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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: mbraga em 12 de Julho de 2009, 21:12

Título: Desenho Animado é coisa séria:O imaginário infantil e os conceitos espíritas
Enviado por: mbraga em 12 de Julho de 2009, 21:12
ARTIGO ESPÍRITA

Desenho Animado é coisa séria:
O imaginário  infantil e os conceitos espíritas


1-Uma guerra quase silenciosa.

Interessante reportagem publicada em 29 de outubro de 2005 no caderno “Pensar” do Correio Brasiliense (DF), falando do lançamento do livro do biólogo Ernst Mayr, grande estudioso no século XX  da obra de Charles Darwin (Aquele da Evolução das espécies), onde o artigo revela em suas linhas que vivemos uma guerra silenciosa no mundo atual, onde o criacionismo e a teoria do “Design inteligente” se confrontam as idéias evolucionistas originadas de Darwin. Apesar desta questão ter figurado em artigos de outros jornais e até em programas televisivos, ela ainda figura com um certo caráter de absurda, com um ar de comicidade face a teoria evolucionista dispor de um teor científico frente ao senso comum. Esse caráter de curioso e silencioso tem se apresentado na prática de outras forma. O palco desta luta é o livro, a sala de aula, a conversa entre os amigos durante o filme, e não está restrita apenas a nação estadunidense. Já sabemos de casos aqui no Brasil de alunos que se recusam a  estudar e tiram zero nas questões sobre esse tema na disciplina de biologia, por contrariar a sua crença. São idéias “andando” por aí, se contrapondo em provocações e debates acirrados, em tempos de exacerbado fundamentalismo.
Essa guerra de idéias típicas de séculos diferentes revela que as idéias estão imbricadas nas diversas expressões, de uma simples aula a uma música, e elas se espalham e se contrapõe em fóruns diversos. Outra “revolução” silenciosa  de conceitos teológicos transmitidos está ocorrendo, sem ter alcançado, entretanto, as páginas dos jornais, como a questão do “homem ter vindo do macaco”- Imagino que isso ainda causa furor nos mais orgulhosos- mas que vai de encontro a conceitos estabelecidos por séculos pelas religiões dominantes do mundo ocidental.
A idéia desse artigo é analisar idéias que recentemente estão sendo transmitidas para o público infantil nos programas para esse público, mormente a conceitos consoantes com as idéias espíritas,  e como esse material pode ser utilizado pelo pai e evangelizador na formação conceitual dos nossos.

2-TV criança.

Na época do lampião de querosene, diversão da petizada era correr na rua, brincar de pião, de cabra-cega e uma série de jogos e cantigas, atividade que persiste até hoje em muitas regiões do país e por força de muitos educadores. Na década de 60, televisão era aquele artigo de luxo que apenas um menino de cada rua tinha ( na cidade grande) e reunia-se toda a rua para assistir aquele programa de sucesso na casa do menino. Era o início da TV, onde tudo era novidade e nesses quarenta e poucos anos muita coisa mudou. Falamos hoje da TV Digital, interatividade, fomos invadidos pela cor, pelos efeitos especiais  e pelas várias opções de canais da TV por assinatura. No  Brasil, cerca de 14% da população tem acesso a TV por assinatura e 90 % tem acesso a TV aberta e estima-se que a criança brasileira passa em média três horas em frente a tela, a maior média do mundo, conforme atestou pesquisa da Universidade de Brasília divulgada na revista VEJA de 18/01/2006. A TV transformou-se em ferramenta didática  e entrou para a escola. Filmes, seriados, novelas e desenhos voltados para o público infantil e produzidos no mundo todo fazem da TV o substituto da babá contadora de histórias.
Esses programas que invadem a nossa residência sem pedir licença trazem no seu simbolismo e no seu roteiro conceitos, oriundos por vezes da cultura do país produtor ou por vezes Merchandising cultural de hábitos e valores, inseridos conscientemente para estimular de maneira subliminar o consumo de determinados produtos, a inclusão, combate ao preconceito, ódio a um inimigo do país  e até valores de conduta.

3- A influências das histórias e dos personagens.

