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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: katiatog em 05 de Fevereiro de 2011, 14:19

Título: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: katiatog em 05 de Fevereiro de 2011, 14:19
Boa tarde, queridos amigos!


Considerações sobre o Egoísmo
Antônio Moris Cury

"O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um, para vencer-se a si mesmo, do que vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é o causador de todas as misérias do mundo terreno. É a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens"
(trecho extraído do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo", 109ª edição, FEB, 1994, página 191).

É importantíssimo, verdadeiro e deveras atual o ensinamento contido no texto acima reproduzido.

Com efeito, o orgulho e, um de seus filhos, o egoísmo continuam sendo as maiores chagas da Humanidade.

É impressionante como somos egoístas e, sobretudo, como agimos com egoísmo, mesmo nas pequenas coisas ou nos acontecimentos triviais do dia-a-dia, como, por exemplo, quando se estaciona o automóvel em largo espaço público, colocando-o no meio sob o pretexto de melhor preservá-lo, sem cogitação de que ali poderia também caber com folga outro veículo, de outra pessoa; também quando, diante de uma fila formada, procura-se o atendimento rápido, na frente dos outros, que antes chegaram, sob o equivocado entendimento de que o nosso tempo é mais importante do que o tempo daqueles que ali se encontram, expressando-se assim, misturados, o orgulho e o egoísmo, que lamentavelmente ainda portamos, em abundância.

E são essas chagas, características do homem-velho que insiste em habitar o corpo que possuímos na presente existência física, que vão nos conduzindo ao terrível engano de querer levar vantagem em tudo, e sempre.

E, assim, a fim de satisfazer à ambição desmedida e à ganância incontrolável, vai-se passando por cima de valores imperecíveis, como a honestidade, a seriedade, a honradez, a ética, a correção de conduta enfim, construindo, por exemplo, edifícios sem condições elementares de solidez, seja porque o material neles empregado é de qualidade inferior à cobrada dos adquirentes das unidades autônomas, seja porque a sua quantidade é inferior à mínima exigida por padrões técnicos de segurança, mas que, assim aplicados, por sua vez, proporcionam maiores lucros.

É o egoísmo também que faz com que o pão de 50 gramas nem sempre tenha o mínimo de 50 gramas, não obstante seja vendido como se esse fosse o peso; é o egoísmo, por igual, que faz com que laboratórios tantas vezes vendam antibióticos em embalagem que contém oito comprimidos, quando se sabe que a tomada mínima diária é de dois comprimidos, durante cinco dias pelo menos, obrigando o usuário a comprar mais de uma caixa, mesmo que tenha que jogar fora a sobra, procedimento que, como é evidente, gera lucros maiores.

Não se tem levado em consideração, nesses casos, as conseqüências que daí decorram, mesmo que provoquem a morte do corpo físico dos outros, que são, a rigor, seus irmãos, uma vez que Deus é o Pai Celestial de todos nós.

São inúmeros os exemplos que estão a demonstrar, de modo inequívoco, a conduta egoísta do ser humano na face da Terra, esse planeta de provas e expiações e, portanto, de categoria inferior no Universo.

É necessário, pois, que cada um de nós possa vencer-se a si mesmo, combatendo e preferencialmente eliminando o egoísmo que insiste em prevalecer em nossos pensamentos e em nossas atitudes, na certeza de que ele é o causador de todas as misérias do mundo terreno, porque é a negação da caridade e, por conseqüência, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Com efeito, cumpre não perder de vista que "Os homens, quando se houverem despojado do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, sem se fazerem mal algum, auxiliando-se reciprocamente, impelidos pelo sentimento mútuo da solidariedade. Então, o forte será o amparo e não o opressor do fraco e não mais serão vistos homens a quem falte o indispensável, porque todos praticarão a lei de justiça.", assim como convém não esquecer que "O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material" (trechos encontráveis nas respostas dadas às questões números 916 e 917 de "O Livro dos Espíritos", a obra basilar do Espiritismo, 75ª edição, FEB, 1994, página 420).

Sendo assim, empenhemo-nos por substituir, com determinação e vontade, com urgência e enquanto estamos a caminho, o egoísmo pela caridade, que, na inspirada definição do apóstolo Paulo de Tarso, "é o amor em ação"

(Jornal Mundo Espírita de Março de 1998)  
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 05 de Fevereiro de 2011, 20:04
Ola Amiga Katia
Muita paz


Egoísmo


          Herança evidente de nossa antiga animalidade, por toda a parte, ainda vemos o egoísmo a repontar em toda extensão do mundo...

          O egoísmo!...
          Em família, é o exclusivismo do sangue.
          No lar, é o narcisismo doméstico.
          Na oficina de trabalho, é o despeito.
          Na propriedade transitória, é a ambição de posse desnecessária.
          Na cultura da inteligência, é a vaidade intelectual.
          Na ignorância, é a agressividade.
          Na riqueza amoedada, é o espírito de usura.
          Na pobreza, é a inveja destrutiva.
          Na madureza, é o azedume.
          Na mocidade, é a ingratidão.
          No ateísmo, é a impiedade.
          Na fé religiosa, é a intolerância.
          Na alegria, é o excesso.
          Na tristeza, é o isolamento.
          Nos fortes, é a tirania.
          Nos fracos, é a astúcia.
          Na afetividade, é o ciúme.
          Na dor, é o desespero.

          No mimetismo que lhe é próprio, usa em todos os setores as mais diversas máscaras e qual o joio que abafa o trigo, comparece igualmente nos corações que a luz já felicite, em forma de cólera e irritação, desânimo e secura...

          Se desejamos dar combate à praga do egoísmo na gleba da alma, saibamos estender, cada dia, as nossas disposições de mais amplo serviço ao próximo, e, aprendendo a ceder de nós mesmos, entre a humildade e o sacrifício, no bem de todos, conquistaremos com o Cristo a plenitude do amor que lhe converteu a própria cruz em ressurreição para a Vida Eterna.

 Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Muita Paz
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: MAROCHA em 05 de Fevereiro de 2011, 22:50
                        Olá amigos!

      O egoísmo é decorrente da nossa egolatria.

      Achamos que somos o centro do universo.


      Acrescento aqui pensamentos de Schopenhauer.
 
           O Homem - Um Ser Egoísta

O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, é o egoísmo, ou seja, o impulso à existência e ao bem-estar. [...]
Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o egoísmo chega a ser idêntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu âmago e à sua essência.
 
Desse modo, todas as acções dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada acção.
Nas suas acções baseia-se também, em geral, o cálculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo.
Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite.
Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo.
Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo:
 "Tudo para mim e nada para os outros" é o seu lema.
 O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo.

Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Insultar"
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: MAROCHA em 05 de Fevereiro de 2011, 23:05
Os pensamentos de Fernando Pessoa também são interessantes a cerca do Egoísmo.


Egoísmo Relativo

Por mim, o meu egoísmo é a superfície da minha dedicação. O meu espírito vive constantemente no estudo e no cuidado da Verdade, e no escrúpulo de deixar, quando eu despir a veste que me liga a este mundo, uma obra que sirva o progresso e o bem da Humanidade.
Reconheço que o sentido intelectual que esse Serviço da Humanidade toma em mim, em virtude do meu temperamento, me afasta, muitas vezes, das pequenas manifestações que em geral revelam o espírito humanitário.
Os actos de caridade, a dedicação por assim dizer quotidiana são cousas que raras vezes aparecem em mim, embora nada haja em mim que represente a negação delas.
Em todo o caso, reconheço, em justiça para comigo próprio, que não sou mais egoísta que a maioria dos indivíduos, e muito menos o sou que a maioria dos meus colegas nas artes e nas letras.
Pareço egoísta àqueles que, por um egoísmo absorvente, exigem a dedicação dos outros como um tributo.
Fernando Pessoa, in 'Notas Autobiográficas e de Autognose'


Nietszche achou um valor natural no  Egoísmo.


O Valor Natural do Egoísmo

O egoísmo vale o que valer fisiologicamente quem o pratica: pode ser muito valioso, e pode carecer de valor e ser desprezível.
E lícito submeter a exame todo o indivíduo para se determinar se representa a linha ascendente ou a linha descendente da vida.
Quando se conclui a apreciação sobre este ponto possui-se também um cânone para medir o valor que tem o seu egoísmo. Se se encontra na linha ascendente, então o valor do seu egoísmo é efectivamente extraordinário, — e por amor à vida no seu conjunto, que com ele progride, é lícito que seja mesmo levada ao extremo a preocupação por conservar, por criar o seu optimum de condições vitais.
O homem isolado, o «indivíduo», tal como o conceberam até hoje o povo e o filósofo, é, com efeito, um erro: nenhuma coisa existe por si, não é um átomo, um «elo da cadeia», não é algo simplesmente herdado do passado, — é sim a inteira e única linhagem do homem até chegar a ele mesmo...
Se representa a evolução descendente, a decadência, a degeneração crónica, a doença (— as doenças são já, de um modo geral, sintoma da decadência, não causas desta), então o seu valor é fraco, e manda a mais elementar justiça que ele subtraia o menos possível aos bem constituídos. Ele não é mais do que o parasita destes...


Friedrich Nietzsche, in "Crepúsculo dos Ídolos"
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 06 de Fevereiro de 2011, 10:48
Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos


O egoísmo das nossas vidas

        Egoísmo é descrito como das mais terríveis enfermidades da alma e o maior obstáculo ao melhoramento social.

        É a persistência em nós desse individualismo feroz que caracteriza o animal, como vestígio do estado de inferioridade.

        Quase sempre, quando se menciona o egoísmo, nos vêm à mente os que acumulam grandes riquezas e a quem nada de material falta.

        São vistos em manchetes constantes, em viagens internacionais, festas elegantes, banquetes luxuosos, iates e aviões particulares.

        Ou então cogita-se das nações civilizadas, excessivamente ricas que tanto têm e não repartem com as nações pobres.

        Essa é a nossa visão. Mas, convenhamos, um tanto distorcida. Se pensarmos bem, acabaremos por descobrir que todos somos um pouco ou um tanto egoístas.

        Observemos no lar como funcionam as coisas. Levantamo-nos da mesa e não nos preocupamos em retirar o nosso prato e talheres, ou sequer recolocar a cadeira no lugar.

        Quando nos vamos servir, não pensamos em divisão, mas em encher e muito o nosso prato.

        Quando nos dispomos a assistir televisão, é tal o egoísmo que sequer cogitamos de combinar uma espécie de escala para que cada componente da família escolha, em um dia, a programação de sua eleição e juntos assistamos ora um, ora outro programa, a todos satisfazendo.

        Nosso egoísmo é tamanho que preferimos logo ter uma televisão para cada um, em seu próprio quarto, para nunca ter que ceder ou deixar de ter atendida a sua vontade.

        Quando andamos pelas ruas, em dias de chuva, somos tão egoístas que, mesmo estando com o guarda-chuva, desejamos andar debaixo das marquises, em vez de deixá-las para aqueles que foram apanhados desprevenidos pela intempérie.

        Quando tomamos o coletivo para os deslocamentos urbanos, nosso egoísmo é tão grande que nem olhamos para o lado, a fim de não descobrirmos que alguém idoso, ou com criança ao colo ou deficiente, precisaria muito mais do que nós do assento em que nos acomodamos.

        E pensamos tanto em nós mesmos, que nem esperamos que os passageiros desçam do ônibus e já vamos entrando, empurrando.

        Que importa se os demais precisam sair? Nós desejamos entrar e logo, às pressas, para conseguirmos um lugar para sentar.

        No ambiente de trabalho, fala alto também o egoísmo. Quando alguém nos deve substituir durante um período de férias, preferimos não ensinar tudo ao substituto, para que ele, por sua dedicação e competência, não venha a suplantar-nos e nós acabemos sobrando.

        Em  matéria religiosa, não somos diferentes. Cada qual deseja ter a exclusividade da verdade, do conhecimento e merecer, por isso, o reino dos céus.

        Quantos nos afirmamos os exclusivos filhos de Deus, esquecidos de que Deus é um só. O único Criador. De todos. De tudo. E com o mesmo amor que nos ama, ama a todos os demais.

*   *   *

        Aquele que não simplesmente aproveita o trabalho já encetado por outros mas, ao contrário, sabe cooperar, espalha ao redor de si tudo que tem de bom e se sente mais feliz.

        Está consciente de ser um membro útil à sociedade. Interessa-lhe tudo o que se realiza no mundo, tudo o que é grande e belo sensibiliza-o e comove.

        Sua alma vibra em harmonia com todos os Espíritos esclarecidos e generosos e em pé, como campeão ou como soldado, está pronto a participar de todos os grandes trabalhos, a penetrar em novos caminhos, a fecundar o patrimônio comum da Humanidade.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
XLVI do livro Depois da morte, de Léon Denis, ed. Feb.
Em 02.01.2009.
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: katiatog em 06 de Fevereiro de 2011, 13:13
Queridos amigos Víctor Passos e Marocha


Parabéns pelas belas contribuições que muito enriqueceram esse tópico!

O egoísmo é a raíz de todos os males da Humanidade. Dele resulta todos os vícios com o consequente sofrimento do ser humano. A Terra só poderá evoluir para um mundo de reparação quando esse sentimento for extirpado e substituído pelo amor e pelo desapego aos bens materiais.

Abraços carinhosos da Katia
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: katiatog em 06 de Fevereiro de 2011, 13:19
Bom dia, queridos amigos!


O egoísmo


José Argemiro da Silveira


“A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes ordens: Não vos desvieis para a estrada das nações, e não entreis em cidade samaritana; mas ide antes continuamente às ovelhas perdidas da casa de Israel” - Mateus, cap. 10, vs. 5 e 6

Chama a atenção o fato de Jesus recomendar aos discípulos “não pegarem a estrada das nações”, em outras versões consta a instrução “para não irem aos gentios”. Acrescenta - “não entreis em cidade samaritana”. Por que a preferência para “as ovelhas perdidas da casa de Israel?” Há quem entenda que Israel era o povo escolhido e por isso tinha a preferência. Mas se Jesus, em outra parte do evangelho afirma que “das ovelhas que o Pai Lhe confiou nenhuma se perderá”, e sabemos que essas “ovelhas” são a humanidade inteira; e ainda Ele prevê que haverá “um só rebanho e um só pastor”, como entender o texto citado de início?

Certamente, no início da tarefa dos apóstolos eles ainda não estavam preparados para divulgar os ensinos em outras nações, onde, por certo, as dificuldades seriam maiores. Era necessário um preparo, um treinamento, e para isso era preciso começar “pelas ovelhas perdidas da casa de Israel”, ou seja, em suas próprias cidades, onde havia melhores possibilidades de êxito. Mais tarde, Jesus chama Paulo de Tarso, na estrada de Damasco. Paulo recebe a tarefa de ir aos gentios, tarefa difícil, mas ele estava preparado. Conhecia bem a Lei, sabia falar vários idiomas, estava preparado para a missão.

