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GERAL => Mensagens de Ânimo => Acção do Dia => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 04 de Junho de 2011, 12:06

Título: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: dOM JORGE em 04 de Junho de 2011, 12:06
                                      VIVA JESUS!


       Bom-dia! queridos irmãos.

                 
Cuidado com as previsões,
eis o conselho de Kardec

O desconhecimento do passado e nossa ignorância com relação ao futuro são duas bênçãos que Deus nos concedeu, conquanto nem sempre as tratemos com a circunspeção necessária. 

Com relação ao esquecimento do passado, sugerimos ao leitor ler o estudo que publicamos na edição 83 desta revista, o qual pode ser acessado clicando-se em http://www.oconsolador.com.br/ano2/83/esde.html

No tocante ao futuro, nossa ignorância a respeito é explicada com clareza na principal obra do Espiritismo – O Livro dos Espíritos.

Kardec perguntou aos imortais (L.E., 869): Com que fim o futuro se conserva oculto ao homem?

Os Espíritos responderam: “Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente e não obraria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a ideia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria obstar a que acontecesse. Não quis Deus que assim fosse, a fim de que cada um concorra para a realização das coisas, até daquelas a que desejaria opor-se. Assim é que tu mesmo preparas muitas vezes os acontecimentos que hão de sobrevir no curso da tua existência”. 

Evidentemente, como lemos na questão seguinte à citada, Deus permite que o futuro nos seja revelado quando isso possa facilitar a execução de uma coisa, em vez de a estorvar, obrigando o homem a agir diversamente do modo por que agiria, se não lhe fosse dado saber o que o espera. Mas a revelação pode constituir, também, uma prova. “A perspectiva de um acontecimento pode sugerir pensamentos mais ou menos bons”, afirmaram os imortais (L.E., 870).

“Se um homem vem a saber, por exemplo, que vai receber uma herança, com que não conta, pode dar-se que a revelação desse fato desperte nele o sentimento da cobiça, pela perspectiva de se lhe tornarem possíveis maiores gozos terrenos, pela ânsia de possuir mais depressa a herança, desejando talvez, para que tal se dê, a morte daquele de quem herdará. Ou, então, essa perspectiva lhe inspirará bons sentimentos e pensamentos generosos. Se a predição não se cumpre, aí está outra prova, consistente na maneira por que suportará a decepção. Nem por isso, entretanto, lhe caberá menos o mérito ou o demérito dos pensamentos bons ou maus que a crença na ocorrência daquele fato lhe fez nascer no intimo.” (L.E., questão citada.)

Percebe-se pelo próprio conteúdo da resposta acima transcrita que a predição pode cumprir-se ou não, fato que nos sugere tenhamos o máximo cuidado para com qualquer tipo de previsão, venha de onde vier.

Se ela vem de uma personalidade desencarnada, é bom ter em mente a lição que Kardec consignou no item 267 d´O Livro dos Médiuns: 

“(...) os bons Espíritos “fazem que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse pressentimento convenha; nunca, porém, determinam datas”. “A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação.” (O Livro dos Médiuns, item 267, 8o parágrafo, p. 334.)

O outro cuidado que devemos ter diz respeito à qualidade do emissário - encarnado ou desencarnado - que nos apresente revelações atinentes ao futuro, atentos à lição que Emmanuel, por meio de Chico Xavier, consignou na questão 144 de seu livro O Consolador, obra publicada em 1942:

“Os Espíritos de nossa esfera não podem devassar o futuro, considerando essa atividade uma característica dos atributos do Criador Supremo, que é Deus. Temos de considerar, todavia, que as existências humanas estão subordinadas a um mapa de provas gerais, onde a personalidade deve movimentar-se com o seu esforço para a iluminação do porvir, e, dentro desse roteiro, os mentores espirituais mais elevados podem organizar os fatos premonitórios, quando convenham às demonstrações de que o homem não se resume a um conglomerado de elementos químicos, de conformidade com a definição do materialismo dissolvente.” (O Consolador, 144.)

Seria Emmanuel um instrutor capacitado para tal empreitada?

Ele mesmo já havia dito que não na primeira de suas obras – Emmanuel -, publicada em 1938, na qual afirmou taxativamente: "Os seres da minha esfera não conhecem o futuro, nem podem interferir nas coisas que lhe pertencem". (Emmanuel, cap. XXXIII, FEB, 7a edição, pág. 166.)
 
