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GERAL => Mensagens de Ânimo => Acção do Dia => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 24 de Abril de 2011, 19:06

Título: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: dOM JORGE em 24 de Abril de 2011, 19:06
                                     VIVA JESUS!


      Boa-tarde! queridos irmãos.
             
 Possessão: há a posse física do encarnado?

Parte 1
 

“E o homem que estava possesso do espírito mau pulou sobre eles com tanta violência, que tiveram de fugir daquela casa, sem roupas e cobertos de ferimentos.” (Atos, 19:16.)

Introdução

Por várias vezes nos deparamos com essa dúvida, quando pessoas nos perguntavam se, nos casos de obsessão, haveria verdadeiramente uma posse física do encarnado, ou seja, se o Espírito obsessor “entraria” mesmo no corpo do obsidiado, passando a agir com o corpo deste.

A nossa própria experiência nos leva a crer que, em alguns casos, tem-se mesmo a nítida impressão que sim. Mas é importante ressaltar que, de forma alguma, estamos generalizando para todos os casos de obsessão. Vamos contar agora uma ocorrência que nos levou a rever nosso posicionamento anterior de que a posse física não poderia ocorrer em nenhuma hipótese.

Realidade x teoria: Um paciente em obsessão

Cerca de ano e meio atrás, fomos chamados para ajudar uma moça que havia sido hospitalizada por estar se comportando de maneira anormal. Entretanto, dentre os parentes, alguns perceberam que ela estava influenciada por Espíritos; por isso solicitaram o nosso auxílio. Chegando ao local onde ela se encontrava, vimos que a possibilidade de estar mesmo sob influência espiritual era evidente, pois, além de falar com voz masculina, falava outras coisas que em seu estado normal não lhe era habitual. Naquele momento tinha, segurando-lhe os braços, dois homens fortes, restringindo-lhe os movimentos, uma vez que queria agredir a si mesma. Por algum dos presentes no quarto, tivemos notícias de que o pároco da cidade havia passado por lá, numa rápida visita. Ele, ao sair, disse que, quando ela ficasse boa, ele voltaria. Como se diz popularmente: aí, até nós!...

A equipe de médiuns, que nos acompanhava naquele atendimento fraterno, também teve essa mesma impressão. Passamos, então, a estabelecer diálogo com os Espíritos que a atormentavam. E, após vários se apresentarem, conseguimos, finalmente, libertá-la daquelas influências, fato que a fez voltar a seu estado normal.

Passados alguns dias, fomos, novamente, chamados para ajudar essa moça. Desta vez, estava em sua própria residência, com os mesmos sintomas, falando com voz que não era a sua, e tentando se agredir, ou seja, comportava-se exatamente como da primeira vez. Na oportunidade, conversamos com vários Espíritos. A situação estava difícil, pois, mal acabávamos de convencer um Espírito a se afastar da moça, “entrava” outro. E, assim, ficamos por mais de uma hora. Por fim, dada a nossa incapacidade de resolver a questão, recomendamos aos familiares que a levassem ao Hospital Espírita André Luiz, na capital mineira, para avaliação e tratamento, se a situação assim o exigisse. A equipe do Hospital constatou que a moça, realmente, estava sob forte influência espiritual, recomendando que seu nome fosse levado para a reunião específica de desobsessão e que, semanalmente, por um tempo longo, tomasse passe, além de ter receitado medicamentos para tranquilizar a paciente, de conformidade com os procedimentos médicos tradicionais para o caso.

Daí, sempre que possível, a família a levava ao Grupo Espírita que frequentávamos. Na hora do passe era um sufoco, pois a moça fechava os olhos, e pronto: entrava em sintonia com os Espíritos que a perseguiam. Isso fez com que orientássemos aos passistas para que não a deixassem se concentrar, no momento do passe.

Entretanto, numa certa vez, após adentrar a câmara de passes, entrou em transe, numa nítida sintonia espiritual. Aliás, nunca vimos uma pessoa sintonizar-se tão facilmente quanto ela. Fomos imediatamente chamados para ajudar. Embora a situação fosse extremamente inadequada, de igual modo que nas anteriores, iniciamos o diálogo com o Espírito que a assediava, e, com muito custo, conseguimos dele a promessa de que iria “sair” da moça. Imediatamente após ele dizer isso, a moça perdeu todo o controle do corpo, caindo ao chão, sem que pudéssemos fazer absolutamente nada, dada a rapidez com que isso aconteceu. Ajudado pelos companheiros, com relativa dificuldade, a colocamos numa cadeira, tentando reanimá-la, o que ocorreu poucos minutos depois. Ao voltar ao seu normal não se lembrou de nada do que lhe ocorrera nesse período de tempo. Saiu naturalmente, como entrou, de forma que, quem a viu sair da câmara de passes não percebeu o que havia lá ocorrido.

Foi a partir desse episódio que passamos a questionar o conceito de que todos os fenômenos mediúnicos têm como base a mente; em outras palavras, tudo ocorre em nível de sintonias mentais entre os envolvidos, sem qualquer tipo de ligação física. Mas o fato ocorrido nos remetia a acreditar que havia realmente uma posse física, o que, a nosso ver, justificava a queda da moça após a “saída” do Espírito, se assim podemos nos expressar, não conseguindo, o seu próprio Espírito assumir, a tempo, o controle do corpo, de modo a evitar a sua queda.

Essa questão foi amplamente debatida entre os membros do Grupo e, na ocasião, chegou às nossas mãos um texto publicado no site Portal do Espírito, em que o articulista defendia, ou melhor, demonstrava que Kardec havia falado algo a respeito disso. Vejamos, então, nas obras kardequianas o que podemos encontrar.

O assunto nas Obras Básicas

Iremos apresentar em ordem cronológica o que encontramos daquilo que Kardec disse, para que fique clara a evolução do seu entendimento sobre o assunto.

1) Abr./1857 – O Livro dos Espíritos

Abordado nas seguintes questões:

473. Pode um Espírito tomar temporariamente o invólucro corporal de uma pessoa viva, isto é, introduzir-se num corpo animado e obrar em lugar do outro que se acha encarnado neste corpo?

“O Espírito não entra em um corpo como entras numa casa. Identifica-se com um Espírito encarnado, cujos defeitos e qualidades sejam os mesmos que os seus, a fim de obrar conjuntamente com ele. Mas o encarnado é sempre quem atua, conforme quer, sobre a matéria de que se acha revestido. Um Espírito não pode substituir-se ao que está encarnado, por isso que este terá que permanecer ligado ao seu corpo até ao termo fixado para sua existência material.”

474. Desde que não há possessão propriamente dita, isto é, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma ficar na dependência de outro Espírito, de modo a se achar subjugada ou obsidiada ao ponto de a sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada?

“Sem dúvida, e são esses os verdadeiros possessos. Mas é preciso saibas que essa dominação não se efetua nunca sem que aquele que a sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por desejá-la. Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos.”

O vocábulo possesso, na sua acepção vulgar, supõe a existência de demônios, isto é, de uma categoria de seres maus por natureza, e a coabitação de um desses seres com a alma de um indivíduo, no seu corpo. Posto que, nesse sentido, não há demônios e que dois Espíritos não podem habitar simultaneamente o mesmo corpo, não há possessos na conformidade da ideia a que esta palavra se acha associada. O termo possesso só se deve admitir como exprimindo a dependência absoluta em que uma alma pode achar-se com relação a Espíritos imperfeitos que a subjuguem. (KARDEC, 2007a, p. 282.)

Nessa circunstância, não há nenhuma margem para dúvidas de que, naquele momento, não julgava que pudesse haver possessão física, mas sim subjugação. E Kardec justifica o porquê de não querer usar o termo possessão, já que poderiam relacioná-lo com demônios, seres que não existem para o Espiritismo, senão na acepção de Espíritos imperfeitos e ainda dedicados ao mal.