Isto nos leva a refletir que, para realizar tarefas importantes, precisamos nos preparar devidamente, Se não estamos em condições de realizar trabalhos de maior vulto, devemos realizar os encargos menores, mais compatíveis com nossas possibilidades, enquanto vamos nos exercitando para, um dia, desenvolver trabalhos de mais significado. Se estou com minha caneca vazia, não consigo dar de beber ao meu próximo. Se ainda não consegui certo equilíbrio, harmonia interior, convicção no que creio e falo, como passar uma mensagem de esperança, de confiança e de bom ânimo ao meu semelhante? As pessoas demonstram dificuldades para os trabalhos pequenos, os chamados “servicinhos”, e que são muito importantes. E todos temos uma tarefa importante, difícil, que é vencer a nós mesmos. Nossas paixões inferiores, o melindre, a dificuldade de relacionamento, o orgulho, o egoísmo. Na verdade, nossa tarefa mais importante, e mais difícil, é nossa própria transformação para melhor. Mudar a nós mesmos, afeiçoando-nos aos ensinos que já aceitamos teoricamente, esse o trabalho difícil. Primeiro requer humildade para reconhecer que precisamos mudar. Se o doente não se reconhece como tal, não procura o médico. Conseqüente, não se trata, e a enfermidade não é debelada. Ensinamento muito claro do Espiritismo é este: Todos necessitamos de evolução espiritual, subir os degraus da escada do progresso. Estamos num mundo pouco evoluído, e somos Espíritos que estamos muito longe dos patamares mais elevados da escala espiritual. Entretanto, mesmo com a clareza dos ensinamentos, muitos, ao que parece, se julgam sábios e bons, senão perfeitos, pelo menos quase. Ouvíamos há poucos dias uma irmã, espírita, que conhece a Doutrina, mas não participa de nenhum grupo de trabalho, não freqüenta centro espírita, porque os dirigentes, os expositores, os que militam na Doutrina, no entender dela, não estão em condições de divulgarem os ensinamentos, A pessoa exige perfeição dos outros, mas não reflete que ela também carrega imperfeições. Se quero chegar a um determinado ponto de uma cidade que não conheço, e se peço informação a alguém, por telefone, para que ela possa me orientar, necessito dizer a ela onde me encontro. Se eu não sei onde estou, fica difícil o outro me ensinar o caminho. Se não reconheço minhas necessidades evolutivas, fica difícil realizar mudanças no meu íntimo. A subida da escada evolutiva é difícil porque além de nossas limitações, da bagagem que trazemos do passado (o inconsciente?), recebemos as influências do meio em que atuamos, influências negativas porque a maioria também é pouco espiritualizada. Essa influência, como sabemos, vem não só dos companheiros de jornada terrena, mas também do plano espiritual. Para vencermos os leões do orgulho e do egoísmo temos que travar verdadeira batalha conosco mesmo. Certa feita alguém perguntou ao Francisco C. Xavier se ele temia alguma coisa e ele respondeu que sim. Temia os monstros que temos de vencer e que estão em nós mesmos: são as paixões inferiores. As tentações do mundo existem porque encontram ressonância em nós. Na pergunta 913 de O Livro dos Espíritos, Kardec indaga qual o vício mais radical, isto é, que tem mais raízes, e conseqüentemente mais difícil de ser erradicado. Resposta: o egoísmo. E como combater o egoísmo? Atacando os filhos dele, ou seja, a impaciência, o desejo de privilégios, o melindre, a intolerância, a dificuldade de aceitar as outras pessoas como são. Devemos entrar na fila como todos, sem disputar tratamentos especiais, não nos consideramos melhores, nem mais sábios do que os outros. “Saber que não sabemos”, conforme falou o sábio da antigüidade. Se sabemos um pouquinho, isto é quase nada face ao muito que ainda precisamos saber. Os instrutores espirituais ensinam que, para combater o egoísmo, devemos cultivar as virtudes opostas a ele, ou seja, o altruísmo, o desapego, a humildade, a tolerância. Aprendendo a amar estaremos combatendo o egoísmo. Necessário perseverança, continuidade do esforço, paulatinamente, como uma escada que se sobre degrau a degrau. Façamos como ensina Santo Agostinho: levantamentos diários, para verificar se estamos melhorando. Lembra André Luiz: “O dever do espírita é tornar-se progressivamente melhor. Útil, assim, verificar, de quando em quando, com rigoroso exame pessoal, a nossa verdadeira situação íntima. Espírita que não progride durante três anos sucessivos permanece estacionário” (Opinião Espírita, cap. 1)


(Jornal Verdade e Luz Nº 192 Janeiro de 2002)
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 06 de Fevereiro de 2011, 16:28
          Katiatog   (ref #0)
          Cito palavras do texto que a amiga colocou:
          "O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta”.
          Cel: minha amiga Kátia, e qual é a causa do egoísmo, considerado “chaga” e possuidor de tanto poder que consegue impedir o progresso moral da humanidade? O Criador, de conformidade com as doutrinas cristãs, com toda sua sabedoria e poder infinitamente maior que o do egoísmo, permite que essa “chaga” exista!
          É o ato da criação que faz o homem egoísta ou ele se torna egoísta, pelo desejo de ser egoísta? Ou, então, a vida é que o faz egoísta? Se é a criação, ou a escola da vida que o faz egoísta, evidentemente nenhuma responsabilidade lhe cabe por ser egoísta. Como do egoísmo e orgulho se originam todos os males e sofrimentos do mundo, a mesma pergunta se aplica a todos eles: o homem se faz, ele próprio, portador de defeitos morais? O homem, você, eu, somos nós que nos fazemos o que somos, ou é a vida que faz, a cada instante, o que somos a cada instante?
          Cito o texto:
          “Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos”.
          Cel: amiga, será que o autor do texto tem certeza que as demais crenças estão excluídas dessa tarefa? Conhecerá ele <todas> as crenças e religiões do planeta, e suas divisões, cujo número pode chegar a, talvez, centenas? Não estará sendo preconceituoso?
          Texto:
          “O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem”.
          Cel: e quais são essas armas? Essas palavras constituem, apenas, um belo conselho pois, basta dizer que devemos vencer o orgulho e egoísmo que trazemos conosco e estarão vencidos? Como é que o egoísta fará para deixar de ser egoísta? Basta querer? Se por sua natureza o egoísta sempre deseja o melhor para si, como mudar aquilo que lhe é natural, isto é, como mudar sua natureza egoísta em natureza nã-egoísta? Como ele mudará sua natureza de modo que, em vez de desejar sempre para si mesmo o melhor, passe a desejar  “menos” do que o melhor? Como é que aquele que sempre deseja o melhor para si, porque é egoísta, desejará o melhor para outrem?
          Texto:
          “Com efeito, o orgulho e, um de seus filhos, o egoísmo continuam sendo as maiores chagas da Humanidade”.
          Cel: e de onde vem o orgulho? Como o homem o adquire? No princípio, são todos perfeitamente iguais sob todos os aspectos e essa igualdade perfeita é destruída e se torna desigualdade gigantesca. Se o homem já não traz o orgulho em sua bagagem ao ser criado, é evidente que a vida é que o faz orgulhoso. Não fosse assim, o que o torna orgulhoso? Qual é o “ingrediente”, o fator que desfaz, sempre, essa igualdade inicial? Sempre o livre-arbítrio é a resposta a essa pergunta. No entanto, se são iguais sob todos os aspectos, a vontade, a escolha, o uso do livre-arbítrio são, sem dúvida, iguais, concorda? Se homens/espíritos fazem escolhas desiguais é porque eles mesmos não são iguais entre si, concorda? Todos tentam explicar a presença do sofrimento sobre a Terra, como sendo resultante do uso mal do livre-arbítrio, mas ninguém consegue explicar essa questão de modo satisfatório. Não será o livre-arbítrio apenas uma tentativa de explicar o inexplicável sofrimento da humanidade? (Inexplicável pela visão das religiões populares).
          Perdoe as perguntas; a intenção é fazer refletir para melhor compreender.
          Bom domingo.
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 06 de Fevereiro de 2011, 17:11
Ola muita paz

Nas Obras Postumas tem bem explicitito egoismo;

Egoísmo e Orgulho: Causas, Efeitos e Meios de Destruí-los

É fato reconhecido que a maior parte das misérias da vida provém do egoísmo dos homens. Desde que cada um só pensa em si sem pensar nos outros e ainda só quer a satisfação dos próprios desejos, é natural que a procure a todo preço, sacrificando embora os interesses de outrem, quer nas pequenas, quer nas maiores coisas, tanto na ordem moral, como na material. Daí todo o antagonismo social, todas as lutas, conflitos e misérias, visto como cada um quer pôr o pé adiante dos outros.

O egoísmo tem origem no orgulho. A supremacia da própria individualidade arrasta o homem a considerar-se acima dos demais. Julgando-se com direitos preferenciais, molesta-se por tudo o que, em seu entender, o prejudica. Naturalmente a importância que, por orgulho, se atribui, o torna naturalmente egoísta.

O egoísmo e o orgulho têm origem num sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm razão de ser e utilidade, pois que Deus não faz coisa inútil. Deus não criou o mal; é o homem que o produz por abuso dos dons divinos, em virtude do livre-arbítrio.

Este sentimento contido em justos limites é bom em si; a sua exageração é que o torna mau e pernicioso. O mesmo acontece às paixões, que o homem desvia do seu fim providencial. Deus não criou o homem egoísta e orgulhoso, mas simples e ignorante; foi o homem que, ao malversar o instinto, que Deus lhe deu para a própria conservação, se tornou egoísta e orgulhoso.

Os homens não podem ser felizes enquanto não viverem em paz, isto é, enquanto não forem animados pelos sentimentos de benevolência, indulgência e condescendência recíprocas e enquanto procurarem esmagar uns aos outros. A caridade e a fraternidade resumem todas as condições e deveres sociais, mas reclamam abnegação. Ora a abnegação é incompatível com o egoísmo e com o orgulho; logo, com estes vícios não pode haver verdadeira fraternidade e, em conseqüência, igualdade e liberdade; porque o egoísta e o orgulhoso tudo querem para si. Serão sempre eles os vermes roedores de todas as instituições progressistas e, enquanto reinarem, os mais generosos sistemas sociais, os mais sabiamente combinados, cairão aos golpes deles.

Faz gosto ver proclamar o reino da fraternidade; mas de que serve, se vai de par com uma cauda de destruição? É construir na areia; é o mesmo que procurar um país insalubre para restabelecer a saúde. Para ali, se quiserem garantir os habitantes, não basta enviar médicos, que morrerão como outros; é preciso mandar os meios de estudar as causas de insalubridade.

Se quiserdes que os homens vivam como irmãos, na Terra, não basta dar-lhes lições de moral; é preciso destruir a causa do antagonismo existente e atacar a origem do mal: o orgulho e o egoísmo. É esta a chaga que deve merecer toda a atenção daqueles que desejam seriamente o bem da humanidade. Enquanto subsistir este obstáculo, estarão paralisados os seus esforços, não só pela resistência da inércia, como por uma força ativa, que trabalhará incessantemente para destruir o trabalho; porque toda idéia grande, generosa e emancipadora, arruina as pretensões pessoais.

Destruir o egoísmo e o orgulho é impossível, direis, porque esses vícios são inerentes à espécie humana.

Se assim fosse, impossível seria o progresso moral, ao passo que, quando considerarmos o homem em diversas épocas, reconhecemos à evidência um progresso incontestável; logo, se temos sempre progredido, em progresso continuaremos. Demais, não haverá, por ventura, algum homem limpo de orgulho e de egoísmo? Não há exemplos de uma pessoa dotada de natureza generosa, em quem o

sentimento do amor ao próximo, da humildade, do devotamento e da abnegação, parece inato? O número é inferior ao dos egoístas, bem o sabemos, e se assim não fora, estes não fariam a lei; mas não é tão reduzido, como pensam, e se parece menor é porque a virtude, sempre modesta, se oculta na sombra, ao passo que o orgulho se põe em evidência. Se pois o egoísmo e o orgulho fossem condições de vida, como a nutrição, então, sim, não haveria exceção.

O essencial portanto é fazer que a exceção passe a ser regra e para isso incumbe destruir as causas produtoras do mal. A principal é, evidentemente, a falsa idéia, que faz o homem da sua natureza, do seu passado e do seu futuro. Não sabe donde vem, julga-se mais do que é; não sabendo para onde vai, concentra todos os pensamentos na vida terrestre. Deseja viver o mais agradavelmente possível, procurando a realização de todas as satisfações, de todos os gozos. É por isso que investe contra o vizinho, se este lhe opõe obstáculo; então entende dever dominar, porque a igualdade daria aos outros o direito que ele quer só para si, a fraternidade lhe imporia sacrifícios em detrimento do próprio bem-estar, e a liberdade, deseja-a só para si, não concedendo a outrem senão o que não fira as prerrogativas. Se todos têm essas pretensões, hão de surgir perpétuos conflitos, que farão comprar bem caro o pouco gozo, que conseguem fruir.

Identifique-se o homem com a vida futura e a sua perspectiva mudará inteiramente, como acontece a quem sabe que pouco tempo deve estar em pouso ruim e que dele saindo alcançará um excelente lugar para o resto da vida.

A importância da presente vida, tão triste, tão curta e efêmera, desaparece diante do esplendor da vida futura infinita, que se abre à frente. A conseqüência natural e lógica desta certeza é o sacrifício voluntário do presente fugitivo a um futuro sem fim, ao passo que antes tudo era sacrificado ao presente. Desde que vida futura se torna o fim, que importa gozar mais ou menos nesta? Os interesses mundanos são acessórios, em vez de principais. Trabalha-se no presente, a fim de assegurar-se uma boa posição no futuro, sabendo quais as condições para alcançá-la. Em matéria de interesses mundanos, podem os homens opor obstáculos, que ocasionem a necessidade de combatê-los, o que gera o egoísmo. Se porém erguerem os olhos para onde a felicidade não pode ser perturbada por ninguém, nenhum interesse alheio precisa de ser debelado e, conseguintemente, não há razão de ser para o egoísmo, embora subsista o estimulante do orgulho.

A causa do orgulho está na crença, que o homem tem, da sua superioridade individual, e aqui se faz ainda sentir a influência da concentração do pensamento nas coisas da vida terrestre.

Obras postumas
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 06 de Fevereiro de 2011, 17:12
Ola muita paz e harmonia

Obras Postumas;

O sentimento de personalidade arrasta o homem que nada vê diante de si, atrás de si ou acima de si; então o seu orgulho não conhece medidas.

A incredulidade, além de não ter meio para combater o orgulho, estimula-o e dá-lhe razão, pelo fato de negar a existência de um poder superior à humanidade. O incrédulo só crê em si; é, portanto, natural que tenha orgulho, não vendo nos contratempos que oferecem senão obra do acaso; ao passo que o crente vê a mão do Senhor naqueles contratempos e curva-se submisso, enquanto o outro se revolta.

Crer em Deus e na vida futura é pois a principal condição para quebrar o orgulho; mas não é a única. Conjuntamente com o futuro, é preciso ter em vista o passado, para poder fazer justa idéia do presente. Para que o orgulhoso cesse de crer em sua superioridade, é preciso provar-lhe que ele não é mais que os outros e que todos lhe são iguais, que a igualdade é um fato e não uma teoria filosófica. São verdades que derivam da preexistência da alma e da reencarnação.

Sem a preexistência da alma, o homem, que crê em Deus, é levado a acreditar que lhe deve singulares vantagens, e o que não crê é levado a atribui-los ao acaso e aos méritos próprios. A preexistência, dando-lhe a nocão da vida anterior da alma, ensina-o a distinguir a espiritual, infinita, da corporal, temporária. Ele chega por aí a compreender que as almas saem iguais das mãos do Criador, têm o mesmo ponto de partida e o mesmo fim, que todos atingirão em mais ou menos tempo, segundo os esforços empregados; que ele próprio não chegou ao ponto, em que se acha senão depois de ter longa e penosamente vegetado como os outros, nos planos inferiores; que não há entre os mais e os menos adiantados senão questão de tempo; que as vantagens do nascimento são puramente corporais e não afetam o Espírito; que o proletário pode, noutra existência, nascer em um trono e o mais poderoso vir como proletário.

Se ele não considerar senão a vida corporal, vê as desigualdades sociais e não as pode explicar; mas se lançar a vista para o prolongamento da vida espiritual, para o passado e o futuro, desde o ponto de partida até o terminal, todas aquelas desigualdades se lhe desfazem perante os olhos e reconhecerá que Deus não deu a nenhum de seus filhos vantagens que negasse a outros; que fez a partilha com a mais rigorosa igualdade, não preparando o caminho melhor para uns do que para outros; que o mais atrasado de hoje, dedicando-se à obra do seu aperfeiçoamento, pode ser amanhã mais adiantado; enfim, reconhece que, não se elevando ninguém a não ser pelos esforços pessoais, o princípio da igualdade tem o caráter de um princípio de justiça e de lei natural, diante das quais não prevalece o orgulho dos privilégios.

A reencarnação, provando que os Espíritos podem renascer em diferentes condições sociais, quer como expiação, quer como prova, faz-nos saber que muitas vezes tratamos desdenhosamente uma pessoa, que foi noutra existência nosso superior ou igual, amigo ou parente. Se o soubéssemos, trata-lo-íamos com atenção, mas neste caso não haveria nenhum mérito; e se soubéssemos, que o amigo de hoje fora antes um inimigo, um servo, um escravo, não o repeliríamos? Deus não quis que fosse assim e por isso lançou um véu sobre o passado para que em todos víssemos irmãos e iguais, como é mister para estabelecer-se a fraternidade; sabendo que poderemos ser tratados como houvermos tratado os outros, firmaremos o princípio de caridade como dever e necessidade, fundados nas leis da natureza.
Jesus estabeleceu os princípios da caridade, da igualdade e da fraternidade, dos quais fez condições indispensáveis para a salvação; mas ao Espiritismo ficou reservada a terceira manifestação da vontade de Deus, pelo conhecimento da vida espiritual, pelos horizontes novos que descortina e pelas leis, que revela, como sanção daquele princípio, provando que não é somente uma doutrina moral, mas uma lei natural, que está no interesse dos homens cultivar e praticar. Ora, eles hão de praticá-la desde que deixarem de ver no presente o princípio e o fim, desde que compreenderem a solidariedade, que existe entre o presente, o passado e o futuro.

No infinito campo, que o Espiritismo lhes põe aos olhos, a sua importância pessoal anula-se, porque compreendem que, sós nada valem e nada podem, que todos precisamos uns dos outros não sendo nenhum mais que outro; duplo golpe desfechado contra o orgulho e o egoísmo.

Para isso, porém, é preciso terem fé, sem a qual ficarão detidos dentro do círculo do presente, mas não a fé cega, que foge da luz, que acanha as idéias e portanto alimenta o egoísmo, mas sim a fé inteligente, racional, que pede a luz e não as trevas, que rasga, ousadamente, o véu dos mistérios e alarga os horizontes. Essa fé, elemento essencial de todo progresso, é a que o Espiritismo proclama: fé robusta, porque se firma na experiência e nos fatos, dá as provas palpáveis da imortalidade e nos ensina de onde ela vem, para onde vai e porque está na Terra e, finalmente, fixa as nossas idéias a respeito do futuro.