            Editorial-O Consolador



                                                                   PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Mourarego em 04 de Junho de 2011, 16:23
Um bom artigo do confrade THIAGO BERNARDES, transcrito em O Consolador.
aliás a citação ao autor deve ser obrigatória para que os estudantes possam fazer a justa referência à ela.
Abraços,
Moura
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: locoporweb em 05 de Junho de 2011, 06:58
Desculpe dizer mas Emmanuel está errado! Os espíritos podem sim conhecer o futuro e espíritos inferiores podem de posse do futuro perturbar pessoas com isso!
Minha esposa sempre foi espírita e eu há 16 anos, nós trabalhávamos na assistência social no CE, minha esposa via e ouvia espíritos, eu também trabalhava no mediúnico e nos passes também além de ser médium de pressentimentos.
Pois bem, há 1 ano e meio atras, minha esposa adquiriu uma obsessão que assustou ela bastante, dizia ela que o espírito falava pra ela que "este ano tu vai morrer", "vim aqui pra dizer que vou te levar", "tu vai pagar caro o que tu fez este ano tu vai morrer", a coisa chegou até certo ponto que ela começou a entrar em pânico, eu tentava acalmar ela dizendo que eles não podem saber disso, só Deus sabe, era só uma obsessão, ela não ficava longe de mim mais, e chegou julho, então espirito disse "este mês vou te levar, agora vou te matar", e então dia 18 de julho ela abriu o salmo 58 da Bíblia que diz "a brevidade da vida" e as 21 horas ela desencarnou no meus braços de ataque cardíaco.
Deus permitiu uma prova pra nós 2, porque eu já tinha o pressentimento a cerca de 2 anos antes, mas não consegui identificar e não levei a sério, hoje vivo só, e fiquei muito perturbado com isso, ela vem de vez em quando dizer que está bem, mas nada disso apaga o trauma que vivi.
Larguei o CE, só estou indo nas palestras, estou dando um tempo em tudo isso até conseguir entender o que aconteceu!
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Mourarego em 05 de Junho de 2011, 16:25
Loco,
não creia que o Espiritismo possa ser feito "a moda da casa", não existe senão um Espiritismo e esta doutrina diz claramente que Espíritos imperfeitos, ou ignorantes, não sabem mais do que pensavam saber quando na carne.
Abraços,
Moura
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: locoporweb em 05 de Junho de 2011, 17:13
Sabe, Moura, tudo isso que aconteceu comigo, só vem confirmar as palavras de Kardec, que muita coisa teria que ser estudada e descoberta.
Mas isso não diminui minha fé nessa doutrina maravilhosa! :D
E aprendi uma coisa, não se pode confiar em tudo o que se lê e tomar como verdade, sem ter confirmação, aliás Kardec já tinha nos avisado disso.
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Mourarego em 05 de Junho de 2011, 17:17
Exatamente mano Loco!
Abraços,
Moura
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Caine em 14 de Julho de 2011, 02:58
Olá!!!
 
Nossa que bom encontrar alguém que tenha a mesma mediunidade que eu tenho que tanto me atormentou...
Tenho mediunidade desde criança, desde os 3 anos de idade vejo e ouço espiritos, mas o que mais me pertubava mesmo eram os pressentimentos que algo de ruim ia acontecer, mas não sabia exatamente o que ia acontecer.
E depois de um tempo a coisa começou a ficar cada vez mais forte, não sei bem o que estava acontecendo, mas faleceu um casal de colegas, depois faleceu meu avó, uma amiga... até quando morreu minha melhor amiga...
Foi onde eu comecei a frequentar um centro espírita antes de parar em um hospício.
Ainda ontem faleceu a avó de uma amiga e eu pressenti novamente, mesmo sem saber o que vai acontecer, eu gostaria muito de saber porque isso acontece e como posso usar isso para ajudar as pessoas, não quero vender números de loteria (Mesmo porque se soubesse já estaria milionária! rssss), mas gostaria de saber o que posso fazer com essa mediunidade.
 
Queria saber mais sobre essa mediunidade...
 
obrigada
Muita Paz no coração!
 
