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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: jose da silva de jesus em 16 de Setembro de 2013, 23:06

Título: Amar os inimigos
Enviado por: jose da silva de jesus em 16 de Setembro de 2013, 23:06











(http://1.bp.blogspot.com/-nZpzXiXeX6E/Ujd_1wcTSgI/AAAAAAAAAGk/tDwdOgpUHF0/s320/amar+inimigos.jpg)

Amar os inimigos

Jesus nos ensinou: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”

À primeira vista não parece fazer muito sentido esta recomendação de Jesus, como podemos amar e bendizer os inimigos? A resposta (a única resposta lógica) é bem simples: não ter inimigos.

Já que somos cristãos e estamos tomando Jesus por exemplo, devemos nos perguntar primeiramente: Jesus tinha inimigos? Certamente muitas pessoas o consideraram como seu inimigo, mas Jesus alguma vez disse que possuía inimigos? Ou disse que considerava Fulano ou Sicrano como seu inimigo?

O ensinamento por detrás do “Amai a vossos inimigos” é na verdade o ensinamento de que não devemos e não podemos possuir inimigos, nunca. Talvez o termo “vossos inimigos” não esteja representando o significado fiel das palavras que Jesus utilizou por um erro de tradução, ou talvez Jesus tenha usando esta contradição propositalmente para causar choque, assim como causou choque o “se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra”, mas o ensinamento para o cristão é mesmo esse, o de que a pessoa que erra, ou que consideramos como errada, é digna de pena e não de ódio e isto Jesus exemplificou ao pedir perdão por nós a Deus na cruz dizendo “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

Na verdade, seguindo uma outra recomendação de Jesus, a de perdoar setenta vezes sete, fica mesmo impossível possuir inimigos, pois só poderíamos considerar alguém como inimigo depois desta pessoa nos prejudicar e termos perdoado ela 490 vezes. Nós temos que assimilar a ideia de que estamos sempre errados quando consideramos alguém como nosso inimigo, o espírito de bem, o espirito cristão, não possui inimigos, pode ter e provavelmente tem muitos adversários de ideal que se consideram seus inimigos, mas se queremos ser pessoas de bem, temos não só que esquecer a ideia de possuir inimigos, mas também deixar claro para aquelas pessoas que se consideram nossas inimigas, que não a consideramos como inimiga.

Muitas vezes uma criança pequena pode acreditar por um momento que sua mãe ou seu pai não estão do seu lado porque não fazem as suas vontades e as vezes até soltar uma frase do tipo “você é meu inimigo”, esta frase na boca de uma criança com a inocência que é dita soa até engraçado por um instante, mas a mãe ou pai irão com certeza explicar no mesmo momento para a criança que isto não é verdade, que ela sempre será uma amiga e sempre faz tudo para ela pensando no próprio bem. No mundo dos adultos é necessária a mesma cautela e atenção, quando percebemos que alguém, por qualquer motivo, começou a nos considerar como inimigo, devemos deixar claro para aquela pessoa que o sentimento não é reciproco e que apesar de quaisquer divergências, estamos sempre procurando agir no melhor interesse de todos e em consequência também no melhor interesse deste nosso adversário.

Imagine um investigador da polícia ou do ministério público que está se esforçando em desbaratar uma quadrilha de fraudadores que desviam dinheiro público; esta pessoa que investiga não deve considerar seu investigado como seu inimigo, deve pelo contrário, como cristão, pensar sempre no bem estar deste, pois, sob o ponto de vista espiritual, o pior para o fraudador seria que continuasse a roubar dinheiro público e aumentar suas dividas perante a justiça divina. O investigador, motivado quase sempre pela vontade de fazer justiça e fazer com que o dinheiro chegue aos devidos beneficiários, deve aprender a ser motivado também pelo amor àqueles que ele investiga, pois, sua ação fará com que os criminosos parem de cometer mais crimes e percebam que o crime não compensa. O pior que se poderia fazer neste caso seria deixar estes fraudadores pensando que seus crimes estariam sempre impunes, pensando que a justiça divina não os pode atingir e que a atitude egoísta que prejudica às pessoas necessitadas é um bom negócio. Mais adiante, este investigador poderia explicar para seu investigado que o que ele estava fazendo é na verdade um favor, e que um dia a alma arrependida deste pecador ainda irá agradecer por ter sido tirada à força do caminho do crime, graças à ação daquele investigador.

