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GERAL => Mensagens de Ânimo => Amizade => Tópico iniciado por: Marianna em 22 de Dezembro de 2009, 22:32

Título: OS TRÊS REIS MAGOS
Enviado por: Marianna em 22 de Dezembro de 2009, 22:32

Seis de janeiro é dia do calendário marcado pela visita que os reis magos fizeram ao Menino Jesus, nascido em Belém. Nos presépios das igrejas, as crianças vão admirar os camelos e os três venerandos personagens nas suas esquisitas vestes orientais.

Pois, eles vieram do Oriente.  

– Que Oriente?
Para os judeus, o Oriente começava ali logo depois do rio Jordão, mas alongava-se até um limite desconhecido. Envolvia muita gente distribuída em muitas nações.

- A qual delas pertenceriam os Magos?

O apelativo “magos” está a indicar de preferência a Pérsia, como pais de origem dos felizardos reis chamados a Belém por misteriosa estrela. Magos, com efeito, eram discípulos de Zarathustra, e continuadores da obra de reforma do mestre. Não eram nem astrólogos nem feiticeiros, como muitos dos caldeus. Pelo contrário, eram inimigos natos das artes mágicas e misteriosas daqueles embusteiros.

Gente de bem, participavam da expectativa do Salvador, presente mesmo entre os povos pagãos, como relíquia da Revolução primitiva difusa um pouco por toda parte. Eis quie o Senhor lhes recompensa a retidão, enviando-lhes a estrela extraordinária que lhes iluminasse a mente para reconhecerem o sinal, e lhes orientasse os passos no caminho de Belém. Estrela extraordinária que sabe esconder-se e reaparecer e parar justamente onde se achava o Menino.

- Teriam os Magos sido reis?

- Quem primeiro o pensou foi Tertuliano, nos limites dos séculos II e III levado pelo salmo 71 onde se diz que “os reis da Arábia e de Saba lhe trarão presentes”. Depois, passou para a tradição popular, de maneira que 6 de janeiro é a festa de Reis, pois os magos tornaram-se os reis por excelência. Compreende-se. O Menino Jesus, Deus e Homem verdadeiro, é Senhor também dos reis e imperadores, que a todos veio salvar.

Também quanto ao número ternário, o simbolismo veio completar a História. Narram os Evangelhos que os Magos ofereceram ao Menino presente de três espécies, e a Tradição dá-lhes o significado: ouro como a Rei, que Jesus o é; incenso, como a Deus, que igualmente o Salvador o é, e mirra como a morta, que Jesus certamente o foi na sua natureza humana. Três presentes certamente três deveriam ser os Magos, cada um ofertando o Dom de sua preferência. E depois de S. Leão ! e AS. Gregório Magno fixou-se esta tradição. Hoje não há presépio com um mais ou menos de três reis Magos, que descem reverentes de seus camelos para adorarem o Menino na Mangedoura.

Só que não foi na gruta de Belém que os Magos encontraram o Menino Deus. José já tinha providenciado moradia pobre, mas mais própria de gente.  Mateus diz no Evangelho claramente que os Magos chegaram à casa e viram o Menino com sua Mãe.

Nome dos Magos é que vieram mais tarde. O documento mais antigo que há de seus nomes não vai além do século VII. É um manuscrito conservado na Biblioteca Nacional de Paris. No século IX fixam-se os apelidos por que são hoje conhecidos: Melchior, Gaspar e Baltazar. No século XII, o Venerável Beda dá deles uma descrição fisionômica:

- O primeiro, diz, foi Melchior, velho, circunspecto, de barba e cabelos longos e grisalhos.
- O segundo tinha por nome Gaspar e era jovem, imberbe e louro.
- O terceiro, preto e totalmente barbado chamava-se Baltazar (cfr. “La Palabra de Cristo, IX, p. 195)”.

Prestada sua homenagem ao Rei dos judeus que acabava de nascer, voltaram os Magos para suas terras, evitando novo contato com Herodes. A Escritura, na sua sobriedade, silencia sobre a evolução deste acontecimento na vida daqueles personagens, singulares.

A Tradição não se satisfaz com semelhante silêncio. E agindo, de acordo com a lógica natural, fá-los pregadores da Boa Nova, auxiliares dos Apóstolos, quando estes foram ter às suas paragens, e por fim mártires de sua profissão de Fé em Jesus Cristo.

Como termo de toda esta tradição há uma suntuosa catedral em Colônia, na Alemanha em maravilhoso estilo gótico dedicada aos Santos Reis Magos, perpetuando a memória daqueles fiéis seguidores da revelação divina.

Antonio de Castro Mayer.