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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Victor Passos em 08 de Fevereiro de 2009, 12:41

Título: A violência que nos bate à porta
Enviado por: Victor Passos em 08 de Fevereiro de 2009, 12:41
A Casa Espírita e os problemas sociais

A violência que nos bate à porta


A ação social é sem dúvida o melhor instrumento para a terapêutica espírita, possibilitando a vivência prática de nossas conquistas e a transmissão do conhecimento adquirido aos nossos irmãos necessitados

O tema mais constante hoje, em todas as conversas, é a violência física, moral e intelectual que invade nossos lares, transforma nossos hábitos e modifica nossas vidas.

Buscando refletir sobre o tema encontrei, nas palavras de Joanna de Angelis, um caminho para reflexão:

“A volúpia pela velocidade, em ânsia indomada de desfrutar-se mais prazer, ganhando-se o tempo, que se converte em verdadeiro algoz dos sentimentos e das aspirações, vem transformando o ser humano em robô, que perdeu o sentido existencial e vive em função das buscas, cujas metas nunca são conseguidas, face à mudança que se opera no significado de cada uma”.

Sem dúvida nos robotizamos atrás de um “PRAZER” efêmero e sem rumo e que nos joga em um emaranhado de conflitos e frustrações.

“A superpopulação das cidades, desumanizando-as, descaracteriza o indivíduo, que passa a viver exclusivamente em função do poder que pode oferecer comodidade e gozo, considerando as demais pessoas como descartáveis, pelo receio que mantém de ser utilizado e esquecido, em mecanismo inconsciente sobre o comportamento que conserva em relação aos outros”.

O PODER, como meta e objetivo, vivemos de perto esse processo, quando nos envolvemos nos meandros da corrupção, ativa ou passiva, e nos permitimos levar pela ganância, pelo orgulho e pelo egocentrismo exarcebado.

“O Egoísmo passa a governar a conduta humana, e todos se engalfinham em intérmina luta de conquistar o melhor e maior quinhão, mesmo que isso resulte em prejuízo calculado para aqueles que partilham do seu grupo social”.

“Nesse campo, eivado dos espinhos da insensibilidade pela dor do próximo, pelo abandono das multidões esfaimadas e enfermas, pelo desconforto moral que se espraia, os valores éticos, por sua vez, passam também a ser contestados pelos que se consideram privilegiados, atribuindo-se o direito de qualquer conduta que o dinheiro escamoteia e a sociedade aceita”.

Não é exatamente a realidade que vivemos, no momento político em que estamos mergulhados, nas relações sociais e profissionais que vivenciamos, e muitas vezes no seio de nossas próprias famílias?

A inversão de conteúdos psicológicos individuais e coletivos demonstra a imaturidade moral e espiritual de indivíduos e grupos sociais, cujos objetivos existenciais vinculados durante a formação da personalidade, no utilitarismo, na conquista do poder para usufruir, na construção do ego que se insensibiliza, a fim de fugir à responsabilidade dos deveres da solidariedade e da participação.

A falência dos valores é inegável, tornando-se inadiável uma mudança filosófica e de conduta psicológica humana.

A Meta da Casa Espírita é a Edificação dos Valores, através do estudo continuado e do exemplo na conduta pró-ativa de seus membros.

A Assistência Fraterna deve se desenvolver dentro de uma proposta Informativa e Formativa, possibilitando a diminuição das carências do momento, ao mesmo tempo que orienta e possibilita condições para que próximas crises possam ser de menor intensidade e que os companheiros tenham maior estrutura para enfrentá-las.

O desenvolvimento das atividades deve estar essencialmente focado no trabalho de educação preventiva e profilática, possibilitando a criação de importantes fontes de disseminação do bem.

Sobre esses conceitos, nos diz Joanna de Angelis:

“Aprendamos lidar com o desequilíbrio social e sua decorrência, drogas, alcoolismo, violência, sexolatria, desagregação da família etc, e possibilitarmos aos nossos irmãos o apoio necessário, nos exige uma profunda reflexão pessoal e institucional, que propicie a validação dos valores que abraçamos e a avaliação de nossa conduta, enquanto indivíduos, enquanto membros de uma comunidade e principalmente enquanto participantes de um movimento espiritual/assistencial”.

