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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: jose da silva de jesus em 17 de Julho de 2019, 17:27

Título: Cristãos mudando o mundo
Enviado por: jose da silva de jesus em 17 de Julho de 2019, 17:27





Cristãos mudando o mundo

Muitas vezes ouvimos dizer que não adianta tentar lutar pelo bem em um ambiente em que o mal domina. Um ambiente onde este tipo de pensamento é frequente é a política, por exemplo a ideia de que não adianta votar em um candidato que consideramos melhor ou mais honesto se ele estiver indo mal nas pesquisas. Existem mesmo muitas pessoas que só votam nos candidatos que estão na frente, como se a vitória do candidato fosse também delas, então fazem questão de “estar no time” vencedor.

Um outro tema polêmico onde este tipo de argumento aparece é em relação ao aborto, que também pode ser estendido para outras questões polêmicas como proibição das drogas, eutanásia etc. Existem pessoas que defendem o aborto e outras práticas ilegais sob a falsa alegação de que o fato de ele ser ilegal não impede que as mulheres o pratiquem. Ou seja, não adianta nada proibir, as pessoas vão fazer assim mesmo. O que pode até ser verdade para uma pequena quantidade de indivíduos, mas para a maioria das pessoas a ilegalidade faz sim muita diferença.

Este tipo de defesa de atos considerados criminosos é na verdade bem fraca e poderia ser estendida para qualquer outro ato ilegal, como roubo por exemplo. Pois se a ilegalidade não impede que o ato considerado como crime seja praticado, então nenhuma lei teria sentido de existir. As leis que coíbem atos criminosos fazem sim muita diferença, mesmo que desrespeitadas por uma minoria, pois elas mandam um recado claro para aqueles que pensam em desrespeita-las. Assim como votar no candidato que vai perder faz sim muita diferença, pois manda um recado claro para os candidatos vencedores.

Mas encontramos este mesmo tipo de pensamento derrotista em vários aspectos da vida privada e da vida pública. Por exemplo, quando pensamos que não adianta nada incentivar aquele parente preguiçoso que não quer arranjar emprego, pois ele vai arrumar uma desculpa ou logo largar o novo trabalho. Ou quando pensamos que não adianta tentar auxiliar um viciado em drogas, porque ele logo vai voltar para o vício. Ou mesmo algo simples como apresentar uma opinião divergente num grupo de amigos por temer ser ignorado por todos.

Já na esfera da vida pública encontramos por exemplo a ideia de que não adianta nada contrariar as forças do chamado “mercado” e o poder dos grandes banqueiros, pois estes são muito poderosos e sempre conseguirão fazer valer sua vontade, então o melhor é se sujeitar para evitar uma fuga de investidores. Ou ainda o debate presente atualmente na política americana sobre cobrar mais impostos dos super bilionários, porque estes poderiam repassar suas perdas para os preços dos produtos ou reduzir os salários dos empregados.

As relações sociais são muito mais complexas do que estas visões simplistas, mas um padrão que é fácil de se perceber é que os espíritos evoluem principalmente pelo exemplo. O exemplo dos pais, dos colegas ou de toda a sociedade, são a principal força que move os espíritos no caminho da evolução, fazendo com que se livrem de velhas manias, preconceitos, fanatismo, ganância, egoísmo etc. Os espíritos evoluem e o mundo evolui sempre, mas não graças àqueles que desistem ou que seguem o fluxo sem se contrapor às várias formas de injustiça, mas graças aos que saem na frente e se expõem, os que tem coragem de serem diferentes da maioria e guiar sua conduta por princípios morais mais elevados.

Há mais de um século dizia-se que não adiantaria nada apoiar o movimento abolicionista pois os brancos jamais permitiriam a igualdade de direitos dos negros.


Disseram o mesmo há alguns milênios aos israelitas escravizados pelo faraó, e ainda que fugir do Egito era inútil pois ficariam perdidos no deserto, sem terra e sem rumo.
Disseram aos cristãos que Roma jamais aceitaria o evangelho do cristo e que o panteísmo sempre dominaria o coração do povo.

Disseram aos mulheres que lutar pelo direito ao voto era inútil porque os homens jamais cederiam poder a elas.

O cristão não é obrigado de forma alguma a participar de todo tipo de revolta contra os sistemas injustos, muito menos ainda se forem movimentos violentos. Pelo contrário, Paulo disse aos servos que obedeçam aos seus senhores. Paulo queria dizer que o cristão não pode ser um guerreiro violento, um revoltado, rebelde sem causa, como Barrabás ou os revolucionários supostamente lutando por justiça como Lenin ou Fidel, sempre sob o falso argumento de que os fins justificam os meios.

Ser cristão significa “amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo”, a revolta do cristão deve ser contra a injustiça e não contra os injustos. Os injustos são filhos de Deus, nossos irmãos, que em breve abraçarão a luz, assim como fizemos a bem pouco tempo.

Em “amar a deus sobre todas as coisas” aprendemos que devemos fazer a vontade de Deus aqui na terra, ajudando a criar um mundo mais justo. Mas “amando ao próximo como a si mesmo” aprendemos que todos, os justos e também os injustos, todos os nossos irmãos, merecem respeito.

Por outro lado, ser cristão também não significa ser passivo. Este mundo mais justo, que funciona de forma mais parecida com a vontade de Deus, não se criara sozinho aqui na terra e a atitude totalmente passiva e acomodada faz o sofrimento alheio se perpetuar.

Por isso, para ser um cristão é necessário agir, mas agir conforme a vontade de Deus, sem agredir aqueles que cometem a injustiça, tratando eles da mesma forma que queremos ser tratados quando formos surpreendidos no erro. Isso significa que a resistência contra a injustiça deve ser pacífica, o que implica que devemos nos sacrificar pelo próximo, abrir mão de privilégios e do conforto, sofrer pelas causas justas; “dar a cara a tapa” invés de agir agressivamente contra a injustiça.

Como dissemos, os espíritos encarnados e o ambiente social que eles criam aqui na terra muda pela força do exemplo dos bons. Não pela atitude violenta e revoltosa, nem pela inércia dos omissos. Seja votando no candidato fracassado, se expor defendendo causas impopulares em certos meios, sendo a opinião divergente no grupo de amigos dominado pelo ódio e a intolerância, sofrendo perseguição, derrotas e até mesmo prisões e humilhação como tantos cristãos sofreram no passado.

O cristão convence e muda o mundo pelo exemplo de persistência, pelo exemplo que dá não desistindo e não se desviando do caminho correto. A verdade contida nas bandeiras de amor, tolerância e justiça defendidas pelos cristãos, são uma luz que os cegos do momento não conseguirão ignorar para sempre.