Contudo, como essas histórias e personagens podem traduzir para as crianças conceitos, visões de mundo que podem interferir nos seus próprios conceitos? Os desenhos infantis substituem os antigos contadores, os narradores de outras épocas, que narravam o cotidiano e o maravilhoso. A grande diferença é que a história hoje já vem com texto e imagem, já “mastigada”, com muita informação e pouco espaço para a interpretação e a imaginação, permitindo pouco espaço para a discussão. Os contos de fadas apresentados nos desenhos modernos apresentam a raiz de ser um instrumento psicológico para a criança enfrentar um mundo cheio de dificuldades, buscando a identificação com heróis, tendo hoje como diferencial a inserção de relações complexas e longas entre os personagens, com raízes psicanalíticas, onde persiste a “moral da história”, geralmente associada ao pensamento chamado de “politicamente correto”.
Essas histórias então apresentam as nossas crianças soluções de como enfrentar o mundo, heróis, ídolos, fórmulas de conduta e verdades contextuais. Sim, cada desenho tem uma lógica, um conjunto de regras que funciona como a “verdade” daquele desenho. Por exemplo, no “Tom & Jerry”, apesar de não falar verbalmente, os animais (gato e rato) pensam e se comunicam, o que difere da realidade, mas para aquele desenho é uma realidade contextual. A criança no seu mundo da imaginação importa aquelas verdades contextuais e volta ao nosso mundo, em suas viagens de revivência das histórias.
Essas verdades contextuais  influenciam a forma da criança ver o mundo, pois ele ali vive um mundo com novas regras. Ela não poderá voar como o “Peter Pan”, mas a verdade contextual de não querer crescer pode ser para ela uma verdade interior e exterior. A criança aos poucos vai descobrir que ela não pode disparar raios pelas mãos, mas aos poucos ele também descobre que se não enfrentar o mundo, não conseguirá superar os obstáculos. Essas lógicas vão se confrontando e construindo as visões de mundo da criança, mediando o seu mundo de fantasia com o mundo real.
A questão é que essa lógica do mundo da fantasia sempre foi monopolizada. Por questões de ideologia dominante e de cultura do produtor, os desenhos mais antigos como o citado “Tom & Jerry”, “Pica-Pau”, “Popeye, o marinheiro” ou “Mickey”, sempre trataram as questões teológicas mais cruciais como Deus e a vida após a morte de forma secular e clássica, representando sempre  a oposição entre anjos e demônios, o céu de nuvens e o inferno flamejante, bem aos estilo medieval, com caldeirão e harpas. O contexto geopolítico também era outro... Desse modo, esses paradigmas eram reforçados e naturalizados nas crianças que assistiam aqueles desenhos.


4- Os conceitos espíritas.

Com a década de 80, com a queda do muro de Berlim, o início da globalização, o mundo começou a intercambiar mais as suas culturas. Com a ampliação das comunicações, com a internet e a TV por assinatura, com a entrada de desenhos de outros países, mormente os europeus e os japoneses, o eixo ideológico desses desenhos mudou. As culturas desses países vinham agora imbricadas nesses novos desenhos e a queda de modelos mais tradicionais, o avanço da corrida espacial e da astronomia,  tudo isso fez com que as temáticas teológicas tivessem outra abordagem nas verdades contextuais dos desenhos animados. A imaginação necessária a competição precisa alçar vôos e toda visão de mundo era importante para construir uma nova história. O público, mais crítico e esclarecido, tornava-se mais exigente e queria mais informações.
Para ilustrar esse que é o ponto alto deste artigo, vamos citar alguns desenhos voltados para o público infantil bem recentes, a maioria em exibição ainda, identificando neles conceitos similares aos conceitos espíritas, descritos na tabela a seguir:

Índice   Conceito Espírita
A   Evolução dos espíritos
B   Comunicabilidade dos espíritos com os encarnados/Imortalidade da alma
C   Pluralidade dos mundos habitados
D   Pluralidade das existências (Reencarnação)

Na lista  a seguir vão os desenhos e caso o amigo leitor tenha dificuldade de identificar ou saber mais sobre algum dos títulos, pode perguntar para o seu filho ou sobrinho, que ele certamente saberá. Certamente, a maioria desses desenhos tem uma carga grande de violência, em muitos casos explícita, mas não é o nosso propósito avaliar o desenho em si e sim verificar a mudança de conceitos transmitidos. 