Enfrentar os nossos medos, dúvidas e ansiedades, avaliar a nossa conduta pessoal, familiar, profissional e social, aprendermos trabalhar em equipe e solidariamente, encararmos nossa vaidade, orgulho, ambição, preconceitos, comodismo, orgulho. Sermos coerentes com a filosofia doutrinária que abraçamos. São os primeiros passos para enfrentar o desequilíbrio social e começarmos a criação de uma sociedade mais justa e mais humana.

A Casa Espírita, em sua missão, nos propicia um dos mais sérios e importantes processos terapêuticos, em que somos acompanhados por terapeutas fraternos e pacientes sempre prontos a nos auxiliar e com uma enorme paciência em nos ouvir e nos estimular a melhora, sem nos impor comportamentos, mas nos convidando sempre à reflexão.

A ação social é sem dúvida o melhor instrumento para essa terapêutica, possibilitando a vivência prática de nossas conquistas e a transmissão do conhecimento adquirido aos nossos irmãos necessitados.

Mas frente à enorme demanda da sociedade, necessitamos integrarmo-nos aos companheiros de movimento de forma ativa e objetiva, para que possamos atender à mesma, e principalmente sermos ativos junto à comunidade em que estamos inseridos, participando dos seus movimentos e apoiando os serviços que ela oferece no sentido da promoção social.

Não podemos e nem devemos estar isolados de todo o movimento social que tenha como proposta uma sociedade mais justa e que lute pela erradicação da ignorância, pelo atendimento à saúde, pela requalificação profissional, pelo exercício honesto e construtivo da cidadania.

Unamo-nos nesse esforço pela Fraternidade e pela Esperança e tornemo-nos trabalhadores da Caridade, gerando a profilaxia do mal e construindo a ideologia do AMOR.

 

Luiz Fernando de A. Penteado
Psicólogo – Diretor do D.A.S. da USE Regional-SP
Transcrito do Dirigente Espírita, n.º 89, julho/agosto 2005 – www.use-sp.com.br (http://www.forumespirita.net/fe/go.php?url=aHR0cDovL3d3dy51c2Utc3AuY29tLmJy)
Título: Re: A violência que nos bate à porta
Enviado por: dOM JORGE em 09 de Março de 2011, 16:00
                                    VIVA JESUS!


    Boa-tarde! queridos irmãos.

          Quando a violência começa
A violência nunca se excedeu tanto como agora. Em nosso país, ela se generaliza de uma maneira cruel. São de estarrecer as ocorrências de lesões corporais, de latrocínios e de alguns assassinatos, cometidos com tamanha frieza por jovens, que chegam a traumatizar uma nação. “Onde foi que eu errei?”, perguntam-se os pais de delinqüentes pobres da periferia e os dos que moram em condomínio de luxo.

Antigo estudo feito pela Universidade de Harvard, Estados Unidos, revelou a principal causa da violência. Os especialistas concluíram que ela se inicia em lares onde haja pais cruéis ou omissos ou irresponsáveis que descurem de suas obrigações de educadores, que não acompanhem o desenvolvimento da criança, do adolescente, concedendo-lhes excessos de liberdade, de egocentrismo e de poder capaz de transformá-los em incendiários ou em espancadores de pessoas de condição humilde, e isso, infelizmente, já ocorreu em nosso país.

Pais usuários de drogas ou aqueles que permitem tudo aos filhos de modo direto ou indireto produzem adultos-problema. Filhos de pais permissivos, dos que deixam fazer tudo o que eles bem entendem, de casais que não se harmonizam, ou de pais separados podem dar desgostos à sociedade. Delinqüentes infanto-juvenis têm se queixado da indiferença de seus genitores ou da infância abandonada, das agressões físicas, do abuso sexual, fazendo essas vítimas fugirem de casa para, não raro, se transformarem em meninos ou meninas de rua sujeitos a sofrer muito mais constrangimento físico e moral.