 
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: locoporweb em 14 de Julho de 2011, 11:57
@ Caine:
Isso pode ser de duas coisas, ou para você ajudar, ou pode ser uma prova!
Cabe a você identificar qual essa mediunidade!
Desenvolva num centro espírita, para entender melhor e peça a Deus que te indique o caminho certo!
Não esqueça de ler muito Kardec!

Isso é bom para mim, por exemplo, quando vejo as grávidas e seus nenês, sem elas mesmo se darem conta que estão grávidas! E é perturbador, quando acontece coisas como descrevi acima! Mas aos poucos vou me descobrindo e entendendo melhor o que acontece comigo!
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Caine em 14 de Julho de 2011, 23:22
Oi Loco!!!
 
Eu estudo na federação espírita e também trabalho na assistência espiritual, mas não acho muita literatura sobre isso, no livro dos médiuns temos:

Médiuns de pressentimentos
184. O pressentimento é uma intuição vaga das coisas futuras. Algumas pessoas têm essa faculdade mais ou menos desenvolvida. Pode ser devida a uma espécie de dupla vista, que lhes permite entrever as conseqüências das coisas atuais e a filiação dos acontecimentos. Mas, muitas vezes, também é resultado de comunicações ocultas e, sobretudo neste caso, é que se pode dar aos que dela são dotados o nome de médiuns de pressentimentos, que constituem uma variedade dos médiuns inspirados.

Mas gostaria de saber mais!!!
 
Isso me intrigou muitos anos, depois que comecei a frequentar e estudar o espiritismo, melhorou muito, mas parece que agora que estou trabalhando com minha mediunidade que estou mais espiritualizada parece que está mais intenso...
 
Muita Paz!!!
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Nefertiti_83 em 04 de Setembro de 2013, 15:52
Bem, acredito que o maior bem que Deus nos concedeu é o livre arbírtrio, quando nós mesmos escolhemos o que devemos fazer, e vamos assim acertando e errando, através do aprendizado para sermos melhores. Sobre a intuição como desdobramento de situações atuais, nãoa credito em pressentimento, mas em dedução lógica, que mais uma vez, o livre arbítrio pode alterar. Contudo, a maior dúvida que tenho acerca do espiritismo é justamente essa, temos duas bases, a primeira é que nós escolhemos antes de encarnar o "esboço da nossa história", a familia em que viremos, se teremos filhos ou não, as dificuldades pelas quais passamos, as missões que vamos desempenhar, e acima de tudo, as pessoas que aparecerão ou para que possamos pagar dívidas, consertá-las ou para nos ajudarem. Bem, se temos livre arbítrio e o futuro não nos pode ser revelado para que possamos escolher, mas já existem pessoas pre-determinadas, assim como uma carreira e etc, temos mesmo livre arbítrio? E se essa missão já foi desenhada no plano astral, não pode um mortal, ou guia espiritual saber ou pressentir? Outra coisa, ao "pressentir" algo para alguém, como separar valores do médium, de previsão, de dedução lógica? Pq já fui em cartomantes e sensitivas que erraram coisas e também acertaram coisas, as vezes diziam algo e interpretavam de acordo com seus valores, e a coisa acontecia, mas de forma diversa do previsto. Essas são minhas dúvidas, até onde tenho poder sobre a minha própria vida? Devo dizer que essa questão me desespera.
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Mourarego em 04 de Setembro de 2013, 16:09
Nefertiti,
Não há, segundo a DE a figura da predestinação, aliás nem o próprio destino existe em termos de doutrina.
O único arbítrio do Espírito no âmbito da escolha das provas é o de pedi-las.
Mas nem mesmo alguns destes pedidos hão de ser, muitas vezes, aceitos e transformados em provas.
Abraços,
Moura
Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Wallace-BH em 10 de Janeiro de 2018, 10:56
É muito comum ouvirmos falar que os espíritos superiores nunca falam de datas exatas em suas previsões para acontecimentos, pois sabem que tudo depende do nosso livre-arbítrio. E, quando falam de períodos/datas, estes devem ser encarados como sendo prováveis, não tendo o cunho da certeza. Utilizam como argumentação lógica as informações contidas no livro A Gênese, de Kardec (Cap. XVI, item 16). Contudo, lendo e estudando mais detalhadamente as informações contidas na GN e no LE, e que falam sobre o conhecimento do futuro, cheguei à conclusão de que existe um plano geral traçado por Deus desde a antiguidade, e que é sim possível que os homens tenham conhecimento de datas/anos exatos, fornecidos por espíritos superiores, através de profetas ou médiuns que cumprem uma missão especial.