INU YASHA- Sucesso japonês, conta a história de uma menina que entra em um poço no fundo do seu quintal e lá retorna no tempo até o Japão feudal, onde vive situações relacionadas a sua encarnação nessa época, como uma sacerdotisa. Conceito (D).

AVATAR- Desenho recente da Nickelodeon, fala de um tempo na China onde as pessoas dominavam os elementos- Ar, água, terra e fogo e o Avatar que estabeleceria a ordem é aquele que já encarnou nas tribos dos quatro elementos. Conceito (D).

    DRAGON BALL – Desenho japonês inspirado em uma lenda chinesa, conta a história de um menino com rabo de macaco e muito forte que na verdade veio de outro planeta e vive aventuras na Terra na busca das esferas do dragão. Tem vários episódios ocorridos no “mundo espiritual”. Conceito (C) e (B).

   YU YU HAKUSHO- Desenho japonês onde Yusuke Urameshi é um jovem indisciplinado que perde a vida ao salvar uma criança de um atropelamento. Por recompensa, ele se torna um “detetive” do mundo espiritual, travando nestes grandes batalhas. Conceito (B)

OS CAVALEIROS DO ZODÍACO- Outro grande sucesso nipônico, onde jovens de um orfanato são criados por um milionário que os treina para se tornarem cavaleiros com armaduras especiais para salvar a Terra de um perigo iminente e defender a jovem Saori, reencarnação da Deusa Athena. Conceito (D).

A MÚMIA- Desenho Norte-Americano inspirado na refilmagem do clássico de 1932, trata de uma família de arqueologistas contra uma múmia que volta a viver. Baseado na mitologia egípcia, trata da reencarnação de personagens com grande naturalidade. Conceito (D).

SHAMAN KING- Desenho japonês que narra a aventura de jovens xamãs (Médiuns) que com a ajuda de espíritos guerreiros dos passado, travam batalhas “incorporados” entre si. Conceito (B).

DISNEY- O mega estúdio Disney tem produções com temáticas interessantes, como Irmão Urso e Mulan, que apresentam contatos ostensivos com entidades já desencarnadas e outros como Little e Stitch e o Galinho Chicken Little, que tratam naturalmente da vida em outros planetas. Conceito (B)

STAR WARS- A saga de seis filmes de George Lucas que resultou em diversos desenhos correlatos, além de considerar a vida em outros planetas, fala da “força”, um tipo de fluido que pode ser manipulado. Apresenta também personagens desencarnados que realizam aparições e se comunicam com os encarnados. Conceito (B) e (C) .

GHOSTBUSTERS- Desenho inspirado no filme de sucesso que teve a sua continuação fala de um grupo que resolve montar uma empresa para caçar fantasmas. Conceito (B).

SCOOBY-DOO – O velho cão medroso e o seu amigo ainda fazem muito sucesso, em filme ou nos desenhos. A comunicação com os espíritos é na maioria das vezes revelada como um embuste com fins comerciais. Entretanto, os episódios nunca negam a existência destes fenômenos. Conceito (B).

MARTIN MYSTERY- Um jovem estudante e a sua irmã acompanhados de um homem das cavernas são membros de uma agência que investiga eventos paranormais em vários planetas, aparecendo nos episódios  toda sorte de fenômeno mediúnico. Conceitos (A), (B) e  (C).

A TURMA DA MÔNICA- Os nossos queridos personagens brasileiros esbanjam conceitos com o Astronauta visitando outros planetas,  o dinossauro Horácio e o Piteco na pré-história e a turma do Penadinho, que sempre traz aspectos da reencarnação e da mediunidade. Conceitos  (A) ,(B), (C) e (D).

DINOSSAUROS- Diversos desenhos de várias nacionalidades têm como pano de fundo a questão dos dinossauros, caracterizando as idéias de evolução. Conceito (A).

