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GERAL => Mensagens de Ânimo => Acção do Dia => Tópico iniciado por: dOM JORGE em 30 de Janeiro de 2015, 08:42

Título: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: dOM JORGE em 30 de Janeiro de 2015, 08:42
                                                                   VIVA JESUS!




               Bom-dia! queridos irmãos.



                        A passagem pelo umbral
é obrigatória?



O termo umbral, utilizado no livro Nosso Lar (André Luiz/Francisco Cândido Xavier), alcançou grande popularidade no Brasil. Além da progressiva aceitação do livro, a difusão do termo deve-se, principalmente, às novelas, peças de teatro e filme, acompanhados por um grande público interessado em informações sobre a espiritualidade. Nessas apresentações o “umbral” é retratado como um local onde vão parar pessoas que cometeram erros em sua última encarnação. Nada mais simples e eficiente para atuar sobre o imaginário popular, que tende a pensar no umbral como outra designação para o conhecido purgatório católico.
Por outro lado, não são poucos os espíritas que conceituam o termo nesta visão: um lugar permanente destinado à passagem de Espíritos com pouca evolução, enfatizando os quadros de sofrimento e angústia vividos por seus habitantes. Esse retrato, fantasioso quanto à ideia de local permanente e de punição, impressiona negativamente aqueles que buscam o Centro Espírita. Alguns desses frequentadores, sem outras informações, “rezam” para ter um curto estágio nessa região. Adiantou-nos ainda um companheiro de ideal espírita que as pessoas explicam o receio do umbral, com lógica comparativa: “se André Luiz que teve uma existência no geral honesta e produtiva, cometendo poucos deslizes, ficou na tal região cerca de oito anos, nós todos vamos ficar por lá muito mais tempo”. Essa noção pode exacerbar os sentimentos de culpa e medo.
Em primeiro lugar, precisamos compreender que o livro Nosso Lar é classificado como um romance, não se tratando, portanto, de uma obra de caráter doutrinária (cunho científico). Em segundo lugar, o relato de André foca a experiência que teve no mundo espiritual, segundo a sua percepção. Cada um tem sua própria experiência a depender de situações particularizadas e muitos percebem os fatos a partir de como, antecipadamente, os interpretavam. Por exemplo, quem se acostumou com a ideia de anjo, pode perceber como tal a visão de um Espírito mais evoluído.
Essa doutrina de locais fixos destinados às almas pertence à teologia judaico-cristã, que divide o destino da criatura em três alternativas: o céu, o purgatório e o inferno. A primeira e a última são destinações eternas, da segunda pode haver translado para o paraíso a depender das orações intercessoras, conforme se supõe. Acreditava também, até há pouco tempo, que a mudança para o céu podia ser conseguida mediante doações generosas dos parentes em favor da alma do finado.
Entretanto, os Espíritos que participaram no trabalho da codificação chamaram o período de tempo entre uma encarnação e outra de erraticidade. Esse período variável é vivido por Espíritos de diferentes graus de evolução e pode ser aproveitado de várias maneiras, visando ao progresso espiritual. Os Espíritos nesse período não ficam circunscritos e, dependendo de sua condição espiritual, podem, até mesmo, visitar outros mundos. Outra condição desse período temporal é a de não isolamento. Como os Espíritos entram em contato uns com os outros e se agrupam na erraticidade? Muito simples: a lei de afinidade atrai os que se assemelham e é por isso que os Espíritos, respondendo a pergunta 160 de Allan Kardec (O Livro dos Espíritos), afirmam que encontraremos, ao desencarnar, “aqueles com quem mantivemos afeição recíproca e que quase sempre eles vêm nos receber” (negrito nosso). Como Jesus adiantou, “na casa do Pai há muitas moradas”. Em uma delas podemos permanecer durante algum tempo, não como punição ou recompensa de Deus, mas como um local com oportunidade de aprendizagem em atividades e estudos com Espíritos que nos são afins e estão em estágio semelhante ao nosso.
Ademais não podemos desprezar o fato de que, apesar de assumir muitos postulados cristãos, Allan Kardec, inspirado no racionalismo iluminista, afasta-se veementemente da versão católica do além, apoiando-se, como já mencionado, no termo erraticidade para explicitar a própria ideia de indefinição relativa às condições de vida no mundo espiritual.
No livro O céu e o Inferno, o codificador tanto critica a ideia de inferno, onde os séculos sucedem aos séculos sem esperança para os condenados, quanto discorda, e de forma taxativa, da ideia de purgatório, considerando a crença neste conceito o motivo que deu origem ao comércio das indulgências, causa primeira da Reforma (Cf. Kardec, A. O céu e o inferno, RJ: FEB, 1987, p. 63).
No terceiro capítulo de O Céu e o Inferno, dedicado ao céu, Kardec reprova também qualquer tentativa de localizar o céu (num sentido espacial ou geográfico):
“A felicidade está na razão direta do progresso realizado, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz quanto o outro, unicamente por não possuir o mesmo adiantamento intelectual e moral, sem que por isso precisem estar, cada qual, em lugar distinto. Ainda que juntos, pode um estar em trevas, enquanto que tudo resplandece para o outro, tal como um cego e um vidente que se dão as mãos: este percebe a luz da qual aquele não recebe a mínima impressão” (Kardec, A. O Céu e o Inferno, RJ: FEB, 1987, p. 30). (Itálico nosso)
Precisamos ficar atentos para evitar o uso de modelos explicativos que aceitamos no passado e até ajudamos a difundir, mas que na atualidade não se ajustam ao ideal espírita. Lembremos que a Doutrina Espírita defende que nossos erros retornam para nós, sem necessidade de uma junta punitiva para essa finalidade. Por outro lado, o bem que fizermos também retorna, dando início à promessa de Jesus: O Reino de Deus está dentro de vós.

