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GERAL => Outros Temas => Artigos Espíritas => Tópico iniciado por: edu em 15 de Março de 2006, 18:18

Título: A médium que se diz agora : "Espírita Independente"
Enviado por: edu em 15 de Março de 2006, 18:18
Não sei se vocês encontram esta situação por aí mas nos grupos de estudo que eu frequento muitos perguntam a respeito da m´dium Zíbia Gasparetto e eu achei este artigo de Alex MOnteiro obtido no site http://www.jornaldosespiritos.com/3.2006.1/ultima_hora.htm que disse muita coisa importante .
A questão não julgar ou crucificar alguém mas simplesmente esclarecer o que é válido para todos.
Segue o artigo:

Zibia: "espírita independente"
 
ALEX MONTEIRO
 

Alguns dos nossos leitores assíduos me perguntaram, um dia desses, por que eu não escrevia sobre os livros lançados pela médium Zibia Gasparetto. Eu não hesitei em responder, num fôlego só: “Por que não são livros espíritas”. Não podia imaginar, até aquele instante, que uma resposta tão óbvia seria capaz de provocar tanta indignação entre aqueles que eu julgava – até então – conhecedores da Doutrina Espírita. “Mas ela é médium”, “Ela psicografa há mais de quarenta anos”, “Seus livros estão sempre na lista dos mais vendidos”, “O filho dela é médium”, “Ela e o marido estudaram e trabalharam na Federação Espírita do Estado de São Paulo”, “Ela fundou o Centro Espírita Os Caminheiros, lá no Ipiranga”, “Já vendeu mais de 5 milhões de livros” – as argumentações contra a minha afirmação choveram de todos os lados. Meu estranhamento foi grande porque aqueles que rodeavam eram alunos de cursos espíritas, onde, supostamente, eu acreditava que se davam explicações sobre livros espíritas psicografados, cuja qualidade doutrinária depende, intrinsecamente, do médium que os recebe. O médium psicógrafo que se mantém fiel aos postulados do Espiritismo naturalmente vai atrair espíritos com bons propósitos, que o utilizarão como instrumento de suas comunicações. Um compromisso inadiável me impediu, naquele dia, de prolongar minhas explicações sobre a mediunidade, que convergiriam fatalmente para uma conclusão: o médium é um ser humano dotado do livre-arbítrio. Suas idéias podem mudar de acordo com seus humores, influências, necessidades etc. Assumi o compromisso de escrever alguma coisa o mais breve possível, explicando a ruptura da médium com a Doutrina Espírita. Essa é a origem, portanto, dessas linhas que servirão, quem sabe, de referência para outros leitores que desconhecem a não tão nova assim postura da médium diante da edição de livros “psicografados”.
A Zibia, que estudou e desenvolveu sua mediunidade no Espiritismo, o deixou de lado em 1989 ao perder o marido e dar uma guinada em sua vida, fundando a Editora Vida & Consciência, cujo símbolo é um unicórnio, um animal mitológico. De médium e dirigente de centro espírita, a viúva de Aldo Gasparetto se transformou em empresária. A esse respeito, declarou tempos depois: “Os espíritos me aconselharam a dedicar-me à divulgação das idéias. Eles me mandaram abrir uma gráfica e deixar outras pessoas assumirem as obras sociais”. Com essas palavras, Zibia justificou o abandono do centro espírita que dirigia para dedicar-se aos negócios que envolveram à partir dessa data, a editoração, a produção gráfica, a distribuição e a comercialização de seus livros e de outros autores. Além desse empreendimento, contando com seus filhos, que também são médiuns – entre eles Luiz Gasparetto, o mais famoso – Zibia criou em centro de estudos e um “spa” urbano espiritualistas que oferecem terapias alternativas e auto ajuda espiritual. Esse complexo compreende um teatro que encena peças com temática espiritual. Luiz Gasparetto e sua irmã são sócios da Editora Vida & Consciência. Irineu Gasparetto ocupa-se da gravação de CDs e dirige, em parceria com Pedro Gasparetto o curtume herdado do pai e também a Fundação Aldo Luiz Gasparetto. Entre os livros psicografados pela médium na fase em que trabalhava de acordo com os postulados espíritas, encontramos excelentes romances: “O amor venceu”, “O matuto”, “Entre o amor e a guerra”, “Laços eternos”, “Esmeralda”, “Espinhos do tempo” – entre outros. Meus favoritos, “Bate-papo com o além”  e “O mundo em que eu vivo”, são crônicas de Silveira Sampaio que, encarnado, foi teatrólogo, cronista e talentoso apresentador do “SS Show” (um precursor dos atuais talk-shows, porém com muito mais talento, criatividade e refinamento). A qualidade dos livros que recebeu nessa fase da vida em que se dedicava com grande empenho ao Espiritismo, se deve – sem dúvida – aos espíritos com os quais associou-se nessa tarefa pela sintonia. O mais atuante foi o Espírito Lucius, “um espírito amigo que tem muita facilidade de me transmitir o seu pensamento por telepatia. Talvez nem todas as histórias sejam suas, pois às vezes noto mudança de estilo. Mas é por meio dele que elas chegam”. Uma leitora que prefere não se identificar, afirma que “comparados com os livros antigos, os atuais são repetitivos, caem sempre no mesmo lugar comum e não tem o brilho do estilo do Lucius”. Esse espírito contou sua própria saga no livro – também psicografado por Zibia – “O fio do destino”. “Fez parte do parlamento inglês e foi juiz de direito na França”, afirma a médium. Não existem referências confirmando se Lucius viveu, em alguma época, no Brasil. Seu talento para a literatura é outro mistério.
Se – nos livros pós-Espiritismo – o Lucius não é mais o mesmo talentoso escritor (e a Zibia confirma, “noto mudança de estilo”), não é concebível acreditar que ele tenha regredido. O mais provável é que não seja ele, realmente, o espírito que hoje se manifesta por seu intermédio. Nos livros que mencionei, nota-se a correção de estilos, a qualidade da narrativa, a coerência da mensagem espiritual. É como se o texto transpirasse autenticidade. Nos livros atuais, essa vibração se esvaziou. Mas o que se poderia esperar de espíritos que – segundo a própria médium – “me mandaram abrir uma gráfica e deixar a assistência social para outras pessoas”? Os espíritos de ordem elevada, anjos guardiões ou mentores, como queiram chamar, não dão ordens, apenas inspiram seus protegidos.
Na questão 104 de “O Livro dos Espíritos” descobrimos que existem pseudo-sábios e que “seus conhecimentos são bastante amplos, mas acreditam saber mais do que sabem na realidade. Tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, sua linguagem tem uma característica séria que pode induzir ao erro e ocasionar enganos sobre suas capacidades e seus conhecimentos. Mas isso é apenas um reflexo dos preconceitos e das idéias sistemáticas que conservam da vida terrena. É uma mistura de algumas verdades ao lado dos erros mais absurdos, no meio dos quais sobressai a presunção, o orgulho, a inveja e a obstinação das quais não puderam se libertar”. Como se um não bastasse, vários Lucius estão surgindo – recebidos por vários médiuns – ao que a médium Zibia Gasparetto não se manifestou, talvez para não dar visibilidade a eles na mídia espírita. Voltarei ao assunto na próxima semana, repetindo que não pretendo condenar quem quer que seja, mas simplesmente ajudar os amigos leitores a diferenciar o que é do que não é espírita. Acredito que nada deve ser lido por acaso...
 