Sobre as previsões dos acontecimentos futuros importantes para o conjunto da humanidade e o papel exercido pelos homens mediante o uso do seu livre-arbítrio, Kardec leciona, dizendo que “os acontecimentos que envolvem interesses gerais da Humanidade”, e que, deste modo, fazem parte de um planejamento global, “têm a regulá-los a Providência”, pois são originados de uma determinação divina, estando consequentemente sob o seu controle. Assim, “quando uma coisa está nos desígnios de Deus, ela se cumpre a despeito de tudo, ou por um meio, ou por outro”, pois senão onde estaria a Sua onipotência e onisciência? A vontade de Deus não pode ser frustrada, sendo impedida ou alterada por imprevistos causados pelos homens! Por outro lado, os “homens concorrem para que ela se execute”, podendo não só causar resistências, tentando deter os seus desígnios relativos à marcha do progresso, mas também colaborar na sua execução (LE, questão 869), agindo como instrumentos da sua vontade. Então “pode, portanto, ser certo (ou determinado) o resultado final de um acontecimento (geral), por se achar este nos desígnios de Deus; como, porém, quase sempre, os pormenores e o modo de execução se encontram subordinados às circunstâncias e ao livre-arbítrio dos homens”, frutos dos seus interesses particulares, “podem ser eventuais as sendas e os meios”, enfim, ocasionais os caminhos e as circunstâncias como os acontecimentos ocorrerão na prática.

Falando a respeito da permissão para que a espiritualidade pudesse revelar as datas de acontecimentos gerais para o cumprimento dos desígnios de Deus, Kardec informou que “está nas possibilidades dos Espíritos prevenir-nos do conjunto” ou do plano geral de Deus, “se convier que sejamos avisados”, ou seja, caso seja permitido (LE, questão 870), conforme ocorreu, por exemplo, na sublime missão do profeta Daniel, que revelou muitas e belíssimas profecias, e que tratam, segundo o meu ponto de vista, da previsão não só da primeira vindo de Jesus, o Cristo, ao mundo, mas também da vinda do novo Consolador, o Espiritismo, e do início do processo de regeneração da humanidade, conforme o espírito de Emmanuel também revelou através do Chico, tendo o seu alvorecer por volta do ano de 2057. Aliás, sobre a questão da existência ou não de um planejamento divino, devemos pensar que, se nós, simples homens, sabemos planejar as nossas coisas, quanto mais podemos esperar um planejamento por parte de Deus, que é perfeito em tudo que faz.

Prosseguindo, Kardec informou que, contudo, “para determinarem lugar e data”, ou seja, revelar os pormenores e como aqueles acontecimentos, que são frutos da vontade dos homens, ocorrerão na realidade, “fora mister conhecessem previamente a decisão que tomará este ou aquele indivíduo”, o que, na prática, equivale saber previamente onde e quando deverá ser o ponto de partida ou de referência para as previsões dos acontecimentos futuros. E, em seguida, concluiu, dizendo: “ora, se essa decisão” a ser tomada pelos homens “ainda não lhe estiver na mente, poderá, tal venha ela a ser, apressar ou demorar a realização do fato, modificar os meios secundários de ação, embora o mesmo resultado chegue sempre a produzir-se”, pois a vontade de Deus deverá ser sempre cumprida no decorrer do tempo e independentemente da vontade e das ações contrárias exercidas pelos homens, conforme o plano geral previamente determinado. Logo, “é assim, por exemplo, que, pelo conjunto das circunstâncias, podem os Espíritos prever que uma guerra se acha mais ou menos próxima, que é inevitável, sem, contudo, poderem predizer o dia em que começará, nem os incidentes pormenorizados que possam ser modificados pela vontade dos homens” (GN, Cap. XVI, itens 13 e 14), pois estes pormenores eventuais, originados das suas vontades particulares, não fazem parte das questões que envolvem interesses gerais da humanidade. Enfim, eles não fazem parte daquele planejamento global de Deus.