      Paulo Neto                                    ( continua )

                                                                 PAZ, MUITA PAZ!
 
                                                                                                                 
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: dOM JORGE em 24 de Abril de 2011, 23:02
                                       VIVA JESUS!


      Boa-noite! queridos irmãos.


             2) Jan./1861 – O Livro dos Médiuns

No capítulo XXIII, intitulado Da Obsessão, Kardec volta novamente ao assunto.

240. A subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação. No segundo caso, o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários. Traduz-se, no médium escrevente, por uma necessidade incessante de escrever, ainda nos momentos menos oportunos. Vimos alguns que, à falta de pena ou lápis, simulavam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, nas portas, nas paredes. Vai, às vezes, mais longe a subjugação corporal; pode levar aos mais ridículos atos. Conhecemos um homem, que não era jovem, nem belo e que, sob o império de uma obsessão dessa natureza, se via constrangido, por uma força irresistível, a pôr-se de joelhos diante de uma moça a cujo respeito nenhuma pretensão nutria e pedi-la em casamento. Outras vezes, sentia nas costas e nos jarretes uma pressão enérgica, que o forçava, não obstante a resistência que lhe opunha, a se ajoelhar e beijar o chão nos lugares públicos e em presença da multidão. Esse homem passava por louco entre as pessoas de suas relações; estamos, porém, convencidos de que absolutamente não o era; porquanto tinha consciência plena do ridículo do que fazia contra a sua vontade e com isso sofria horrivelmente.

241. Dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos, quando a influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima. A possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação. Por dois motivos deixamos de adotar esse termo: primeiro, porque implica a crença de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, enquanto que não há senão seres mais ou menos imperfeitos, os quais todos podem melhorar-se; segundo, porque implica igualmente a ideia do assenhoreamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento. A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente obsidiados, subjugados e fascinados. (KARDEC, 2007b, p. 320-321.)

Ainda aqui Kardec não muda de opinião; mantém a que já possuía a respeito desse assunto; apenas, como bom educador, esclarece com mais detalhe o que havia dito antes.

3) Dez/1863 – Revista Espírita

Neste ponto Kardec muda de opinião, retificando o seu pensamento anterior, após ter uma prova de que há possessão física, sim. Vejamos o que ele narra:

Um caso de possessão - Senhorita Julie

Dissemos que não havia possessos no sentido vulgar da palavra, mas subjugados; retornamos sobre esta afirmação muito absoluta, porque nos está demonstrado agora que pode ali haver possessão verdadeira, quer dizer, substituição, parcial, no entanto, de um Espírito errante ao Espírito encarnado. Eis um primeiro fato que é a prova disto, e que apresenta o fenômeno em toda a sua simplicidade. […].

[...] Ele [o Espírito] declara que, querendo conversar com seu antigo amigo, aproveitou de um momento em que o Espírito da Senhora A..., a sonâmbula, estava afastado de seu corpo, para se colocar em seu lugar. […].

P. Que fez durante esse tempo o Espírito da senhora A...? – R. Estava lá, ao lado, me olhava e ria de ver-me nesse vestuário. (KARDEC, 2000, p. 373-374.)

Como se pode notar, transcrevemos apenas o que nos pareceu interessante para o nosso estudo. Entretanto, partindo das próprias afirmações de Kardec, algumas pessoas colocam como ainda não doutrinária essa questão, por estar apenas na Revista Espírita. De fato, é perfeitamente aceitável pensar assim diante do que Kardec disse na Introdução de A Gênese: “A Revue, muita vez, representa para nós, um terreno de ensaio, destinado a sondar a opinião dos homens e dos Espíritos sobre alguns princípios, antes de os admitir como partes constitutivas da doutrina”. (KARDEC, 2007c, p. 17.)

Teríamos, como a maioria, também dado esse assunto por encerrado, já que a evidência era demasiadamente forte para contestarmos, apesar de, particularmente, não estarmos vendo a questão dessa forma, pois, para nós, a mudança de opinião é clara demais na Revista Espírita, não se tratando de questão que foi ali colocada para ver as opiniões sobre o assunto. Para nós, ao dizer isso, ele, Kardec, está tornando pública a sua opinião sobre o tema.

Mas, continuando as pesquisas, deparamos com algo que não deixará dúvidas, ficando claro que faz parte, sim, dos princípios constitutivos da Doutrina. Vejamos, então, o que encontramos, por último, naquilo que pesquisamos.

         Paulo Neto                               ( continua )


                                                               PAZ, MUITA PAZ!
                                                                                           




                                                                           


                                     


Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: dOM JORGE em 24 de Abril de 2011, 23:07
                                         VIVA JESUS!


     Boa-noite! queridos irmãos.


           4) Jan./1868 – A Gênese

Kardec volta a essa questão, agora em definitivo, nesse livro, no capítulo XIV, Os Fluidos, quando, tratando das obsessões, diz:

46 - Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; para garanti-la contra a obsessão, tem-se que fortalecer a alma; donde, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar por se melhorar a si próprio, o que as mais das vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de terceiros. Necessário se torna este socorro, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque nesse caso o paciente não raro perde a vontade e o livre-arbítrio.

Quase sempre a obsessão exprime vingança tomada por um Espírito e cuja origem frequentemente se encontra nas relações que o obsidiado manteve com o obsessor, em precedente existência. Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que importa desembaraçá-lo. Ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluido mau com o auxílio de um fluido melhor.

Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela. Mas ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima, indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios; que se faça que o arrependimento desponte nele, assim como o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas, em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito.

O trabalho se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, para ele concorre com a vontade e a prece. Outro tanto não sucede quando, seduzido pelo Espírito que o domina, se ilude com relação às qualidades deste último e se compraz no erro a que é conduzido, porque, então, longe de a secundar, o obsidiado repele toda assistência. É o caso da fascinação, infinitamente mais rebelde sempre, do que a mais violenta subjugação. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXIII.)

Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso meio de que se dispõe para demover de seus propósitos maléficos o obsessor.

47. - Na obsessão, o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o do encarnado, ficando este afinal enlaçado por uma como que teia e constrangido a proceder contra a sua vontade. Na possessão, em vez de agir exteriormente, o Espírito atuante se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; toma-lhe o corpo para domicílio, sem que este, no entanto, seja abandonado pelo seu dono, pois que isso só se pode dar pela morte. A possessão, conseguintemente, é sempre temporária e intermitente, porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar de um encarnado, pela razão de que a união molecular do perispírito e do corpo só se pode operar no momento da concepção. (Cap. XI,

nº. 18.) De posse momentânea do corpo do encarnado, o Espírito se serve dele como se seu próprio fora: fala pela sua boca, vê pelos seus olhos, opera com seus braços, conforme o faria se estivesse vivo. Não é como na mediunidade falante, em que o Espírito encarnado fala transmitindo o pensamento de um desencarnado; no caso da possessão é mesmo o último que fala e obra; quem o haja conhecido em vida, reconhece-lhe a linguagem, a voz, os gestos e até a expressão da fisionomia.

48. - Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo.

Quando é mau o Espírito possessor, as coisas se passam de outro modo. Ele não toma moderadamente o corpo do encarnado, arrebata-o, se este não possui bastante força moral para lhe resistir. Fá-lo por maldade para com este, a quem tortura e martiriza de todas as formas, indo ao extremo de tentar exterminá-lo, já por estrangulação, já atirando-o ao fogo ou a outros lugares perigosos. Servindo-se dos órgãos e dos membros do infeliz paciente, blasfema, injuria e maltrata os que o cercam; entrega-se a excentricidades e a atos que apresentam todos os caracteres da loucura furiosa.

     Paulo Neto                               


                                                          PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: dOM JORGE em 01 de Maio de 2011, 09:47
                                     VIVA JESUS!