Uma vez encaminhados por esta larga via, não daremos mais ao orgulho e ao egoísmo o pasto, que os alimenta, resultando daí o seu aniquilamento progressivo e a modificação de todos os laços sociais pela caridade e pela fraternidade bem compreendidas. Pode dar-se essa modificação de chofre? Não, isso é impossível, pois nada vai de um salto em a natureza; a saúde não volta subitamente; e entre a moléstia e a cura, há sempre a convalescença.

O homem não pode instantaneamente mudar de sentimentos e elevar os olhos da terra ao céu; o infinito deslumbra-o e confunde-o; precisa de tempo para assimilar as novas idéias.

O Espiritismo é, sem contestação, o elemento mais potente de moralização, porque alui os fundamentos do egoísmo e do orgulho, dando sólido fundamento à moral; faz milagres de conversão. Não são ainda, é certo, senão curas individuais e, quase sempre, parciais; mas o que ele produz nos indivíduos é prenúncio do que produzirá um dia nas massas populares. Não pode, de uma vez, arrancar toda a erva daninha; mas dá a fé, que é boa semente e que não precisa senão de tempo para germinar e frutificar. Eis porque ainda não são todos perfeitos. Ele encontrou o homem no meio da vida, no ardor das paixões, na força dos preconceitos, e se em tais condições tem operado prodígios, como não operará quando o tomar no berço, virgem de todas as impressões maléficas, quando lhe der, com o leite, a caridade, e o acalentar com a fraternidade, quando, enfim, uma geração inteira vier alimentada por idéias que a razão fortificará em vez de debilitar?(76) Sob o império dessas idéias, que serão mandamentos de fé racional para todos, o progresso, limpando a estrada de egoísmo e orgulho, penetrará nas instituições que se reformarão a si mesmas, e a humanidade caminhará rapidamente para os destinos que lhe são prometidos na terra, enquanto não chega a hora de alcançar o céu.

(76) Desde O Livro dos Espíritos Kardec insiste nessa tese da educação como instrumento básico de transformação do mundo. Felizmente a Educação Espírita já surgiu no Brasil e vem se desenvolvendo de maneira auspiciosa através de uma rede escolar que vai do grau pré-primário ao grau superior de ensino. No final de 1970 (Ano Internacional da Educação decretado pela UNESCO, órgão cultural da ONU, e Ano Nacional da Educação decretado pelo Governo Brasileiro) foi lançada em São Paulo a revista Educação Espírita, primeira revista pedagógica do Espiritismo no mundo. Lançamento da Edicel, essa publicação especializada abriu uma nova frente na batalha da cultura, iniciando a elaboração da Pedagogia Espírita. Dessa elaboração depende o que Kardec prevê para o futuro: uma geração inteira educada e fortalecida pelos princípios racionais do Espiritismo. (N. do Rev.)

Muita Paz
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: katiatog em 06 de Fevereiro de 2011, 17:26
Boa tarde, amigo Coronel


O texto que você refere é extraído do capítulo 11 do ESE.

Penso que o egoísmo e o orulho é o resultado de nossa imperfeição espiritual. Deus criou o Homem simples e ignorante para que pudesse, através de seu livre-arbítrio e no contato com outros encarnados, ter a oportunidade de evoluir moral e intelectualmente, ajudando o seu próximo e praticando o bem. Só que muitas vezes escolhemos o mal e como consequência colhemos a dor e o sofrimento.

O nosso planeta é um mundo de provas e expiações onde, devido à predominância da matéria, estamos sujeitos à todo o tipo de dor e sofrimento. Não fomos criados para sofrer eternamente, aprendendo e exercitanto a lei do Amor vivida e exemplicada por Cristo deixaremos de ser espíritos imperfeitos.

É claro que o caminho da evolução para a maioria de nós é lento. A evolução espiritual não ocorre aos saltos. Em cada encarnação vamos nos livrando de certos defeitos e adquirindo novas virtudes.

Creio também que toda religião que respeite Deus leva a alma encarnada a evoluir, pois religião é uma questão de afinidade e cada um se identifica e se realiza com uma ou até várias. No texto não se poderia dizer diferente, pois foi escrito por um espírito e com a missão de orientação para a Doutrina espírita.

Amigo, não precisa se desculpar, gostei muito dos seus questionamentos, realmente eles nos fazem refletir.

Ótimo domingo e que Deus o abençoe

Abraços afetuosos da Katia
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: pati em 06 de Fevereiro de 2011, 17:33
Bons dias a todos!
Cá estamos a falar sobre essas "chagas" e não nos cansamos de colocar textos e pensamentos de outrem...
Digo: ainda bem que assim fazemos. Á gua mole em pedra dura...  Entendo que a cada "lida" desses e de outros textos, compreendemos mais um tantinho, nos atualizando sempre. É mais que óbvio que o passo é lento? Não creio nisso. O passo é de acordo com cada um de nós, nem lento nem rápido, nem tampouco mais ou menos. É individual, pessoal. Daí a Doutrina nos mostrar que não há nada de estranho ser orgulhoso, egoísta, que faz parte da lei de conservação,é instintivo. O que "pega" é o abuso que se faz disso e de qqr outra coisa.
Abraços
pati

Estejamos em Deus
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Hebe M C em 06 de Fevereiro de 2011, 17:56
Boa tarde,

Os textos nos levam à reflexão e a reforma íntima,  como o nome já diz é totalmente individual, interna, as referências externas podem servir de exemplo, mas não nos modificam se continuarmos apenas achando como algo inatingível ou longe de ser alcançado, porque nos percebemos imperfeitos.

Cada um a seu tempo na elevação de sua consciência.
Busquem a fé em Deus e em si mesmo. Isso não é egoísmo, é auto-conhecimento que se faz urgente. A ajuda ao próximo é salutar, ninguém está aqui condenando, mas tem que ser incondicional, estabelecer qualquer retorno é o que se chama egoísmo, é o que causa as desavenças, mágoas e orgulho ferido, sem falar das verdades criadas a partir de uma ótica exclusiva que nos faz cair em erro e não sermos justos.

A ampliação da consciência nos faz ver a realidade como um todo e não com uma interpretação exclusiva.

Um abço
Hebe





Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 06 de Fevereiro de 2011, 18:34
Ola muita paz e harmonia

Citar
Então, ao inves de postar e repostar textos bonitinhos que mostram apenas opiniões pessoais de um ou outro escritor e que a nada levam, porque não começar a trabalhar interiormente para extirpar este mal de dentro de nos mesmos?


Bom Amigo Anton

  Todas as asservativas que se apoiam na realidade da vida e que se possam transportar para o quotidiano são sempre asservativas validas.
   Se os companheiros colocam varios textos de outrem  ou deles mesmos devemos acima de tudo tirar-lhes o ensinamento ou fazer a reflexão necessário de aprendizado...respeitando a ideia e a presença de cada um,
 Todos somos egoistas e orgulhosos, nisso não tenho duvida, dai a estarmos num plano onde temos muito que trabalhar para o nosso crescimento, porém a não é hostilizando que se retira a mascara do orgulho e egoismo.
   Concorde-se ou não devemos respeito uns aos outros e só será valida a nossa ideia quando com bom senso soubermos respeitar o proximo.

   É natural que em todas as Filosofias sabendo o estado comportamental dos Seres se bata constatemente nas chaves que podem resolver muito do que aniquila o amor e ..o orgulho...egoismo e ignorância espiritual estão dentro deles, não somos perfeitos , mas devemos sempre lembrar de forma a que tomemos consciencia da responsabilidade de cada ato que cometemos.

Abraço fraterno bom Amigo
Fica com Deus

Victor Passos
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 06 de Fevereiro de 2011, 19:53
          Amiga Katia   (ref #10)
          Cito suas palavras:
          “Penso que o egoísmo e o orgulho são o resultado de nossa imperfeição espiritual. Deus criou o Homem simples e ignorante para que pudesse, através de seu livre-arbítrio e no contato com outros encarnados, ter a oportunidade de evoluir moral e intelectualmente, ajudando o seu próximo e praticando o bem. Só que muitas vezes escolhemos o mal e como conseqüência colhemos a dor e o sofrimento”.
          Cel: é verdade, Kátia, muitas vezes escolhemos o mal e podemos colher sofrimentos, embora nem sempre, pois que não somos responsáveis por nossas escolhas erradas; colhemos o mal porque os danos que provocamos podem atingir a nós mesmos; não há outro motivo. As escolhas acertadas/boas ou erradas/más são apenas resultado de nossa maior ou menor compreensão das coisas do mundo e de Deus.
          Você falou de “nossa imperfeição espiritual”. O que será isso? De onde nos veio se, pela doutrina, não existe retrocesso moral? Dentro dessa visão, de que sofremos por sermos imperfeitos e de que não há regressão moral, então fomos por Deus criados imperfeitos. E nada de estranho existe nessa concepção de que, se somos criados simples, ignorantes e imperfeitos, temos de, obrigatoriamente, inquestionavelmente, sofrer para nos aperfeiçoar? E quantos e tantos sofrimentos terríveis, vemos no mundo!
          Cito a amiga Kátia:
          “O nosso planeta é um mundo de provas e expiações onde, devido à predominância da matéria, estamos sujeitos a todo o tipo de dor e sofrimento. Não fomos criados para sofrer eternamente, aprendendo e exercitando a lei do Amor vivida e exemplificada por Cristo deixaremos de ser espíritos imperfeitos”.
          Cel: também isso é uma verdade; apenas gostaria de que a nova amiga, se quiser, me dissesse qual o significado de “mundo de provas e expiações”; do mesmo modo, o que são “penalidades expiatórias” e castigos (muitas vezes implicando em sofrimentos terríveis, torturantes e insuportáveis que muitos, por não os suportarem, abandonam a vida do plano físico). Conforme as doutrinas, o Criador de infinitos amor e justiça dá, por toda a eternidade, sua permissão para que todos, sem exceção de ninguém, soframos, obrigatoriamente, tanto que, de antemão, criou leis e locais para a aplicação de castigos. Conforme palavras da amiga “não fomos criados para sofrer eternamente”; no entanto, fomos criados para sofrer, e obrigatoriamente, por tempos indeterminados, por encarnações inumeráveis que até, como diz a doutrina, as consideramos verdadeiras eternidades de sofrimentos e dores.
          Kátia:
          “É claro que o caminho da evolução para a maioria de nós é lento. A evolução espiritual não ocorre aos saltos. Em cada encarnação vamos nos livrando de certos defeitos e adquirindo novas virtudes”.
          Cel: minha amiga, e onde é que adquirimos esses defeitos? Já os temos desde a criação, ou nós mesmos, por nosso desejo, pelo livre-arbítrio, os impomos a nós? Ou é a vida, com todas suas numerosíssimas experiências, que os forja em nós? E porque o caminho para a evolução para alguns é mais lento? Porque essa desigualdade que implica e injustiça pois significa mais sofrimentos para uns do que para outros?
          Kátia:
          “Creio também que toda religião que respeite Deus leva a alma encarnada a evoluir, pois religião é uma questão de afinidade e cada um se identifica e se realiza com uma ou até várias”.
          Cel: você está totalmente certa: escolhemos, entre as religiões que conhecemos, aquela que mais se adapta às nossas concepções sobre a vida, a morte, a que tem mais respostas satisfatórias para nós. Mas, e as “outras” religiões ou mesmo linhas de pensamento? Veja que de todas as crenças e religiões, cada uma se diz a única certa; com isso, é evidente, está dizendo que as demais ou não são certas ou são menos certas, concorda? No entanto, só pode afirmar isso quem que conhece as demais religiões; se alguém, mesmo sem conhecer as demais, afirma que a sua religião é que é a certa, está sendo grandemente preconceituoso, e com prejuízo para si próprio pois, enquanto  há preconceitos, não poderemos dar um passo sequer na direção de Deus.

          Também desejo, a você e a seus queridos, ótimo domingo.

Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 07 de Fevereiro de 2011, 10:13
Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos


Amigos deixo-vos aqui esta mensgem de Victor espirito desencarnado;

O trabalho, a luta e o sofrimento, fazem parte do viver humano; assim é que vemos muitas vezes no meio do fausto e da riqueza os espinhos ocultos que ferem o coração e as amarguras, que envenenam as alegrias da vida.

 

Meus irmãos – A vida humana tem sempre por objetivo, seja ela mais ou menos espinhosa ou serena, a evolução da criatura, por meio de seu avanço ao círculo do progresso universal.

O trabalho, a luta e o sofrimento, fazem parte do viver humano; assim é que vemos muitas vezes no meio do fausto e da riqueza os espinhos ocultos que ferem o coração e as amarguras, que envenenam as alegrias da vida.

Sendo as leis divinas apresentadas nas bases do direito e da justiça, por seus decretos todas criaturas receberão o quinhão equivalente de penas segundo grau de evolução de cada uma.

Não será acumulando as inúteis riquezas terrenas que avançareis com segurança no caminho do progresso; preciso é que vos empenheis com decisão e firmeza no cumprimento de vossa missão terrena, aceitando sem revolta as lutas e o sofrimento espalhados pelo caminho da provação, porquanto sem eles vossa evolução se operaria frouxa e morosamente.

Num ambiente relativamente calmo e sereno, certamente o homem poderá realizar também obras e atos que o elevem na escala de progresso moral, armazenando simultaneamente uma riqueza sólida  e bens preciosos de conhecimentos espirituais. E, entretanto num meio difícil e tormentoso que mais podereis trabalhar pelo vosso progresso, pois que ali encontrareis elementos que facilitarão o transpor de graus elevados no círculo do aperfeiçoamento  espiritual.

Trabalhai por vós próprios, porem estendeis também as vossas energias em proveito da coletividade e ficai certos de que dos benefícios espalhados ser-vos-á reservado... Avante, pois, meus amigos! Que a escabrosidade do caminho não arrefeça o vosso ardor e que o vosso zelo não se esmoreça á vista das nuvens carregadas, prenunciadoras da borrasca, porquanto não deverá tardar nosso horizonte da bonança, no seio da harmonia espiritual...

VICTOR

Abraço fraterno
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 07 de Fevereiro de 2011, 22:39
          Amigos   (ref #9)
          Cito texto que o amigo Victor colocou:
          “O sentimento de personalidade arrasta o homem que nada vê diante, atrás de si ou acima de si; então o seu orgulho não conhece medidas”.
          Cel: considerando que os males do mundo, segundo a doutrina, nascem todos do orgulho e que, por isso, sofrem as criaturas divinas, já que “receberão o quinhão equivalente de penas, segundo o grau evolutivo de cada um, de conformidade com as leis divinas baseadas no direito e da justiça”, serão também penalizados pelo fato de serem possuidores de orgulho sem medidas, que nasce do sentimento de personalidade que os arrasta? Como penalizar quem nenhuma culpa tem já que é a vida, esta escola do bem e do mal que cursamos, que os arrasta ao orgulho? Como ser penalizado por estar neste ou naquele nível evolutivo? O nível evolutivo lhe é dado pelo nível de aprendizado em que está na escola da vida, concorda?
          Esse “sentimento de personalidade”, quem lhe deu? Não é próprio de sua natureza? Porque é que se fala de “quinhão de penas”? E como falar de penalidades expiatórias, castigos torturantes, e  locais para as expiações se nenhuma responsabilidade cabe ao homem por seus desacertos? Como as doutrinas afirmam, todos os “pecados” que o homem pratica são causados pelo orgulho e conseqüente egoísmo; no entanto, se tudo isso vem do “sentimento de personalidade” a que ele é arrastado pela vida, o que justificará o fato de lhe serem impostas penas que, evidentemente, implicam em sofrimentos?
          Texto:
          “A incredulidade, estimula-o e dá-lhe razão, pelo fato de negar a existência de um poder superior à humanidade. O incrédulo só crê em si...”
          Cel: “o incrédulo só crê em si...”. Ai está justamente  outra razão para que nenhum quinhão de penas lhe seja imposto pois que, o incrédulo não o é porque quer ser, mas porque a vida o leva a ser incrédulo! Haverá outro motivo?
          Texto:
          “Crer em Deus e na vida futura é pois a principal condição para quebrar o orgulho; mas não é a única... Para que o orgulhoso cesse de crer em sua superioridade, é preciso provar-lhe que ele não é mais que os outros e que todos lhe são iguais, que a igualdade é um fato e não uma teoria filosófica”.
          Cel: logo, “a principal condição para quebrar o orgulho está em crer em Deus e na vida futura”, mas lhe é negada, pois ele é incrédulo... E como é que se provará a ele que existe essa igualdade nas leis divinas?
          Texto:     
          “Ele (o incrédulo) chega por aí a compreender que as almas saem iguais das mãos do Criador, têm o mesmo ponto de partida e o mesmo fim, que todos atingirão em mais ou menos tempo, segundo os esforços empregados”.
          Cel: veja, meu amigo, se todos têm o mesmo ponto de partida, isto é,  condições iguais para enfrentar a vida, porque empregariam esforços desiguais, tanto que, por isso, atingirão o mesmo fim em tempos desiguais? Esse que não crê, se tornará ainda mais descrente ao perceber essas desigualdades gigantescas entre seres criados perfeitamente iguais e, mais perplexo ficará quanto a isso ao saber que, mesmo todos partindo perfeitamente iguais, sob todos os aspectos, uns poderão tomar desde o princípio o caminho do bem absoluto, enquanto outros, também desde o princípio, poderão tomar o caminho do mal absoluto!
           Texto:
            “... que ele próprio não chegou ao ponto, em que se acha senão depois de ter longa e penosamente vegetado como os outros, nos planos inferiores; que não há entre os mais e os menos adiantados senão questão de tempo;
          Cel: como se explica que, criados por um Ser de infinitos amor, justiça, poder e sabedoria, todos têm de “obrigatoriamente” “vegetar” essa longa e penosa caminhada nos mundos inferiores?
          Texto:
          “Se ele não considerar senão a vida corporal, vê as desigualdades sociais e não as pode explicar; mas se lançar a vista para o prolongamento da vida espiritual, para o passado e o futuro, desde o ponto de partida até o terminal, todas aquelas desigualdades se lhe desfazem perante os olhos e reconhecerá que Deus não deu a nenhum de seus filhos vantagens que negasse a outros; que fez a partilha com a mais rigorosa igualdade, não preparando o caminho melhor para uns do que para outros;
          Cel: é preciso discordar dessa colocação pois, as desigualdades, segundo a doutrina, começam já no ponto de partida, pois que uns se dirigem, desde o princípio, para o caminho do bem e outros para o caminho do mal... Sinceramente, como compreender que seres iguais se tornem desiguais? O que desfez, completamente, a perfeita igualdade inicial? Sendo todos iguais, porque uns se atrasam em relação aos outros?
          Texto:
          “O Espiritismo é, sem contestação, o elemento mais potente de moralização, porque alui os fundamentos do egoísmo e do orgulho, dando sólido fundamento à moral; faz milagres de conversão”.
          Cel: e as demais religiões e crenças? O autor do texto as conhece todas para excluí-las já que afirma que “sem contestação a espírita é o elemento mais potente de moralização”? Não estará, apenas, se mostrando enormemente preconceituoso?
          Meu amigo Victor, me perdoe tantas questões; foram provocadas pelas estranhas colocações feitas pelo autor do texto e penso que vale a pena refletir sobre elas.
          Um abraço.


Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Dothy em 07 de Fevereiro de 2011, 23:06
O Egoísmo



Não é preciso ser versado em psicologia para perceber que a fonte de todos os vícios que caracterizam a imperfeição humana. é o egoísmo. Dele dimanam a ambição, o ciúme, a inveja, o ódio, o orgulho e toda sorte de males que infelicitam a Humanidade, pelas mágoas que produzem, pelas díssensões que provocam e pelas perturbações sociais a que dão ensejo.

Vemo-lo manifesto neste mundo sob as mais variadas formas, a saber: egoísmo individual, egoísmo familiar, egoísmo de classe, egoísmo de raça, egoísmo nacional, egoísmo sectário.

Em seu aspecto individual, funda-se num sentimento exagerado de interesse pessoal, no cuidado exclusivo de si mesmo, e no desamor a todos os outros, inclusive os que habitam o mesmo teto, os quais, não raro, são os primeiros a lhe sofrerem os efeitos.

O egoísmo familiar consiste no amor aos pais, irmãos, filhos, enfim àqueles que estão ligados pelos laços da consangüinidade, com exclusão dos demais. Limitados por esse espírito de família, são muitos, ainda, os que desconhecem que todos somos irmãos (porque filhos de um só Pai celestial), e se furtam a qualquer expressão de solidariedade fora do círculo restrito da própria parentela.

O egoísmo de classe se faz sentir através dos movimentos reivindicatórios tão em voga em nossos dias. Ora é uma classe profissional que entra em greve, ora é outra que promove dissídio, ou são servidores públicos que pressionam os governos a fim de forçar o atendimento às suas exigências, agindo cada grupo tão somente em função de suas conveniências, sem atentar para o desequilíbrio e os sacrifícios que isso possa custar à coletividade.

O egoísmo de raça é responsável, também, por uma série de dramas e conflitos dolorosos. Que o digam os pretos, vítimas de cruéis discriminações em várias partes do mundo, assim como os enamorados que, em tão grande número, não puderam tornar-se marido e mulher, consoante os anseios de seus corações, porque os prejuízos raciais de seus familiares falaram mais alto, impedindo a concretização de seus sonhos de felicidade.

O egoísmo nacional é o que se disfarça ou se esconde sob o rótulo de “patriotismo”. Habitantes de um país, a pretexto de engrandecer sua pátria, invadem outros países, escravizam-lhes as populações, destroem-lhes a nacionalidade, gerando, assim, ódios insopitáveis que, mais dia menos dia, hão-de explodir em novas lutas sanguinolentas.

O egoísmo sectário é aquele que transforma crentes em fanáticos, a cujos olhos só a sua igreja é verdadeira e salvadora, sendo, todas as outras, fontes de erro e de perdição, fanáticos aos quais se proíbe de ouvir ou ler qualquer coisa que contrarie os dogmas de sua organização religiosa, aos quais se interdita auxiliar instituições de assistência social cujos dirigentes tenham princípios religiosos diversos do seu, e aos quais se inculca ser um dever de consciência defender tamanha estreiteza de sentimentos.

Esse tipo de egoísmo é, seguramente, o mais funesto, por se revestir de um fanatismo religioso, obstando que os ingénuos e desprevenidos o reconheçam pelo que é, na realidade.

Foi esse egoísmo sectário que, no passado, promoveu as chamadas guerras religiosas e a “santa” Inquisição, de tão triste memória, infligindo torturas e mortes excruciantes a centenas de milhares de homens, mulheres e crianças, e, ainda hoje, desperta, acoroçoa e mantém a animosidade entre milhões de criaturas, retardando o estabelecimento daquela Fraternidade Universal que o Cristo veio preparar com b seu Evangelho de Amor.

O Espiritismo, pela poderosa influência que exerce no homem, fazendo-o sentir-se um ser cósmico, destinado a. ascender pelo progresso moral às mais esplendorosas moradas do Infinito, é o mais eficaz antídoto ao veneno do egoísmo; praticá-lo é, pois, trilhar o caminho da Evolução e preparar-se um futuro incomparàvelmente mais feliz!


(L.E.Capítulo 12º, questão 913 e seguintes.)

Livro As Leis Morais. Rodolfo Calligaris.

Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Dothy em 07 de Fevereiro de 2011, 23:15
Olá querida amiga katia...

Como é bom nos reunirmos para divulgarmos mensagens esclarecedoras e de grande reflexão para  nossos amigos, irmãos e nós mesmos...
Parabéns pela bela iniciativa
...

Beijos e  Abraços carinhosos
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Dothy em 07 de Fevereiro de 2011, 23:52
   Receita Contra o Egoísmo

Procure esquecer o lado escuro da personalidade do próximo.


Aprenda a ouvir com calma os longos apontamentos do seu irmão, sem o impulso de interromper-lhe a palavra.


Olvide a ilusão de que seus parentes são as melhores pessoas do mundo e de que a sua casa deve merecer privilégios especiais.


Não dispute a paternidade das idéias proveitosas, ainda mesmo que hajam atravessado o seu pensamento, de vez que a autoria de todos os serviços de elevação pertencem, em seus alicerces, a Jesus, nosso Mestre e Senhor.


Não cultive referências à sua própria pessoa, para que a vaidade não faça ninho em seu coração.


Escute com serenidade e silêncio as observações ásperas ou amargas dos seus superiores hierárquicos e auxilie, com calma e bondade, aos companheiros ou subalternos, quando estiverem tocados pela nuvem da perturbação.


Receba com carinho as pessoas neurastênicas ou desarvoradas, vacinando o seu fígado e a sua cabeça contra a intemperança mental.


Abandone a toda espécie de crítica, compreendendo que você poderia estar no banco da reprovação.


Habitue-se a respeitar as criaturas que adotem pontos de vista diferentes dos seus e que elegeram um gênero de felicidade diversa da sua, para viverem na Terra com o necessário equilíbrio.


Honre a caridade em sua própria casa, ajudando, em primeiro lugar, aos seus próprios familiares, através do rigoroso desempenho de suas obrigações, para que você esteja realmente habilitado a servir ao Mundo e à Humanidade, hoje e sempre.



André Luiz
(Do livro “Marcas do Caminho”, Francisco Cândido Xavier)



Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 08 de Fevereiro de 2011, 03:04
          Dothy   (ref #17)
          Cito a amiga:
          “Não é preciso ser versado em psicologia para perceber que a fonte de todos os vícios que caracterizam a imperfeição humana é o egoísmo. Dele vêm a ambição, o ciúme, a inveja, o ódio, o orgulho e toda sorte de males que infelicitam a Humanidade, pelas mágoas que produzem, pelas dissensões que provocam e pelas perturbações sociais a que dão ensejo”.
          Cel: veja minha amiga: o texto contém esclarecimentos sobre as mais variadas espécies de egoísmo e de suas sérias conseqüências; afirma que ele é a “fonte” de todos os males do mundo. Contudo, não esclarece, e talvez não fosse sua intenção esclarecer, qual é a “fonte” do egoísmo... Sabemos que ele é a fonte de todos os males, mas não sabemos qual é sua fonte, de onde ele vem. Só conhecendo a fonte, a causa, é que podemos combatê-lo. Pelo fato de conhecermos suas conseqüências, podemos perceber que devemos combatê-lo, mas só o venceremos se conhecermos e atacarmos sua causa. É semelhante a uma doença da qual somente conhecemos os sintomas, como dor, febre, náuseas etc e, portanto só podemos atacar cada um deles, e a causa, o mais importante, fica para depois. Em geral, todos falam das consequencia perniciosas do egoísmo mas não de suas causas e de como combatê-las.     
          Texto:
          “O Espiritismo, pela poderosa influência que exerce no homem, fazendo-o sentir-se um ser cósmico, destinado a. ascender pelo progresso moral às mais esplendorosas moradas do Infinito, é o mais eficaz antídoto ao veneno do egoísmo; praticá-lo é, pois, trilhar o caminho da Evolução e preparar-se um futuro incomparàvelmente mais feliz!”
          Cel: amiga, será que podemos excluir todas as outras crenças, religiões e tradições sérias que buscam a religação com Deus? Que só o espiritismo é o remédio para o egoísmo? Pelo que está escrito estamos, como muitas vezes já fizemos, confirmando o que os pesquisadores sempre dizem: cada crença ou religião se julga a “única certa”, embora, condescendentemente, diga que “todos os caminhos levam a Deus”. Será que aqueles que escreveram esse texto conheciam todas as demais, talvez centenas, de religiões, suas muitas divisões e as escolas de tradição cuja única finalidade é a busca da verdade que, encontrada, liberta o homem, como disse Jesus, de todo e qualquer problema, entre eles, é evidente, o problema do egoísmo? Será que a verdade que liberta é exclusividade de uma religião que é oriunda de uma outra religião apenas regional? Será que o espiritismo, tão aberto às descobertas científicas e, portanto, não totalmente “terminado”, pois que essas descobertas podem, ainda, lhe trazer modificações ou complementações, já se considera possuidor, ou o único possuidor da totalidade da verdade libertadora?
          Bem, minha amiga, deixei essas questões apenas para que se reflita sobre elas.
          Uma boa noite.



Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 08 de Fevereiro de 2011, 14:16
Ola muita paz e harmonia
Bom Amigo Coronel
 

   Desculpa sdó agora responder, mas as questões eram muitas.E como o Amigo é um versado deixo aqui as respostas;

1-Como penalizar quem nenhuma culpa tem já que é a vida, esta escola do bem e do mal que cursamos, que os arrasta ao orgulho?

Ola muita paz
Amigo, não é a vida que nos penaliza , mas a nossa incuria e egoismo, logo só existe um polo culporio o proprio Ser. Não podemos demandar a culpa ao que nos envolve , mas a nós proprios , porque ninguém erra por pela força dos outros , mas sim por falta de moral de nós mesmos.O orgulho e egoismo estão bem presentes aí.

2-Como ser penalizado por estar neste ou naquele nível evolutivo? O nível evolutivo lhe é dado pelo nível de aprendizado em que está na escola da vida, concorda?

Então asservativa está correta, ele a isso refere, portanto cada um sofre mediante o estagio evolutivo que detem. O espirito quando menos denso, mais liberto fica da materialidade, e menos sofrerá, quanto mais estivermos envolvidos pelo mal, mais sofremos, logo nesse estágio estamos ao nivel do mesmo. Então somos penalizados porque não evoluimos o suficiente em relação a outros Irmãos que estão num plano superior. Não é verdade.

3- Esse “sentimento de personalidade”, quem lhe deu? Não é próprio de sua natureza? Porque é que se fala de “quinhão de penas”? E como falar de penalidades expiatórias, castigos torturantes, e  locais para as expiações se nenhuma responsabilidade cabe ao homem por seus desacertos?

A personalidade é cada um de nós que a molda, logo as suas ações , emoções, sentimentos,pensamentos, perante nós e os outros vão moldar a personalidade de cada um e quantificar seu estagio pelos valores morais , inteletuais e espirituais.
 A responsabilidade não cabe ao homem, mas ao espirito, todo objeto de erro por incuria, tem que passar pela fieira da vida e dentro dela remir, pelo arrependimento e progredir pelo ajuste com pleno amor, e o ( espirito é isso que quer dizer)
Se não for de sua responsabilidade de quem é ? Dos outros!? Não, mas do mau uso do seu livre-arbitrio.(O espirito em causa fala correto)

4-Como as doutrinas afirmam, todos os “pecados” que o homem pratica são causados pelo orgulho e conseqüente egoísmo; no entanto, se tudo isso vem do “sentimento de personalidade” a que ele é arrastado pela vida, o que justificará o fato de lhe serem impostas penas que, evidentemente, implicam em sofrimentos?

Não é só o orgulho e egoismo que se nos apresentam na trajetoria do erro, a ignorância é a Mãe de todos os nossos fracassos e daí se detem que temos que valorizar a espiritualidade porque ela nos dá resposta para todas as fragilidades . As penas só serão impostas pela renitencia no erro, se ela não existir , a penas é escolha do espirito , para depurar suas mazelas de erros preteritos ou mesmo presentes.Também não encontro aqui qualquer dificuldade de verdade nas afirmativas.

5-Cel: logo, “a principal condição para quebrar o orgulho está em crer em Deus e na vida futura”, mas lhe é negada, pois ele é incrédulo... E como é que se provará a ele que existe essa igualdade nas leis divinas?

As leis divinas são intocavéis, não existe macula nenhuma nelas, senão estariamos a por em causa Deus.
Deus é infinitamente bom , justo e caridoso por isso , não iria criar diferenças entre as almas. Nos proprios é que o fazemos.
Perante Deus seus filhos são todos iguais , tem as mesmas oportunidades, porém uns assimilam mais depressa que outros a necessidade de mudança para Seres melhores.
E aqui lá entra de  novo egoismo, orgulho e ignorância espiritual.

6-Cel: veja, meu amigo, se todos têm o mesmo ponto de partida, isto é,  condições iguais para enfrentar a vida, porque empregariam esforços desiguais, tanto que, por isso, atingirão o mesmo fim em tempos desiguais?

Amigo, mais uma vez discordo, todos nascemos simples e ignorantes, logo em circunstâncias identicas, porém , uns se apegaram mais e fugiram do rumo , em relação a outros,  Não existem esforços desiguais, mas condutas diferentes e inerentes a escolhas do espirito, A desigualdade que o Amigo fala, é dada pela maior ou menor morosidade de evolução moral, espiritual e inteletual de cada espirito. Todos atingirão o patamar da felicidade, porém uns mais depressa que outros , pelos mesmos motivos.

7- Cel: como se explica que, criados por um Ser de infinitos  amor, justiça, poder e sabedoria, todos têm de “obrigatoriamente” “vegetar” essa longa e penosa caminhada nos mundos inferiores?

Simples, se tudo nos fosse dado do nada , sem merito, para que serviam as virtudes?!Como cresceriamos, como respeitariamos os outros, para que serviria a moral, se assim não fosse seriamos dados ao cunho da animalidade intintiva e nada mais, mas Deus é infinitamente bom e justo e em todos os seus processos ELE aplica a sua sublimidade. E assim os ociosos são obrigados a trabalhar pela sua melhoria moral.

8-Cel: é preciso discordar dessa colocação pois, as desigualdades, segundo a doutrina, começam já no ponto de partida, pois que uns se dirigem, desde o princípio, para o caminho do bem e outros para o caminho do mal... Sinceramente, como compreender que seres iguais se tornem desiguais? O que desfez, completamente, a perfeita igualdade inicial? Sendo todos iguais, porque uns se atrasam em relação aos outros?

