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GERAL => Mensagens de Ânimo => Acção do Dia => Tópico iniciado por: Victor Passos em 05 de Maio de 2008, 11:18

Título: Para Refletir
Enviado por: Victor Passos em 05 de Maio de 2008, 11:18
Para Refletir

Livro: Juntos Venceremos
Meimei  & Francisco Cândido Xavier

          A fim de conquistar-nos para os objetivos supremos da perfeição, é imperioso nos reconheçamos na estrada do aprimoramento.

          Por semelhante motivo, é natural:

                que o pensamento, vezes e vezes, se nos amargure, ante os desenganos e desapontamentos do mundo;
                que as emoções se nos desequilibrem, compelindo-nos a grandes obstáculos de conciliação;
                que a tentação nos visite, a ponto de acenar-nos com as perspectivas de queda em sofrimentos de longo curso;
                que a incompreensão alheia nos agite, impelindo-nos a desajustes e frustrações;
                que os conflitos psicológicos se nos acirrem no íntimo, retardando-nos as melhores realizações;
                que nos admitamos em erro que só a experiência e o tempo nos auxiliarão a corrigir;
                que inúmeras dificuldades nos dificultem os passos para frente...

          Mas, diante do socorro que diariamente recebemos, não é natural que desistamos de trabalhar na seara do bem, porque, por piores sejam as circunstâncias, poderemos ouvir a voz da esperança, afirmando-nos que Deus nunca exigiu nos aperfeiçoássemos de um dia para outro, e que, por isso mesmo, Jesus, o Divino Companheiro, nunca nos abandona em caminho.
Título: Re: Para Refletir
Enviado por: Conforti em 15 de Julho de 2010, 15:28
          Olá amigos.      (referencia #82 de Egoismo X Caridade)     
         
         
          Para reflexão nossa cito um amigo que lembrou:
“...Gênese, cap III,... "sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, pois o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a sua origem".
          Amigos, Kardec diz que “Deus não pode produzir nada que seja mau”. Mas, o que são os espíritos senão produtos da criação de Deus e uma criação “especial”? E quais coisas procedem de Deus que não sejam ininteligentes, más ou injustas? É certo que, na criação possam existir seres inteligentes, bons e justos, mas são por nós desconhecidos, pois a codificação não se referiu a eles. Quais serão esses seres?
          Veja a questão LE/610: “...o homem, na ordem da criação, é um ser à parte, visto possuir faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino. A espécie humana é a que Deus  escolheu para a encarnação dos seres que podem conhecê-lo”.
          Daí podemos deduzir que a espécie humana, criação divina, pois produzida por Deus, é das mais importantes, concordam?!  Mesmo que não seja tão importante, é produto de Deus. Produzidas todas iguais, sob todos os aspectos, em que se transformam as criaturas divinas?! Em verdadeiros monstros de perversidade, corruptos, imorais e amorais, destruidores da harmonia da própria criação divina, pedófilos, estupradores, destruidores e exploradores dos semelhantes, criminosos dos crimes mais hediondos, loucos, malignos, e sobretudo produtores de todo o mal e sofrimento do mundo! E todas essas criaturas são divinas, procedem de Deus, vêm da divina criação, são criação, são produtos de Deus!
          E, se houve erro em assunto de tão grande importância, podemos lançá-lo às costas de entidades mentoras, médiuns ou tradutores que não teriam se expressado corretamente? E, nem às costas de revisores. E quantos milhares tomaram conhecimento dessas estranhezas?!
           Como vamos entender isso, sem tergiversar?

          Cito o amigo:
“Origem essa (do mal ou dos males) que, conclui o codificador, procede do próprio homem no exercício do seu livre-arbítrio”.
          Como não poderia ser Deus o causador do sofrimento, chegou-se à explicação “lógica”(?) de que a criatura divina é a causa de todos os males: e que, se o homem sofre, é porque agiu erradamente; se é feliz, é porque agiu acertadamente. 
          Sem dúvida, se age erradamente pode prejudicar a si próprio e a semelhantes. É isso que vemos no dia-a-dia, desde os mais inocentes desentendimentos até os conflitos e guerras mais cruéis e destruidores de tudo que o próprio homem construiu. Aí está a “verdadeira” lei de causa e efeito: se causou dano, pode sofrer “se” esse dano o atingir e não sofre “se” não for atingido; e pode fazer outros sofrerem, é evidente.