         Bom-dia! queridos irmãos.

                  Possessão: há a posse física do encarnado?

Parte 2 e final
 

Prosseguindo na citação dos textos de Kardec constantes do capítulo XIV do livro A Gênese, eis o complemento do item 48 do capítulo citado:

São numerosos os fatos deste gênero, em diferentes graus de intensidade, e muitos casos de loucura não derivam de outra causa. Amiúde, há também desordens patológicas, que são meras consequências e contra as quais nada adiantam os tratamentos médicos, enquanto subsiste a causa originária.

Dando a conhecer essa fonte donde provém uma parte das misérias humanas, o Espiritismo indica o remédio a ser aplicado: atuar sobre o autor do mal que, sendo um ser inteligente, deve ser tratado por meio da inteligência. (1)

49. - São as mais das vezes individuais a obsessão e a possessão; mas, não raro são epidêmicas. Quando sobre uma localidade se lança uma revoada de maus Espíritos, é como se uma tropa de inimigos a invadisse. Pode então ser muito considerável o número dos indivíduos atacados. (2)

Vê-se, portanto, que Allan Kardec não deixa de registrar numa obra básica o seu novo posicionamento diante do tema possessão. Infelizmente, assim como a Revista Espírita, o livro A Gênese não é quase lido pelos espíritas; poucos se aventuram a lê-lo; com isso, o entendimento fica equivocado, quando se afirma que não há possessão física, com base em posição anterior de Kardec, posição essa que foi mudada diante dos fatos que lhe foram apresentados.

Tomamos a liberdade de sugerir à FEB – Federação Espírita Brasileira, que, nas obras citadas - O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e A Gênese -, registre isso em notas de rodapé, visando alertar ao leitor sobre a mudança de entendimento por Kardec.

Um outro fator que não podemos deixar de chamar à atenção é o fato de que, para Kardec, possessão não significa necessariamente uma obsessão, como muitos de nós acreditamos; para ele é apenas um fato no qual certos Espíritos, literalmente, “tomam posse” do corpo do médium, podendo tais Espíritos ser bons ou maus, conforme o caso. É isso o que ficou claro, para nós, quando da leitura dos itens 47 e 48, acima transcritos.

5) Fev./1869 – Revista Espírita

Na narrativa de Kardec a respeito de um Espírito que não acreditava ter morrido, mas apenas sonhando, podemos encontrar mais alguma coisa sobre o assunto de que estamos tratando. Vejamos:

Na sessão da Sociedade de Paris, de 8 de janeiro, o mesmo Espírito veio se manifestar de novo, não pela escrita, mas pela palavra, em se servindo do corpo do Sr. Morin, em sonambulismo espontâneo. Ele falou durante uma hora, e isso foi uma cena das mais curiosas, porque o médium tomou a sua pose, seus gestos, sua voz, sua linguagem ao ponto que aqueles que o tinham visto o reconheceram sem dificuldade. [...]

Numa outra reunião, um Espírito deu sobre este fenômeno a comunicação seguinte:

Há aqui, uma substituição de pessoa, uma simulação. O Espírito encarnado recebe a liberdade ou cai na inação. Digo inércia, quer dizer, a contemplação daquilo que se passa. Ele está na posição de um homem que empresta momentaneamente a sua habitação, e que assiste às diferentes cenas que se realizam com a ajuda de seus móveis. Se gosta mais de gozar da sua liberdade, ele o pode, a menos que não haja para ele utilidade em permanecer espectador.

Não é raro que um Espírito atue e fale com o corpo de um outro; deveis compreender a possibilidade deste fenômeno, então que sabeis que o Espírito pode se retirar com o seu perispírito mais ou menos longe de seu envoltório corpóreo. Quando esse fato ocorre sem que nenhum Espírito disto se aproveite para ocupar o lugar, há a catalepsia. Quando um Espírito deseja ali se colocar para agir, toma um instante a sua parte na encarnação, une o seu perispírito ao corpo adormecido, desperta-o por esse contato e restitui o movimento à máquina; mas os movimentos, a voz não são mais os mesmos, porque os fluidos perispirituais não afetam mais o sistema nervoso do mesmo modo que o verdadeiro ocupante. Essa ocupação jamais pode ser definitiva; seria preciso, para isso, a desagregação absoluta do primeiro perispírito, o que levaria forçosamente à morte. Ela não pode mesmo ser de longa duração, pela razão de que o novo perispírito, não tendo sido unido a esse corpo desde a sua formação, não tem nele raízes, não estando modelado sobre esse corpo, não está apropriado ao desempenho dos órgãos; o Espírito intruso não está numa posição normal; ele é embaraçado em seus movimentos e é porque deixa essa veste emprestada desde que dela não tenha mais necessidade. (KARDEC, 2001, p. 48-49.)

Aqui, então, diante do assunto incluído num dos livros das obras básicas, não há mais como contestar não ser tema constitutivo da Doutrina, embora, como já o dissemos, já o aceitássemos por estar tão objetivamente na Revista Espírita, e como resposta à experiência pessoal que tivemos, inicialmente relatada. A novidade é que Kardec afirma que até um Espírito bom poderá possuir o corpo de um encarnado, desde que as condições o exijam, conforme abordado no tópico anterior.

Opiniões sobre o assunto

No capítulo XIX – Transes e Incorporações do livro No Invisível, Léon Denis fala justamente daquilo que estamos presentemente estudando. Vamos ver, então, o que disse aquele que é considerado o sucessor de Kardec:

O estado de transe é esse grau de sono magnético que permite ao corpo fluídico exteriorizar-se, desprender-se do corpo carnal, e à alma tornar a viver por um instante sua vida livre e independente. A separação, todavia, nunca é completa; a separação absoluta seria a morte... No transe, o médium fala, move-se, escreve automaticamente; desses atos, porém, nenhuma lembrança conserva ao despertar.

O estado de transe pode ser provocado, quer pela ação de um magnetizador, quer pela de um Espírito. Sob o influxo magnético, os laços que unem os dois corpos se afrouxam. A alma, com seu corpo sutil, vai-se emancipando pouco a pouco; recobra o uso de seus poderes ocultos, comprimidos pela matéria. Quanto mais profundo é o sono, mais completo vem a ser o desprendimento. [...]

No corpo do médium, momentaneamente abandonado, pode dar-se uma substituição de Espírito. É o fenômeno das incorporações. A alma de um desencarnado, mesmo a alma de um vivo adormecido, pode tomar o lugar do médium e servir-se de seu organismo material, para se comunicar pela palavra e pelo gesto com as pessoas presentes. (DENIS, 1987, p. 249.)

Nesse ponto Léon Denis cita Dr. Oliver Lodge e o professor Myers como testemunhas da realidade desses fatos. E continuando, lemos: Indagam certos experimentadores: o Espírito do manifestante se incorpora efetivamente no organismo do médium? Ou opera ele antes, a distância, pela sugestão mental e pela transmissão de pensamento, como o pode fazer o Espírito exteriorizado do sensitivo?

Um exame atento dos fatos nos leva a crer que essas duas explicações são igualmente admissíveis, conforme os casos. As citações que acabamos de fazer provam que a incorporação pode ser real e completa. É mesmo algumas vezes inconsciente, quando, por exemplo, certos Espíritos pouco adiantados são conduzidos por uma vontade superior ao corpo do médium e postos em comunicação conosco, a fim de serem esclarecidos sobre sua verdadeira situação. Esses Espíritos, perturbados pela morte, acreditam ainda, muito tempo depois, pertencerem à vida terrestre. Não lhes permitindo seus fluidos grosseiros o entrarem em relação com os Espíritos mais adiantados, são levados aos grupos de estudo, para serem instruídos acerca de sua nova condição. É difícil às vezes fazer-lhes compreender que abandonaram a vida carnal, e sua estupefação atinge o cômico, quando, convidados a comparar o organismo que momentaneamente animam com o que possuíam na Terra, são obrigados a reconhecer o seu engano. Não se poderia duvidar, em tal caso, na incorporação completa do Espírito.