Título: Re: A médium que se diz agora : "Espírita Independente"
Enviado por: MARCUSCHI em 08 de Fevereiro de 2010, 01:51
Prezado Edu,
Apesar de seu tópico ser de 2006 esta mais atual do que nunca.
Inclusive postei uma mensagem onde me indago a respeito de livros psicografados. Pois eu tenho muitas dúvidas a respeito deste sistema. Se me permite, copio abaixo, minha questao, e se o confrade desejar enviar-me algum esclarecimento, desde já sou grato.
Minha questão de hoje esta relacionada com os livros que as editoras publicam como ditados por espíritos e psicografados por médiuns.
Sem dúvida que, para acreditar-se espírita, é Indispensável aceitar a existência dos espíritos, adquirir conhecimentos pelo estudo e raciocínio que nos possibilitam a doutrina espírita e suas inúmeras obras doutrinadoras de referencia. Entretanto, gostaria de saber, dos irmãos, se tais psicografias são privilégio de brasileiros ou se ocorrem também em outros países que adotam a doutrina. Verifico que no Brasil, existem milhares de títulos psicografados por inúmeros médiuns e ditados por igual numero de espíritos. Perdoem-me a ignorância, mas está prática revela-se como autentica ou não passa de um ardil de escritores ambiciosos?
Teriam os espíritos necessidade de requerer autoria de algo material que segundo a doutrina em nada lhe acrescentariam ao currículo?
De antemão, agradeço a quem se interessar em esclarecer minhas dúvidas.
Joao Carlos Marcuschi
Título: Re: A médium que se diz agora : "Espírita Independente"
Enviado por: edu em 23 de Fevereiro de 2010, 22:51
Olá João Carlos, como vai ?

