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GERAL => Mensagens de Ânimo => Acção do Dia => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 01 de Julho de 2015, 06:28

Título: Confiança em Deus
Enviado por: dOM JORGE em 01 de Julho de 2015, 06:28
                                                                   VIVA JESUS!




               Bom-dia! queridos irmãos.




                        Confiança em Deus



               
Diante dos aberrantes comportamentos de cidadãos que pareciam irrepreensíveis na conduta moral, seja na administração do país, tanto quanto em grandes empresas comerciais e esportivas, não podemos ocultar os sentimentos de desconfiança e preocupação que a quase todos os brasileiros nos assaltam. A criminalidade atinge índices jamais previstos, fruto espúrio da miséria socioeconômica e moral, pela falta de escolas, de assistência hospitalar, de trabalho, de recreação, com excesso de tempo para os jovens, que é malbarato na violência, causando-nos horror.
O medo de ser a próxima vítima toma conta de cada um de nós, que vive a guerra não declarada dos assaltos e dos homicídios chocantes pela perversidade, fazendo que modifiquemos os hábitos que adquirimos com o direito de ir e vir agora interrompido pelo terrorismo urbano. Nesse quadro de desrespeito total aos valores éticos, o cristão pergunta-se como agiria Jesus se estivesse convivendo conosco neste terrível contexto? E a resposta seria a mesma que Ele deu ao fariseu que o interrogou com desfaçatez, tentando embaraçá-lo, quando Ele se referiu aos nossos deveres para com o próximo, interrogando-o: E quem é o meu próximo?
 
Com sabedoria exemplar, Ele narrou-lhe a Parábola do bom samaritano, que socorreu um judeu que lhe era inimigo, e fora desprezado por um sacerdote e um levita, auxiliando-o na estrada em que estava abandonado após ser assaltado, oferecendo-lhe socorro imediato e responsabilizando-se pelas despesas na hospedaria para onde o levou. Outra não pode ser a nossa atitude diante dos assaltantes e criminosos que enxameiam na sociedade, fazendo a melhor parte e confiando em Deus, trabalhando pelo retorno da dignidade e da honradez aos arraiais humanos. Apenas comentar o mal não é atitude saudável. Que, nesse báratro aparvalhante, não percamos a confiança em Deus, mantendo-nos honrados apesar dos exemplos degradantes que temos diante de nós.

 
Artigo de Divaldo Franco publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião em 19-06-2015.









                                                                                                              PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: Confiança em Deus
Enviado por: Vitor Santos em 01 de Julho de 2015, 12:33
Olá amigo Jorge

Um artigo muito interessante, muito sensato, enfim, uma boa lição.

Quando ouço pessoas, não necessáriamente espiritas, muito preocupadas com a justiça divina, no sentido de que todo aquele que faz o mal deve ser brutalmente castigado por Deus, ou pelas leis da natureza que Deus concebeu, compreendo-as, porque elas ou os familiares que amam sererm prejudicados, e até fisicamente magoados ou mesmo assassinados, pode doer muito, mesmo muito.  E, para aliviar esse dor, elas querem castigo para o malfeitor. Mas isso é uma ilusão.

O problema é que o sofrimento do malfeitor, em face das penas a que  é condenado não restitui a saude, a nossa ou dos nossos familiares, não restitui os prejuizos materiais causados.

A raiva, a revolta, compreensiveis, no ato e no calor do crime, até por via do instinto de defesa, são dificies de evitar, é quase impossivel, por vezes. Todavia, se essa raiva permanece, em vez de atingir o malfeitor atinge-nos a nós. Lançamos o nosso veneno na direção do vento contrário e ele volta para nós, não chegando ao destino. E ao andar sempre atormentados com isso, deixamos que um mal que já passou permaneça sempre presente em nós. Isso é o mesmo que prolongar esse mal, em vez de o esquecer e seguir em frente.

E se chegamos a um ponto em que nos comprazemos com o mal que sucede ao malfeitor, ou que desejamos mesmo vingança, ou se levamos a cabo a vingança, cometemos também um crime, passando a haver dois crimes, porque nenhum crime pode compensar outro crime. Justiça não é isso, justiça não é o mesmo que vingança.

Nenhuma pena dura, que leve ao sofrimento  do criminoso compensa um crime. A única compensação é existir uma forma positiva de reparação (uma indeminização, seja em dinheiro, seja em trabalho seja em espécie, por exemplo). Mas uma reparação é fazer um bem para compensar um mal que se fez antes. Sofrer um mal não perdoa o mal que fizémos, apenas se acrescenta mais um crime, desta feita de quem nos fez o mal, ainda que fosse para se vingar.

As penas não são uma forma de reparar uma injustiça passada, são uma forma de dissuadir quem se lembre de cometer um crime, ou seja, de prevenir contra novos crimes, protegendo, desta forma,  a sociedade contra o crime.

