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GERAL => Mensagens de Ânimo => Acção do Dia => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 19 de Março de 2015, 14:21

Título: Purgatório na Visão Espírita
Enviado por: dOM JORGE em 19 de Março de 2015, 14:21
                                                                   VIVA JESUS!




              Bom-dia! queridos irmãos.




                      Purgatório na Visão Espírita




                Que se deve entender por purgatório?




Resposta: Dores físicas e morais: o tempo da expiação. Quase sempre, na Terra é que fazeis o vosso purgatório e que Deus vos obriga a expiar as vossas faltas. (O Livro dos Espíritos, Questão 1013)




O purgatório não está na Bíblia, foi criado pelo catolicismo para resolver um problema teológico: a salvação.




O purgatório para eles seria uma região no Além onde estagiam as almas que, embora arrependidas e “na graça de Deus”, ou seja, por se submeterem a sacramentos religiosos (batismo, crisma, etc.), não são suficientemente puras para elevarem-se ao Céu, nem tão ruins para merecerem o inferno. Morrem abençoadas, mas não perdoadas.




Em torno dessa ideia central criou-se toda uma mitologia, com crendices que circulou durante a Idade Média, servindo de instrumento para exploração da ingenuidade popular.




Como o catolicismo pregava que aquele que fosse para o inferno de lá não sairia mais (penas eternas), o purgatório seria a região onde os, nem tão bons e nem tão ruins, teriam a chance de serem julgados para ver se iriam para o céu ou para o inferno. E o critério para este julgamento estava nas mãos dos parentes aqui na Terra. Assim foi criado a Doutrina das Indulgências que permitia às famílias abastadas (ricas) promover a transferência de seus mortos do purgatório para o céu, mediante a doação de largas somas de dinheiro às organizações religiosas. Quem adquirisse “relíquias” (supostamente parte do corpo de um santo – osso, dente, cabelos, unhas – ou qualquer objeto que tenha usado ou que tocou seu cadáver), compradas a peso de ouro, o efeito seria mais seguro.




As “relíquias” prestavam-se a vergonhosas fraudes. Como poderiam os fiéis saber se eram autênticos pedaços da cruz onde foi sacrificado Jesus, os cabelos de Pedro, as sandálias de Paulo ou as pedras que imolaram Estevão?




No folclore religioso existe até mesmo a ideia de que é interessante pedir ajuda às almas do purgatório para resolver nossas dificuldades, pois estas estariam sempre dispostas a nos ajudar, a fim de acumularem méritos suficientes para se livrarem de suas penas.




As “penas eternas” é uma aberração teológica incompatível com a justiça e a misericórdia de Deus. Se o arrependimento no momento da morte livra o indivíduo do inferno, levando-o ao purgatório, por que Deus não perdoaria os impenitentes que encontram-se no inferno?

Afinal, a experiência demonstra que, ante sofrimentos prolongados, mesmo os indivíduos mais rebeldes acabam modificando suas disposições.




Então, o que é o purgatório para os Espíritas?




Então, nós espíritas, entendemos por purgatório, as dores físicas e morais: o tempo da expiação. Tempo onde carregamos as cruzes confeccionadas por nós ao transgredirmos as leis divinas. Quase sempre, é na Terra que fazemos o nosso purgatório, ou seja, que expiamos (resgatamos) as nossas faltas. Purgatório significa purgação, purificação. O purgante é o remédio que limpa o organismo. E as dores e aflições é o purgante que limpa a alma das transgressões à Lei Divina. Podemos dizer que, o caminho mais rápido e seguro entre o purgatório e o Céu, é “O PRÓXIMO”. Na medida em que estivermos dispostos a respeitar, ajudar, compreender e amparar aqueles que nos rodeiam, seja o familiar, o colega de serviço, o amigo, o indigente, o doente, estaremos habilitando-nos à felicidade, contribuindo para que ela se estenda sobre o Mundo. Portanto, não nos elevaremos se não tivermos dispostos a auxiliar os companheiros que conosco estagiam no purgatório terrestre.


           Richard Simonetti









                                                                                                           PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Purgatório na Visão Espírita
Enviado por: Le em 19 de Março de 2015, 18:30
Citação de dOM JORGE
"O purgatório não está na Bíblia, foi criado pelo catolicismo para resolver um problema teológico: a salvação."

Caro companheiro dOM JORGE

Estou plenamente de acordo com o que é referido.

Gostaria de uma análise ao termo muito utilizado nos textos da bibliografia Espírita
e nos Centros Espíritas "UMBRAL"

Desejos de muita paz.

Le

Título: Re: Purgatório na Visão Espírita
Enviado por: Vitor Santos em 19 de Março de 2015, 20:25
Olá Le

Eis uma oportunidade de fazer uma comparação entre o que dizem os católicos e o que dizem alguns espiritas. Umbral e purgatório parecem-me ser exactamente o mesmo, sem tirar nem por. O que pode ser diferente é a forma como as pessoas nos dias de hoje reagem perante esssa ideia.