Não, Amigo discordo completamente, como já o afirmei, todos somos criados simples e ignorantes, criados ao mesmo nivel, porém a desigualdade aparece pela incuria de cada espirito, que fez as suas escolhas em conformidade com sua vontade e livre-arbitrio.
O atraso , como já lhe afirmei, é devido à ociosidade do espirito, à sua incuria, ao seu orgulho, egoismo e ignorancia espiritual. A ele se deve apenas e a mais ninguém.

9-Cel: e as demais religiões e crenças? O autor do texto as conhece todas para excluí-las já que afirma que “sem contestação a espírita é o elemento mais potente de moralização”? Não estará, apenas, se mostrando enormemente preconceituoso?

Ola Amigo na sua visão poderá extrair o preconceito, porém por vezes quando nós fazemos determinadas exposições de opinião apenas falamos por nós e não conseguimos ir à profundidade das palavras de quem as professa.Quando damos determinada opinião, temos que ver o sentido  e a direção das palavras colocadas no próprio obturador da consciência e por vezes onde vemos gato, está a lebre, é apenas uma questão de elementos  que nós mesmos delineamos. Ora um Espirita é um Cristão e os Cristãos albergam toda e qualquer essencia da vida , mesmo que se lhe queira misturar religiosidade, é que religião e espiritualidade são coisas diferentes.Amoral alberga todos valores de grandeza da vida e realmete dentro do contexto e por ser espirita , ele fala do espiritismo e não dos outros, até porque não vejo mais alocuções a terceiros.
 É interessante em como num simples texto nós conseguimos ver como somos e que direção levamos...

Agradeço que tenha colocado as questões, mas aconselho , que ao fazer uma leitura , não a faça pela simples visão das palavras , mas pela profundidade que elas encerram.
Só podemos falar daquilo que sabemos e não daquilo que não entendemos.
Muita paz

Victor Passos
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 09 de Fevereiro de 2011, 20:00
 Victor Passos   (ref #22)
          Ola, amigo Victor.
          Me perdoe, mas não sei explicar com poucas palavras; posso mesmo estar sendo repetitivo, mas vamos lá. Vou tentar comentar sua resposta. Esta msg se refere apenas à primeira questão:
          Cel (msg anterior):
          “1-Como penalizar quem nenhuma culpa tem já que é a vida, esta escola do bem e do mal que cursamos, que os arrasta ao orgulho?”
          Cito resposta do amigo Victor:
          “Amigo, não é a vida que nos penaliza, mas a nossa incuria e egoísmo; logo, só existe um polo culporio: o proprio Ser. Não podemos demandar a culpa ao que nos envolve, mas a nós proprios, porque ninguém erra por força dos outros, mas sim por falta de moral de nós mesmos.O orgulho e egoismo estão bem presentes aí”.
          Cel: meu amigo, é exatamente isso: a vida, com todas suas inumeráveis e variadas influências vindas de todas as experiências que ela nos oferece, é que nos faz incuriosos, orgulhosos, egoístas e destituídos de moral. É a vida a professora q nos ensina e nos leva a ser o q somos. Voce e eu, se somos virtuosos ou não, o somos simplesmente porq “queremos” ser? Seu vizinho da direita é bom porque “quer” ser bom? O da esquerda é mau porque “quer” ser mau? Ou porque as experiências da vida, a vivência de todos os dias, o nível de aprendizado em q estão é q os levam a ser o q são? Vc é bom ou mau apenas porq “quer” ser bom ou mau? Aquele a quem falta moral é assim sem moral porq “quer” q nele próprio falte moral? Analise e vc vai perceber q  tudo aquilo a q damos o nome de virtudes e tudo a q damos o nome de defeitos morais, vêm do que a vida nos dá. Se, como vc disse, somos nós q nos fazemos como somos, isto é, nos moldamos para ser, por exemplo, bons, porque nem todos têm a capacidade de se moldarem assim?
          Se o homem é mau, isso se deve às experiências pelas quais passou desde que veio a existência; se é bom, é a mesma coisa. Se não fosse assim, de onde lhe viriam a bondade ou a maldade? Dele mesmo? Todas as experiências significam aprendizado que, de algum modo, o influenciam, levando-o a ser o q é. Junte-se a elas a genética, desde os mais remotos antepassados (q deve vir dos primeiros homens e de antes, dos seres q lhes deram origem) e do q houve antes deles, q tb influencia na sua formação fisiológica e moral/psicológica. Não fosse assim o q é q o faria ser bom ou mau? Sua vontade? Não pode ser, pois a vontade tb vem da compreensão construída pelas influencias advindas de todo seu passado; logo, sua vontade, em qualquer sentido, ou no do bem ou do mal, é conforme a vida a moldou, desde sempre até este presente momento; a vontade é tb conseqüência das experiências passadas.
          É necessário ver q as influências que modelam o homem, q fazem q ele seja o q é, não se restringem às experiências da convivência familiar ou à adquiridas nesta ou naquela situação mais marcante. Vêm de tudo q “observa” pelos sentidos de relação com o mundo, em qualq tempo e lugar; vêm das ações externas que ele observa, das reações internas provocadas por essas ações externas, associações etc. Se não foi a vida q nos ensinou a ser o q somos, neste instante, meu amigo, quem foi? O Criador? O espírito não vem ao mundo para com o mundo aprender? Como vc mesmo diz, somos colocados no mundo simples e ignorantes, sem conhecimento algum: logo, é aqui no mundo que vamos adquirindo conhecimentos, q de um modo ou outro, nos moldam. Ou onde o homem/espírito aprende a querer ser mau? Se não foi no mundo, na vida, terá sido antes de vir ao mundo, certo? Então, criatura divina que ele é, teria sido criado por Deus já com o mal  em sua natureza. Se veio já com esse “defeito” isso apenas mostra q a criação divina o fez assim, e nenhuma responsabilidade ou culpa lhe cabe por seus “pecados”. Qual será o demérito q, se submetido à justiça divina, o leve a ser condenado a alguma espécie de castigo, se já veio à vida com o mal em sua natureza? Agora, mesmo q a vida lhe tenha oferecido boas lições e, assim mesmo não as pratica, é q lhe faltou sabedoria suficiente e, portanto, erra por ignorância. Se fosse sábio conheceria as conseqüências de seus “pecados” e, evidentemente, não os cometeria. Se o homem sabe q sofrerá por seus erros, somente os cometerá se for ignorante, ou dementado, ou desesperado, o q tb implica ignorância. Se não é a vida q o fez o q é, quem o fez? Há aquém ou além da vida algo mais que o possa levar a ser bom ou mal? Não é uma predestinação, mas um processo, de instante a instante, no qual o homem é levado, pelo fluir incerto e incessante da vida, a ser moldado, a se transformar, e a vir a ser o q é tb de instante a instante. Se se tentar explicar seus erros pela liberdade de escolha, se fizer a escolha errada só pode ser por ignorância porq, podendo escolher ser feliz estará escolhendo ser infeliz, concorda?!
          Mas veja: vc não se fez sozinho, não se fez o q é agora; todos os eventos, todas as experiências de qualquer natureza, todos os antepassados, e o q houve antes deles, todos os acontecimentos concorreram para o q vc, eu, todos, sejamos o q somos neste exato instante, e para o q seremos neste instante seguinte e depois e depois. Ninguém se fez sozinho; somos o resultado de todo o passado, podemos até dizer, do movimento eterno do universo. Tudo “conspirou” para o q vc é agora. No universo nada existe por si; todos os eventos, fenômenos, coisas, são interligados, interdependentes; um qualquer efeito, isolado e único q seja, é a resultante de tudo q aconteceu antes, de todas causas e efeitos anteriores. Nada está isolado. Assim, todas as nossas ações e reações, procedimentos maus ou bons (bem e mal são apenas nomes q o ego dá ao q  é e sempre foi perfeito), decisões e escolhas, pensamentos, tudo q leva à felicidade ou à infelicidade, é resultado desse poderoso movimento do universo, desse fluir incessante e eterno desta escola do bem e do mal, q é a vida e q faz, a cada instante, q sejamos o q somos.
         Continua para terminar...
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 09 de Fevereiro de 2011, 20:04
          Victor   (ref #22)   Continuação e fim...

          ... desse fluir incessante e eterno desta escola do bem e do mal, q é a vida e q faz, a cada instante q sejamos o q somos.
          Por aí, vemos q o autor de nossas felicidades ou desgraças é esse movimento eterno q nos faz a cada instante, bons ou maus, egoístas ou solidários, orgulhosos ou humildes, “culpados” ou “inocentes”. Pense: se não fosse assim, porque uns são considerados bons e outros, maus? Porq querem ser assim, ou porq o fluir incessante da vida os leva a serem assim?
          Se a resposta for: é porq querem ser assim!, perguntaríamos : e porq uns querem ser assim e outros não querem? Se vc responder: é porq, pelo nosso livre arbítrio, escolhemos ser bons ou ser maus; então perguntaríamos: se temos liberdade de escolher, porq escolhemos o mal? Se alguém pode escolher entre praticar o bem e, consequentemente, ser feliz, e praticar o mal e, consequentemente, ser infeliz, porque escolhe ser infeliz? 
          Mas, o amigo já fez uma análise séria e profunda dessa liberdade de escolha? Existe realmente escolha <livre> de fazermos isto ou aquilo, ou toda escolha está tb <presa>, e totalmente presa, às experiências da vida, às experiências e conhecimentos do passado? A capacidade de escolha é mesmo livre? Vamos procurar ter uma idéia.
          Como pelas doutrinas cristãs, não pode ser o Criador o causador do sofrimento e males do mundo e dos erros e pecados dos homens, e como o representante do mal, o tentador, há muito saiu de cena, chegou-se a conclusão “lógica” e “inescapável” de q a criatura divina, único agente ativo restante, procedente de Deus (do qual “nada” que procede pode ser mau, injusto e ininteligente!) é a causa de todos os males; q se o homem sofre é porque agiu erradamente, pecou; se é feliz, é porq agiu acertadamente, não pecou. O mal não pode proceder de Deus, mas pode proceder da criatura divina que procede de Deus (de quem nada que procede pode ser mau!). No entanto, procedendo de onde for, tem o beneplácito, o consentimento, a aprovação e a permissão de Deus, sem o qual nada se faz.
          É verdade que o homem sofre e pode fazer outros sofrerem se age erradamente. Mas, qualquer tentativa de explicar q será condenado por isso, q haverá sofrimentos decorrentes de “condenação por seus pecados” (provenientes, é evidente, de seus desacertos na vida de relacionamento), sofrimentos q podem durar “várias” e mais longas eternidades, não cabe dentro da visão de um Criador onisciente, onipotente e de “infinitos” amor e justiça; de um Criador q, por sua onisciência, sabe, desde sempre, porque, onde, quando, como, em q circunstâncias “cada  uma”, uma a uma, das divinas criaturas dele procedentes, por Ele, “planejadas”, “desenhadas”, produzidas, criadas e lançadas ao mundo entre outros bilhões, fará de incorreto, pecará, ou fará de correto, relativamente às suas leis ou às leis da vida; sabe tb o q cada uma, uma a uma, individualmente, vai ter de sofrer devido a seus “pecados” (tb conhecidos desde sempre). Tanto q, de antemão, tb criou leis com normas punitivas, e locais para a expiação dos pecados.
          Seria, numa comparação apenas para ajudar a refletir, como o criador de brinquedos que, mesmo tendo total e absoluta certeza de q o brinquedo de sua criação, vai apresentar defeitos destrutivos, maléficos e, por isso, será perigoso, destruirá, matará, produzirá tantos e tão terríveis sofrimentos, tragédias e desgraças, assim mesmo o produz e o entrega às crianças. Quando surgem as conseqüências dos “defeitos” (desde sempre sabidas), os “pecados”, e os conseqüentes sofrimentos quem é o responsável? O brinquedo ou o fabricante, que sabia de tudo que iria acontecer?
          E a liberdade de escolha, existe realmente? O q é a escolha senão a opção apoiada naquilo q a escola que é a vida, já ensinou? Veja só um exemplo simples de como não existe escolha livre: vc caminha por uma estrada que, de repente, se bifurca; por qual das duas vai continuar? Vc não vai escolher como num jogo de cara-ou-coroa ou num estalar de dedos. Sempre vai analisar, por mais simples q essa analise seja, por qual estrada seguir; a q leva ao destino desejado, a mais sombreada, a q tem menos obstáculos. E porq vc faz essa análise? Porq, pelas experiências anteriores de sua vida de todos os dias, já aprendeu q é melhor continuar por aquela cuja ponte está intacta, pela mais sombreada, pela cujo pavimento é melhor, pela mais curta etc. Só não faz essa análise o ignorante q não aprendeu com a escola da vida, o dementado, o desesperado, descontrolado e, por isso, podem até continuar pela estrada pior, ou cometer absurdos, como vemos no mundo. Mas esse não tem controle, não raciocina, não analisa; é ignorante.
          Até para escolher entre guloseimas, analisamos de acordo com as experiências q já temos: se o apetite é grande, a maior; se não, a q nos parece mais saborosa etc.
          Portanto, liberdade de escolha é utopia; a escolha nunca é <livre>; está sempre <totalmente presa> ao conhecimento, a compreensão anterior q já temos das coisas e do mundo. Todas as escolhas q fazemos, todas as decisões q tomamos estão totalmente presas ao nosso passado, ao conhecimento já adquirido nesta escola q é a vida. Do mesmo modo acontece em todos os aspectos da vida individual ou coletiva: sempre, qualquer escolha, por mais simples e inocente q seja, ou por mais complexa e arriscada ou perniciosa (desde a simples escolha de um lápis, p ex, até uma declaração de guerra) depende totalmente da experiência anteriormente adquirida. Não somos livres para escolher; nossa escolha <nunca> é livre e, consequentemente, não existe livre escolha, ou livre-arbítrio. Talvez por isso Paulo ensinou, afirmando: “É o Senhor q opera em nós o pensar, o querer e o fazer!” e, em perfeita correlação com isso, ainda: “Não somos salvos por nossas obras, mas pela graça de Deus!”.
          Por essas coisas, percebemos que é preciso de urgente e necessariamente, repensar as concepções religiosas. Ou todos vamos continuar cheios de ilusões, remorsos, esperanças e, sobretudo, culpas e medos, pois vivemos dentro dessa tremenda ilusão de q a criatura divina é culpada ou responsável pelos males do mundo e q será, pelos seus pecados, sentenciada e condenada a penas dolorosas e longas.
          Um abraço, meu amigo.

Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 10 de Fevereiro de 2011, 00:25
          Victor Passos   Outras questões da sua msg #22:
          Ola, amigo, nova questão.
          Obs: em negrito, questões da msg anterior:
          ”2-Como ser penalizado por estar neste ou naquele nível evolutivo? O nível evolutivo lhe é dado pelo nível de aprendizado em que está na escola da vida, concorda?”
          Cito o amigo Victor:
          “Então asservativa está correta, ele a isso refere, portanto cada um sofre mediante o estagio evolutivo que detem”.
          Cel: amigo Victor: se o nível evolutivo lhe é dado pelo nível de aprendizado que a escola que é a vida lhe oferece, como pode ser penalizado por algo cuja responsabilidade não lhe cabe? Mesmo não sendo ele, mas a escola a responsável pelo nível em que está, terá de  “obrigatoriamente”, sofrer por isso?  Como se pode compreender essa obrigatoriedade de sofrimentos se a responsabilidade cabe ao nível de aprendizado em que está? Aí está claro que a escola (as experiências da vida) é a responsável, não o aluno! A vida o moldou e fez o que ele é; não foi ele que se fez; a vida o fez!
          Victor:
          “O espirito quando menos denso, mais liberto fica da materialidade, e menos sofrerá; quanto mais estivermos envolvidos pelo mal, mais sofremos, logo nesse estágio estamos ao nivel do mesmo. Então somos penalizados porque não evoluimos o suficiente em relação a outros Irmãos que estão num plano superior. Não é verdade”.
          Cel: com isso o amigo está dizendo três coisas interessantes: primeira: que a vida, nos graus mais densos, é má e nela nos lança o Criador; logo, que é o Criador, de infinito amor e misericórdia, que nos impõe o mal, isto é os sofrimentos tantas vezes terríveis, torturantes e insuportáveis, pois é ele que nos impõe a vida no plano material e, desde o início, uma vida da qual o mal/sofrimento é uma característica inerente; uma vida não procurada, nem pedida, nem buscada por nós, mas a nós forçosamente imposta pelo Todo Poderoso. Segunda: que o sofrimento é “obrigatório” para todos sem exceção pois todos, sem exceção, têm de passar por esses mundos mais densos. E terceira: que esse mal é uma penalidade justificada pelo fato de ainda estarmos com o espírito denso, como se fôssemos responsáveis por isso, pois fomos criados simples e ignorantes e lançados, à nossa revelia, num mundo de sofrimento; somos “castigados” por não evoluirmos o suficiente em relação a outros! Castigados porque viemos ignorantes e não conseguimos sair da ignorância tão “rápidos” quanto os outros.
         
