios serem tão desiguais! Nem mesmo há resposta para uma pergunta sobre um assunto que é fundamental para que se entenda a doutrina e, consequentemente, a vida e seus porqs: porq um é bom e outro e mau? Afinal, se somos todos perfeitamente iguais, no instante de nossa criação, o que é que desfaz essa perfeita igualdade original?

      Claudio: Ora, se assim fosse, ele sequer existiria, pois tal ideia é contraditória à própria definição dele. Se todos obrigatoriamente escolhessem as mesmas coisas, não haveria liberdade alguma de escolha.

     Conf: exatamente, e é isso que estou dizendo: não há liberdade de escolha; todas as escolhas que fazemos, das mais simples e inocentes como escolher a cor de um lápis, às mais complexas e graves, como matar um desafeto ou declarar uma guerra, nenhuma delas é livre; todas estão absolutamente “presas” ao aprendizado que obtivemos nesta escola do bem e do mal, que é a vida que Deus nos deu!...

      Claudio:... Então, por que tantas vezes as obras básicas usam o verbo punir? Resp: a) Por que Kardec escreveu as obras quando a religião dominante falava em punição, então ele precisava se fazer entender. b) Deus não pune ninguém, mas a própria pessoa, com cada ato bom ou mal seu gera uma consequência, e depois colhe o que plantou.

      Conf: e porq os espíritos, nós, escolhemos plantar errado se depois vamos colher errado? E isso que vc está dizendo acima, vem reforçar o que eu tb já disse, a pergunta que já coloquei: somos tão desequilibrados mentalmente ao ponto de praticarmos atos maus, sabendo que isso gerará consequências, que poderão ser terríveis para nós mesmos?

      Qto à física quântica e suas revelações nada posso conversar com vc, pois como já lhe disse, não tenho mais fôlego para ler. O que posso dizer é que as revelações dessa nova física vieram concordar com as revelações obtidas por buscadores de Deus de desde séculos ou milênios  a.C. Aqueles buscadores, apenas com o instrumento da própria mente, chegaram, muitos séculos antes de Cristo, a idênticas ou semelhantes revelações a que os nossos cientistas, com todos os seus sofisticados laboratórios e instrumentos e recursos de última geração, somente agora estão chegando!   
........................
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: Cláudio Zadorosny em 06 de Abril de 2016, 02:28
lconforjr:

As perguntas feitas estão efetivamente respondidas na doutrina, sobretudo em "O Livro dos Espíritos".

O livre-arbítrio em todos é igual, e por isso é permitido a cada um escolher.

Deus permite a cada um escolher o bem ou não para que haja mérito.

Existem inúmeros motivos para cada um escolher qualquer coisa. Ex.: acha que é realmente o melhor caminho, preguiça, ambição, altruísmo, compaixão, etc.

Nas obras básicas ainda nos é ensinado que o homem responde de acordo com a sua consciência, que o que ignora é menos culpado que o que sabe.

"Conf: mas é exatamente essa a questão: porq, tendo sido todos nós criados perfeitamente iguais, nossas escolhas são tão gigantescamente desiguais? O livre-arbítrio (se existe) apenas nos confere a liberdade de escolher entre o bem e o mal, mas não nos “empurra” para fazer está ou aquela escolha! Se com o livre-arbítrio eu escolher o mal isso se deve ao fato de, em meu íntimo, eu já ser, antes dessa escolha, inclinado para o mal!"

Questão também respondida na primeira das obras básicas. Todos tem a mesma aptidão para o bem quanto para o mal. Por que uns escolhem um e outros escolhem outro? Vide quarto parágrafo.

"E se a escolha cabe a nós, porq fazemos escolhas tão inclinadas para o mal, que é o mesmo que escolher sofrer? Deus, segundo a doutrina, apenas nos criou simples e ignorantes, mas não desequilibrados mentais! Pois escolhas tão absurdamente erradas, são próprias de dementados, de ignorantes!  Entretanto, se fazemos escolhas erradas devido à ignorância com que fomos criados, não haverá justificativa para nossos sofrimentos!"

Até que ponto é ignorância, e até que ponto não é? A codificação nos dá farta explicação sobre o assunto. Ainda assim, caso se deseje, veja o quinto parágrafo.

"Qto ao final...."

Existem pensamentos que são nossos. E ainda quando não o são, O Livro dos Espíritos ressalta que cabe a nós a escolha de seguí-los ou não.


"Conf: exatamente, e é isso que estou dizendo: não há liberdade de escolha"

Há liberdade de escolha. Tanto que muitas vezes algumas pessoas fazem coisas contrariando suas vivências e crenças, o "aprendizado" que tiveram.

"e porq os espíritos, nós, escolhemos plantar errado se depois vamos colher errado?(...)"

Não acreditar que haverão consequências é diferente de ignorar o mal. Pode-se saber perfeitamente que o que está se fazendo não é certo e mesmo assim fazê-lo.
Título: Re: Evolução e Espiritismo (?)
Enviado por: lconforjr em 22 de Abril de 2016, 00:05
Re: Evolução e Espiritismo (?)

      Ref resp #12 em: 06 04 16, 02:28, Claudio Zadorosny

      Olá, amigo Claudio,

      Vamos tentar  entender; vamos procurar ter uma “fé raciocinada”!

      Conf: Vc disse que as perguntas feitas estão ‘efetivamente’ respondidas na doutrina, sobretudo em "O Livro dos Espíritos". Veja que estudo a doutrina já por 7 décadas e lá não encontrei as respostas. As respostas que encontro são sempre incompletas e questionáveis. Se estivessem na doutrina, eu não estaria repetindo as perguntas aqui, concorda?