Quanto à dificuldade de determinação de datas para as previsões de acontecimentos futuros pelos espíritos, Kardec explicou que “para determinação da época dos acontecimentos futuros, será preciso, ao demais, se leve em conta uma circunstância inerente à natureza mesma dos Espíritos. O tempo, como o espaço, não pode ser avaliado”, isto é, determinado, para a realização das profecias ou das projeções temporais, “senão com o auxílio de pontos de referências” ou datas iniciais de partida “que o dividam em períodos que se contem”, como, por exemplo, através de dias, semanas, meses, anos, milênios, etc. Na sequência, explicou que, “na Terra, a divisão natural do tempo em dias e anos tem a marcá-la o levantar e o pôr-do-Sol”, conforme o movimento de rotação, “assim como a duração do movimento de translação do planeta terreno” em torno do Sol, que é de cerca de 360 dias. “Há, pois, para cada mundo, um modo diferente de computar-se a duração, de acordo com a natureza das revoluções astrais” ou dos ciclos astronômicos “que nele se efetuam. Já haverá aí uma dificuldade para que Espíritos que não conheçam o nosso mundo determinem datas com relação a nós. Além disso, fora dos mundos”, isto é, no mundo espiritual, “não existem tais meios de apreciação. Para um Espírito, no espaço, não há levantar nem pôr-de-Sol a marcar os dias, nem revolução periódica a marcar os anos; só há, para ele, a duração e o espaço infinitos” (GN, Cap. XVI, item 15).

Continuando, Kardec explicou que os “Espíritos, que formam a população invisível do nosso globo, onde eles já viveram e onde continuam a imiscuir-se na nossa vida, estão naturalmente identificados com os nossos hábitos, cuja lembrança conservam na erraticidade”, isto é, no mundo espiritual. Eles “poderão, por conseguinte, com maior facilidade, determinar datas aos acontecimentos futuros, desde que os conheçam; mas, além de que isso nem sempre lhes é permitido, eles se vêem impedidos pela razão de que, sempre que as circunstâncias de minúcias estão subordinadas ao livre-arbítrio e à decisão eventual do homem, nenhuma data precisa existe realmente, senão depois que o acontecimento se tenha dado”. Em seguida, ao contrário dos acontecimentos que envolvem interesses gerais, que são regulados ou determinados segundo a inalterável vontade de Deus, Kardec, tratando dos acontecimentos circunstanciais, justificou, dizendo que este é o motivo pelo qual “as predições circunstanciadas não podem apresentar cunho de certeza e somente como prováveis devem ser acolhidas, mesmo que não tragam eiva (ou marca) que as torne legitimamente suspeitas. Por isso mesmo, os Espíritos verdadeiramente ponderados nada nunca predizem para épocas determinadas, limitando-se a prevenir-nos do seguimento das coisas que convenha conheçamos” (GN, Cap. XVI, item 16). Observe bem que Kardec, neste seu comentário, disse apenas que os espíritos verdadeiramente ponderados não costumam determinar épocas ou datas para os fatos circunstanciais, isto é, acessórios ou pormenorizados que se prendem a um acontecimento ou a uma situação futura importante para o conjunto da humanidade. Porém, por outro lado, quanto aos acontecimentos que envolvem os interesses gerais regulados por Deus, estes deverão necessariamente que ter todo o cunho de certeza do seu cumprimento no tempo. Estes não poderão ser considerados somente como prováveis, mas como certos, pois foram determinados.

Desta forma, ao contrário do que alguns estudiosos, não só espiritualistas, ainda entendem e defendem, existe sim a possibilidade de ocorrer a revelação, pelos espíritos, de épocas e datas determinadas, ou seja, de anos específicos, para a consumação futura de certos acontecimentos que envolvem interesses gerais, e até mesmo alguns particulares, caso haja a permissão de Deus, mas a sua precisão somente poderá ser constatada após o acontecimento do fato, ou seja, pelo evento realizado na prática.

Título: Re: Cuidado com as previsões, eis o conselho de Kardec
Enviado por: Amil El Afar em 11 de Janeiro de 2018, 00:46

Sobre o tema gostaria de deixar minha contribuição a respeito num vídeo que fiz:

https://www.youtube.com/watch?v=D6kSdvJlarw



obrigado