3- Esse “sentimento de personalidade”, quem lhe deu? Não é próprio de sua natureza? Porque é que se fala de “quinhão de penas”? E como falar de penalidades expiatórias, castigos torturantes, e  locais para as expiações se nenhuma responsabilidade cabe ao homem por seus desacertos?
          Victor:
          “A personalidade é cada um de nós que a molda, logo as suas ações, emoções, sentimentos,pensamentos, perante nós e os outros vão moldar a personalidade de cada um e quantificar seu estagio pelos valores morais , inteletuais e espirituais.  A responsabilidade não cabe ao homem, mas ao espirito, todo objeto de erro por incuria, tem que passar pela fieira da vida e dentro dela remir, pelo arrependimento e progredir pelo ajuste com pleno amor, e o ( espirito é isso que quer dizer). Se não for de sua responsabilidade de quem é ? Dos outros!? Não, mas do mau uso do seu livre-arbitrio.(O espirito em causa fala correto).
          Cel: nos comentários anteriores, desta mesma resposta, já aludimos a estas considerações do amigo. Só uma coisa a comentar: as ações, emoções, sentimentos, pensamentos, somos nós que as sucitamos em nós? Ou o que observamos na vida?  Você ja conseguiu dominar seus pensamentos, emoções, sentimento e o fez de modo definitivo? Tente, amigo. Você consegue fazer essa proeza? Nós não somos donos nem de nossos pensamentos! São os pensamentos que nos comandam; não nós a eles. Não somos capazes de nos livrar da submissão aos pensamentos e, portanto, à mente. Observe que os pensamentos não é você que os produz e os submete; eles apenas nos “chegam” e nos submetem. Por isso o Buda afirmiu: “Somos o que pensamos”, e Paulo: “Como se tivéssemos algum pensamento como de nós mesmos, pois todos eles vêm de Deus”, e ainda: “É o Senhor que opera em nós o pensar...”. Jesus disse a mesma coisa, que tudo vem do Alto: “Ninguém vem a mim se o Pai que me enviou não o mandar a mim”
          Reflita sobre essas declarações, meu amigo.
          Um abraço.
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: josebancillon em 10 de Fevereiro de 2011, 02:03
O pensamento é apenas uma das três faces indissociáveis do ser, quais sejam: pensamento, ação e sentimento. Pode se considerar em um determinado momento qualquer uma delas, mas  será impossível conter sua repercussão nas duas outras dimensões. Explico, se houver ação, qualquer que seja, essa desencadeia o sentimento e resultará no surgimento de reflexões sobre o que fizemos ou sentimos. Se a escolha for o sentimento, este por sua vez ditará o ânimo do ser e será, sem nenhuma dúvida, determinante na escolha da ação. O mesmo se dará se começarmos pelo pensamento. Pensar é sentir e esse binômio nos conduz a fazer escolhas (ação). É como perguntar se nasceu primeiro o ovo ou galinha. Essa tríade, embora constituída de elementos distintos, não reconhece fronteiras entre seus reinos. Determinam quem somos ou o que escolhemos ser, seja pela escolha da ação, do pensamento ou do sentimento. Lembro de ter visto em algum lugar: "Sou o que penso e tenho o que mereço".

Paz à todos.
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 11 de Fevereiro de 2011, 16:44
          Victor Passos  (ref #21)     Continuando...
5-Cel: logo, “a principal condição para quebrar o orgulho está em crer em Deus e na vida futura”, mas lhe é negada, pois ele é incrédulo... E como é que se provará a ele que existe essa igualdade nas leis divinas?
          Cito o amigo Victor:
          “As leis divinas são intocáveis, não existe macula nenhuma nelas, senão estaríamos a por em causa Deus. Deus é infinitamente bom, justo e caridoso por isso , não iria criar diferenças entre as almas. Nos próprios é que o fazemos. Perante Deus seus filhos são todos iguais, tem as mesmas oportunidades, porém uns assimilam mais depressa que outros a necessidade de mudança para Seres melhores. E aqui lá entra de  novo egoísmo, orgulho e ignorância espiritual.
          Cel: não, meu amigo, não estamos a “por em causa Deus”; podemos, quando muito, “por em causa” a concepção ou visão que as doutrinas têm de Deus, o que é bem diferente, concorda?
          Como as doutrinas, as escrituras e você mesmo afirmam, para Deus a igualdade entre todos é absoluta; todos são criados perfeitamente iguais sob todos os aspectos, inclusive intelectuais; dentro desta constatação, se são todos iguais, porque motivo uns “assimilariam” essa necessidade mais depressa do que outros? Aí está claramente evidenciada a “desigualdade”!
         
6-Cel: veja, meu amigo, se todos têm o mesmo ponto de partida, isto é,  condições iguais para enfrentar a vida, porque empregariam esforços desiguais, tanto que, por isso, atingirão o mesmo fim em tempos desiguais?
          Victor:
          “Amigo, mais uma vez discordo, todos nascemos simples e ignorantes, logo em circunstâncias idênticas, porém, uns se apegaram mais e fugiram do rumo, em relação a outros,  Não existem esforços desiguais, mas condutas diferentes e inerentes a escolhas do espírito, A desigualdade que o Amigo fala, é dada pela maior ou menor morosidade de evolução moral, espiritual e intelectual de cada espírito. Todos atingirão o patamar da felicidade, porém uns mais depressa que outros , pelos mesmos motivos”.
          Cel: tudo que o amigo colocou significa exatamente desigualdade, coisa incompatível com a justiça divina, pela visão das doutrinas. Como voce está dizendo, uns se apegam mais do que outros, uns fugiram do rumo, uns se conduziram desigualmente em relação aos outros; uns serão mais morosos na evolução moral etc; ainda mais, são perfeitamente iguais mas fazem escolhas desiguais! O amigo já analisou bem estas suas afirmações, ou apenas as faz porque a doutrina afirma que é assim? Veja o que dizem os Mestres: “Não coloque outra cabeça acima da sua; pense e analise por você mesmo!”

7- Cel: como se explica que, criados por um Ser de infinitos  amor, justiça, poder e sabedoria, todos têm de “obrigatoriamente” “vegetar” essa longa e penosa caminhada nos mundos inferiores?
          Victor:
          “Simples, se tudo nos fosse dado do nada, sem mérito, para que serviam as virtudes?! Como cresceríamos, como respeitaríamos os outros, para que serviria a moral, se assim não fosse seriamos dados ao cunho da animalidade instintiva e nada mais...
          Cel: amigo Victor, nada é “dado do nada”; as igualdades não vêm do nada: vêm da justiça divina; assim, também, as desigualdades não podem vir do nada; vêm de “algo” que interferiu e desfez a perfeita igualdade primitiva. Analise o que estamos falando e você mesmo poderá responder às perguntas que fez acima; sempre considerando, é evidente, que, conforme as doutrinas, a igualdade primitiva é absolutamente perfeita.
          Victor:
          “... mas Deus é infinitamente bom e justo e em todos os seus processos ELE aplica a sua sublimidade. E assim os ociosos são obrigados a trabalhar pela sua melhoria moral”.
          Cel: é exatamente por isso que o amigo deve analisar: todos iguais mas, “uns” são desiguais, pois mais ociosos do que os outros, na luta pela melhoria moral!

8-Cel: é preciso discordar dessa colocação pois, as desigualdades, segundo a doutrina, começam já no ponto de partida, pois que uns se dirigem, desde o princípio, para o caminho do bem e outros para o caminho do mal... Sinceramente, como compreender que seres iguais se tornem desiguais? O que desfez, completamente, a perfeita igualdade inicial? Sendo todos iguais, porque uns se atrasam em relação aos outros?
          Victor:
Não, Amigo discordo completamente; como já o afirmei, todos somos criados simples e ignorantes, criados ao mesmo nível, porém a desigualdade aparece pela incúria de cada espírito, que fez as suas escolhas em conformidade com sua vontade e livre-arbítrio. O atraso , como já lhe afirmei, é devido à ociosidade do espírito, à sua incúria, ao seu orgulho, egoísmo e ignorância espiritual. A ele se deve apenas e a mais ninguém”.
          Cel: é verdade, você já falou sobre isso; contudo a questão não foi resolvida: são iguais, mas são desiguais na incúria, nas escolhas, no livre-arbítrio; todos são iguais, mas são desiguais quanto ao egoísmo, orgulho e ignorância: onde foi parar a perfeita igualdade original?
Se todos somos iguais, de onde vem a desigualdade na incúria de cada espírito?

9-Cel: e as demais religiões e crenças? O autor do texto as conhece todas para excluí-las já que afirma que “sem contestação a espírita é o elemento mais potente de moralização”? Não estará, apenas, se mostrando enormemente preconceituoso?
          Victor:
          “Ola Amigo, na sua visão poderá extrair o preconceito,...”
          Cel: meu amigo, não é a minha visão; isso é, verdadeiramente, tremendo preconceito (e preconceito é um dos obstáculos à realização espiritual); o que significa preconceito? É conceituar, opinar, sobre alguma coisa “antes” de conhecer essa coisa; se o autor conhece (conhecer não é simplesmente ter uma idéia) as demais doutrinas e linhas de pensamentos espiritualistas, não estará sendo preconceituoso; mas, se não as conhece todas, está, sim, se mostrando muito preconceituoso ...
          Victor:
          “... porém por vezes quando nós fazemos determinadas exposições de opinião apenas falamos por nós e não conseguimos ir à profundidade das palavras de quem as professa. Quando damos determinada opinião, temos que ver o sentido  e a direção das palavras colocadas no próprio obturador da consciência e por vezes onde vemos gato, está à lebre, é apenas uma questão de elementos  que nós mesmos delineamos. Ora um Espírita é um Cristão e os Cristãos albergam toda e qualquer essência da vida, mesmo que se lhe queira misturar religiosidade, é que religião e espiritualidade são coisas diferentes. A moral alberga todos valores de grandeza da vida e realmente dentro do contexto e por ser espírita, ele fala do espiritismo e não dos outros, até porque não vejo mais alocuções a terceiros”.
          Cel: é isso mesmo que estou dizendo, Victor; “quando damos determinada <opinião>” (palavras colocadas por você) sobre algo que não conhecemos, estamos sendo preconceituosos, não concorda?
          Victor:
          “É interessante em como num simples texto nós conseguimos ver como somos e que direção levamos...         
Agradeço que tenha colocado as questões, mas aconselho , que ao fazer uma leitura, não a faça pela simples visão das palavras, mas pela profundidade que elas encerram. Só podemos falar daquilo que sabemos e não daquilo que não entendemos”.
          Cel: meu amigo Victor, esse seu conselho sempre o observei e, isso, desde há mais de sessenta anos de estudo da doutrina espírita e de outras correntes espiritualistas. Pelo que tenho colocado, o amigo poderá perceber que “sempre” penetro profundamente não nas palavras, mas nos conceitos que elas encerram. Em vista desse seu conselho, percebo que o amigo considerou ilógica, incorreta ou absurda alguma afirmação minha. Com sinceridade, e dentro da certeza de que ninguém aqui é preconceituoso, pediria ao amigo o favor de apontá-as.
          Um abraço.


Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 11 de Fevereiro de 2011, 17:33
          Josebancillon   (ref #25)

          Olá, José, novo amigo, seja bem vindo; cito você:
          “Essa tríade, embora constituída de elementos distintos, não reconhece fronteiras entre seus reinos. Determinam quem somos ou o que escolhemos ser, seja pela escolha da ação, do pensamento ou do sentimento. Lembro de ter visto em algum lugar: "Sou o que penso e tenho o que mereço".
          Cel: amigo, me permita dizer: essa frase é absurda; como o Buda disse: “Somos o que pensamos”, já que afinal, o pensamento é que nos leva a todas as escolhas e decisões que tomamos em nossa vida, sejam corretas ou incorretas; mas, o que tem a ver com isso o “... e tenho o que mereço”? Se tem qualquer relação com “Sou o que penso”, perguntamos: quem é dono de seus próprios pensamentos? Quem é que suscita em si mesmo o pensamento que deseja ter naquele momento ou circunstância? Os pensamentos apenas “chegam” ou “nascem” em nós, queiramos ou não, desta espécie ou daquela; apenas isso. Como dizem os sábios: “Como na superfície tranqüila do lago, salta de repente um peixe”. Não os comandamos; eles nos comandam. 
          Um abraço.
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 11 de Fevereiro de 2011, 23:11
Ola muita paz e harmonia
Bom Amigo Coronel