Por esta ou por aquela razão, o fato é que está acontecendo uma série de barbárie a envolver jovens, adolescentes de todas as classes sociais em grandes ou em pequenos centros urbanos. Educadores, psicólogos, médicos vêem nas bebidas alcoólicas e outras drogas a mais grave das causas de toda essa violência que grassa irrefreável. Críticos de comportamento, especialistas em educação e ensino acham que tudo se concentra na falta de normas preventivas imprescindíveis de algo que possa resultar em responsabilidade e cidadania.

Não cessam conceitos — Conceitos não cessam sobre o que ora deveria ter sido encarado face a face, na prática, sem abstrações. Para quem opina a respeito, se trata de um caso de nossa realidade, aliás, tão complexa, que precisa ser melhor entendido por se tratar de gravíssimo problema social, haja vista a quantidade de gente que deseja o seu fim, de tantos clamores antiviolência em toda a parte.

O ideal seria o diálogo entre pais e filhos, sugerem os analistas, sobretudo,  relativo  a observações quanto a certos apelos da mídia. Escrevi em uma outra matéria que a criança, o adolescente passam a maior parte do tempo diante de um aparelho de TV, em que alguns programas lhe apresentam o que não deveriam apresentar.  Permissividade dos costumes, modelos de virtudes que não passam de soberba, falsa e perigosa noção de poder, de liberdade corrompem mentes infanto-juvenis em crescimento.

Há quem tenha sugerido a melhora no sistema do ensino, incluindo a idéia de responsabilidade social nas escolas. Segundo alguns, os educadores deveriam instruir indivíduos a respeito de seus direitos civis e políticos, mas também de seus deveres como cidadãos. Sai governo, entra governo, e o Estado não corresponde ao que tanto dele se espera referente à devida recuperação dos menores infratores.

A educação deveria ser levada a efeito. Estimular crianças e adolescentes a adquirir um juízo crítico seria uma saída no que concerne a excessos da sensualidade, ao culto ao corpo perfeito, a anabolizantes, a transgressões da Lei do Trânsito e à propaganda de alcoólicos que impinge suas marcas e mensagens com este objetivo: o negócio é consumir cerveja para se ser livre, feliz e bem sucedido com o sexo oposto. Em escolas, por que não mais palestras, mais encontros com especialistas que falem dos perigos das drogas, alcoólicas ou não?, por que não revisam as leis, o Estatuto da Criança e do Adolescente?

Vigorosa oficina — Essas e as outras medidas poderiam estimular o adolescente, o jovem a uma convivência saudável dentro de um clima de respeito mútuo, por sinal, pouco comum nas famílias. Por outro lado, assim como disseram que a criminalidade começa em casa, nela pode-se dar início a uma vigorosa oficina de grandes conquistas sob a égide do amor no trato diário da assistência fraterna.

Sem dúvida, os cidadãos possuem todo o direito de exigir leis mais rígidas sem prerrogativas jurídicas em favor da impunidade. Contudo, algo muito mais que isso, que transcende, precisaria ser levado em conta: a parte espiritual das criaturas. Recomenda-se, além de outras medidas, diálogo, regras de limite, o bom exemplo paterno, uma religião. Não se pode dizer que religião não ajuda. Mas religião e religiões são coisas diferentes: estas não passam de institutos humanos, falíveis como os homens; aquela se trata de um profundo e sincero sentimento nobre capaz de ligar a criatura ao Criador...

 “Educai as crianças, e não será preciso punir os homens”, disse Pitágoras. Em O Livro dos Espíritos, destacamos um trecho que dá o verdadeiro sentido de educação:

... A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação...

O criminoso começa em casa, se você pensa que ser bom para o seu filho é terceirizar o encargo de educá-lo, de compensá-lo com pertences materiais, deixando-o à vontade para fazer o que der na veneta. Onde foi que eu errei... Quanto a isso, a excelsa e inigualável pedagogia espírita responde: “Ao deixar que se desenvolvesse na criança os germes do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade”  sem a força moral, exemplar de que nenhum pai e mãe jamais poderiam se eximir, independente da classe pobre, média, média alta ou rica.