Noutras circunstâncias, a teoria da transmissão a distância parece melhor explicar os fatos. As impressões oriundas de fora são mais ou menos fielmente percebidas e transmitidas pelos órgãos. Ao lado de provas de identidade, que nenhuma hesitação permitem sobre a autenticidade do fenômeno e intervenção dos Espíritos, verificam-se, na linguagem do sensitivo em transe, expressões, construções de frases, um modo de pronunciar que lhe são habituais. O Espírito parece projetar o pensamento no cérebro do médium, onde adquire, de passagem, formas de linguagem familiares a este. A transmissão se efetua em tal caso no limite dos conhecimentos e aptidões do sensitivo, em termos vulgares ou escolhidos, conforme o seu grau de instrução.

Daí também certas incoerências que se devem atribuir à imperfeição do instrumento. Ao despertar, o Espírito do médium perde toda consciência das impressões recebidas no sentido de liberdade, do mesmo modo que não guardará o menor conhecimento do papel que seu corpo tenha desempenhado durante o transe. Os sentidos psíquicos, de que por um momento haviam readquirido a posse, se extinguem de novo; a matéria estende o seu manto; a noite se produz; toda recordação se desvanece. O médium desperta num estado de perturbação, que lentamente se dissipa. (DENIS, 1987, p. 252-254.)

           Paulo Neto                                          ( continua )


                                                              PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: dOM JORGE em 01 de Maio de 2011, 09:50
                                        VIVA JESUS!


          Bom-dia! queridos irmãos.


                 As colocações de Léon Denis vêm corroborar o que o próprio Kardec disse sobre a possessão. Agora, mais do que nunca, ficamos convictos dessa realidade, uma vez que todas as colocações que citamos estão coerentes entre si, não havendo, portanto, algo que demonstre qualquer contradição entre elas.

Poderemos ainda acrescentar, apenas para reforçar essa ideia, algumas coisas que encontramos no livro Nos Domínios da Mediunidade, Chico Xavier, ditado por André Luiz.

Vejamos os trechos nos quais, falando a respeito de determinado médium, está dito:

[...] Quando empresta o veículo a entidades dementes ou sofredoras, reclama-nos cautela, porquanto quase sempre deixa o corpo à mercê dos comunicantes, quando lhe compete o dever de ajudar-nos na contenção deles, a fim de que o nosso tentame de fraternidade não lhe traga prejuízo à organização física. (XAVIER, 1987, p. 30.)

Segundo pensamos, se o médium “empresta o veículo a entidades” é porque os Espíritos tomam posse do corpo físico dele ou, no linguajar popular, incorpora-se no médium.

[…] Entretanto, adaptando-se ao organismo da mulher amada que passou a obsidiar, nela encontrou novo instrumento de sensação, vendo por seus olhos, ouvindo por seus ouvidos, muitas vezes falando por sua boca e vitalizando-se com os alimentos comuns por ela utilizados. Nessa simbiose vivem ambos, há quase cinco anos sucessivos, contudo, agora, a moça subnutrida e perturbada acusa desequilíbrios orgânicos de vulto. […] (XAVIER, 1987, p. 54.)

É praticamente o que diz Kardec ao final do item 47, na passagem comentada no item 4 acima de A Gênese. A única divergência é que o codificador falou de posse momentânea, e aqui descreve uma com, provavelmente, cinco anos de duração.

Notamos que Eugênia-alma afastou-se do corpo, mantendo-se junto dele, a distância de alguns centímetros, enquanto que, amparado pelos amigos que o assistiam, o visitante sentava-se rente, inclinando-se sobre o equipamento mediúnico ao qual se justapunha, à maneira de alguém a debruçar-se numa janela. (XAVIER, 1987, p. 54-55.)

[…] nesses trabalhos, o médium nunca se mantém a longa distância do corpo... (XAVIER, 1987, p. 56.)

Impressionante como esse trecho se assemelha à fala do Espírito que explicava como possuía o corpo físico da Senhora A..., na possessão citada na Revista Espírita. E, para quem assistiu ao filme Ghost, essa descrição faz-nos lembrar do que acontecia com a personagem vivida por Whoopi Goldberg, que antes brincava de “receber” Espíritos, e depois passou a “recebê-los” de fato.

Vejam bem: tudo isso se ajusta ao que está dito em A Gênese; mas, mesmo que no livro do autor espiritual André Luiz fatos extremamente idênticos sejam relatados, lemos nessa obra - Nos domínios da mediunidade -, o seguinte: “Achando-se a mente na base de todas as manifestações mediúnicas, quaisquer que sejam os característicos em que se expressem...” (XAVIER, 1987, p. 18.)

Isso vem justamente contradizer, salvo melhor juízo, o que está descrito nesse mesmo livro de André Luiz, quando dos casos de incorporação e dos de obsessão, uma vez que, por eles fica caracterizada a posse do corpo do médium ou, conforme o caso, do obsidiado. Assim, acreditamos que poderia estar havendo certo exagero em se dizer de forma absoluta que a mente está na base de todas as manifestações mediúnicas, como se afirma no mencionado livro, a não ser que estejamos entendendo de maneira errada o que quer colocar o autor espiritual. Poderia, quem sabe, estar mesmo querendo dizer que essa base é a mente do desencarnado, não como sendo a ligação mental entre os envolvidos no fenômeno mediúnico.

Podemos ainda citar o Dr. Hernani Guimarães Andrade que utilizou quase das mesmas passagens que citamos de André Luiz, quando estudou a questão das incorporações mediúnicas, obsessões e possessões. A certa altura diz-nos esse saudoso mestre: A “incorporação mediúnica” pode, também, distinguir-se por diversas modalidades de comunicação: psicofonia, psicografia, possessão parcial ou total das manifestações de habilidades não aprendidas, tais como nos casos de psicopictografia, psicocirurgia, psicoescultura, psicomúsica, escrita automática incontrolável com xenografia, xenoglossia, múltipla personalidade, transfiguração (esta última pertencendo também ao capítulo das ectoplasmias) etc.

O mecanismo da “incorporação mediúnica” é fácil de compreender. Ela pode principiar pela aproximação da entidade que deseja comunicar-se. Esta poderá eventualmente influenciar o “médium”, facilitando-lhe o “transe”. O médium passa então a sofrer um desdobramento astral (OBE) e sua cúpula juntamente com o corpo astral deslocam-se parcial ou totalmente de maneira a permitir que a cúpula e o corpo astral do Espírito comunicante ocupem parcial ou totalmente o campo livre deixado pelo “corpo astral” do médium. A incorporação é tanto mais perfeita quanto maior o espaço cedido pelo astral do médium ao afastar-se do seu corpo físico, deixando lugar para a cúpula com o corpo astral do comunicador. Este – o Espírito comunicante – deverá sofrer um processo semelhante ao desdobramento astral, para permitir que sua cúpula e corpo astral possam justapor-se ao espaço livre deixado pelo médium. Há casos em que a parte astral do médium se desloca só parcialmente, permitindo que apenas uma fração do astral do Espírito comunicador entre em contacto com a zona anímico-perispirítica daquele.

Mesmo nestas condições pode haver comunicação, a qual poderá ser em parte direta e em parte telepática. Em semelhante circunstância há sempre possibilidade de controle das comunicações, por parte do médium. Este poderá interferir no processo, ainda mesmo que totalmente afastado, pois a ligação com a sua zona anímico-perispirítica não cessa. Há sempre a presença do “cordão prateado” garantindo o domínio do próprio equipamento somático. (ANDRADE, 2002, p. 122-124.)