         Cel: não, meu amigo, não estamos a “por em causa Deus”; podemos, quando muito, “por em causa” a concepção ou visão que as doutrinas têm de Deus, o que é bem diferente, concorda?
 R.E. -  Amigo as Doutrinas foram criadas pelo homem logo, a concepção de um Deus diferente, foi elaborada pelos conceitos doutrinario-filosoficos que eles mesmos tomaram nos seus principios regentes, não esquecendo o tomo do misticismo, dogmatismo e fundamentalismo que lhe colocaram.Deus é de todos e não de um determinado grupo setario.
  Cel; dentro desta constatação, se são todos iguais, porque motivo uns “assimilariam” essa necessidade mais depressa do que outros? Aí está claramente evidenciada a “desigualdade”!
R.E.-Mais uma vez tenho que discordar, não existe desigualdades e não vejamos;
L.E.Progressão dos Espíritos
114 Os Espíritos são bons ou maus por natureza ou são eles mesmos que se melhoram?
– São os próprios Espíritos que se melhoram, passando de uma ordem inferior para uma ordem superior.
115 Dentre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus?
– Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um uma missão com o objetivo de esclarecê-los e de fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los de Si. A felicidade eterna e pura é para os que alcançam essa perfeição. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais depressa ao objetivo que lhes é destinado. Outros somente as suportam com lamentação e por causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfeição e da felicidade prometida.
115 a Assim sendo, os Espíritos seriam em sua origem semelhantes às crianças, ignorantes e sem experiência, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam ao percorrer as diferentes fases da vida?
– Sim, a comparação é boa. A criança rebelde permanece ignorante e imperfeita, tem maior ou menor aproveitamento segundo sua docilidade. Porém, a vida do homem tem um limite, um fim, enquanto a dos Espíritos se estende ao infinito.
116 Há Espíritos que permanecerão perpetuamente nas classes inferiores?
– Não, todos se tornarão perfeitos. Eles progridem, mas demoradamente. Como já dissemos, um pai justo e misericordioso não pode banir eternamente seus filhos. Pretenderíeis que Deus, tão grande, tão bom, tão justo, fosse pior do que vós mesmos?
117 Depende dos Espíritos apressar seu progresso para a perfeição?
– Certamente. Chegam mais ou menos rapidamente conforme seu desejo e submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais rapidamente do que uma criança rebelde?
76 Que definição se pode dar dos Espíritos?
– Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o universo, fora do mundo material.
☼ Nota: A palavra Espírito é empregada aqui para designar a individualidade e não mais o elemento inteligente universal.
        Cel: tudo que o amigo colocou significa exatamente desigualdade, coisa incompatível com a justiça divina, pela visão das doutrinas. Como voce está dizendo, uns se apegam mais do que outros, uns fugiram do rumo, uns se conduziram desigualmente em relação aos outros; uns serão mais morosos na evolução moral etc; ainda mais, são perfeitamente iguais mas fazem escolhas desiguais! O amigo já analisou bem estas suas afirmações, ou apenas as faz porque a doutrina afirma que é assim? Veja o que dizem os Mestres: “Não coloque outra cabeça acima da sua; pense e analise por você mesmo!”
R.E.-O Amigo vê tudo como desigualdade para tapar os erros que todos cometemos pela incuria das paixões e de mau uso do livre-arbitrio.as afirmações que faço são porque elas estão dentro da razão e bom senso e se doutrina  é porque na minha forma de ver é uma verdade , daí ser seguidor  racional da Doutrina Espirita,. E porque se trata de Doutrina Espirita é com isso que lhe respondo, ou não estivessermos dentro dum Forum Espirita. Claro que não estamos num campo de futebol , nem lhe estou a dizer nenhuma mentira .em resposta aos seus Mestres diria ” A boa cabeça, nunca faltou chapéu” e aos que ironizam” e reforçando para seus Mestres “A verdade não quer enfeites”então fale por si , porque o que os mestres dizem reflete-se em si.
Cel: amigo Victor, nada é “dado do nada”; as igualdades não vêm do nada: vêm da justiça divina; assim, também, as desigualdades não podem vir do nada; vêm de “algo” que interferiu e desfez a perfeita igualdade primitiva. Analise o que estamos falando e você mesmo poderá responder às perguntas que fez acima; sempre considerando, é evidente, que, conforme as doutrinas, a igualdade primitiva é absolutamente perfeita.
R.E.-Amigo você desculpa  mas parece  fascinado pela “desigualdade”, mas vou repetir o que penso e não o farei mais, porque senão estamos a tornar-nos repetitivos em demasia;
As almas ou Espíritos são criados simples ou ignorantes, quer dizer sem conhecimentos e sem consciência do bem e do mal, mas aptos a adquirir tudo o que lhes falta; eles o adquirem pelo trabalho; o propósito, que é a perfeição, é o mesmo para todos; eles aí chegam mais ou menos prontamente, em virtude de seu livre arbítrio e em razão de seus esforços; todos têm os mesmos degraus a percorrer, o mesmo trabalho a realizar; Deus não faz uma parte maior nem mais fácil para uns do que para outros, porque todos são seus filhos e sendo justo, não tem preferência por nenhum. Ele lhes disse: «Eis a lei que deve ser sua regra de conduta; ela sozinha pode conduzi-los ao objetivo; tudo o que estiver de acordo com esta lei é o bem, tudo o que lhe for contrário é o mal. Vocês são livres para a observar ou para a infringir, e serão assim os árbitros de sua própria sorte». De nenhuma forma Deus criou o mal; todas suas leis são para o bem; é o homem por si mesmo que cria o mal infringindo as leis de Deus; se ele as observasse escrupulosamente, não se afastaria jamais do bom caminho.Mas a alma, nas primeiras fases de sua existência, como uma criança, tem falta de experiência; é por isso que é falível. Deus não lhe deu a experiência, mas os meios de adquiri-la; cada passo em falso no caminho do mal é para ela um retardo; disso sofre as conseqüências e aprende, às suas custas, o que deve evitar. É assim que pouco a pouco se desenvolve, se aperfeiçoa e avança na hierarquia espiritual, até que tenha chegado ao estado de puro Espírito ou de anjo. Os anjos são então as almas dos homens chegadas ao grau de perfeição comportado pela criatura e gozando da plenitude da felicidade prometida. Antes de haver atingido o grau supremo, gozam de um bem estar relativo ao seu adiantamento, mas esse bem estar não é nada na ociosidade; é nas funções que praza a Deus lhe confiar e que nas quais são felizes de preencher, porque que essas ocupações são um meio de progredir.
    Cel: é exatamente por isso que o amigo deve analisar: todos iguais mas, “uns” são desiguais, pois mais ociosos do que os outros, na luta pela melhoria moral!
Sinceramente, como compreender que seres iguais se tornem desiguais? O que desfez, completamente, a perfeita igualdade inicial? Sendo todos iguais, porque uns se atrasam em relação aos outros?
R.E.  Já respondi , não gosto de ser repetitivo........
     Cel: é verdade, você já falou sobre isso; contudo a questão não foi resolvida: são iguais, mas são desiguais na incúria, nas escolhas, no livre-arbítrio; todos são iguais, mas são desiguais quanto ao egoísmo, orgulho e ignorância: onde foi parar a perfeita igualdade original?
R-E. – Amigo para bom entendedor basta......!!!!!!Não se pode “ dar perolas a porcos” Deve conhecer este ensinamento evangelico.
Se todos somos iguais, de onde vem a desigualdade na incúria de cada espírito?
R-E.-Esta fascinado veja quantas vezes fala do mesmo....!!!!!!!!!
Cel: é isso mesmo que estou dizendo, Victor; “quando damos determinada <opinião>” (palavras colocadas por você) sobre algo que não conhecemos, estamos sendo preconceituosos, não concorda?
R.E.- Errado , não ponha palavras suas em mim, o que disse e afirmo de novo é quando não
 “Só podemos falar daquilo que sabemos e não daquilo que não entendemos.”
R.E.- Você defende obsessivamente a desigualdade, portanto a unica coisa que tiro deste dialogo, foi apenas vazio....
Cel: meu amigo Victor, esse seu conselho sempre o observei  e, isso, desde há mais de sessenta anos de estudo da doutrina espírita e de outras correntes espiritualistas. Pelo que tenho colocado, o amigo poderá perceber que “sempre” penetro profundamente não nas palavras, mas nos conceitos que elas encerram. Em vista desse seu conselho, percebo que o amigo considerou ilógica, incorreta ou absurda alguma afirmação minha. Com sinceridade, e dentro da certeza de que ninguém aqui é preconceituoso, pediria ao amigo o favor de apontá-las.
R.E.- Antes demais quero dizer que a idade como deve saber, não é sinónimo de conhecimento.Se não acredita visite o L.E.
Se lhe dissesse que concordava consigo mentia, considero ilogico o que afirma, até porque se repete sem nada acrescentar , não é por isso que se é preconceituoso, mas falo com sinceridade , respeito que você tenha como meta o conceito “ Desigualdade”, verifique as vezes que o repete! Isso prova que a sua visão é oca, sem fundamento  , direi que talvez alicerçada numa filosofia cega.
Agradeço o momento, mas penso que o dialogo não tem mais nada a acrescentar

Com todo respeito fique com Jesus
Um abraço fraterno
Victor Passos
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: dim-dim em 12 de Fevereiro de 2011, 01:00
" Allan Kardec "

895 Além dos defeitos e vícios sobre os quais ninguém se enganaria, qual o sinal mais característico da imperfeição?

– O interesse pessoal. As qualidades morais são, freqüentemente, como banho de ouro sobre um objeto de cobre que não resiste à pedra de toque. Um homem pode ter qualidades reais que fazem dele, diante de todos, um homem de bem. Mas essas qualidades, ainda que sejam um progresso, nem sempre resistem a certas provas, e basta tocar no interesse pessoal para colocar o fundo a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa tão rara na Terra que é admirado como um fenômeno quando se apresenta.

O apego às coisas materiais é um sinal notório de inferioridade, porque quanto mais o homem se prende aos bens deste mundo menos compreende sua destinação. Pelo desinteresse, ao contrário, prova que vê o futuro sob um ponto de vista mais elevado.

Toda a gente admira a moral evangélica; todos lhe proclamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém, assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram dizer, ou firmados em certas máximas que se tornaram proverbiais. Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menos ainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir as conseqüências.
(...)

Adeus a todos!!
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Dothy em 12 de Fevereiro de 2011, 08:18
O Egoísmo

O egoísmo, chaga da Humanidade, tem que desaparecer da Terra, a cujo progresso moral obsta. Ao Espiritismo está reservada a tarefa de fazê-la ascender na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, pois, o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem apontar suas armas, dirigir suas forças, sua coragem. Digo: coragem, porque dela muito mais necessita cada um para vencer-se a si mesmo, do que para vencer os outros. Que cada um, portanto, empregue todos os esforços a combatê-lo em si, certo de que esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho é o causador de todas as misérias do mundo terreno. E a negação da caridade e, por conseguinte, o maior obstáculo à felicidade dos homens.

Jesus vos deu o exemplo da caridade e Pôncio Pilatos o do egoísmo, pois, quando o primeiro, o Justo, vai percorrer as santas estações do seu martírio, o outro lava as mãos, dizendo: Que me importa! Animou-se a dizer aos judeus: Este homem é justo, por que o quereis crucificar? E, entretanto, deixa que o conduzam ao suplício.

É a esse antagonismo entre a caridade e o egoísmo, à invasão do coração humano por essa lepra que se deve atribuir o fato de não haver ainda o Cristianismo desempenhado por completo a sua missão. Cabem-vos a vós, novos apóstolos da fé, que os Espíritos superiores esclarecem, o encargo e o dever de extirpar esse mal, a fim de dar ao Cristianismo toda a sua força e desobstruir o caminho dos pedrouços que lhe embaraçam a marcha. Expulsai da Terra o egoísmo para que ela possa subir na escala dos mundos, porquanto já é tempo de a Humanidade envergar sua veste viril, para o que cumpre que primeiramente o expilais dos vossos corações.

- Emmanuel. (Paris, 1861.)


Allan Kardec. Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.



Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Dothy em 12 de Fevereiro de 2011, 08:24
Olá queridos amigos e irmãos...

Sejam muito bem-vindos.. Muita paz a todos... Sintam-se em familia
Estão convidados a participarem conosco, trazendo suas mensagens edificantes...
Desejamos que voltem sempre... Recebam nosso afetuoso abraços...



Das amigas Kátia e Dothy
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 12 de Fevereiro de 2011, 09:51
Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos e Amigas


O Filho do Orgulho

          O melindre - filho do orgulho - propele a criatura a situar-se acima do bem de todos. É a vaidade que se contrapõe ao interesse geral.

          Assim, quando o espírita se melindra, julga-se mais importante que o Espiritismo e pretende-se melhor que a própria tarefa libertadora em que se consola e esclarece.

          O melindre gera a prevenção negativa, agravando problemas e acentuando dificuldades, ao invés de aboli-los. Essa alergia moral demonstra má-vontade e transpira incoerência, estabelecendo moléstias obscuras nos tecidos sutis da alma.

          Evitemos tal sensibilidade de porcelana, que não tem razão de ser.

          Basta ligeira observação para encontra-la a cada passo:

          É o diretor que tem a sua proposição refugada e se sente desprestigiado, não mais comparecendo às assembléias.

          O médium advertido construtivamente pelo condutor da sessão, quanto à própria educação mediúnica, e que se ressente, fugindo às reuniões.

          O comentarista admoestado fraternalmente para abaixar o volume da voz e que se amua na inutilidade.

          O colaborador do jornal que vê o artigo recusado pela redação e que se supõe menosprezado, encerrando atividades na imprensa.

          A cooperadora da assistência social esquecida, na passagem de seu aniversário, e se mostra ferida, caindo na indiferença.

          O servidor do templo que foi, certa vez, preterido na composição da mesa orientadora da ação espiritual e se desgosta por sentir-se infantilmente injuriado.

          O doador de alguns donativos cujo nome foi omitido nas citações de agradecimento e surge magoado, esquivando-se a nova cooperação.

          O pai relembrado pela professora das aulas de moral cristã, com respeito ao comportamento do filho, e que, por isso, se suscetibiliza, cortando comparecimento da criança.

          O jovem aconselhado pelo irmão amadurecido e que se descontenta, rebelando-se contra o aviso da experiência.

          A pessoa que se sente desatendida ao procurar o companheiro de cuja cooperação necessita, nos horários em que esse mesmo companheiro, por sua vez, necessita de trabalhar a fim de prover a própria subsistência.

          O amigo que não se viu satisfeito ante a conduta do colega, na instituição, e deserta, revoltado, englobando todos os demais em franca reprovação, incapaz de reconhecer que essa é a hora de auxílio mais amplo.

          O espírita que se nega ao concurso fraterno somente prejudica a si mesmo.

          Devemos perdoar e esquecer se quisermos colaborar e servir.

          A rigor, sob as bênçãos da Doutrina Espírita, quem pode dizer que ajuda alguém? Somos sempre auxiliados.

          Ninguém vai a um templo doutrinário para dar, primeiramente.

          Todos nós aí comparecemos para receber, antes de mais nada, sejam quais forem as circunstâncias.

          Fujamos à condição de sensitivas humanas, convictos de que a honra reside na tranqüilidade da consciência, sustentada pelo dever cumprido.

          Com a humildade não há o melindre que piora aquele que o sente, sem melhorar a ninguém.

          Cabe-nos ouvir a consciência e segui-la, recordando que a suscetibilidade de alguém sempre surgirá no caminho, alguém que precisa de nossas preces, conquanto curtas ou aparentemente desnecessárias.

          E para terminar, meu irmão, imagine se um dia Jesus se melindrasse com os nossos incessantes desacertos...

 Livro: O Espírito da Verdade
Cairbar Schutel & Francisco Cândido Xavier

Muita apz

Victor Passos
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Dothy em 12 de Fevereiro de 2011, 10:03
DESFAZENDO SOMBRAS

 

         Estendamos a sementeira de luz, através da dedicação ao trabalho com o Cristo, a fim de que a ignorância seja dissipada nos caminhos humanos.

*

         Todo egoísmo não é senão inferioridade e primitivismo da alma que nos cabe suprimir com os recursos da educação.

*

         Por toda parte, encontramos egoísmo na inteligência que se retrai nas furnas do comodismo, receando a luta sacrificial pela vitória do bem; egoísmo na fortuna amoedada a concentrar-se nas mãos dos argentários que fogem à evolução; egoísmo nos que dirigem, apaixonados pela volúpia do poder; egoísmo nos que obedecem, recolhidos ao espinheiral da revolta, de onde prejudicam a ordem e a organização; egoísmo nos mais experientes que se entrincheiram na intolerância e egoísmo nos mais jovens que tudo requisitam do mundo para a entronização do prazer.

*

         Entretanto semelhante desequilíbrio não nasce senão da ignorância que arroja sobre a consciência dos homens a noite da cegueira.

*

         Aprendamos a conhecer-nos na condição de usufrutuários das possibilidades da vida onde quer que nos achemos; saibamos receber o tempo e a existência por empréstimo do Pai Celestial, de que prestaremos contas; ofereçamo-nos ao conhecimento superior; impregnemos o coração no entendimento fraterno, como quem sabe que somos uma só família no círculo da Humanidade; e, buscando no próximo, um irmão de nosso próprio destino, segundo os padrões de Jesus, nele identificaremos a nossa melhor oportunidade de serviço, já que simbolicamente o próximo pode ser o degrau de nossa ascensão espiritual.

*

         Nessa altura de nossas experiências, a luz da compreensão se nos entranhará no espírito, e, então, extinto o nevoeiro da ignorância em torno de nossos próprios passos, o egoísmo cederá lugar ao amor, o amor com que nos movimentaremos na construção de um mundo mais elevado e mais feliz
.

(De “Abrigo”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 12 de Fevereiro de 2011, 10:29
Ola muita paz e harmonia

(http://3.bp.blogspot.com/_6W8qG0heW6A/TQfZ3ThMycI/AAAAAAAABwM/Hl2NbDIMxpI/s400/cora%2525C3%2525A7%2525C3%2525A3o-aflito.jpg)

A outra janela


A menina, debruçada na janela, trazia nos olhos grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor, causado pela morte do seu cão de estimação.

Com pesar, observava atenta o jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras. A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também.

O avô, que observava a neta, aproximou-se, envolveu-a num abraço e falou-lhe com serenidade: Triste a cena, não é verdade?

A netinha ficou ainda mais triste e as lágrimas rolaram em abundância.

No entanto, o avô, que sinceramente desejava confortá-la, chamou-lhe a atenção para outra realidade. Tomou-a pela mão e a conduziu até uma janela opostamente localizada na ampla sala.

Abriu as cortinas e permitiu que ela visse o imenso jardim florido à sua frente, e lhe perguntou carinhosamente: Está vendo aquele pé de rosas amarelas, bem ali à frente? Lembra-se de que me ajudou a plantá-lo? Foi num dia de sol como o de hoje, que nós dois o plantamos.

Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos, e hoje... Veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões como promessa de novas rosas!

A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em suas faces e abriu um largo sorriso.

Mostrou as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre uma e outra e as tantas rosas de variados matizes, que enfeitavam o jardim.

O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto: Veja, minha filha, a vida nos oferece sempre várias janelas. Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza, sem que possamos alterar-lhe o quadro, voltemo-nos para outra, e certamente nos depararemos com uma paisagem diferente.

*   *   *

Tantos são os momentos felizes que se desenrolam em nossa existência. Tantas oportunidades de aprendizado nos visitam no dia-a-dia, que não vale a pena chorar e sofrer diante de quadros que não podemos alterar.

São experiências valiosas das quais devemos tirar as lições oportunas, sem nos deixar tragar pelo desespero e pela revolta, que só infelicitam e denotam falta de confiança em Deus.

A nossa visão do mundo ainda é muito limitada, não temos a capacidade de perceber os objetivos da Divindade, permitindo-nos momentos de dor e sofrimento.

Mas Deus tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade a nos aguardar.

*   *   *

Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem outras tantas janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias.

Não se permita contemplar a janela da dor. Aproveite a lição e siga em frente com ânimo e disposição.

O sofrimento que hoje nos parece eterno, não resiste a força das horas que a tudo modifica.

A luz sempre vence as trevas, basta que tenhamos disposição íntima e coragem de voltar-nos para ela.

Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor agradável de viver, e saber que Deus nos ampara em todos os momentos da nossa vida.

Pense nisso!

Redação do Momento Espírita.
Disponível no CD Momento Espírita, v. 3, ed. Fep.
Em 22.04.2009.
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 12 de Fevereiro de 2011, 19:23
          Dothy   (ref #33)

          (Ao amigo Victor Passos, quando ler este texto,  peço que se lembre do que falamos sobre egoísmo).
         Bom dia, amigos. Cito o texto que você colocou, amiga Dothy:
         “Estendamos a sementeira de luz, através da dedicação ao trabalho com o Cristo, a fim de que a <ignorância> seja dissipada nos caminhos humanos.
         Todo egoísmo não é senão <inferioridade> e <primitivismo> da alma que nos cabe suprimir com os recursos da <educação>.
         Por toda parte, encontramos egoísmo na inteligência que se retrai nas furnas do comodismo, receando a luta sacrificial pela vitória do bem; egoísmo...
         Entretanto semelhante desequilíbrio não nasce senão da <ignorância> que arroja sobre a consciência dos homens a noite da cegueira”.