              Davilson Silva


                                   PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: A violência que nos bate à porta
Enviado por: Victor Passos em 09 de Março de 2011, 16:14
Ola muita paz e harmonia
Bom Amigo Dom Jorge


Reflexôes Sobre a Violência

   
A sociedade se apavora e com razão, diante da escalada de violência praticada por meliantes, criminosos, assassinos, seqüestradores, falsificadores, assaltantes.

Os meios de comunicação preenchem seus horários e espaços com larga divulgação de atos violentos, inclusive com transmissão direta, pela TV, de um assalto a um ônibus, no Rio de Janeiro, levando aos lares o espetáculo da violência e da truculência.

Ignora-se a importância das imagens para a formação de medos e condutas mentais depressivas e ansiosas, geradoras de problemas difíceis para as pessoas. Despreza-se, também, de modo geral, a influência das vibrações emocionais que se comunicam silenciosas, mas não menos eficientes.

Assim, além da realidade brutal, cria-se uma situação virtual, pela qual, cada um pode se julgar a próxima vítima, aumentando o desequilíbrio social.

Nesse sentido, parece ter razão O Livro dos Espíritos quando afirma: “É preciso que haja excesso do mal, para fazer-lhes(o homem) compreender a necessidade do bem e das reformas”(784)

FATORES A PONDERAR

Temos como fatores preponderantes na explosão da violência:

Causas Psicossociais
1. A visão niilista da existência. Talvez fruto da decaída dos símbolos e das crenças religiosas. Não se trata da inexistência de valores. Estes, na sua essência, continuam presentes nas mentes das pessoas, porque não há como negá-los. O que se vê é um clima social permissivo, um certo desalento da maioria sobre a eficácia desses valores. Se essa maioria, de modo geral, não perpetra crimes visíveis, contribui com sua apatia, com a resistência a assumir rumos definidos no campo da ética, da moral.
2. Se, desde o início do século XX, começaram a ser questionados mandamentos e parâmetros sociais cerceadores e castradores, após a 2ª Grande Guerra esse questionamento tomou um rumo mais definido. Aceleram-se as derrubadas de costumes e tradições. A mais importante, talvez, seja a liberação da sexualidade, dentro dessa visão niilista, exacerbando uma pretensa conquista da pessoa para agir irresponsavelmente, instintivamente, sem construir laços duradouros de relação humana. Consequentemente, os padrões de casamento e família são revisados numa perspectiva individualista, egoísta e, certamente, insatisfatória.

Causas Econômico-sociais
1. Distribuição da renda - No Brasil, a pífia distribuição de rendas, é fator preponderante para manter uma grande parte na miséria e na fome, sem que se encontre um remédio, a curto prazo, para remediar esse fator decisivo.

Nossa sociedade está marcada por contrastes, mas também avoluma-se a massa que reivindica sua participação no bem-estar, provocando certa convulsão social mas que, separados os excessos, é mecanismo decisivo para promover mudanças no cenário econômico e político.

Essa realidade do quadro social seria, em tese, segundo muitos analistas, sociólogos e políticos, a grande, senão a única, responsável pelo surgimento da onda de violência urbana.

A violência e a precocidade dos criminosos, segundo esses analistas, seria conseqüência da injustiça social e acusam o governo de utilizar um modelo econômico perverso.

2.Desemprego - Ultimamente, além do viez liberal da economia mundial, desenvolveu-se todo um aparato tecnológico e a economia de escala, globalizada, dispensou uma porção considerável de mão de obra.

Em toda a economia liberal, o número de desempregados é grande, com exceção, neste momento, dos Estados Unidos.

continua
Título: Re: A violência que nos bate à porta
Enviado por: Victor Passos em 09 de Março de 2011, 16:15
continuação

OS AGENTES DA VIOLÊNCIA

Existe uma tendência de afastar a responsabilidade dos agentes da violência. Estes seriam vítimas do sistema.

