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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: AromadAlma em 02 de Março de 2007, 00:23

Título: Amar a si é correto
Enviado por: AromadAlma em 02 de Março de 2007, 00:23
A nossa sociedade, por razões culturais e religiosas, criou grande confusão em torno da idéia de amar a si mesmo.

No entanto, as palavras de Jesus nos trazem a pureza cristalina de sua mensagem, e afirmam que assim como amo a mim, amo as outras pessoas.

Amar o próximo como a si mesmo. Como interpretar estas palavras sem retirar-lhes seu sentido original?...

Existe um fato incontestável: todo ser humano necessita de afeto e reconhecimento.

É algo que faz parte de nossa natureza. Apreciamos nos sentir valorizados, gostamos que as pessoas notem nossa presença e se lembrem de nós, que respeitem nossas opiniões e sentimentos.

Quando esta natureza é desrespeitada, surgem dificuldades que desaguam nos consultórios de psicologia, nos centros espíritas, nos hospitais. Ou seja, as pessoas adoecem por falta de amor, porque pensamentos negativos e falta de bons sentimentos em relação a si mesmas enfraquecem a organização perispiritual, podendo trazer danos graves à saúde, dependendo da intensidade e do quanto perduram.

Também é um fato que pessoas que se sentem desamadas não se amam. Não se dão valor, mas esperam que alguém as valorize. Não se ouvem nem se entendem. Às vezes, nem se perdoam. Mas esperam tais atitudes das outras pessoas.

Elas não têm consciência do que fazem. Aprenderam que amar era se esquecer, se abandonar, renunciar a si para viver em função do outro, todo este discurso pseudo-religioso! E quando incorporam este discurso, exercitam um sentimento que deveria trazer alegria e contentamento – este sentimento que chamam de “amor ao próximo” – mas tornam-se pessoas amargas, descrentes do ser humano e da chance de bons relacionamentos, experimentando a frustração de não receberem consideração, afeto, valorização, respeito.

Experimentam a raiva e o ressentimento, a solidão e a inveja, sentimentos considerados tão pouco cristãos que ainda as fazem sentir-se horrivelmente culpadas. Porém é importante frisar que esta raiva é natural. Não é uma emoção desprezível, mas somente uma reação primária de um ser em grande carência emocional, a dor íntima de não se sentir merecedor do afeto e da consideração dos outros.

Mas o fato é que, apesar de se sentirem ou agirem como vítimas, tornaram-se pessoas que precisam usar os outros pra se sentirem bem consigo mesmas, de gente que as agradeça pelo que fazem, que as elogie quando realizam um bom trabalho, ou então sentem-se como lixo.

Contudo, por que alguém deveria me levar em consideração, se eu não me considero? Por que alguém deveria me agradecer, se não me agradeço? Perceber meu valor e importância, se não percebo?

Pois é, enquanto eu não gosto de mim, tudo o que faço é exigir das pessoas ou, então, oferecer-lhes algo para receber compensações. E Jesus sabia que funcionava deste jeito, por isso ele fala da condição de amar a si próprio para amar o próximo incondicionalmente...

Assimilar esta idéia conduz à reformulação de uma série de conceitos.

O conceito de como viver os ensinamentos do Cristo. Se antes achava que podia ser cristã me sentindo um ninguém, hoje entendo que não posso sê-lo sem sentir-me um alguém único e muito importante.

O conceito de caridade. Se antes achava que podia apenas doar aos outros, hoje descubro que preciso dar a mim segundo minhas necessidades, para não ficar exigindo dos outros.

O conceito de renúncia. Não posso renunciar ao que sou, e o que sinto e penso não podem ser postos de lado sem sofrimento.

Para muitas pessoas, estes conceitos são tão novos que pode ser difícil colocar em prática. Uma sugestão é para que comecemos a fazer por nós mesmos tudo aquilo que os que amam costumam fazer pelo ser amado:

- Dizer palavras afetuosas;

- Levar pra passear;

- Enxergar as qualidades;

- Não ficar condenando, nem criticando;

- Cuidar da saúde;

- Oferecer presentes e pequenos agrados;

- Dar carinho;

- Não se destruir através de práticas não saudáveis;

- Não negligenciar suas necessidades emocionais, de desenvolvimento intelectual, de realização profissional, de repouso, de paz íntima etc.


Rita Foelker
Do livro "Força Interior", Ed. EME
Título: Re: Amar a si é correto
Enviado por: aruanda em 02 de Março de 2007, 00:58
Gostei muito deste artigo porque na realidade eu penso que a caridade maior de todas é a que começa por nós nos perdoarmos a nós mesmos .
E, o Amor começa também por nos amarmos.
Quando todos entendermos isso...amar aos outros como  a nós mesmos,vai ser fácil.

Abraços.
Olga
Título: entrever"
Enviado por: Mourarego em 28 de Março de 2007, 19:39
É exatamente isso Olga!
Notem bem que o verbo amar, no contexto do ensinamento, tem mais a ver com o vocábulo conhecimento do que propriamente com a coisa de ser bom, falar palavras afetuosas etc e tal.
Passa por isso mas não para nelas, não tem a sua luz maior nessas ações, tem, por outra, a plena consciência de que só quem se conhece, quer dizer, segue ao ensino  dado pelos Espíritos, "Conhece-te a ti mesmo", pode depois de depurar-se, ter em si essa virtude, que é a caridade, e dela poder, doar partes aos que lhes estejam ao lado.
Dessa maneira é que se pode compreender toda a ilustração que o ensino ministrado pode conter. Sem o conhecimento interior, que me faz saber quem eu sou em essência, não posso eu, nunca, me considerar apto a mostrar atos caridosos, posso sim, agir sob influência de caricaturas de caridade, isso o que mais se vê. Afinal, ainda estamos a encarnar em mundo de provas e expiações, e temos o justo que se pode reter como ensinamento nesses mundos, logo, não é por não querermos que não somos caridosos realmente, mas sim porque não compreendemos o que seja a caridade em sua essência, é por não nos conhecemos a fundo que não podemos e que não estamos num mundo de regeneração, por exemplo.
Gente, isso tudo está explicado nas páginas da codificação, eu apenas relato com minhas próprias palavras.
Notem que ninguém pode, sem que tenha o mérito para lá estar, fincar pé em mundo diferente do que lhe seja de origem moral, assim é que há a explicação de que há locais proibidos aos Espíritos que não atingiram o patamar moral para lá estarem. Esses locais eles SÓ PODEM, entrever, quer dizer, podem passar por eles sem poder ao menos saltar, e só lhes é permitido esse "entrever", porque tal visão fugidia, lhes imprime, em alguns, a vontade de se modificarem. todo esse texto está em OLE. se o repito é para que não corra o risco de errar por minhas palavras, e assim transmitir-lhes um ensino errado.
Abração,
Moura
Título: Re: Amar a si é correto
Enviado por: Celia Marques em 23 de Março de 2011, 14:08
Sim! Amar-se é o primeiro passo para conseguir amar  a todos...
Porém faço uma ressalva... Amar a si mesmo... auto-estima... pode ser as vezes confundida com egocentrismo...
Muitos assim o fazem... O amor exagerado a si mesmo...

Nesta confusão a desarmonia se instala...

É preciso cautela... e saber que amar é ceder e muita vezes estar pronto a reconhecer-se errado...

Abraços... ;D