DANNY PHANTOM- Desenho Norte-Americano que narra às aventuras de menino filho de caçadores de fantasmas que por um acidente passa a poder se transformar em fantasma e combate os espectros do mal na busca de defender a sua cidade, com diversos fenômenos mediúnicos nos episódios, como incorporação. Conceito (B).

HARRY POTTER- O bruxinho mais famoso do planeta, ratificando a sua origem inglesa, apresenta fantasmas do passado passeando pela escola e conversando com os alunos em todos os filmes. Conceito (B).

Como podemos verificar, a lista é extensa e com certeza incompleta. Pergunte a qualquer criança e com certeza ela já viu algum desses desenhos, pois são todos bem recentes. Além disso, a maioria tem a sua versão em livro ou em quadrinhos.
Obviamente, os conceitos apresentados nos desenhos apresentam várias distorções dos conceitos espíritas, mas isso não invalida que foi rompida a hegemonia do paradigma anterior de céu versus inferno. Como era de se esperar, a predominância é nas questões da mediunidade e suas facetas e na vida em outros planetas, fruto dos avanços da astronomia e das descobertas da Transcomunicação Instrumental e estudos afins,  sendo que os desenhos orientais apresentam mais a questão da reencarnação, que enriquece muito a trama.

5- Como potencializar isso?

Como dito, certamente os nossos alunos da evangelização ou filhos assistem ou já assistiram pelo menos um desses desenhos. É inevitável, pois eles estão na escola, nos produtos licenciados e no jornaleiro. Nessa relação que o nosso evangelizando/filho estabelece com um desses programas é uma oportunidade ímpar de explorar os conceitos espíritas e até morais ali contidos e criar uma discussão frutífera sobre o tema.
Hoje a educação toda gira em torno de trabalhar a partir da realidade do aluno. Se nessa realidade já estamos encontrando conceitos que são afins com os nossos conceitos espíritas, nós temos que trazê-los para a análise crítica. Não nos cabe somente ver o mundo contido na doutrina espírita e sim identificar a doutrina espírita no mundo. Como o apelo e a influência desses desenhos sobre as crianças são enormes, o ponto de convergência deve servir de “fio da meada” para iniciar uma discussão de conteúdo. Se na sala de casa com os amigos assistindo a um desses desenhos o nosso evangelizando/filho explicar o que  realmente aconteceu à luz da doutrina espírita, o conceito ali se consolidou.

6- Conclusão.

Às vezes tendemos a isolar ou ignorar o material divulgado pela TV por ferirem a pureza doutrinária. O fato é que a revolução silenciosa dos conceitos teológicos está aí. Porém, raramente um desses desenhos será integralmente fiel aos conceitos doutrinários, até por que a sua finalidade é outra. Certos mecanismos conceituais básicos podem ser ilustrados a partir destes elementos da realidade das crianças, permitindo a elas um melhor discernimento. Fugirmos disso é cairmos em uma redoma, bem próximo dos nossos amigos criacionistas.

=================================================================
Marcus Vinicius de Azevedo Braga é Pedagogo, evangelizador infantil  e freqüenta o Grêmio Espírita  Atualpa em Brasília- DF, tendo editado em 2001 o livro “Alegria de servir” pela FEB.
Título: Re: Desenho Animado é coisa séria:O imaginário infantil e os conceitos espíritas
Enviado por: Sid Piffer em 14 de Outubro de 2009, 00:15
alguns desses desenhos marcaram minha infancia
e acredito mesmo que desenhos possas inteferir na mente de uma pessoa, nao so desenhos mas tudo que nos cercam, entao é bom mesmo ver algo de qualidade.
Título: Re: Desenho Animado é coisa séria:O imaginário infantil e os conceitos espíritas
Enviado por: Ace em 14 de Outubro de 2009, 18:31
Vi muito Dragon Ball quando era mais pequeno, ainda hoje vejo de vez em quando. :D
Título: Re: Desenho Animado é coisa séria:O imaginário infantil e os conceitos espíritas
Enviado por: Christian em 14 de Outubro de 2009, 19:40
ARTIGO ESPÍRITA

Desenho Animado é coisa séria:
O imaginário  infantil e os conceitos espíritas


1-Uma guerra quase silenciosa.