Notas:
Afastando-se das cautelas do Codificador, o livro Nosso Lar, por exemplo, diz sobre o Umbral: “uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma experiência terrena” (2002, p. 71). Com isso, Francisco Cândido Xavier, através do livro Nosso Lar, acaba por fixar uma versão espírita do além, e, de maneira distinta de Allan Kardec, agrega uma ênfase maior no aspecto religioso da Doutrina Espírita, bem como uma assimilação de elementos do catolicismo.
De forma geral, o além permanece vago na obra de Allan Kardec, entendendo ainda o codificador a existência na Terra como algo próximo à noção de purgatório proposta pela igreja católica – renascemos para nos aprimorar, mas, em razão de nossas debilidades, estamos sujeitos a provas e expiação, segundo a própria condição planetária. Mas, com uma diferença muito evidente, a “saída”, ou seja, qualquer status liberatório depende apenas do empenho pessoal de cada um, pois o único determinismo é evoluir (e, para isso, nascer de novo).
Referências:
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. RJ: FEB, 1994.
Kardec, A. O Céu e o Inferno. RJ: FEB, 1987.
Xavier, F. C./Espírito André Luiz. Nosso Lar. RJ: FEB, 2002.



           
ALMIR DEL PRETTE e EUGÊNIA PICKINA









                                                                                                            PAZ, MUITA PAZ!
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: skidwasted em 30 de Janeiro de 2015, 10:28
Esse é um assunto que eu sempre tive dúvidas.
Bem, se de um lado temos o umbral, onde no centro espírita que frequento, diz-se que todos nós passaremos um período maior ou menor, dependendendo da carga negativa que obtivemos aqui na Terra para expurgá-la. Não se vai ao encontro dos iluminados em estado de loucura (drogas, álcool) ou com pensamentos de ódio, vingança, e assassinato, por isso o tempo no umbral para limpeza.
Por outro lado, temos a erraticidade na qual creio eu, estão os espíritos que nos influenciam negativamente, vagando no nosso mundo. Porém, os iluminados tentarão ajudá-los.
Agora, qual é o correto?
Um espírito de um traficante que matou dezenas. Ele vai para o umbral passar por um processo forçado de limpeza da consciência ou vai ficar na erraticidade atormentando aqueles que ainda nutre ódio aqui? Como ele se recuperaria? Reencarnando com expiação depois de um tempo que a espiritualidade superior visse que ele não apresenta arrependimento ou desejo de evolução?
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 30 de Janeiro de 2015, 12:06
O problema é interpretar ao pé-da-letra o umbral, como sendo um local específico, delimitado. Primeiro que não pode ser um lugar físico, pois se o Espírito é errante, não pode ao mesmo tempo estar encarnado (e se não está encarnado nesse umbral, por que esse umbral, local específico de passagem do Espíritos, seria algo físico? qual a finalidade de um Espírito errante estar em um lugar físico sem a possibilidade de agir sobre esse lugar, como fazem os encarnados na terra?)  