Conclusão

O que aprendemos, como uma oportuna lição, é que sempre devemos fazer nossas pesquisas em todos os livros de Kardec; até que tenhamos a opinião final, não podemos ficar com a primeira opinião que, por ventura, venhamos encontrar. Conforme ficou demonstrado neste estudo, Kardec mudou de opinião sobre a possessão; daí poderemos concluir que não colocou nada como verdade absoluta, mas, como sempre, passível de novos entendimentos. Vai mais longe ao dizer, em relação à progressividade evolutiva do Espiritismo: “Se novas descobertas lhe demonstrarem que está em erro sobre um ponto, modificar-se-á sobre esse ponto; se uma nova verdade se revela, ele a aceita”. (KARDEC, 2007c, p. 40.)

Devemos, pois, reformular nossos conceitos sobre a possessão, tendo em vista que deverá prevalecer, segundo acreditamos, a última opinião de Kardec; e é ela que vem dizer da possibilidade real da possessão, por um Espírito, do corpo de um encarnado. Poderemos dizer que na subjugação o encarnado não quer fazer, mas é constrangido a fazer aquilo que o Espírito obsessor deseja que o subjugado faça. A atuação do Espírito é por envolvimento. Nessa hipótese o encarnado está consciente da situação, mas nada pode fazer para evitá-la. Já na possessão o encarnado não tem a mínima ideia do que está lhe acontecendo; faz, sem tomar consciência, a vontade do Espírito, conforme percebemos, senão em todos, pelo menos na maioria dos casos de que tomamos conhecimento. Nessa situação está completamente inconsciente, não oferecendo a mínima resistência à vontade do obsessor, que faz do obsidiado uma marionete, se assim podemos nos expressar.

Diante do exposto, podemos aceitar, sem medo de errar, que, em alguns casos, existe mesmo uma real incorporação, no sentido exato da palavra, aplicado a esse fenômeno mediúnico, conclusão a que chegamos por este nosso estudo.

 

Referências bibliográficas:

ANDRADE, H.G., Espírito, Perispírito e Alma, São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2002.

DENIS, L., No Invisível, Rio de Janeiro: FEB, 1987.

KARDEC, A. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 2007c.

_________ O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 2007a.

_________ O Livro dos Médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 2007b.

_________ Revista Espírita, tomo VI, 1863, Araras – SP: IDE, 2000.

_________ Revista Espírita, tomo XII, 1869, Araras – SP: IDE, 2001.

XAVIER, F. C. Nos Domínios da Mediunidade, Rio de Janeiro: FEB, 1987.

_______________________


(1) Casos de cura de obsessões e de possessões: Revue Spirite, dezembro de 1863, pág. 373; - janeiro de 1864, pág. 11; - junho de 1864, pág. 168; - janeiro de 1865, pág. 5; - junho de 1865, pág. 172; - fevereiro de 1868, pág. 38; - junho de 1867, pág. 174.

(2) Foi exatamente desse gênero a epidemia que, faz alguns anos, atacou a aldeia de Morzine na Saboia. Veja-se o relato completo dessa epidemia na Revue Spirite de dezembro de 1862, pág. 353; janeiro, fevereiro, abril e maio de 1863, págs. 1, 33, 101 e 133. (KARDEC, 2007c, p. 347-351.) (Grifo nosso.)

                Paulo Neto



                                                               PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Lucazan em 01 de Maio de 2011, 14:29
Caro Amigos,

O espírito de Kardec estava encarnado e sujeito a todas as limitações e enganos que isto implica.

Para uma melhor analise e entendimento cito a seguinte questão do LM:

XXIV. Dizes que o Espírito não se serve de suas mãos para deslocar a mesa. Entretanto, já se tem visto, em certas manifestações visuais, aparecerem mãos a dedilhar um teclado, a percutir as teclas e a tirar dali sons. Neste caso, o movimento das teclas não será devido, como parece, à pressão dos dedos? E não é também direta e real essa pressão, quando se faz sentir sobre nós, quando as mãos que a exercem deixam marcas na pele?

"Não podeis compreender a natureza dos Espíritos nem a maneira por que atuam, senão mediante comparações, que de uma e outra coisa apenas vos dão idéia incompleta, e errareis sempre que quiserdes assimilar aos vossos os processos de que eles usam. Estes, necessariamente, hão de corresponder à organização que lhes é própria. Já te não disse eu que o fluido do perispírito penetra a matéria e com ela se identifica, que a anima de uma vida factícia? Pois bem! Quando o Espírito põe os dedos sobre as teclas, realmente os põe e de fato as movimenta. Porém, não é por meio da força muscular que exerce a pressão. Ele as anima, como o faz com a mesa, e as teclas, obedecendo-lhe à vontade, se abaixam e tangem as cordas do piano. Em tudo isto uma coisa ainda se dá, que difícil vos será compreender: é que alguns Espíritos tão pouco adiantados se encontram e, em comparação com os Espíritos elevados, tão materiais se conservam, que guardam as ilusões da vida terrena e julgam obrar como quando tinham o corpo de carne. Não percebem a verdadeira causa dos efeitos que produzem, mais do que um camponês compreende a teoria dos sons que articula. Perguntai-lhes como é que tocam piano e vos responderão que batendo com os dedos nas teclas, porque julgam ser assim que o fazem. O efeito se produz instintivamente neles, sem que saibam como, se bem lhes resulte da ação da vontade. O mesmo ocorre, quando se exprimem por palavras.

Assim como nós, os espíritos inferiores e ignorantes não conseguem ver a realidade e relatam o que pensam ser a realidade que vivem.
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Lucazan em 01 de Maio de 2011, 15:02
                                                             Continuação

Caro Amigo,

Como pudemos ver no post anterior, Kardec em sua limitação de encarnado, não pode fazer doutrina, apenas cometa-la conforme o seu entendimento.

No caso de influência negativa dos espíritos inferiores e ignorantes, este atuam sobre o espírito encarnado a ponto de subjuga-lo e este apenas responde de forma voluntária às influências dos espíritos inferiores
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Dadinho em 01 de Maio de 2011, 17:00
Prezados,

O texto de Paulo Neto é antes de tudo científico, no sentido de que buscou, atravéz de uma pesquisa e análise, trazer-nos uma observação mais consistente sobre as questões associadas ao processo mediúnico, notadamente a obsessão.

Mas acho que este trabalho não vem de forma alguma expor a figura de Kardec como alguém limitado por estar encarnado. Muito pelo contrário! Mostra mais uma vez que tudo o que Kardec produziu não foi fruto senão de pesquisas, experimentações e reflexôes profundas, com metodologia científica. Até um determinado momento, era seguro falar de fascinação, subjugação e obsessão simples, porém não possessão, que, como o próprio Kardec cita:

"Por dois motivos deixamos de adotar esse termo: primeiro, porque implica a crença de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, enquanto que não há senão seres mais ou menos imperfeitos, os quais todos podem melhorar-se; segundo, porque implica igualmente a ideia do assenhoreamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento."


ele tinha mais de um motivo para não o utilizar. Naquelas circunstâncias, o segundo motivo poderia até ser confundido com a subjugação (naquele estado do conhecimento), porém não o primeiro motivo, que é inadimissível.

Mas tarde, com mais elementos e podendo melhor se aprofundar no assunto, houve por bem o mestre lionês prestar maiores esclarecimentos e ampliar a visão inicial e é notório que quando ele passa a aceitar o termo possessão de antemão ele já está descartando o primeiro motivo, dos seres eternamente maus. Ou seja, o sentido considerado para essa palavra nesse segundo momento não é o mesmo que ele tinha descrito anteriormente, que inclusive sustentava a ideia de um domínio total (ou possessão total) sobre o corpo do encarnado. É importante frisar que no artigo "Um caso de possessão - Senhorita Julie" da Revue Spirite de 1863 citada, Kardec vem apenas desfazer essa visão grosso modo absoluta empregada nessa ideia inicial de possessão, que poderia gerar questionamentos futuros. Passou então a discorrer sobre a possibilidade de uma possessão parcial. Logo, não houve contradição, mas sim um "rearranjo" das ideias, de modo a tornar mais clara a compreensão delas.