Dessa forma, o problema é transferido diretamente para as instituições. Curiosamente, a sociedade como um todo, principalmente os detentores do poder econômico são, sob certa forma, poupados. Como a propaganda mais agressiva é promovida pelas chamadas esquerdas, o foco, na verdade vai para o governo. O governo seria o responsável pela violência, pela deficiência da escola, pela pobreza. Pois perseguem utopia do Estado perfeito, capaz de socorrer, planejar, executar, escutar, agir, de maneira absolutamente eficaz, todos os males sociais.

É claro que o governo, de qualquer nível, tem o dever de promover o bem-estar social, mas o trabalho é de toda a sociedade.

Entretanto, mesmo que pressionados pela exclusão social, não há como ressalvar a responsabilidade dos agentes criminosos, individualmente.

O Livro dos Espíritos é taxativo: “não há arrastamento irresistível, quando se tem vontade de resistir”(845);

Sobre a crueldade, O Livro nos traz interessantes posições:
Ela( a crueldade) é sempre a conseqüência de uma natureza má.(752)...no tocante às provas morais e às tentações, o Espírito ,conservando seu livre arbítrio sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder e resistir”(851)

E mais:
754 - A crueldade não decorre da falta de senso moral?
-Dizes que o senso moral não está desenvolvido, mas não que está ausente, porque ele existe, em princípio, em todos os homens; é esse senso moral que os transforma, mais tarde, em seres bons e humanos. Ele existe no selvagem, como o princípio do aroma no botão de uma flor que ainda não abriu.

CONTRIBUIÇÃO DO ESPIRITISMO

O Espiritismo pode ser um fator de equilíbrio na vida social. Pelo ensino da imortalidade, ele leva à compreensão que a adesão e a prática dos valores morais constitui-se numa necessidade de autopreservação da estrutura mental do ser.

Aparentemente, ressaltar a natureza espiritual evolutiva do ser humano e a perspectiva de uma vida permanente, parece inócuo perante o quadro de realidades sociais e da violência cotidiana.

Todavia, se o aparelho social tiver essa consciência, as elites, as religiões, enfim, os governantes e detentores do poder econômico, terão um comportamento diferente ou menos infeliz que atualmente. Essa motivação projetará reformas e modificações sensíveis nas relações humanas.

Segundo O Livro dos Espíritos, o Espiritismo pode contribuir para o progresso “ destruindo o materialismo que é uma das chagas da sociedade, ele faz os homens compreenderem onde está seu verdadeiro interesse. A vida futura, não estando mais velada pela dúvida, o homem compreenderá melhor que pode assegurar o seu futuro através do presente. Destruindo os preconceitos de seita, de casta e de cor ele ensina aos homens a grande solidariedade que os deve unir como irmãos “.(Questão 790).

Alguém argumentará que essa premissa, embora generosa, não é apenas incerta, mas demorada, não contribuindo, a curto prazo, para a solução dos problemas da violência.

Certamente, a sociedade como um todo precisa encontrar caminhos para a resolução ou pelo menos minorar o problema social. Mas o Espiritismo jamais pretendeu comandar a renovação social. Sua contribuição, aparentemente sonhadora, é pressionar o pensamento humano em direção a uma nova mentalidade a respeito da pessoa e das coletividades.

Todavia, para que a doutrina exerça sua influência, precisa precaver-se com um entendimento pernicioso, que tenta vincular os problemas da existência humana às culpas do passado, ou seja a fatalidade pré-construida, pelo fato de cada pessoa trazer um “pecado originário das vidas passadas” e insistir que sofrer é o melhor remédio.