Interessante reportagem publicada em 29 de outubro de 2005 no caderno “Pensar” do Correio Brasiliense (DF), falando do lançamento do livro do biólogo Ernst Mayr, grande estudioso no século XX  da obra de Charles Darwin (Aquele da Evolução das espécies), onde o artigo revela em suas linhas que vivemos uma guerra silenciosa no mundo atual, onde o criacionismo e a teoria do “Design inteligente” se confrontam as idéias evolucionistas originadas de Darwin. Apesar desta questão ter figurado em artigos de outros jornais e até em programas televisivos, ela ainda figura com um certo caráter de absurda, com um ar de comicidade face a teoria evolucionista dispor de um teor científico frente ao senso comum. Esse caráter de curioso e silencioso tem se apresentado na prática de outras forma. O palco desta luta é o livro, a sala de aula, a conversa entre os amigos durante o filme, e não está restrita apenas a nação estadunidense. Já sabemos de casos aqui no Brasil de alunos que se recusam a  estudar e tiram zero nas questões sobre esse tema na disciplina de biologia, por contrariar a sua crença. São idéias “andando” por aí, se contrapondo em provocações e debates acirrados, em tempos de exacerbado fundamentalismo.
Essa guerra de idéias típicas de séculos diferentes revela que as idéias estão imbricadas nas diversas expressões, de uma simples aula a uma música, e elas se espalham e se contrapõe em fóruns diversos. Outra “revolução” silenciosa  de conceitos teológicos transmitidos está ocorrendo, sem ter alcançado, entretanto, as páginas dos jornais, como a questão do “homem ter vindo do macaco”- Imagino que isso ainda causa furor nos mais orgulhosos- mas que vai de encontro a conceitos estabelecidos por séculos pelas religiões dominantes do mundo ocidental.
A idéia desse artigo é analisar idéias que recentemente estão sendo transmitidas para o público infantil nos programas para esse público, mormente a conceitos consoantes com as idéias espíritas,  e como esse material pode ser utilizado pelo pai e evangelizador na formação conceitual dos nossos.

2-TV criança.

Na época do lampião de querosene, diversão da petizada era correr na rua, brincar de pião, de cabra-cega e uma série de jogos e cantigas, atividade que persiste até hoje em muitas regiões do país e por força de muitos educadores. Na década de 60, televisão era aquele artigo de luxo que apenas um menino de cada rua tinha ( na cidade grande) e reunia-se toda a rua para assistir aquele programa de sucesso na casa do menino. Era o início da TV, onde tudo era novidade e nesses quarenta e poucos anos muita coisa mudou. Falamos hoje da TV Digital, interatividade, fomos invadidos pela cor, pelos efeitos especiais  e pelas várias opções de canais da TV por assinatura. No  Brasil, cerca de 14% da população tem acesso a TV por assinatura e 90 % tem acesso a TV aberta e estima-se que a criança brasileira passa em média três horas em frente a tela, a maior média do mundo, conforme atestou pesquisa da Universidade de Brasília divulgada na revista VEJA de 18/01/2006. A TV transformou-se em ferramenta didática  e entrou para a escola. Filmes, seriados, novelas e desenhos voltados para o público infantil e produzidos no mundo todo fazem da TV o substituto da babá contadora de histórias.
Esses programas que invadem a nossa residência sem pedir licença trazem no seu simbolismo e no seu roteiro conceitos, oriundos por vezes da cultura do país produtor ou por vezes Merchandising cultural de hábitos e valores, inseridos conscientemente para estimular de maneira subliminar o consumo de determinados produtos, a inclusão, combate ao preconceito, ódio a um inimigo do país  e até valores de conduta.

3- A influências das histórias e dos personagens.

