Forum Espirita

GERAL => Mensagens de Ânimo => Acção do Dia => Tópico iniciado por: Victor Passos em 25 de Setembro de 2010, 12:33

Título: Evangelho e Individualidade
Enviado por: Victor Passos em 25 de Setembro de 2010, 12:33
Ola muita paz

Evangelho e Individualidade


          Efetivamente, as massas acompanhavam o Cristo, de perto, no entanto, não vemos no Mestre a personificação do agitador comum.

          Em todos os climas políticos, as escolas religiosas, aproximando-se da legalidade humana, de alguma sorte partilham da governança, estabelecendo regras espirituais com que adquirem poder sobre a multidão.

          Jesus, porém, não transforma o espírito coletivo em terreno explorável.

          Proclamando as bem-aventuranças à turba no monte, não a induz para a violência, a fim de assaltar o celeiro dos outros. Multiplica, ele mesmo, o pão que a reconforte e alimente.

          Não convida o povo a reivindicações.

          Aconselha respeito aos patrimônios da direção política, na sábia fórmula com que recomendava seja dado "a César o que é de César".

          Muitos estudiosos do Cristianismo pretendem identificar no Mestre Divino a personalidade do revolucionário, instigando os seus contemporâneos à rebelião e à discórdia; entretanto, em nenhuma passagem do seu ministério encontramos qualquer testemunho de indisciplina ou desespero, diante da ordem constituída.

          Socorreu a turba sofredora e consolou-a, não se mostrou interessado em libertar a comunidade das criaturas, cuja evolução, até hoje, ainda exige lutas acerbas e provações incessantes, mas ajudou o Homem a libertar-se.

          Ao apóstolo exclama - "vem e segue-me."

          À pecadora exorta - "vai e não peques mais."

          Ao paralítico, fala bondoso - "ergue-te e anda."

          À mulher sirofenícia diz, convincente - " tua fé te curou."

          Por toda parte, vemo-lo interessado em levantar o espírito, buscando erigir o templo da responsabilidade em cada consciência e o altar dos serviços aos semelhantes em cada coração.

          Demonstrando as preocupações que o tomavam, perante a renovação do mundo individual, não se contentou em sentar-se no trono diretivo, em que os generais e os legisladores costumam ditar determinações... Desceu, ele próprio, ao seio do povo e entendeu-se pessoalmente com os velhos e os enfermos, com as mulheres e as crianças.

          Entreteve-se em dilatadas conversações com as criaturas transviadas e reconhecidamente infelizes.

          Usa a bondade fraternal para com Madalena, a obsidiada, quanto emprega a gentileza no trato com Zaqueu, o rico.

          Reconhecendo que a tirania e a dor deveriam permanecer, ainda, por largo tempo na Terra, na condição de males necessários a retificação das inteligências, o Benfeitor Celeste foi, acima de tudo, o orientador da transformação individual, o único movimento de liberação do espírito, com bases no esforço próprio e na renúncia ao próprio "eu".

          Para isso, lutou, amou, serviu e sofreu até a cruz, confirmando, com o próprio sacrifício, a sua Doutrina de revolução interior, quando disse: "e aquele que deseje fazer-se o maior no Reino do Céu, seja no mundo o servidor de todos."


Livro: Roteiro
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
Muita Paz