Vejamos, por exemplo, este texto de O Livro dos Espíritos:
866 - Então, a fatalidade que parece presidir aos destinos do homem na vida material seria também resultado do nosso livre arbítrio?
-Tu mesmo escolhestes a tua prova: quanto mais rude ela for, se melhor a suportas, mas te elevas. Os que passam a vida na abundância e no bem-estar são Espíritos covardes, que permanecem estacionários. Assim, o número de infortunados ultrapassa de muito o dos felizes do mundo, visto que os Espíritos procuram, na sua maioria, as provas que lhes sejam mais frutuosas. Eles vêem muito bem a futilidade das vossas grandezas e dos vossos prazeres. Aliás, a vida m,ais feliz é sempre agitada, sempre perturbada; não é somente a dor que produz contrariedade.

Se entendido literalmente, o texto pressupõe que a miséria, a exclusão social, seriam requeridas pela própria pessoa e que ser “feliz” é uma covardia.

Tal interpretação levaria a sancionar a injustiça social, a edificação de uma sociedade de sofredores e miseráveis, o que contraria o que está nos itens abaixo:
806 - A desigualdade das condições sociais é uma lei natural?
- Não, é obra do homem e não de Deus
808 - A desigualdade das riquezas não tem sua origem na desigualdade de faculdades, que são a uns mais meios de adquirir do que a outros?
-Sim e não. Que dizes da astúcia e do roubo?
812 - Se a igualdade das riquezas não é possível, acontece o mesmo com o bem-estar?
-Não, mas o bem-estar é relativo e cada um poderia gozá-lo , se todos se entendessem bem....

Já na questão 719, se diz que "O bem-estar é um desejo natural. Deus só proíbe o abuso, por ser contrário à conservação, e não considera um crime a procura do bem-estar,se este não for conquistado às expensas de alguém, e se não enfraquecer vossas força morais, nem as vossas forças físicas".

Se o indivíduo é sempre culpado pela suas ações, há atenuantes que passam a ser responsabilidade coletiva. A política social do Espiritismo é bem clara .

Em resumo, o Espiritismo não sancionará a injustiça social, a pretexto de estar sendo cumprida a lei de ação e reação, porque o indivíduo não é um ser isolado mas pertencente à sociedade. Mas não pode concordar com a pré-inocência ou não-culpa dos agentes individuais na prática da violência, em qualquer sentido ou nível.

Jaci Regis é psicólogo e jornalista, editor do jornal de cultura espírita Abertura, presidente do Instituto Cultural Kardecista de Santos e autor dos livros Amor, Casamento e Família; Comportamento Espírita; Uma Nova Visão do Homem e do Mundo; A Delicada Questão do Sexo e do Amor, dentre outros.

Escreve: Jaci Regis
Artigo publicado originalmente no jornal Abertura, de Santos, de setembro de 2000.


abraço fraterno
Título: Re: A violência que nos bate à porta
Enviado por: Mourarego em 09 de Março de 2011, 16:36
Muito interessante o artigo mano Victor.
Eu também concordo que exista uma tendência, aliás, tendência não,mas obra de advogados, que para defenderem os atos criminosos de seus clientes, apelam para esta visão cada vez mais. Acontece porém que os juízes não sendo nem incautos nem incultos, quase nunca lhes dão ganho de causa.
Sim a sociedade, enquanto governo tem as suas responsabilidades, pouco cumpridas e muito esquecidas , contudo a regra é clara: Aquele que trás em sua configuração Espiritual o mau germe, este é mau por condição, e não por instigação dos problemas sociais.
Mesmo se rico fosse, seria ainda mau, e agiria com prepotência  sobre os mais fracos ou menos favorecidos monetariamente.
Acredito que o autor tenha sido extremamente feliz quando do elencar os itens que consubstanciaram  seu artigo.
É mais um dos muitos exemplos que nós, enquanto escritores possamos seguir, pois mostrando a doutrina e o que pensam, deixamos a quem leia os artigos o poder de julgar.
Abração,
Moura
Título: Re: A violência que nos bate à porta
Enviado por: Victor Passos em 09 de Março de 2011, 22:09
Ola muita paz e harmonia
Bom Amigo Moura

    Bom Amigo como sempre perspicaz e certissimo na sua opinião.
    E quem melhor para falar ..

abração bom Amigo ..grato

Victor Passos