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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: Klauz em 06 de Fevereiro de 2011, 14:41

Título: A MEDIUNIDADE, DA ANTIGUIDADE AOS DIAS ATUAIS
Enviado por: Klauz em 06 de Fevereiro de 2011, 14:41
Allan Kardec no cap. XIV de O Livro dos Médiuns, fala que todo aquele que sente em qualquer grau a presença dos espíritos é por isso mesmo médium. Para nós espíritas é ponto pacifico afirmar, que a mediunidade, é uma faculdade natural, inerente ao ser humano, que independe da crença religiosa e se fez presente em todas as épocas da humanidade, sendo inúmeras vezes, confundida e deturpada pelos homens ao longos dos séculos.

Nas antigas civilizações do oriente no Egito, na Pérsia, na Síria e nas do ocidente na Grécia e em Roma, citada também nos vedas e nos livros sagrados de outras religiões, a mediunidade era tida como crença geral, e os médiuns vistos como seres privilegiados pelos deuses, e por esse fato semideuses. Denominados como pitons, pitonisas, oráculos, magos, sacerdotes, etc., eram avidamente consultados em busca das mais variadas informações que atendessem aos diversos interesses daqueles que os procuravam.

Os relatos, inclusive os citados na bíblia, referem-se a aparição de anjos, demônios e possessões variadas que marcaram a fenômenologia da época, sedimentando conceitos atávicos e ritualisticos, que ainda fazem parte dos nossos dias. Era comum na Grécia antiga e em outros povos os médiuns atuarem como conselheiros do reis, como também era comum, os retiros do homem para a natureza ou para o insulamento em monastérios buscando o estudo e a prática da filosofia, como fazia Platão, que galgava a montanha do Imec, buscando lá o refúgio e tranqüilidade para suas conjecturas, ou mesmo Moisés, que subiu ao monte Sinai no intuito de obter respostas que atendessem às suas necessidades espirituais mais prementes.

Mas é com o Cristo, que a mediunidade adquire um maior substrato moral e vem orientada pela disciplina que a sua condição de médium de Deus proporciona, visto que, Ele confabulava diretamente com Deus, e que, esse fato por si só, já era suficiente para promover uma nova disposição moral nas atitudes e no comportamento do homem, em função da aplicação da Lei do Amor, inquestionavelmente traduzida em seus ensinamentos.

A ignorância, no que se refere a mediunidade e os interesses espúrios que o fanatismo religioso produzia, detonaram perseguições implacáveis aos médiuns, tanto ao tempo de Jesus quanto na Idade Média, quando ela é tachada de intervenção demoníaca e os médiuns levados ao martírio da fogueira como ocorreu com Joana D’arc, por não abjurar de suas vozes, que revelavam a sobrevivência da alma e a comunicabilidade da mesma.

Os acontecimentos de Hydesville em 1848 nos EUA, e em seguida os fenômenos das mesas girantes que invadiram a Europa, que inicialmente servia a fins fúteis, trouxeram novos enfoques sobre a mediunidade, pois os fatos como sabemos, estavam obedecendo uma previa programação do mundo espiritual, tanto que, em 1854, chegam ao conhecimento do Insigne professor, Hyppolyte Leon Denizard Rivail, em Paris, que após análise rigorosa, se propõe aprofundar as investigações sobre o tema, comparando, observando e julgando, para apresentar ao mundo a mediunidade como uma faculdade de natureza orgânica inerente ao ser humano, que se exterioriza pela ação dos espíritos. Inquestionavelmente a prudência e o bom senso de Kardec, resultaram em uma pesquisa refinada, de rara qualidade, que nos deixou como grande legado sua maravilhosa obra.

A obra de Kardec despertou um interesse bombástico pelo assunto, e isso descambou em grandes pesquisas, como as de César Lombroso, Ernesto Bozzano, Gabriel Dellane, e tantos outros pesquisadores de renome que contribuíram de forma magnifica para o enriquecimento da Doutrina nesse contexto.