          (Continua mais um curto trecho)
Título: Re: Para Refletir
Enviado por: Conforti em 15 de Julho de 2010, 15:31
          (Continuação e fim)         

          Portanto o homem sofre porque age erradamente, mas não porque, como afirmam as doutrinas, esse sofrimento está previsto numa lei que lhe impõe punição, mesmo que educativa, por seu proceder incorreto. Qualquer tentativa de explicar que  seu sofrimento vem de sua responsabilidade e culpa, como afirmam as religiões, isto é, que deve sofrer penalidade expiatória, mesmo que penas educativo-instrutivas, não cabe dentro da idéia de um Criador onisciente, onipotente e de infinitos amor e justiça que, por sua onisciência, saberia desde sempre, quando, onde, como e em que circunstâncias “cada uma” de suas criaturas faria de errado e de certo, relativamente às suas leis ou às leis da vida e, de antemão, também sabia o que, cada uma, individualmente, sofreria devido a seus desacertos.
          Seria como o fabricante de brinquedos que, mesmo com certeza de que seu produto viria a ter defeitos e, por isso, seria perigoso, destruiria, mataria, produziria tantos e tão terríveis sofrimentos e desgraças, assim mesmo o produz e o entrega às crianças.  Quando surge o conseqüente sofrimento, quem é o responsável? O brinquedo, as crianças, o fabricante?

          E o que é o livre-arbítrio senão a escolha apoiada naquilo que esta escola que é a vida já ensinou?     
          Vejam só um exemplo simples de como nossas escolhas não dependem de um livre-arbítrio, de nossa vontade: você caminha por uma estrada que, de repente, se bifurca; por qual das duas vai continuar? Ninguém decide ou escolhe como num jogo de cara-ou-coroa, nem num estalar de dedos. Sempre analisamos, por mais simples que essa analise seja, qual a estrada a seguir; a mais vantajosa, a mais sombreada, a que tem menos obstáculos a transpor. E porque essa analise é necessária e produtiva? Porque, pelas experiências anteriores na nossa vivencia de todos os dias, já aprendemos alguma coisa; aprendemos que devemos continuar por aquela cuja ponte está intacta, pela mais sombreada, pela cujo pavimento é melhor etc. Só não age assim o que está desesperado, dementado, descontrolado e, por isso, pode até continuar sua marcha pela estrada pior, ou cometer absurdos, como vemos no mundo. Mas esse não tem controle, não raciocina.
          Até para escolher entre guloseimas, analisamos: se o apetite é grande, a maior; se não, a  que nos parece mais saborosa, bonita etc.
          Portanto, o chamado “livre-arbítrio” nunca é livre: está sempre preso ao conhecimento, à compreensão anterior, que já temos das coisas e do mundo. E se não é livre, não é livre-arbítrio. Todas as escolhas que fazemos e todas as decisões que tomamos estão totalmente presas ao nosso passado e, assim, portanto, não agimos totalmente livres. Do mesmo modo acontece em todos os aspectos da vida individual ou coletiva. Sempre, qualquer decisão, escolha ou arbítrio, depende totalmente da experiência anteriormente adquirida. Não escolhemos livremente. Talvez, por isso o apóstolo Paulo tenha afirmado: “É o Senhor que opera em nós o pensar e o fazer” e, ainda: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus”. Pense nisso!

          Por essas coisas, na aparência incoerentes, percebemos que é preciso de, urgente e necessariamente, repensar as concepções religiosas. Ou todos vamos permanecer cheios de ilusões, remorsos, esperanças e, sobretudo, culpas e medos,
pois vivemos dentro dessa tremenda ilusão de que a criatura divina é culpada ou responsável pelos males do mundo e por seu próprio sofrimento, e que há uma lei que a faz expiar e, evidentemente, sofrer por esse motivo.