Tanto isso é verdade que Kardec em nenhum momento diz que a possessão não é possível, ao contrário disso, ele afirrma: "Médiuns subjugados: os que sofrem uma dominação moral e, muitas vezes, material da parte de maus Espíritos". LM item 196 (grifos nossos), admitindo que existe sim a possiblidade de ação direta do espírito sobre o corpo do obsidiado.

Muita paz!
Dadinho
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Lucazan em 01 de Maio de 2011, 18:32
Caro Amigo,

Concordo com você quando afirma sobre Kardec e seus pensamentos. Ele apenas relata suas observações e entendimento como ser encarnado.

Porém a DE afirma que não a possessão como se entende vulgarmente, ele apenas acontece em relação ao espírito e não ao corpo, este se mantém sobre os domínios do espírito encarnado e repassa ao corpo a sugestões do espírito que o subjuga ou obsedia.

 473 Um Espírito pode momentaneamente entrar no corpo de uma pessoa viva, isto é, se introduzir num corpo animado e agir no lugar daquele que está encarnado?

– O Espírito não entra num corpo como entrais numa casa. Ele se identifica com um Espírito encarnado que tem os mesmos defeitos e as mesmas qualidades para agir conjuntamente; mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer, sobre a matéria em que está. Um Espírito não pode substituir o que está encarnado, porque o Espírito e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o fim da existência material.

474 Se não há possessão propriamente dita, ou seja, coabitação de dois Espíritos num mesmo corpo, a alma pode se encontrar na dependência de outro Espírito, de maneira a estar por ele subjugada ou obsediada, a ponto de sua vontade ficar, de algum modo, paralisada?

– Sim, e esses são os verdadeiros possessos. Mas é preciso entender que essa dominação nunca ocorre sem a participação daquele que a sofre, seja por sua fraqueza, seja por seu desejo. Têm-se tomado freqüentemente por possessos os epilépticos ou os loucos, que têm mais necessidade de médico do que de exorcismo.

Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Dadinho em 02 de Maio de 2011, 14:20
Sim Lucazan,

Observação perfeita. O pessoal às vezes acaba confundindo as coisas não aceitando o termo possessão porque lê com o sentido de que há um domínio total do corpo somático do obsidiado por parte do obsessor, a despeito da posse que aquele detém sobre o seu próprio corpo. Poderíamos considerar isso de "possessão total ou absoluta", que somente existe entre o corpo material e o espírito que é o seu dono. Todos os demais casos onde o domínio sobre o corpo é feita por um segundo espírito, seriam então designadas como possessões parciais ou, conforme o grau, como subjugações.

Muita paz!
Dadinho


Caro Amigo,

Concordo com você quando afirma sobre Kardec e seus pensamentos. Ele apenas relata suas observações e entendimento como ser encarnado.

Porém a DE afirma que não a possessão como se entende vulgarmente, ele apenas acontece em relação ao espírito e não ao corpo, este se mantém sobre os domínios do espírito encarnado e repassa ao corpo a sugestões do espírito que o subjuga ou obsedia.

Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: LuizFrancisco em 02 de Maio de 2011, 15:03
Olá a todos,

Trago abaixo, para melhor entendimento.
A Gênese - cap.XIV
47 - ... Na possessão, em lugar de agir exteriormente, o Espírito livre se substitui, por assim dizer, ao Espírito encarnado; faz eleição de domicílio em seu corpo sem que, contudo este o deixe definitivamente, o que não pode ter lugar senão com a morte. A possessão é, pois, sempre temporária e intermitente porque um Espírito desencarnado não pode tomar definitivamente o lugar e dignidade de um Espírito encarnado, atentando que a união molecular do perispírito e do corpo só pode se operar no momento da concepção. (Cap. XI, n° 18)

48. – A obsessão é sempre uma ocorrência de um Espírito malfeitor. A possessão pode ser a atuação de um bom Espírito que quer falar e, para causar maior impressão em seu ouvinte, toma emprestado o corpo de um encarnado que este lhe empresta voluntariamente como se emprestasse sua veste. Isso se faz sem nenhuma perturbação nem mal estar, e durante este tempo o Espírito se encontra em liberdade como no estado de emancipação, e, mais freqüentemente ele se coloca ao lado de seu reintegrante para escutá-lo.
  Nota do tradutor: Posterior à Gênese, Kardec publicou uma obra intitulada “Desobsessão” onde ele classifica este quarto tipo denominando-o de obsessão física.
Quando o Espírito possessor é mau, as coisas se passam diferentemente; ele não toma emprestado o corpo; ele se apodera, se o titular não possuir força moral a lhe resistir. Ele o faz por maldade para com o dito, a quem tortura e martiriza de todas as maneiras, até querer fazer com que pereça, seja pelo estrangulamento, seja colocando-o no fogo ou em outros lugares perigosos. Servindo-se dos membros e dos órgãos do desditoso paciente, blasfemeia; injuria e maltrata os que o cercam; libera-se a estas excentricidades e a atos que tenham todas as características de loucura furiosa.

Abraços,
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Mourarego em 02 de Maio de 2011, 15:29
Amigos, além do descrito em A Gênese, há também fartos relatos de possessões na RE, um deles, o mais famoso, é o caso dos possessos de Morzines.
Kardec inicialmente achava não haver possessões e as elencava no campo das subjugações graves, contudo apreciando o fenômeno dado em Morzines reavaliou a questão e daí ter dado,em conjunto com os Espíritos superiores esta lição que o amigo Luiz Francisco nos trouxe.
Amigos, volto a afiançar: trata-se de bobagem imensa dizer-se que Kardec "apenas" avaliou o fato como ser encarnado, pois toda a obra sofreu o controle universal do ensino dos Espíritos que foi feito através dos Espíritos Superiores o que demonstra que a afirmação é fraca e descabida.
Abraços,
Moura
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Lucazan em 03 de Maio de 2011, 03:00
Caros Amigos,

Deus é infinitamente bom e justo!

Tem coisas que não temos a compreensão de como realmente acontece.

O espírito não se encontra dentro do corpo humano, ele se liga aos órgãos humano através do perispirito e uma vez liga ao corpo, só a morte deste corpo pode romper a união.

141 Há alguma verdade na opinião dos que pensam que a alma é exterior e envolve o corpo?
– A alma não está aprisionada no corpo como um pássaro numa gaiola. Irradiante, ela brilha e se manifesta ao redor dele como a luz através de um globo de vidro ou como o som ao redor de um centro sonoro. É desse modo que se pode dizer que é exterior, mas não é o envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios ou corpos: um sutil e leve, que é o primeiro, chamado perispírito; o outro, grosseiro, material e pesado, que é o corpo carnal. A alma é o centro de todos esses envoltórios, como o germe o é numa semente, como já dissemos.

473 Um Espírito pode momentaneamente entrar no corpo de uma pessoa viva, isto é, se introduzir num corpo animado e agir no lugar daquele que está encarnado?
– O Espírito não entra num corpo como entrais numa casa. Ele se identifica com um Espírito encarnado que tem os mesmos defeitos e as mesmas qualidades para agir conjuntamente; mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer, sobre a matéria em que está. Um Espírito não pode substituir o que está encarnado, porque o Espírito e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o fim da existência material.

As instruções dos espíritos sempre afirmam que não perdemos o livre arbítrio de nossos atos.

459 Os Espíritos influem sobre nossos pensamentos e ações?
– A esse respeito, sua influência é maior do que podeis imaginar. Muitas vezes são eles que vos dirigem.