O texto trazido pelo amigo Jorge parece-me bastante lógico. Se existe um purgatório ele é aqui na Terra e noutros mundos equivalentes. O que existe no além não sei, mas o que existe aqui na Terra sei, porque, como toda a gente, observo o que se passa.

Na minha opinião a Doutrina Espirita só faz sentido se o purgatório terreno for considerado um mal necessário. Uma fase em que espiritos muito teimosos passam, não como punição, mas como um empurrão muito forte. Se assim não fosse, eles (nós...) continuariam a estagnar no progresso espiritual, e então, sim, existiria o inferno, pois esses espiritos ficariam na mesma para a eternidade.

É certo que muitos dos nossos sofrimentos terrenos são auto-punições, na medida em que resultam da nossa burrice, pois seriam evitáveis, talvez. Mas não se trata de uma punição consignada nas leis da natureza, no sentido de pena que vem de condenações de outras encarnações. A palavra de ordem é o progresso. E é por ele que se justifica tanto sofrimento. O burro muito teimoso só anda a chicote...

De outra forma, se os nossos sofrimentos fossem penas determinadas em outras leis da natureza que não a lei do progresso, para pagarmos crimes que cometemos em encarnações anteriores, contra os outros, seriam penas demasiado duras.

Ninguém de boa indole, aqui na Terra, desejaria que alguém fosse punido de forma tão severa como tantas pessoas que sofrem horrores aqui neste globo, em pleno século XXI. As penas humanas não são menos severas do que as leis da natureza que Deus concebeu, para condenar alguém a tais punições. Lembremos o holocausto da 2ª grande guerra, e tantos "holocaustos", coletivos e/ou individuais, que existem neste mundo.

Agora se a severidade do chicote serve para empurrar o próprio no caminho da felicidade eterna, é para o bem dele. É um mal que é um remédio.

O chicote não tem a mesma severidade para todos, bem sei. Todos sofrem, neste mundo, mas uns sofrem bem mais do que os outros. Ou é porque necessitam de ser empurrados com mais força, ou é porque, na burrice deles (nossa...), ainda arranjam forma de levar chicotadas que não eram necessárias.

Bem hajam
Título: Re: Purgatório na Visão Espírita
Enviado por: lconforjr em 20 de Março de 2015, 18:03
Re: Purgatório na Visão Espírita

      Ref resp #2 em: 190315, às 20:25

      Vitor escreveu: Eis uma oportunidade de fazer uma comparação entre o que dizem os católicos e o que dizem alguns espíritas. Umbral e purgatório parecem-me ser exactamente o mesmo, sem tirar nem por...

      Na minha opinião, a Doutrina Espirita só faz sentido se o purgatório terreno for considerado um mal necessário. Uma fase em que espíritos muito teimosos passam, não como punição, mas como um empurrão muito forte. Se assim não fosse, eles (nós) continuariam a estagnar no progresso espiritual, e então, sim, existiria o inferno, pois esses espíritos ficariam na mesma para a eternidade.

      Conf: e quem poderá nos dizer, qual é a causa de haver espíritos q, procedendo de Deus (q, como afirma a Gênese kardequiana, pelo fato de ser Deus sabedoria, justiça e amor, nada que Dele procede pode ser nem mau, nem injusto, nem ininteligente) que se tornam tão teimosos, sem inteligencia, maus e injustos e, portanto, merecedores das consequências terríveis da lei divina, e há espíritos q assim não se tornam? Algum estudioso da doutrina tem alguma ideia? Pela justiça de Deus, todos somos criados perfeitamente iguais, é evidente q tb nos aspectos q interessam à evolução!!

      E seriam os males, q neste purgatório terrestre, como diz o Vitor, os homens sofrem, os mais terríveis, desesperadores e mesmo insuportáveis, condizentes com uma Sabedoria infinita, q é, conforme a doutrina, misericordioso amor e perfeita justiça?

      Serão esses sofrimentos insuportáveis condizentes com uma Sabedoria que, sendo tudo, criando tudo e podendo tudo, possuirá, é evidente, “n” soluções para levar suas criaturas a evoluírem, a compreenderem q devem abandonar o mal e se dedicar ao bem, sem que seja necessário q o chicote de seus prepostos caiam sobre suas costas e dali tirem lamentos e produzam dores desesperadoras? Serão as criaturas daquele q é infinita inteligência, tão néscias q somente percebem q devem trilhar o caminho do bem, qdo não mais suportam os sofrimentos q a lei divina lhes impõe?

      E haverá para Aquele q tudo pode e tudo cria a necessidade de criar um mal “necessário” para "corrigir" alguma coisa q Ele mesmo criou?
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