Nas situações mais comuns do nosso cotidiano, podemos tentar explicar de forma amistosa para os nossos adversários mais próximos que estamos agindo no interesse dele mesmo e que só desejamos o seu bem, já para aqueles que se afastam um pouco mais, e evitam a nossa amizade, devemos tentar sempre que possível atrair esta pessoa de volta ao nosso círculo de amizades e quem sabe utilizar o recurso de uma palavra espontânea ou até mesmo uma observação bem humorada para quebrar o gelo e fazer aquela pessoa refletir a respeito da nossa suposta inimizade, que ela muitas vezes considera como reciproca, deixando claro que não desejamos nos afastar e não guardamos rancores por qualquer fato passado.

O importante é deixar claro para qualquer pessoa que se considere nossa inimiga, que o sentimento não é reciproco, e sejam quais forem os motivos que ela possua para achar que somos seu inimigo, esta pessoa começara a se questionar o porquê de não retribuirmos a antipatia e talvez tentará entender as razões que nos levam a agir de forma diferente. Se nossos motivos forem sinceros e formos impulsionados exclusivamente pela vontade de fazer o bem ao próximo, podemos abrir uma porta para que aquele adversário abandone aquele caminho prejudicial a ele mesmo e venha se juntar a nós na causa do bem.

Já sob o ponto de vista do nosso interesse pessoal, não podemos nunca esquecer de que aquelas pessoas que se colocam em nosso caminho e testam a nossa paciência são na verdade de grande ajuda para a nossa evolução moral, estas pessoas foram colocadas em nosso caminho propositalmente por Deus, pensando na nossa evolução espiritual, e sem estas pessoas e estas situações, estaríamos estagnados sem possibilidade ganho e de evolução. É no contato com os defeitos do próximo que aprendemos a enxergar os nossos próprios defeitos e nos motivamos a tentar sermos melhores.

Todo aquele stress, mal estar e irritação que muitas vezes estes adversários conseguem despertar em nós, são um claro sinal da nossa imperfeição moral, pois um espírito mais evoluído não está sujeito a este tipo de sofrimento. Um espírito evoluído não se irrita com um adversário que se coloca em seu caminho, ele vê esta atitude do adversário como uma oportunidade para tentar ensinar algo de bom ao seu adversário através do exemplo, demonstrando sua tranquilidade e falta de interesse pelas disputas materialistas que este adversário pensa estar travando. O stress pelas contrariedades provocadas pelas atitudes impensadas daqueles que se consideram seus inimigos não atingem o espirito superior, porque sendo mais experiente ele já sabe das contradições e imperfeições do homem e já antecipa a possibilidade destes ataques ocorrerem e já perdoa por antecipação a atitude infeliz do suposto inimigo.

Nós também, quando atingirmos este nível de evolução moral, iremos nos ver frequentemente em missão de auxílio aos nossos irmãos mais atrasados e em meio a eles seremos sempre hostilizados pelas ideias de paz e fraternidade que trouxermos. Jesus nos disse: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.” Esta é uma consequência natural ao se divulgar as ideias renovadoras de paz e fraternidade universal para o homem acostumado à discórdia e apegado aos interesses materialistas, as novas ideias sempre geram conflito com as ideias antigas e naturalmente as ideia da pratica do bem e da fraternidade gera conflito num mundo onde predomina o individualismo.