De Kardec aos nossos dias muito se tem estudado acerca da mediunidade, embora alguns, teimem em manter vivos conceitos atávicos oriundos de outros tempos, em virtude da falta de estudo. Contudo, a espiritualidade maior não descansa nos ensinamentos e a Providência Divina não nos deixa órfãos de missionários que alavanquem o nosso crescimento espiritual, se atentarmos para a grande produção mediúnica no campo literário, através de Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Ivone A. Pereira e tantos outros espíritas sérios, perceberemos que o nosso conhecimento sobre a mediunidade é ainda ínfimo, diante desse manancial de luz.

Warwick Mota

Brasília - DF

Título: Re: A MEDIUNIDADE, DA ANTIGUIDADE AOS DIAS ATUAIS
Enviado por: Mourarego em 06 de Fevereiro de 2011, 14:58
O Sr. Mota até que ia bem até que se deixou resvalar num a opinião que invalida a sua escrita...
Aquele que conhece bem a doutrina, ou que, pelo menos conhece bem o item dois da introdução ao ESE ou mesmo o capítulo I de A Gênese, sabe bem quem não são conceitos atávicos afirmar que sem o apoio do Controle Universal do Ensino dos Espíritos só se vai ter opiniões pessoais e portanto nenhuma doutrina que atualize o que já existe.
Sabe mais, amigo Klauz, sabe, por exemplo que se deva ter a máxima prudência em divulgar certas mensagens.
Não, isso não é teoria minha, pois que está escrito com todas as letras nesses dois itens de doutrina.
aliás, está também escrito como se promover este controle que trás ás mensagens o          criterium de verdade.
Mas, tristemente, o sr. Mota, mostra que ou não leu, ou que não tenha dado importância a itens tão importantes e básicos da doutrina. E, por causa disso, depõe contra eles, se colocando antagônico aos ensinos doutrinários espíritas.
Se houvesse lido, ou mesmo levado em conta, saberia também que apenas os Espíritos Superiores podem trazer Revelações de caráter Espírita, foi assim no começo e continua assim até hoje, pois não há nenhum ensino que diga o contrário. Entre os Espíritos da classe dos superiores, não temos nenhuma sob o nome de Emmanuel, ou André Luiz.
mesmo Chico, intérprete dos dois, nunca afirmou que eles assim o seriam.
nenhuma das mensagens que qualquer um dos dois, ou qualquer noutro Espírito que ainda hoje dite mensagens, passou por tal controle, logo, dizem e em algumas vezes  com muito acerto, sobre o que lhes vai da opinião pessoal. Dessarte são boas mensagens essas, sem que, contudo formem doutrina.
Esta a verdade.
Abração,
Moura
Título: Re: A MEDIUNIDADE, DA ANTIGUIDADE AOS DIAS ATUAIS
Enviado por: Warwick em 16 de Fevereiro de 2011, 01:52
Por uma “ironia” do Google encontrei esse meu artigo postado nesse  espaço, agradeço ao Klauz a oportunidade de divulgar meu trabalho. Apenas a título de informação, escrevi esse artigo a pedido de um companheiro de uma casa espírita de Curitiba que postou o artigo no site do CELE – Centro Espírita Luz Eterna, na mesma cidade.

Interessante que encontrei também uma crítica do meu trabalho feita pelo Sr. Moura, o que achei bastante significativa enquanto opinião de leitor, primeiro por que ele aponta incoerências doutrinárias no texto, pena que não diz quais são elas, segundo por pensar que eu desconheço as obras da Codificação, talvez ele tenha razão nesse ponto, pois o fato é que eu ainda estou estudando os Prolegômenos de O Livro dos Espíritos, eu ainda não consegui ter o domínio sobre o Pentateuco kardequiano, mas um dia chego no patamar que o Sr. Moura se encontra.

Gostaria que o Sr Moura me permitisse explicar o texto, pois penso que ele fez uma leitura apressada e acabou derramando suas tintas sobre o meu pensamento, ou parece-me que ele também não leu as referências kardequianas que ele próprio cita e indica.

Digo isso por que eu não escrevi sobre o Caráter da Revelação Espírita,  em seus sessenta de dois parágrafos, tampouco sobre o Controle Universal dos Espíritos, escrevi apenas sobre o desenvolvimento da mediunidade, desde a antiguidade até os dias de hoje, apenas tentei traçar uma linha do tempo.