Contudo, como essas histórias e personagens podem traduzir para as crianças conceitos, visões de mundo que podem interferir nos seus próprios conceitos? Os desenhos infantis substituem os antigos contadores, os narradores de outras épocas, que narravam o cotidiano e o maravilhoso. A grande diferença é que a história hoje já vem com texto e imagem, já “mastigada”, com muita informação e pouco espaço para a interpretação e a imaginação, permitindo pouco espaço para a discussão. Os contos de fadas apresentados nos desenhos modernos apresentam a raiz de ser um instrumento psicológico para a criança enfrentar um mundo cheio de dificuldades, buscando a identificação com heróis, tendo hoje como diferencial a inserção de relações complexas e longas entre os personagens, com raízes psicanalíticas, onde persiste a “moral da história”, geralmente associada ao pensamento chamado de “politicamente correto”.
Essas histórias então apresentam as nossas crianças soluções de como enfrentar o mundo, heróis, ídolos, fórmulas de conduta e verdades contextuais. Sim, cada desenho tem uma lógica, um conjunto de regras que funciona como a “verdade” daquele desenho. Por exemplo, no “Tom & Jerry”, apesar de não falar verbalmente, os animais (gato e rato) pensam e se comunicam, o que difere da realidade, mas para aquele desenho é uma realidade contextual. A criança no seu mundo da imaginação importa aquelas verdades contextuais e volta ao nosso mundo, em suas viagens de revivência das histórias.
Essas verdades contextuais  influenciam a forma da criança ver o mundo, pois ele ali vive um mundo com novas regras. Ela não poderá voar como o “Peter Pan”, mas a verdade contextual de não querer crescer pode ser para ela uma verdade interior e exterior. A criança aos poucos vai descobrir que ela não pode disparar raios pelas mãos, mas aos poucos ele também descobre que se não enfrentar o mundo, não conseguirá superar os obstáculos. Essas lógicas vão se confrontando e construindo as visões de mundo da criança, mediando o seu mundo de fantasia com o mundo real.
A questão é que essa lógica do mundo da fantasia sempre foi monopolizada. Por questões de ideologia dominante e de cultura do produtor, os desenhos mais antigos como o citado “Tom & Jerry”, “Pica-Pau”, “Popeye, o marinheiro” ou “Mickey”, sempre trataram as questões teológicas mais cruciais como Deus e a vida após a morte de forma secular e clássica, representando sempre  a oposição entre anjos e demônios, o céu de nuvens e o inferno flamejante, bem aos estilo medieval, com caldeirão e harpas. O contexto geopolítico também era outro... Desse modo, esses paradigmas eram reforçados e naturalizados nas crianças que assistiam aqueles desenhos.


4- Os conceitos espíritas.

Com a década de 80, com a queda do muro de Berlim, o início da globalização, o mundo começou a intercambiar mais as suas culturas. Com a ampliação das comunicações, com a internet e a TV por assinatura, com a entrada de desenhos de outros países, mormente os europeus e os japoneses, o eixo ideológico desses desenhos mudou. As culturas desses países vinham agora imbricadas nesses novos desenhos e a queda de modelos mais tradicionais, o avanço da corrida espacial e da astronomia,  tudo isso fez com que as temáticas teológicas tivessem outra abordagem nas verdades contextuais dos desenhos animados. A imaginação necessária a competição precisa alçar vôos e toda visão de mundo era importante para construir uma nova história. O público, mais crítico e esclarecido, tornava-se mais exigente e queria mais informações.
Para ilustrar esse que é o ponto alto deste artigo, vamos citar alguns desenhos voltados para o público infantil bem recentes, a maioria em exibição ainda, identificando neles conceitos similares aos conceitos espíritas, descritos na tabela a seguir:

Índice   Conceito Espírita
A   Evolução dos espíritos
B   Comunicabilidade dos espíritos com os encarnados/Imortalidade da alma
C   Pluralidade dos mundos habitados
D   Pluralidade das existências (Reencarnação)

Na lista  a seguir vão os desenhos e caso o amigo leitor tenha dificuldade de identificar ou saber mais sobre algum dos títulos, pode perguntar para o seu filho ou sobrinho, que ele certamente saberá. Certamente, a maioria desses desenhos tem uma carga grande de violência, em muitos casos explícita, mas não é o nosso propósito avaliar o desenho em si e sim verificar a mudança de conceitos transmitidos. 

INU YASHA- Sucesso japonês, conta a história de uma menina que entra em um poço no fundo do seu quintal e lá retorna no tempo até o Japão feudal, onde vive situações relacionadas a sua encarnação nessa época, como uma sacerdotisa. Conceito (D).