          Cel: amiga, você foi muito feliz de trazer esse texto; essa colocação é perfeita: “o egoísmo, filho do orgulho, chaga da humanidade, nasce da <ignorância> que ainda reside na consciência dos homens”. Portanto, não nasce, como muitos afirmam e acreditam, do querer dos homens. Muitos, por acreditarem que o homem é culpado por ser orgulhoso e egoísta, tentam justificar penalidades que lhes devem ser aplicadas. O homem é orgulhoso e egoísta exatamente porque a vida o faz assim; nenhuma responsabilidade ou culpa lhe cabe por ser ignorante; logo, nenhuma penalidade lhe pode ser imposta. Ao contrário, esse homem é mais digno da atenção dos que lhe podem ensinar, dar <educação>, do que aqueles que já se desfizeram desses “defeitos”. Devemos nos lembrar do que disse Jesus: “Não vim para os sãos, mas para os doentes”.
          Um abraço.









Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 12 de Fevereiro de 2011, 20:19
 Victor Passos   (ref #28)
          Olá, amigo Victor, cito você:
          “... não esquecendo o tomo do misticismo... Deus é de todos e não de um determinado grupo sectário”.
          Cel: olá, amigo, de pleno acordo; isso é evidente. Só não entendi sua colocação “... não esquecendo o tomo do misticismo...”.

Cel (msg anterior): dentro desta constatação, se são todos iguais, porque motivo uns “assimilariam” essa necessidade mais depressa do que outros? Aí está claramente evidenciada a “desigualdade”!
          Cito o amigo Victor:
          “Mais uma vez tenho que discordar, não existe desigualdades; se não vejamos; L.E/114 - Os Espíritos são bons ou maus por natureza ou são eles mesmos que se melhoram? Resp: São os próprios Espíritos que se melhoram, passando de uma ordem inferior para uma ordem superior. LE/115: Dentre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus? Resp: Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um uma missão com o objetivo de esclarecê-los e de fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los de Si. A felicidade eterna e pura é para os que alcançam essa perfeição.
          Cel: Victor, como não existem desigualdades?! Nessa mesma questão LE/115, que você colocou, está patente a existencia de desigualdades; aí está mostrada uma enorme desigualdade entre espíritos: “A felicidade é para os que alcançam essa perfeição”; logo, há desigualdade entre estes e os que não a alcançam ou a alcançam depois de maior tempo, certo? É isso o que vemos o tempo todo e no mundo: desigualdades.
          Victor/LE:
          “Os Espíritos adquirem esses conhecimentos ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais depressa ao objetivo que lhes é destinado. Outros somente as suportam com lamentação e por causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfeição e da felicidade prometida”.
          Cel: amigo, novamente as desigualdades: uns  aceitam as provas submissos; outros, apenas as suportam e ainda se lamentam por ter de cumpri-las! E a desigualdade é tanta que uns chegam mais depressa ao objetivo e os outros permanecem mais tempo afastados da perfeição e da felicidade! Isso não é desigualdade?!
          Victor/LE:
          “LE/115:... assim sendo, os Espíritos seriam em sua origem semelhantes às crianças, ignorantes e sem experiência, só adquirindo pouco a pouco os conhecimentos que lhes faltam ao percorrer as diferentes fases da vida? Resp: Sim, a comparação é boa. A criança rebelde permanece ignorante e imperfeita, tem maior ou menor aproveitamento segundo sua docilidade. Porém, a vida do homem tem um limite, um fim, enquanto a dos Espíritos se estende ao infinito”.
          Cel: novamente o LE se refere a desigualdades, fazendo uma comparação (é evidente, para que se compreenda melhor a lição), do espírito que, por ser rebelde, permanece “mais” tempo, do que os outros, ignorante e imperfeito.
          Victor/LE:
          “LE/117 Depende dos Espíritos apressar seu progresso para a perfeição? Resp: Certamente. Chegam mais ou menos rapidamente conforme seu desejo e submissão à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais rapidamente do que uma criança rebelde?”
          Cel: novamente, não há como negar: o LE mostra desigualdades ao dizer que há aqueles que chegam “mais” rapidamente.

Cel (msg ant): Tudo que o amigo colocou significa exatamente desigualdade, coisa incompatível com a justiça divina, pela visão das doutrinas. Como você está dizendo, uns se apegam mais do que outros, uns fugiram do rumo, uns se conduziram desigualmente em relação aos outros; uns serão mais morosos na evolução moral etc; ainda mais: são perfeitamente iguais, mas fazem escolhas desiguais! O amigo já analisou bem estas suas afirmações, ou apenas as faz porque a doutrina afirma que é assim? Veja o que dizem os Mestres: “Não coloque outra cabeça acima da sua; pense e analise por você mesmo!”
          Victor:
          “O Amigo vê tudo como desigualdade para tapar os erros que todos cometemos pela incúria das paixões e de mau uso do livre-arbítrio. As afirmações que faço são porque elas estão dentro da razão e bom senso e se doutrina  é porque na minha forma de ver é uma verdade, daí ser seguidor  racional da Doutrina Espírita. E porque se trata de Doutrina Espírita é com isso que lhe respondo, ou não estivéssemos dentro dum Fórum Espírita. Claro que não estamos num campo de futebol, nem lhe estou a dizer nenhuma mentira; em resposta aos seus Mestres diria” A boa cabeça, nunca faltou chapéu” e aos que ironizam e reforçando para seus Mestres “A verdade não quer enfeites”, então fale por si, porque o que os mestres dizem reflete-se em si”.
          Cel: o amigo até agora não conseguiu apontar um ponto sequer em que eu tenha colocado alguma coisa sem lógica, incoerente ou absurda. Infelizmente, depois de concluir esta resposta não podemos mais dialogar.

Cel (msg ant): amigo Victor, nada é “dado do nada”; as igualdades não vêm do nada: vêm da justiça divina; assim, também, as desigualdades não podem vir do nada; vêm de “algo” que interferiu e desfez a perfeita igualdade primitiva. Analise o que estamos falando e você poderá responder às perguntas que você mesmo fez acima; sempre considerando, é evidente, que, conforme as doutrinas, a igualdade primitiva é absolutamente perfeita.
          Victor:
          “... você desculpa,  mas parece  fascinado pela “desigualdade...”
          Cel: veja, amigo, porque sempre, mas sempre mesmo, em todos os tópicos deste fórum e fora do fórum, me refiro à desigualdade: porque é dela que surge aquilo que afeta a todos, sem exceção de nenhum: os sofrimentos do mundo. Observe: qual é o desejo de todas as criaturas divinas, sem exceção de nenhuma? Ser feliz! O que todos estão buscando nas centenas de religiões e mesmo neste fórum? Mais compreensão! Porque estarão desejando mais compreensão? Para, pela compreensão, entenderem o quanto puderem para se aperfeiçoar espiritualmente! Qual é o objetivo de quererem se aperfeiçoar? Fugir dos conflitos, desentendimentos, maldades, enfim, se afastarem dos males que a vida oferece a todos, o que significa afastar-se do sofrimento! E para quê se afastar do sofrimento? Evidentemente, para serem felizes! Concorda? Não concorda? Toda busca de aperfeiçoamento espiritual ou de Deus é uma busca de felicidade. Todos os homens, do mais virtuoso que seja, ao mais corrupto e imoral, todas suas ações, tanto no sentido do bem, quanto no sentido do mal, tem como finalidade “única” a busca da felicidade. Concorda?
           Continua para terminar...
Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Conforti em 12 de Fevereiro de 2011, 20:22
          Victor   (ref #28)          Continuação e fim...
... Todos os homens, do mais virtuoso que seja, ao mais corrupto e imoral, todas suas ações, tanto no sentido do bem, quanto no sentido do mal, tem como finalidade “única” a busca da felicidade. Concorda?
          E agora veja: o que é que mais afeta a criatura divina desde o nascimento até a morte, perseguindo-a em quase todos os momentos? Exatamente o oposto da felicidade: o sofrimento! E onde exatamente observamos os sofrimentos? Nas desigualdades, não é? Uns são bons, outros, maus; uns, caridosos, outros sem caridade alguma; uns seguem as leis de Deus, outros não; uns são solidários, humildes, outros são egoístas e orgulhosos, não é assim? A própria doutrina assegura que do orgulho e do egoísmo vêm todos os males e sofrimentos dos homens! Então, o fato de uns sofrerem e outros não, ou sofrerem menos, vêm exatamente das desigualdades. E essa questão, tão séria e que afeta a todos, nem as doutrinas e ninguém conseguem responder. Se investigássemos qual é a causa das desigualdades, com certeza, compreenderíamos coisas de extrema importância para a compreensão que pode levar a um mais rápido crescimento espiritual, à cessação de todos os sofrimentos e a uma maior aproximação de nosso objetivo: a felicidade suprema, que é Deus.
          Não tenho razão para estar "fascinado" pelo assunto "desigualdade"? É a desigualdade que explica o fato de uns não sofrerem, ou sofrerem menos, e de outros sofrerem terrivelmente, deseperadamente, insuportavelmente.

Cel (msn ant): é exatamente por isso que o amigo deve analisar: todos iguais mas, “uns” são desiguais, pois mais ociosos do que os outros, na luta pela melhoria moral!
Sinceramente, como compreender que seres iguais se tornem desiguais? O que desfez, completamente, a perfeita igualdade inicial? Sendo todos iguais, porque uns se atrasam em relação aos outros?
          Victor:
          “Já respondi , não gosto de ser repetitivo...”
          Cel: é verdade, você já falou sobre isso; amigo, apenas falou sobre isso, não respondeu! A questão não foi resolvida: são iguais, mas são desiguais na incúria, nas escolhas, no livre-arbítrio; todos são iguais, mas são desiguais quanto ao egoísmo, orgulho e ignorância: como dizer que são iguais?!
          Victor:
          “Amigo para bom entendedor basta...!!!!!! Não se pode “dar perolas a porcos”... Se todos somos iguais, de onde vem a desigualdade na incúria de cada espírito?”
          Cel: até que enfim o amigo colocou essa pergunta: “se todos são iguais de onde vem a desigualdade”. Como sempre faço bem claro, em todas minhas participações, a intenção é levar a refletir, pois a reflexão leva-nos a uma melhor compreensão das coisas que podem nos levar a Deus. Com essa sua pergunta, me parece, o amigo já começou a refletir. Procure verificar, como já lhe pedi acima, se eu fiz alguma afirmação incoerente, ilógica ou absurda em qualquer de minhas colocações; tenho certeza que o amigo não vai encontrar “nenhuma”. Logo, de modo algum poderá dizer que estou errado nas minhas afirmações. Recomendo, então, que reflita sobre tudo que conversamos e, talvez, possa chegar á resposta a essa pergunta que você acaba de fazer: “se todos somos iguais, de onde vem a desigualdade entre os espíritos”. É essa pergunta que tenho feito o tempo todo, ao ponto de até mesmo deixa-lo irritado.
         
Cel (msg ant): é isso mesmo que estou dizendo, Victor; “quando damos determinada <opinião>” (palavras colocadas por você) sobre algo que não conhecemos, estamos sendo preconceituosos, não concorda?
          Victor:
          “Errado, não ponha palavras suas em mim, o que disse e afirmo de novo é quando não... “Só podemos falar daquilo que sabemos e não daquilo que não entendemos”.
           Cel: veja meu amigo, foi você que colocou a palavra <opinião>, quando lhe perguntei se o autor do texto conhece todas as demais religiões para excluí-las. Veja, vou colocar seu texto aqui; você deve ter se esquecido:
“9-Cel (ms ant): e as demais religiões e crenças? O autor do texto as conhece todas para excluí-las já que afirma que “sem contestação a espírita é o elemento mais potente de moralização”? Não estará, apenas, se mostrando enormemente preconceituoso?
          e amigo, aqui vai a resposta que você colocou às perguntas acima:
          “... na sua visão poderá extrair o preconceito, porém por vezes quando nós fazemos determinadas exposições de <opinião> apenas falamos por nós e não conseguimos ir à profundidade das palavras de quem as professa. Quando <damos determinada opinião>, temos que ver o sentido  e a direção das palavras colocadas no próprio obturador da consciência e por vezes onde vemos gato, está a lebre, é apenas uma questão de elementos  que nós mesmos delineamos etc, etc...”
          Observe, meu amigo, que você muitas vezes discordou de minhas palavras; no entanto, todas as justificativas que para as discordâncias apresentou, apenas serviram para dar mais forças às minhas afirmações. Observe!
          Um abraço.
          Perceba Deus em você.


Título: Re: Considerações sobre o egoísmo
Enviado por: Victor Passos em 13 de Fevereiro de 2011, 12:52
Ola muita paz e harmonia
bons Amigos e Amigas

Dois Caminhos


          É fácil saber se uma pedra foi retirada de um rio ou se foi quebrada em uma pedreira.

          As de pedreira apresentam muitas quinas, são ásperas e irregulares, agressivas ao tato.

          As pedras de rio são lisas e roliças, já sofreram um polimento natural. Ao longo do tempo, a correnteza das águas vai se encarregando de atirá-las umas contra as outras, para arredondar-lhes as arestas.

          Na medida em que vão se tornando polidas, vai sendo reduzido o atrito entre elas, já não se ferem, deslizam harmoniosamente umas entre as outras, como esferas lubrificadas de um rolimã.

          O processo evolutivo espiritual das criaturas humanas pode ser comparado ao do burilamento das pedras de rio.

          O Espírito é criado puro e ignorante. Puro, porque não traz qualquer tendência para o mal. ignorante, porque não adquiriu ainda qualquer conhecimento.

          Ao longo das reencarnações sucessivas, a correnteza da vida também nos atira uns contra outros: somos levados a conviver entre semelhantes. Em nossa infância espiritual, ainda como pedras-brutas, essa convivência é marcada pelo atrito entre nossas arestas.

          A rusticidade do homem das cavernas nos mostra o que foram nossas primeiras encarnações; o instinto animal predominando sobre a razão e o sentimento, a matéria sobre o Espírito, o estado de guerra como condição permanente.

          Passaram-se séculos e milênios, abandonamos as cavernas, participamos da construção, do apogeu e da queda de diferentes impérios, vivenciamos diversas culturas.

          Com as conquistas da ciência, domesticamos a natureza, transformamos a paisagem ao nosso redor, descobrimos como tornar a existência mais confortável.

          Observando, no entanto, nosso mundo interior, nos deparamos com a presença incômoda e persistente de imperfeições atávicas, paleolíticas. A História nos revela que, mesmo após deixar as cavernas, o homem conservou traços do troglodita em sua intimidade espiritual. Pois foi nossa ignorância rústica que, diante da vacilação de Pilatos, exigiu o martírio do doce Jesus.

          Foram nosso orgulho e nosso egoísmo que produziram as guerras, os massacres das Cruzadas, as fogueiras da Inquisição e os horrores da Escravatura. Ingênuos os que supõem que não estavam lá.

          Assim, ao longo desses séculos, avançamos muito mais no progresso material, exterior, do que a jornada ética, íntima, do Espírito.

          "A evolução espiritual é contínua, não regride nunca, mas pode ser retardada em seu processamento se não se aproveitar bem a oportunidade que Deus concede ao Espírito reencarnante." (FEB, Currículo para as Escolas de Evangelização).

          Viver em sociedade é aspecto essencial desta oportunidade. Freqüentemente nos sentimos inconformados por termos de conviver com pessoas que nos aborrecem, nos irritam, nos são antipáticas, mas essa convivência é um dos processos naturais de nosso burilamento. Tais pessoas são indispensáveis: elas nos incomodam exatamente em nossos pontos mais fracos, mais sensíveis, e nos apontam, portanto, quais são esses pontos, quais são nossas piores arestas: os que precisam de ajuda incomodam ao nosso egoísmo, os que julgamos melhores que nós nos ferem a vaidade e o orgulho, e assim por diante.

          Cada conflito é um alerta e um roçar polidor de arestas. Quanto mais ásperos somos, mais dolorosos são os atritos, pois a dor é conseqüência de nossos atos de desamor para com o próximo, nesta ou em outras existências.

          Diferentemente das pedras, entretanto, a criatura humana, sendo dotada de inteligência, consciência e livre-arbítrio, pode escolher caminho evolutivo menos doloroso.

          Jesus nos aponta o rumo: amarmo-nos uns aos outros.

          Nenhum de nós Foi criado para sofrer e o amor pode livrar-nos da dor, pois ele nos "cobre a multidão dos pecados" (1 Pedro IV, 8).

          A evolução é lei universal e irrevogável, mas dois caminhos nos são oferecidos para percorrê-la: dor ou amor.

          A prática do amor proporciona polimento indolor em nossas almas, suaviza-nos as arestas, desenvolve-nos o altruísmo, harmoniza nossa convivência com os semelhantes. A decisão é sempre nossa.

 Fonte: Revista Espírita Allan Kardec - nº 39
Maurício Roriz