466 Por que Deus permite que Espíritos nos excitem ao mal?
– Os Espíritos imperfeitos são instrumentos que servem para pôr à prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. Vós, como Espíritos, deveis progredir na ciência do infinito, e por isso passais pelas provas do mal para atingir o bem. Nossa missão é vos colocar no bom caminho e, quando as más influências agem sobre vós, é que as atraístes pelo desejo do mal, porque os Espíritos inferiores vêm vos auxiliar no mal, quando tendes a vontade de praticá-lo; eles não podem vos ajudar no mal senão quando quereis o mal.

467 Pode o homem se libertar da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?
– Sim, porque apenas se ligam àqueles que os solicitam por seus desejos ou os atraem pelos seus pensamentos.

Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Mourarego em 03 de Maio de 2011, 18:42
Amigo Lucazan,
Um Espírito njão entra em outro corpo porque não pode substituir ao que lá está.
O que acontece então?
Ora se observarmos as respostas que o amigo trouxe entenderemos que a ação que se dá, pela sintonia, é puramente perispiritual, e é nesse sentido que os Espíritos Superiores explicam a questão.
Na fase mais aguda da subjugação, pórtico final para o momento da possessão, a sintonia entre os dois Espíritos é tal, por efeito da fraqueza moral que o obsedado tem para com o obsessor, que este último o comanda.
Esse comando também se dá pelo agente das sensações do Espírito que leva o nome de perispírito.
Contudo mesmo forte e de difícil cura sem a ajuda de outros médiuns e Espíritos envolvidos neste trabalho a ação não tem caráter senão intermitente, pois que senão o obsedado viria a morrer.
Diz a RE que houve casos de obsessões que duraram cem anos.
Abraços,
Moura
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Hebe M C em 03 de Maio de 2011, 18:54
Leiam a Revista Espírita, janeiro de 1863.
Tem a explicação que querem.
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Lucazan em 04 de Maio de 2011, 01:44
Caro Moura,

Não acredito que o espírito encarnado esteja dentro do corpo.

Acredito que o espírito se irradia ao redor do corpo e se liga aos órgãos do corpo através do fluído universal, assim como a resposta da questão 27 nos ensina "Mas ao elemento material é preciso acrescentar o fluido universal, que faz o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, muito grosseira para que o Espírito possa ter uma ação sobre ela."

Quanto ao fenômeno de possessão, este não existe como se pensa, pois o espírito obsediado apenas concede inconscientemente ao obsessor a oportunidade para ser subjugado ou fascinado. Mesmo inconscientemente o espírito obsediado não perde o livre arbítrio, ele apenas aceita a influência dos obsessores.

   

Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: LuizFrancisco em 04 de Maio de 2011, 15:11
Olá a todos,
Vou tentar fazer uma analogia, para o caso.
Quando você tem um carro (veículo),  fica entorpecido, um amigo pega o veículo para levá-lo para casa.
Você continua de posse do veículo mas um outro dirige e as vezes o leva para onde lhe provém.
E as vezes também emprestamos de bom grado o nosso veículo para um amigo.
Nos dois casos continuamos de posse do veículo (neste caso o corpo físico), o livre arbítrio continua, mas, se não tivermos força moral para resistir, sofremos a consequência da lei de causa e efeito mesmo com o nosso livre arbítrio.
Lembrando sempre que nos dois casos temos a posse do veículo, mas para um emprestamos de bom grado e para outro é a força devido a nossa baixa moralidade o livre arbitrio sempre.

Abraços,
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Dadinho em 04 de Maio de 2011, 15:15
Luiz, gostei da analogia. Muito boa!
Abs
Dadinho


Olá a todos,
Vou tentar fazer uma analogia, para o caso.
Quando você tem um carro (veículo),  fica entorpecido, um amigo pega o veículo para levá-lo para casa.
Você continua de posse do veículo mas um outro dirige e as vezes o leva para onde lhe provém.
E as vezes também emprestamos de bom grado o nosso veículo para um amigo.
Nos dois casos continuamos de posse do veículo (neste caso o corpo físico), o livre arbítrio continua, mas, se não tivermos força moral para resistir, sofremos a consequência da lei de causa e efeito mesmo com o nosso livre arbítrio.
Lembrando sempre que nos dois casos temos a posse do veículo, mas para um emprestamos de bom grado e para outro é a força devido a nossa baixa moralidade o livre arbitrio sempre.

Abraços,
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Mourarego em 04 de Maio de 2011, 15:25
Mano Lucazan,
observe o contra censo: você diz sobre Espíritos que estejam inconscientes...
Ora a inconsciência é a causa da suspensão do livre arbítrio meu mano.
Mais ainda, o amigo diz que o
Espírito não está dentro do corpo, quando a obra básica diz que o Espírito não está encarcerado dentro do corpo mas que o habita.
Devemos sempre dar uma olhadinha no ponto, para ver como está descrita a resposta dos Espíritos Superiores.
E finalizando: Estamos falando nas obras básicas, logo doutrina pura e que foi obra passada por Espíritos Superiores.
Neste entender amigo, não valem os nossos achismos, mormente quando esteja claro na resposta.
Abração,
Moura

Caro Moura,

Não acredito que o espírito encarnado esteja dentro do corpo.

Acredito que o espírito se irradia ao redor do corpo e se liga aos órgãos do corpo através do fluído universal, assim como a resposta da questão 27 nos ensina "Mas ao elemento material é preciso acrescentar o fluido universal, que faz o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, muito grosseira para que o Espírito possa ter uma ação sobre ela."

Quanto ao fenômeno de possessão, este não existe como se pensa, pois o espírito obsediado apenas concede inconscientemente ao obsessor a oportunidade para ser subjugado ou fascinado. Mesmo inconscientemente o espírito obsediado não perde o livre arbítrio, ele apenas aceita a influência dos obsessores.

   


Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Hebe M C em 04 de Maio de 2011, 15:49
Na Revista Espírita  Dezembro 1862 é bem explicado a atuaçao da obsessão através do envolvimento do perispírito.
Cabe a observação que através do perispírito, sendo fluídico ele irradia a intenção do Espírito. Os espíritos se repelem ou se unem através do perispírito dependendo da afinidade moral.
Essa é a sensação que temos ao entrar num ambiente que chamam de "carregado" ou da antipatia ao nosso ver gratuita, por essa ou aquela pessoa. O Perispirito é vaporoso, exala uma sensação de peso ou leveza que atravessa o corpo físico.
Lucazan, não há inconsciencia no possesso, ele sabe, apenas não tem controle.
Leia essa parte da explicação.

Revista Espírita  Dezembro 1862

Examinemos agora o modo recíproco de ação dos Espíritos encarnados e desencarnados.
“Sabemos que os Espíritos estão revestidos de um envoltório vaporoso, formando neles um verdadeiro corpo fluídico, ao qual damos o nome de perispírito, cujos elementos são hauridos no fluido universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une ao corpo, nele existe com seu perispírito, que serve de laço entre o Espírito propriamente dito e a matéria corpórea; é o intermediário das sensações percebidas pelo Espírito. Mas esse perispírito não está confinado no corpo como dentro de uma caixa; pela sua natureza fluídica, irradia ao redor e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se libera. Mas o vapor que se libera de um corpo malsão é igualmente malsão, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem muitas pessoas malsãs. Do mesmo modo que esse vapor está impregnado das qualidades do corpo, o perispírito está impregnado das qualidades, quer dizer, do pensamento do Espírito, e faz irradiar essas qualidades em torno do corpo.