Ao contrário do que se poderia supor, quanto mais evoluído é um espírito, mais ele tende a provocar conflitos quando se aproxima dos homens acostumados ao orgulho e egoísmo e estes conflitos são bem vindos e até desejados pelo espírito de bem, pois ele aproveita estas oportunidades para demonstrar a superioridade da humildade sobre o orgulho e do desapego sobre a ganância, ao abandonar as disputas tolas e abrir mão voluntariamente de vantagens e privilégios que o homem procura desesperadamente, o espírito mais evoluído ensina através do seu exemplo que nenhuma disputa por vantagens materiais de qualquer tipo vale a pena e que a paz deve sempre prevalecer pois também disse Jesus: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. Amar os inimigos é perfeitamente natural para o espírito de bem, porque na verdade ele não tem inimigo nenhum, somente irmãos necessitados de ajuda, irmãos que ele ama.
Título: Re: Amar os inimigos
Enviado por: Claudemir dos Santos em 19 de Setembro de 2013, 12:05
Amar o inimigo é amar a nós mesmos,pois o nosso maior inimigo esta dentro de nós,que são as nossas fraquezas e desajustes morais espirituais,que temos que combater com a disciplina rígida vinda do coração,que é o amor,fraternidade e tolerância. Abraços e muita paz.
Título: Re: Amar os inimigos
Enviado por: Vitor Santos em 19 de Setembro de 2013, 18:14
Olá amigo José da Silva

Interessante reflexão, amigo.

Olá amigo Claudemir

Uma interessante perspectiva do problema.

bem hajam
Título: Re: Amar os inimigos
Enviado por: Brenno Stoklos em 20 de Setembro de 2013, 05:37


3. Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho.
Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo. A ternura pressupõe confiança; ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa, sabendo que esta lhe quer mal; ninguém pode ter para com ela expansões de amizade, sabendo-a capaz de abusar dessa atitude. Entre pessoas que desconfiam umas das outras, não pode haver essas manifestações de simpatia que existem entre as que comungam nas mesmas idéias. Enfim, ninguém pode sentir, em estar com um inimigo, prazer igual ao que sente na companhia de um amigo.
A diversidade na maneira de sentir, nessas duas circunstâncias diferentes, resulta mesmo de uma lei física: a da assimilação e da repulsão dos fluidos. O pensamento malévolo determina uma corrente fluídica que impressiona penosamente. O pensamento benévolo nos envolve num agradável eflúvio. Daí a diferença das sensações que se experimenta à aproximação de um amigo ou de um inimigo. Amar os inimigos não pode, pois, significar que não se deva estabelecer diferença alguma entre eles e os amigos. Se este preceito parece de difícil prática, impossível mesmo, é apenas por entender-se falsamente que ele manda se dê no coração, assim ao amigo, como ao inimigo, o mesmo lugar. Uma vez que a pobreza da linguagem humana obriga a que nos sirvamos do mesmo termo para exprimir matizes diversos de um sentimento, à razão cabe estabelecer as diferenças, conforme aos casos.
Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contacto de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contacto de um amigo. Amar os Inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo a reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, em se apresentando ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por atos, de tudo o que os possa prejudicar; é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede preenche as condições do mandamento: Amai os vossos inimigos.

                                        O evangelho Segundo o Espiritismo

Título: Re: Amar os inimigos
Enviado por: lconforjr em 04 de Outubro de 2013, 15:11
      Amigos,

      O amigo trouxe sugestivo texto do ESE que diz:

      Texto: "3. Se o amor do próximo constitui o princípio da caridade, amar os inimigos é a mais sublime aplicação desse princípio, porquanto a posse de tal virtude representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo e o orgulho".

      Conf: Como sempre, tudo muito bonito, belas e sugestivas palavras e citações; apenas isso!

      Pois de que adianta dizer que o amor representa uma das maiores vitórias alcançadas contra o egoísmo, ou coisas semelhantes? De que adianta dizer que devemos acabar com o egoísmo, que devemos ser humildes, generosos, honestos; que não devemos odiar, nem invejar, nem ter ciúmes etc... de que adianta dizer que devemos crer em Deus, que Ele só quer o nosso bem...?

      O de que os homens necessitam, que o mundo necessita, não é de textos bonitos, de literaturas que dizem que o amor é isso e aquilo, que devemos ter amor, dar amor, porq isso representa grande vitória.
     