AVATAR- Desenho recente da Nickelodeon, fala de um tempo na China onde as pessoas dominavam os elementos- Ar, água, terra e fogo e o Avatar que estabeleceria a ordem é aquele que já encarnou nas tribos dos quatro elementos. Conceito (D).

    DRAGON BALL – Desenho japonês inspirado em uma lenda chinesa, conta a história de um menino com rabo de macaco e muito forte que na verdade veio de outro planeta e vive aventuras na Terra na busca das esferas do dragão. Tem vários episódios ocorridos no “mundo espiritual”. Conceito (C) e (B).

   YU YU HAKUSHO- Desenho japonês onde Yusuke Urameshi é um jovem indisciplinado que perde a vida ao salvar uma criança de um atropelamento. Por recompensa, ele se torna um “detetive” do mundo espiritual, travando nestes grandes batalhas. Conceito (B)

OS CAVALEIROS DO ZODÍACO- Outro grande sucesso nipônico, onde jovens de um orfanato são criados por um milionário que os treina para se tornarem cavaleiros com armaduras especiais para salvar a Terra de um perigo iminente e defender a jovem Saori, reencarnação da Deusa Athena. Conceito (D).

A MÚMIA- Desenho Norte-Americano inspirado na refilmagem do clássico de 1932, trata de uma família de arqueologistas contra uma múmia que volta a viver. Baseado na mitologia egípcia, trata da reencarnação de personagens com grande naturalidade. Conceito (D).

SHAMAN KING- Desenho japonês que narra a aventura de jovens xamãs (Médiuns) que com a ajuda de espíritos guerreiros dos passado, travam batalhas “incorporados” entre si. Conceito (B).

DISNEY- O mega estúdio Disney tem produções com temáticas interessantes, como Irmão Urso e Mulan, que apresentam contatos ostensivos com entidades já desencarnadas e outros como Little e Stitch e o Galinho Chicken Little, que tratam naturalmente da vida em outros planetas. Conceito (B)

STAR WARS- A saga de seis filmes de George Lucas que resultou em diversos desenhos correlatos, além de considerar a vida em outros planetas, fala da “força”, um tipo de fluido que pode ser manipulado. Apresenta também personagens desencarnados que realizam aparições e se comunicam com os encarnados. Conceito (B) e (C) .

GHOSTBUSTERS- Desenho inspirado no filme de sucesso que teve a sua continuação fala de um grupo que resolve montar uma empresa para caçar fantasmas. Conceito (B).

SCOOBY-DOO – O velho cão medroso e o seu amigo ainda fazem muito sucesso, em filme ou nos desenhos. A comunicação com os espíritos é na maioria das vezes revelada como um embuste com fins comerciais. Entretanto, os episódios nunca negam a existência destes fenômenos. Conceito (B).

MARTIN MYSTERY- Um jovem estudante e a sua irmã acompanhados de um homem das cavernas são membros de uma agência que investiga eventos paranormais em vários planetas, aparecendo nos episódios  toda sorte de fenômeno mediúnico. Conceitos (A), (B) e  (C).

A TURMA DA MÔNICA- Os nossos queridos personagens brasileiros esbanjam conceitos com o Astronauta visitando outros planetas,  o dinossauro Horácio e o Piteco na pré-história e a turma do Penadinho, que sempre traz aspectos da reencarnação e da mediunidade. Conceitos  (A) ,(B), (C) e (D).

DINOSSAUROS- Diversos desenhos de várias nacionalidades têm como pano de fundo a questão dos dinossauros, caracterizando as idéias de evolução. Conceito (A).

DANNY PHANTOM- Desenho Norte-Americano que narra às aventuras de menino filho de caçadores de fantasmas que por um acidente passa a poder se transformar em fantasma e combate os espectros do mal na busca de defender a sua cidade, com diversos fenômenos mediúnicos nos episódios, como incorporação. Conceito (B).

HARRY POTTER- O bruxinho mais famoso do planeta, ratificando a sua origem inglesa, apresenta fantasmas do passado passeando pela escola e conversando com os alunos em todos os filmes. Conceito (B).