      Observe que nem mesmo a pergunta “qual é a causa de uns serem bons e outros maus?”, sem cuja resposta ninguém entenderá a doutrina, está respondida em nenhum dos livros da codificação.

      Como eu disse, a resposta que encontramos não responde a pergunta, pois é questionável. Diz a doutrina que uns são bons, e outros são maus porq escolheram ser assim! Contudo podemos perguntar: e porq, sendo todos perfeitamente iguais no momento da criação, suas escolhas não são também iguais? Porq, se ninguém tinha inclinação nem para o bem, nem para o mal, uns escolheriam ser mos, e outros, ser maus, uma escolha tão gigantescamente desigua? Então Deus nos fez perfeitamente iguais em tudo, menos no livre-arbítrio, na compreensão de que podemos escolher o bem em vez do mal?!!

      Se todos os efeitos têm suas causas, qual é a causa de espíritos perfeitamente iguais terem se transformado em espíritos tão gigantescamente desiguais?

      Quanto ao mais que vc disse, ainda lhe pergunto: se Deus permite a cada um escolher ou bem, ou o mal, qual é a causa uns escolherem o mal, se podem escolher o bem?!

      Se, como vc disse, há quem escolha o caminho do mar por achar que esse é realmente o melhor caminho, qual é a causa de ter de sofrer por isso, se ele acreditou que esse era o melhor caminho? E, se outros escolhem o caminho do bem por compaixão, por altruísmo e outros o do mal, mal por preguiça, ambição, ódio, egoísmo ou o que seja, qual é a causa dos primeiros possuirem já essas virtudes, e de os segundos, desigualmente, possuírem esses defeitos morais?

      As respostas, meu amigo, que na doutrina encontramos não são inquestionáveis!

      Conf (msg anterior): mas é exatamente essa a questão: porq, tendo sido todos nós criados perfeitamente iguais, nossas escolhas são tão gigantescamente desiguais? O livre-arbítrio (se existe) apenas nos confere a liberdade de escolher entre o bem e o mal, mas não nos “empurra” para fazer está ou aquela escolha! Se com o livre-arbítrio eu escolher o mal isso se deve ao fato de, em meu íntimo, eu já ser, antes dessa escolha, inclinado para o mal! E se a escolha cabe a nós, porq fazemos escolhas tão inclinadas para o mal, que é o mesmo que escolher sofrer? Deus, segundo a doutrina, apenas nos criou simples e ignorantes, mas não desequilibrados mentais! Pois escolhas tão absurdamente erradas, são próprias de dementados, de ignorantes!  Entretanto, se fazemos escolhas erradas devido à ignorância com que fomos criados, não haverá justificativa para nossos sofrimentos!

      Claudio: Até que ponto é ignorância, e até que ponto não é? A codificação nos dá farta explicação sobre o assunto.

      Conf: mas se erramos em nossas escolhas devido a sermos ignorantes, onde está a justificativa para os sofrimentos que nos acometerão se, conforme a doutrina só sofrem, aqueles que escolhem conscientemente, de propósito portanto, transgredir ou desrespeitar as leis divinas?

      Conf (msg ant):... não há liberdade de escolha.

      Claudio: Há liberdade de escolha. Tanto que muitas vezes algumas pessoas fazem coisas contrariando suas vivências e crenças, o "aprendizado" que tiveram.

      Conf: como sabemos todos os efeitos têm suas causas, certo? Sendo assim, qual é a causa de uns agirem assim, contrariando suas vivências e crenças, enquanto outros não agem assim? 

      Conf: "e porq os espíritos, nós, escolhemos plantar errado se depois vamos colher errado?(...)"

      Claudio: Não acreditar que haverão consequências é diferente de ignorar o mal. Pode-se saber perfeitamente que o que está se fazendo não é certo e mesmo assim fazê-lo!

      Conf: e qual seria, pelo seu entendimento, a causa de, mesmo sabendo que o que vamos fazer não é certo, assim mesmo nós o fazemos?  E mais um ponto: se acreditamos que não haverão consequências, isto significa que ignoramos a lei, concorda? Mas se agimos erradamente devido a ignorarmos a lei, qual é a justificativa para nossos sofrimentos? Deus pune os que ignoram suas leis?

      Vamos ver um caso concreto, para entender melhor; vamos por o caso em vc: vc afirma que tem o livre-arbítrio e com ele a liberdade de escolher! Sendo assim, qual é a causa de vc, tantas vezes, escolher fazer o mal? Porq não usa seu livre-arbítrio para escolher só fazer o bem? Porq, podendo escolher fazer o bem, vc escolhe fazer o mal? Porq vc está ainda num mundo de expiações, expiações que implicam em sofrimentos terríveis, desesperadores e mesmo insuportáveis? Se vc tem o livre-arbítrio, porq escolheu, no passado, e continua escolhendo, no presente, cometer ações erradas?!

      Vc afirma que tem a liberdade de escolher, que suas escolhas são feitas por sua livre iniciativa, que só dependem de sua vontade, certo? Então, amigo, lhe peço que, se vc ser recordar de uma escolha, uma única que seja, em toda sua vida, que vc fez que dependesse apenas de seu desejo, que fosse "livre", isto é, que não estivesse totalmente "presa" a alguma coisa mais, cite-a aqui para que possamos conversar a respeito dela!

      Lembre-se, meu jovem, que a doutrina aconselha que devemos raciocinar para entende-la!
............