O  nosso sistema judicial, idealmente, deveria ter em conta a regeneração do criminoso, mas raramente tem isso em conta. A reintegração social dos presos, a formação dos mesmos para terem uma forma honesta de sustento, ao sair da prisão, o incentivo às empresas que oas acolhessem. Contudo há pessoas que não se querem regenerar e que são tão traiçoeiras e perigosas que não há essa possibilidade. Nesses casos nada se pode fazer para além de implementar a máxima proteção contra eles. Afinal nem Jesus conseguiu demover os que o levaram à condenação cruz, nem os que foram incumbidos de a levar a cabo, pelo menos para ter uma morte menos cruel.

Segundo as palavras de Jesus,  citadas no post anterior a este, no texto da autoria de Divaldo Franco,  os objetivos divinos, expressos nas leis da natureza têm por objetivo principal a evolução espiritual de todos, incluindo a dos que chamamos criminosos. aqui na Terra. Se essas leis conduzem à reparação, forçando a fazer um bem que compense o mal feito, não sei. Isso é uma contabilidade complicada, ao longo de milhares de anos de vida de cada espirito.

Aquele que nos fez mal pode ter sido, noutra encarnação aquele a quem fizémos mal, tendo ambos dividas de reparação. Nesta vida não podemos ter conhecimentos para compreender que espirito é que deve a quem. Todos devemos a muitos, provávelmente. O acerto global dessas contas de milhares de anos não é tarefa para nós, humanos. Até podemos ser instrumentos usados para esse efeito, mas sem consciência disso.

Aqueles que imaginam que as leis de Justiça Universal, concebidas por Deus, são semelhantes ao que os homens antigos imaginavam como justiça, segundo o ponto de vista do bruto, ou seja a justiça baseada na pena de Talião, olho por olho, dente por dente, que, em vez de repor as injustiças, impondo a reparação do prejuizo causado,  não era justiça, mas uma injustiça cruel e brutal, dão-nos uma imagem pouco abonatória do Criador. Imaginam-no à semelhança dos brutos que usavam o critério da pena de Talião. Não só o descrevem à semelhança dos homens, mas do pior que os homens tẽm.

Bem hajam
Título: Re: Confiança em Deus
Enviado por: Patricia S. Botelho em 01 de Julho de 2015, 17:44
Dom Jorge

Obrigada pelo texto interessante que nos trouxe.
Apesar de concordar com o conteúdo, gostaria de fazer uma observação: nem sempre é um aumento tão grande da criminalidade. O que também existe é uma velocidade maior nos meios de comunicação e também uma maior liberdade na imprensa que antes não existia.
Além disso a mídia reforça o negativo, pois dá audiência.
O mal anda com tamancos de madeira e o bem com chinelos de veludo.
Abraço
Patrícia
Título: Re: Confiança em Deus
Enviado por: Patricia S. Botelho em 01 de Julho de 2015, 17:46
Amigo Vitor

Gostei muito de seu texto. Você disse: “Aquele que nos fez mal pode ter sido, noutra encarnação aquele a quem fizémos mal, tendo ambos dividas de reparação. Nesta vida não podemos ter conhecimentos para compreender que espirito é que deve a quem. Todos devemos a muitos, provávelmente. O acerto global dessas contas de milhares de anos não é tarefa para nós, humanos. Até podemos ser instrumentos usados para esse efeito, mas sem consciência disso.”
Há um trecho equivalente a isso no evangelho, em que Kardec nos diz que quando sofremos um mal, devemos pedir perdão a Deus, pois provavelmente no passado fizemos igual a outra pessoa, necessitando, assim, do perdão de Deus.
Abraço
Patrícia

Título: Re: Confiança em Deus
Enviado por: lconforjr em 01 de Julho de 2015, 23:58
Re: Confiança em Deus

      Ref resp #3 em: 010615, às 17:46, de Patrícia S.

      Pat escreveu ao Vitor: Gostei muito de seu texto. Você disse: “Aquele que nos fez mal pode ter sido, noutra encarnação aquele a quem fizemos mal, tendo ambos dividas de reparação. Nesta vida não podemos ter conhecimentos para compreender que espirito é que deve a quem. Todos devemos a muitos, provavelmente. O acerto global dessas contas de milhares de anos não é tarefa para nós, humanos. Até podemos ser instrumentos usados para esse efeito, mas sem consciência disso.”

      Conf: minha querida, vamos raciocinar um pouco: se todo efeito tem sua causa, qual é a causa do efeito que vc concordou com o que o Vitor postou: “todos devemos a muitos, provavelmente e, por isso, temos de sofrer"?

      Veja: todos temos, como a doutrina ensina, o livre-arbítrio e, com ele, a possibilidade de só escolher praticar bem, certo? Porq, então, escolhemos tantas vezes praticar mal e com isso temos, segundo a doutrina, de forçosamente sofrer o mal que no passado, fizemos aos semelhantes? Porq escolhemos praticar o mal se podemos escolher o bem?

      E, para vc, o que significa “ter confiança em Deus”, se é Dele que vem essa terrível lei da causa e efeito, nos trazendo sofrimentos torturantes, como diz a doutrina, desesperadores e insuportáveis?

      Um abraço, Pat.
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