Penso que falei sobre mediunismo, e o comportamento dos médiuns ao longo dos milênios, a venda dos dons mediúnicos e perseguição aos médiuns,etc. Quando falei de atavismos, me referi ao comportamento dos médiuns não dos espíritos, eu não disse que as mensagens eram verdadeiras ou falsas, ou que tinha que vir assim ou assado, falei dos médiuns, ponto.

Como o Sr. Moura reportou-se ao Codificador e falou sobre o Controle Universal do Ensino dos Espíritos, que além do ESE se encontra também na Revista Espírita de 1864, mês  de abril, onde Kardec diz:

“Se a Doutrina Espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia senão as luzes de quem a tivesse concebida. Ora, ninguém aqui poderia ter a pretensão fundada de possuir, ele só, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se tivessem manifestado a um só homem, nada garantiria a sua origem, pois seria preciso crer sob palavra naquele que dissesse ter recebido seu ensino(...).”

“São, pois, os próprios Espíritos que fazem a propagação, com o auxílio dos inúmeros médiuns que, também eles, os Espíritos, vão suscitando de todos os lados. Se tivesse havido unicamente um intérprete, por mais favorecido que fosse, o Espiritismo mal seria conhecido (...).

E no meu texto eu informo que: “Nas antigas civilizações do oriente no Egito, na Pérsia, na Síria e nas do ocidente na Grécia e em Roma, citada também nos vedas e nos livros sagrados de outras religiões, a mediunidade era tida como crença geral, e os médiuns vistos como seres privilegiados pelos deuses, e por esse fato semideuses”. Vejam a que ponto os médiuns era elevados pois os Espíritos se manifestavam a eles.

Parece-me que à época já tinha um monte de gente dialogando com os espíritos, parece que é sobre isso que escrevi.

Mas eu também escrevi que: “Os relatos, inclusive os citados na bíblia, referem-se a aparição de anjos, demônios e possessões variadas que marcaram a fenômenologia da época, sedimentando conceitos atávicos e ritualísticos”

Entenda, foi a fenomenologia da época que contribuiu para sedimentação de conceitos atávicos, que ainda graçam nos diversos credos religiosos, inclusive em alguns centros espíritas, procurei no meu texto e não encontrei nenhuma referência sobre: “só Espíritos Superiores podem trazer Revelações de caráter Espírita”, repito, não escrevi sobre isso, talvez escreva em um próxima oportunidade.

A propósito, falando sobre conceitos atávicos o Professor Herculano Pires, tem um excelente livro que trata da Introdução Antropológica ao Espiritismo (O Espírito e o Tempo), material de ótima leitura para entender o quero dizer com conceitos atávicos e ritualísticos, eu recomendo.

Não escrevi nenhuma linha dizendo que Emmanuel ou outro tenha trazido Revelações de caráter Espírita, aliás, ele trouxe revelações a respeito de que mesmo, quando escreveu Paulo e Estevão e A Caminho da Luz?

Volto a afirmar, não escrevi sobre o Caráter da Revelação Espírita e seus sessenta de dois parágrafos, tampouco sobre o Controle Universal dos Espíritos, escrevi sobre mediunidade e mediunidade independe de moral, religião, elevação ou qualquer outra coisa.

Não afirmo no texto que Chico, Emmanuel ou outro qualquer estejam trazendo, revelações de caráter superior ou inferior, não menciono isso, escrevi que a produção literário/mediúnica desses autores tem contribuído no desenvolvimento da mediunidade.

Só pra recordar, a revelação espírita que o Sr. Moura tanto enfatizou, começou pela simples manifestação de um espírito de um mascate, pelo meio mais simples os raps (ação de espírito inferior, efeito físico), fato acontecido no condado de  Hydesville – EUA, na casa da família Fox em 1848, passando posteriormente para as mesas girantes e só depois de toda essa “algazarra” é que os espíritos superiores se manifestaram. Naturalmente tudo isso aconteceu por que o Cristo permitiu, isso não se discute. 

Abraços
Warwick Mota