      Explique-se, por uma vida inteira, defina-se, por milhões de anos o que é o amor, o que ele representa, o bem que causa à humanidade, mas isso de nada valerá para o homem.  Podemos ler ou ouvir por vidas e vidas o que devemos fazer para melharmos intimamente, para trazer mais felicidade aos semelhantes, que isso não nos levará sequer um passo rumo ao aperfeiçoamento desejado!

      O que o homem, todos os homens, necessitam não é de textos consoladores mas, como o título diz, de amar o semelhante. Mas como amar o semelhante se não temos ainda amor em nosso íntimo?

      O de que o homem necessita não de saber o que é o amor, mas de como fazê-lo brotar e se ampliar em seu coração ao ponto de sentir a necessidade de dá-lo aos semelhantes.

      Texto: Entretanto, há geralmente equívoco no tocante ao sentido da palavra amar, neste passo. Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para com o seu inimigo a ternura que dispensa a um irmão ou amigo.

      Conf: essas palavras acima são incompreensíveis se se disser que vieram da boca daquele iluminado.

      Porq teria Jesus dito: “não vim para os sãos, mas para os doentes”, “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, “Oferece a outra face”, “Dá-lhe, também, o vestido” e tantas coisas mais edificantes e cheias de amor?
 
      O amor que se dirige a uns e não a outros, é apenas um pseudo-amor, um arremedo de amor; não é um amor genuíno, próprio de um que se iluminou, que percebeu a verdade, pois está, ainda, sujeito a condições.

      O amor genuíno é incondicional, não tem endereço determinado, derrama-se para todos, indiferentemente de que os julgue merecedores ou não; não reflete se está envolvendo a quem não merece, se o julgarão tolo, ingênuo, ou louco. O amor incondicional não tem adjetivos, nem classificações; o amor genuino apenas “é”!

      (Deus não faz acepção de pessoas; para Deus o piedoso como o impiedos, são iguais).

       Todos dizem o que fazer: ame, perdoe, ajude... mas ninguém pode amar, dar amor se ainda não o tem em seu coração. Mas, onde está esse ensinamento que ensine a colocar amor no próprio coração?

      Nenhuma religião, nenhum religioso, nenhuma obra básica de qualquer doutrina que seja, sabe ensinar o "como fazer" para ter amor, como colocar amor num coração que está vazio de amor!

      Mas, esse ensinamento existe, sim! Está além das religiões populares, destas religiões que conhecemos no mundo.

      Procurem lá, e o encontrarão!
.......................
Título: Re: Amar os inimigos
Enviado por: jose da silva de jesus em 04 de Outubro de 2013, 21:13
"Nenhuma religião, nenhum religioso, nenhuma obra básica de qualquer doutrina que seja, sabe ensinar o "como fazer" para ter amor, como colocar amor num coração que está vazio de amor!"

eu não concordo com esse ponto
acho que todas as religiões na essência trazem a palavra de Deus e todas elas ensinam como passar a ter amor ao próximo, ensinam como uma pessoa que não tem amor pode começar a ter

um exemplo básico que o espiritismo nos traz é a lição do amor através da reencarnação

uma mãe que possuia um ódio mortal em uma encarnação contra determinado espírito irá provavelmente aprender a amar incondicionalmente o seu filho que não por acaso é seu ex-inimigo
todos os envolvidos neste projeto de encarnação inclusive a mãe e o filho, estão ensinando como criar amor onde não existe, ou até mesmo criar amor onde existe ódio

mas aprender a ter amor depende de vontade, perdoar os inimigos e passar a ama-los é um ato voluntário seja durante a vida na terra ou no mundo espiritual, mãe e filho precisam de força de vontade para querer extinguir os velhos ressentimentos e aprender a amar

é assim com tudo na vida, nao existe uma formula para fazer aprender matemática, se o aluno não deseja aprender matemática,
mas para o aluno que quer aprender a escola e a religião podem sim ensinar matemática e amor ao proximo
Título: Re: Amar os inimigos
Enviado por: Brenno Stoklos em 05 de Outubro de 2013, 03:16

O amigo......................
...........................encontrarão!



                                                                      A lei de amor

8. O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substituía personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que,ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra -amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.
Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. E então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes.
                                                                                                      Lázaro

                                                      O Evangelho segundo o Espiritismo