Como podemos verificar, a lista é extensa e com certeza incompleta. Pergunte a qualquer criança e com certeza ela já viu algum desses desenhos, pois são todos bem recentes. Além disso, a maioria tem a sua versão em livro ou em quadrinhos.
Obviamente, os conceitos apresentados nos desenhos apresentam várias distorções dos conceitos espíritas, mas isso não invalida que foi rompida a hegemonia do paradigma anterior de céu versus inferno. Como era de se esperar, a predominância é nas questões da mediunidade e suas facetas e na vida em outros planetas, fruto dos avanços da astronomia e das descobertas da Transcomunicação Instrumental e estudos afins,  sendo que os desenhos orientais apresentam mais a questão da reencarnação, que enriquece muito a trama.

5- Como potencializar isso?

Como dito, certamente os nossos alunos da evangelização ou filhos assistem ou já assistiram pelo menos um desses desenhos. É inevitável, pois eles estão na escola, nos produtos licenciados e no jornaleiro. Nessa relação que o nosso evangelizando/filho estabelece com um desses programas é uma oportunidade ímpar de explorar os conceitos espíritas e até morais ali contidos e criar uma discussão frutífera sobre o tema.
Hoje a educação toda gira em torno de trabalhar a partir da realidade do aluno. Se nessa realidade já estamos encontrando conceitos que são afins com os nossos conceitos espíritas, nós temos que trazê-los para a análise crítica. Não nos cabe somente ver o mundo contido na doutrina espírita e sim identificar a doutrina espírita no mundo. Como o apelo e a influência desses desenhos sobre as crianças são enormes, o ponto de convergência deve servir de “fio da meada” para iniciar uma discussão de conteúdo. Se na sala de casa com os amigos assistindo a um desses desenhos o nosso evangelizando/filho explicar o que  realmente aconteceu à luz da doutrina espírita, o conceito ali se consolidou.

6- Conclusão.

Às vezes tendemos a isolar ou ignorar o material divulgado pela TV por ferirem a pureza doutrinária. O fato é que a revolução silenciosa dos conceitos teológicos está aí. Porém, raramente um desses desenhos será integralmente fiel aos conceitos doutrinários, até por que a sua finalidade é outra. Certos mecanismos conceituais básicos podem ser ilustrados a partir destes elementos da realidade das crianças, permitindo a elas um melhor discernimento. Fugirmos disso é cairmos em uma redoma, bem próximo dos nossos amigos criacionistas.

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Marcus Vinicius de Azevedo Braga é Pedagogo, evangelizador infantil  e freqüenta o Grêmio Espírita  Atualpa em Brasília- DF, tendo editado em 2001 o livro “Alegria de servir” pela FEB.



Vivemos hoje em um mundo onde na maoria das vezes não conseguimos evitar nem a nos, nem a nossas crianças de terem convivecia com esse mundo imaginario da ficção.
Vejo que o melhor caminho é mesmo a instrução e orientação segura para que todos aqueles que tem esses contatos possam por eles mesmos tirarem suas conclusões do que é ou não bom para se servirem de exemplo.
Assim estaram praticando sua liberdade de expressão e conseguinte seu livre-arbitrio.

Abraços
Christian Ferreira
Título: Re: Desenho Animado é coisa séria:O imaginário infantil e os conceitos espíritas
Enviado por: nessa09 em 14 de Outubro de 2009, 23:41
 :D tenho assistido a varios desses desenhos e tenho identificado varios aspectos da doutrina neles e com isso procuro explicar as coisas de uma maneira que minhas filhas possam entender e se familializarem com a doutrina
Título: Re: Desenho Animado é coisa séria:O imaginário infantil e os conceitos espíritas
Enviado por: Damar em 18 de Fevereiro de 2010, 19:03
Boa tarde a todos!

Eu também assisti varios desses desenhos, infelizmente a maioria propõe lutas o que não concordo pois tenho duas filhas, acho que alguns passam uma idéia interessante apesar da minha observação anterior, o mundo evoluiu bastante em certos campos (não falo de tecnologia) e vejo que as crianças estão mais inteligentes pois têm maior acesso a informação, creio que se for dada a definição correta de atitudes poderemos educar os pequeninos a desenvolver melhor a doutrina.