Desculpe a demora em responder mas infelizmente não tenho entrado tanto quanto gostaria no Forum devido a falta de tempo e a indisponibilidade de internet.

Não tenho nenhuma autoridade para responder as suas indagações mas como diálogo fraterno vamos conversando pois muitas das suas inquietações são também minhas.

A literatura mediúnica é universal. Vamos ver mediuns psicografando em varias nações. França, Rússia. Portugal, Inglaterra, etc. Aqui no Brasil é muito fácil encontrar obras psicografadas ou com trexos de psicografia de médiuns norte americanos. Boa parte deles comercializam a mediunidade e encontrei muito pouco de produtivo nessas obras mas vale pela curiosidade.

Felizmente a literatura espírita no Brasil vende. E em um pais de iletrados onde muito pouca gente tem acesso ou interesse pela leitura o livro espírita vem a ser um filão cada vez mais esplorado pelas editoras. Com isso vemos hoje uma infinidade de  obras "ditas espíritas" de conteúdo duvidoso. A cobiça e a ambição de muitos fez com proliferassem obras de péssima qualidade e com conceitos equivocados que não passaram pela análise de um comite editorial de espíritas sérios e experientes.

Nos resta seguir o conceito de Kardec de ler de tudo mas questionar , debater, meditar, estudar em grupo e com isso reduzir as chances de cairmos nas armadilhas dessas obras  pseudo-espíritas.


Um abraço.
Título: Re: A médium que se diz agora : "Espírita Independente"
Enviado por: ponto em 11 de Setembro de 2010, 17:22
então o livro 'O mundo em que eu vivo' é uma obra que vai com os preceitos espiritas?
Título: Re: A médium que se diz agora : "Espírita Independente"
Enviado por: Mourarego em 11 de Setembro de 2010, 17:45
A coisa é bem simples: Segundo o item dois da introdução ao ESE, é Espírita ou doutrina, tudo que tenha sido submetido ao controle Universal do Ensino dos Espíritos.
Ai está a resposta mais clara que se te tem em moldes de doutrina.
Ora, poderia observar alguém, mas o ESE não é uma obra Básica. Ao que eu responderia, correto, não é. contudo está inserido no computo das obras da codificação, que com se sabe contém duas espécies de obras, as que formam a doutrina em si, e as que trazem estudos do codificador.
O ESE é uma destas que formam na segunda classe anotada, tal como Obras Póstumas.
Sendo assim e sob esta visão as obras de Zíbia não podem ser incluidas como obras Espíritas mas sim e quando muito como obras Espiritualistas, pois a mediunidade não é corolário da doutrina.
Sobre um fato que a mim toma espécie de jocosidade, ser ela médium espírita independente:
Ora ai está estultice das maiores que se poderia dizer, mas que só são ditas e pasmem, não só por ela mas por muito "espírita de carteirinha".
Todo aquele que se pauta por uma doutrina, seja ela a do Direito, do Catolicismo, do Judaísmo, e mesmo do ateísmo, há de caminhar paripasso coim a doutrina escolhida.
Não há um advogado independente da advocacia, senão não seria advogado. Para advogar a criatura tem de seguir os preceitos da doutrina do Direito no ramo deste em que esteja a advogar.
Assim com não é um piloto de avião, que não siga as recomendações do organismo que os patrocina.
Dessarte não existe Espírita independente, mas estas pessoas jogam no ar essas frases de efeito, por saberem da ignorância doutrinária que faz campo fértil no movimento espírita.
Poucos são os que se debvruçam sobre os compêndios codificados, destes menor ainda é o número que o faz com isenção  ou sem tenderem a colocar como doutrina aquilo que "acham" bom de outros Espíritos.
Assim e nessa paz de pantanal, em que viceja o movimento espírita continuamos a fazer, como bem lembra Herculano Pires, o papel de macacos em loja de louças.
Ao que eu completo dizendo, acreditar que haja Espírita independente, é o mesmo que colocar um fuzil AR 15 na mão de um símio...
abraços,
Moura