Um Espírito quer agir sobre um indivíduo, aproxima-se dele e o envolve, por assim dizer, de seu perispírito, como de um casaco; os fluidos se penetrando, os dois pensamentos e as duas vontades se confundem, e o Espírito pode, então, se servir desse corpo como do seu próprio, fazê-lo agir segundo a sua vontade, falar, escrever, desenhar, etc.; tais são os médiuns. Se o Espírito é bom, sua ação é branda, benfazeja, não leva a fazer senão boas coisas; se ele é mau, leva a fazer coisas más; se é perverso e mau, o aperta como numa rede, paralisa até sua vontade, mesmo seu julgamento, que ele abafa sob seu fluido, como se abafa o fogo sob uma camada de ar; fá-lo pensar, falar, agir por si, leva-o, apesar dele, a atos extravagantes ou ridículos, em uma palavra, magnetiza-o, cataleptiza-o moralmente, e o indivíduo se torna um instrumento cego de suas vontades. Tal é a causa da obsessão, da fascinação e da subjugação, que se mostram em graus de diversas intensidades. É o paradoxismo da subjugação, que se chama vulgarmente possessão. Há a se anotar que, nesse estado, o indivíduo, frequentemente, tem a consciência de que o que faz é ridículo, mas é constrangido a fazê-lo, como se um homem, mais vigoroso do que ele, lhe fizesse mover, contra a sua vontade, seus braços, suas pernas e sua língua."

Um abço Hebe
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Mourarego em 04 de Maio de 2011, 15:51
Valeu Hebinha!
Abração,
Moura
Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Lucazan em 05 de Maio de 2011, 00:53
Mano Lucazan,
observe o contra censo: você diz sobre Espíritos que estejam inconscientes...
Ora a inconsciência é a causa da suspensão do livre arbítrio meu mano.
Mais ainda, o amigo diz que o
Espírito não está dentro do corpo, quando a obra básica diz que o Espírito não está encarcerado dentro do corpo mas que o habita.
Devemos sempre dar uma olhadinha no ponto, para ver como está descrita a resposta dos Espíritos Superiores.
E finalizando: Estamos falando nas obras básicas, logo doutrina pura e que foi obra passada por Espíritos Superiores.
Neste entender amigo, não valem os nossos achismos, mormente quando esteja claro na resposta.
Abração,
Moura

Caro Moura,

Não acredito que o espírito encarnado esteja dentro do corpo.

Acredito que o espírito se irradia ao redor do corpo e se liga aos órgãos do corpo através do fluído universal, assim como a resposta da questão 27 nos ensina "Mas ao elemento material é preciso acrescentar o fluido universal, que faz o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, muito grosseira para que o Espírito possa ter uma ação sobre ela."

Quanto ao fenômeno de possessão, este não existe como se pensa, pois o espírito obsediado apenas concede inconscientemente ao obsessor a oportunidade para ser subjugado ou fascinado. Mesmo inconscientemente o espírito obsediado não perde o livre arbítrio, ele apenas aceita a influência dos obsessores.

   



Caro Moura,

Sou casado a 23 anos, minhas família sofreu 7 anos com uma obsessão louca por um grupo de espíritos que assediavam minha esposa.

Foram 7 anos de muita lutas e vou ser sincero, já tinha jogado a toalha na questão.

Minha esposa inconscientemente atraia esses espíritos através de seus pensamentos, desejos, atitudes, etc....

Por mais , que era orientada, minha esposa não aceitava a idéia que tudo partia dela mesmo. Para ela tudo o que acontecia tinha uma causa exterior. Ela era só mais uma vitima desses espíritos.

Meu amigo, ela não tinha consciência do que realmente acontecia, e conforme o seu livre arbítrio continuava com as mesmas ações e atitudes que não permitia a solução do problema.

Somente após aceita e tomar consciência de que a causa estava nela mesma e com a mudança de suas ações e atitudes e que foi possível o solução do problema.

Título: Re: Possessão: há a posse física do encarnado?
Enviado por: Lucazan em 05 de Maio de 2011, 01:37
Na Revista Espírita  Dezembro 1862 é bem explicado a atuaçao da obsessão através do envolvimento do perispírito.
Cabe a observação que através do perispírito, sendo fluídico ele erradia a intenção do Espírito. Os espíritos se repelem ou se unem através do perispírito dependendo da afinidade moral.
Essa é a sensação que temos ao entrar num ambiente que chamam de "carregado" ou da antipatia ao nosso ver gratuita, por essa ou aquela pessoa. O Perispirito é vaporoso, exala uma sensação de peso ou leveza que atravessa o corpo físico.
Lucazan, não há inconsciencia no possesso, ele sabe, apenas não tem controle.
Leia essa parte da explicação.

Revista Espírita  Dezembro 1862

Examinemos agora o modo recíproco de ação dos Espíritos encarnados e desencarnados.
“Sabemos que os Espíritos estão revestidos de um envoltório vaporoso, formando neles um verdadeiro corpo fluídico, ao qual damos o nome de perispírito, cujos elementos são hauridos no fluido universal ou cósmico, princípio de todas as coisas. Quando o Espírito se une ao corpo, nele existe com seu perispírito, que serve de laço entre o Espírito propriamente dito e a matéria corpórea; é o intermediário das sensações percebidas pelo Espírito. Mas esse perispírito não está confinado no corpo como dentro de uma caixa; pela sua natureza fluídica, irradia ao redor e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera, como o vapor que dele se libera. Mas o vapor que se libera de um corpo malsão é igualmente malsão, acre e nauseabundo, o que infecta o ar dos lugares onde se reúnem muitas pessoas malsãs. Do mesmo modo que esse vapor está impregnado das qualidades do corpo, o perispírito está impregnado das qualidades, quer dizer, do pensamento do Espírito, e faz irradiar essas qualidades em torno do corpo.

Um Espírito quer agir sobre um indivíduo, aproxima-se dele e o envolve, por assim dizer, de seu perispírito, como de um casaco; os fluidos se penetrando, os dois pensamentos e as duas vontades se confundem, e o Espírito pode, então, se servir desse corpo como do seu próprio, fazê-lo agir segundo a sua vontade, falar, escrever, desenhar, etc.; tais são os médiuns. Se o Espírito é bom, sua ação é branda, benfazeja, não leva a fazer senão boas coisas; se ele é mau, leva a fazer coisas más; se é perverso e mau, o aperta como numa rede, paralisa até sua vontade, mesmo seu julgamento, que ele abafa sob seu fluido, como se abafa o fogo sob uma camada de ar; fá-lo pensar, falar, agir por si, leva-o, apesar dele, a atos extravagantes ou ridículos, em uma palavra, magnetiza-o, cataleptiza-o moralmente, e o indivíduo se torna um instrumento cego de suas vontades. Tal é a causa da obsessão, da fascinação e da subjugação, que se mostram em graus de diversas intensidades. É o paradoxismo da subjugação, que se chama vulgarmente possessão. Há a se anotar que, nesse estado, o indivíduo, frequentemente, tem a consciência de que o que faz é ridículo, mas é constrangido a fazê-lo, como se um homem, mais vigoroso do que ele, lhe fizesse mover, contra a sua vontade, seus braços, suas pernas e sua língua."

Um abço Hebe

473 Um Espírito pode momentaneamente entrar no corpo de uma pessoa viva, isto é, se introduzir num corpo animado e agir no lugar daquele que está encarnado?

– O Espírito não entra num corpo como entrais numa casa. Ele se identifica com um Espírito encarnado que tem os mesmos defeitos e as mesmas qualidades para agir conjuntamente; mas é sempre o Espírito encarnado que age como quer, sobre a matéria em que está. Um Espírito não pode substituir o que está encarnado, porque o Espírito e o corpo estão ligados até o tempo marcado para o fim da existência material.

Se é sempre o espírito encarnado que age como quer, acredito que o máximo que os obsessores fazer é estimular os desejos ocultos ou inconscientes que temos no fundo do nosso âmago.

Admiro e respeito muito os estudos que Kardec e seus colaboradores realizaram com base na DE, mas ainda fico com as respostas dos espíritos sobre a questão.