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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: jose da silva de jesus em 23 de Dezembro de 2016, 00:23

Título: Espiritismo e as transformações sociais
Enviado por: jose da silva de jesus em 23 de Dezembro de 2016, 00:23









Espiritismo e as transformações sociais

Nestes tempos de agitação política, nos perguntamos se a doutrina espírita possui algo a oferecer, algo que possa servir de guia para a construção de uma sociedade mais pacífica e harmoniosa. Procurando em O Evangelho Segundo o Espiritismo encontrei no item 20 do capítulo 5 este trecho em que os espíritos falam sobre as funções da doutrina espírita em relação ao progresso da sociedade humana:
“Dos progressos já realizados podeis facilmente deduzir os progressos futuros, e dos melhoramentos sociais já conquistados, novos e mais ricos melhoramentos surgirão. Esta é a grandiosa tarefa que deve realizar a nova doutrina que os Espíritos revelaram.”

Ao dizer que o espiritismo proporcionará “melhoramentos sociais” poderíamos entender que a doutrina tem a função de ditar ou estabelecer normas políticas e sociais a serem adotadas pelos legisladores e que modificariam as estruturas sociais. Mas vejamos este outro trecho abaixo extraído do item 4, capítulo 17 do mesmo livro: “O Espiritismo não estabelece nenhuma nova ordem moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, dando a fé inabalável e esclarecida àqueles que duvidam ou vacilam.” Aqui somos lembrados de que a doutrina tem a função de esclarecer “a prática moral do cristo”, ou seja, a prática dos princípios estabelecidos por Jesus a dois mil anos, a ordem moral que pode resultar em uma transformação social é a ordem moral que já conhecemos dos evangelhos. Portanto o espiritismo teria a função de nos ajudar a compreender melhor a moral cristã e poderíamos compreender que as “transformações sociais” citadas pelos espíritos seriam fruto dessa melhor compreensão.

Ainda sobre as questões sociais do nosso mundo material, perguntou-se aos espíritos na questão de nº 806 de O livro dos Espíritos “É lei da Natureza a desigualdade das condições sociais?” à qual obteve-se a resposta “Não; é obra do homem e não de Deus.” Temos então ai a reafirmação de que a desigualdade e injustiça são frutos do comportamento do homem e que são desvios da moral cristã. Mas poderíamos pensar ainda que sendo Deus onipotente e não escapando nada à sua vontade, talvez não fosse correto intervir na organização social do mundo.  Mas contra este pensamento os espíritos afirmam no item 27 do mesmo capítulo 5 de O Evangelho Segundo o Espiritismo:
“Quando virdes, pois, um de vossos irmãos feridos, não deveis dizer: ‘É ajustiça de Deus, é preciso que ela siga seu curso’; mas dizei, ao contrário: ‘Vejamos que meios nosso Pai Misericordioso colocou em meu poder para suavizar o sofrimento de meu irmão. Vejamos se minhas consolações morais, meu apoio material, meus conselhos não poderão ajudá-lo a transpor esta prova com ânimo, paciência e resignação. Vejamos mesmo se Deus não colocou em minhas mãos os meios de fazer parar esse sofrimento; se não me foi dado também como prova, ou expiação, deter o mal e substituí-lo pela paz’.”

Portanto a injustiça que se mostra diante de cada homem pode ser um teste de seu carácter, de sua inclinação para a indiferença ou para a solidariedade, ainda completam os espíritos que: “Estais todos na Terra para expiar; mas todos, sem exceção, deveis empregar todos os vossos esforços para suavizar a expiação de vossos irmãos, segundo a lei de amor e de caridade.”

A doutrina dos espíritos portanto nos mostra que o homem nunca deve encarar a injustiça e a miséria alheia com naturalidade, sempre possuindo a obrigação moral de fazer o possível dentro de seu alcance para aliviar o sofrimento alheio. Mas vendo ao nosso redor o oceano de sofrimentos, injustiças e violências de todos os tipos, podemos nos perguntar ainda se viveremos permanentemente neste estado de coisas aqui na terra, se todas estas misérias humanas fazem parte de um quadro permanente ou quase imutável no qual sempre temos a obrigação de agir, mas sem esperanças de conseguir altera-lo. Será que apesar de sua obrigação moral de fazer o que puder ao seu alcance, o homem não deve ter esperanças de conseguir através de sua ação alterar as estruturas sociais para a construção de uma sociedade mais justa e solidária?

Para esta pergunta encontramos a resposta na mesma questão de número 806 já citada, onde foi questionado: “Algum dia essa desigualdade desaparecerá?” ao que os espíritos responderam: “Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia da dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar.”

Aqui os espíritos deixam claro que a sociedade sempre está em estado de mudança e que sua estrutura tende sempre a evoluir para formas menos injustas conforme evolui moralmente o homem. Corroborando esta ideia, encontramos no item 11 do capítulo 11 de O Evangelho Segundo o Espiritismo este trecho de autoria do espírito Emmanuel:
“O egoísmo, esta chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, pois retarda seu progresso moral, e é ao Espiritismo que está reservada a tarefa de fazê-la elevar-se nas ordens dos mundos. O egoísmo é, então, o objetivo para o qual todos os verdadeiros cristãos devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem. Digo coragem, pois é preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para vencer aos outros. Que cada um empregue todos os seus esforços em combatê-lo em si mesmo, já que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é a causa de todas as misérias aqui na Terra. É a negação da caridade e, consequentemente, o maior obstáculo para a felicidade dos homens.”

Portanto, o espiritismo, que tem a função de resgatar o evangelho de Jesus em suas bases mais simples, ataca diretamente o egoísmo, que segundo Emmanuel é “o maior obstáculo para a felicidade dos homens”, deixando claro que o estado atual de nossa sociedade injusta somente prevalecera enquanto o egoísmo ainda for maior do que o amor ao próximo. Podemos concluir que a sociedade irá com certeza sofrer uma grande transformação em suas estruturas, mas esta transformação só acontecerá quando houver uma transformação significativa do homem. O homem evolui a cada dia e com ele também evoluem as estruturas sociais que ele cria, chegará portanto um tempo em que toda estrutura social que promova a injustiça e a desigualdade será considerada inaceitável, conforme ainda encontramos no mesmo livro: “A lei de amor substitui o individualismo pela integração das criaturas e acaba com as misérias sociais.”

O espiritismo tem sim a função de efetuar uma transformação social, uma transformação das estruturas sociais e políticas para que estas se adequem ao evangelho de Jesus, mas a transformação ao invés de seguir um caminho de fora para dentro, segue o caminho inverso, a transformação será individual, dentro de cada homem, num processo irreversível que levará à completa transformação da nossa sociedade começando de dentro para fora de cada indivíduo.
“Este grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto n’O Livro dos Espíritos, produzirá o extraordinário milagre dos próximos séculos vindouros: o da união de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação deste ensinamento bem entendido: ‘Amai muito, para serdes amados’.”





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