se é errante, por que estaria em um lugar físico (pois só os lugares físicos são limitados – a terra tem dimensões conhecidas, por exemplo). O umbral, penso, que poderia ter qualquer outro nome, é o que carregamos conosco, pois ao desencarnarmos não abandonaremos, como um passe de mágica, todos os sofrimentos morais que tínhamos quando encarnados. Se não é um lugar físico seria uma criação do pensamento do Espírito; criação apropriada ao estado íntimo e de evolução do Espírito. Posso estar errado, mas é o que penso sobre o assunto.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 30 de Janeiro de 2015, 13:54
Olá amigos

Como já se devem ter apercebido eu vivo uma fase em que a dúvida predomina na minha mente, no que diz respeito às questões espirituais. Para minha própria surpresa, mais ou menos de 2012 para cá, a minha fé vai reduzindo. Na realidade eu não me congratulo com essa situação. E,para ser sincero, preferia, sem hesitações, essa fase de grande fé que eu vivia em 2010, do que aquela que vivo agora. Essa fé era baseada em muitos pressupostos da Doutrina Espirita, embora não todos.

Contudo eu estudei a Codificação Espirita, tanto quanto pude, como já havia feito com o Novo Testamento da Bíblia antes de conhecer a Doutrina Espirita. Uma das passagens da Codificação que se tornou referência para mim (do livro "O céu e o Inferno" - A. Kardec) foi esta:

Citar
CAPÍTULO IV

ESPÍRITOS SOFREDORES

O castigo

Exposição geral do estado dos culpados por ocasião da entrada no
mundo dos Espíritos, ditada à Sociedade Espírita de Paris, em outubro de
1860.

"Depois da morte, os Espíritos endurecidos, egoístas e maus são logo presas
de uma dúvida cruel a respeito do seu destino, no presente e no futuro. Olham em
torno de si e nada vêem que possa aproveitar ao exercício da sua maldade - o que os
desespera, visto como o insulamento e a inércia são intoleráveis aos maus Espíritos.
Não elevam o olhar às moradas dos Espíritos elevados, consideram o que os
cerca e, então, compreendendo o abatimento dos Espíritos fracos e punidos, se
agarrarão a eles como a uma presa, utilizando-se da lembrança de suas faltas
passadas, que eles põem continuamente em ação pelos seus gestos ridículos.

comentário meu:

Como podemos verificar os espíritos endurecidos, a avaliar pela DE, não vão para uma zona de sofrimento, tipo purgatório, para sofrer um castigo. Pelo contrário eles continuam maus, como já eram, e põe-se é a atormentar outros espíritos que se deixam esmagar pela auto-culpa. Ou seja, atormentam aqueles que já têm mais sensibilidade moral.

Citar
Não lhes bastando esse motejo, atiram-se para a Terra quais abutres famintos,
procurando entre os homens uma alma que lhes dê fácil acesso às tentações. Encontrando-
a, dela se apoderam exaltando-lhe a cobiça e procurando extinguir-lhe a fé
em Deus, até que por fim, senhores de uma consciência e vendo segura a presa,
estendem a tudo quanto se lhe aproxime a fatalidade do seu contágio.
O mau Espírito, no exercício da sua cólera, é quase feliz, sofrendo apenas nos
momentos em que deixa do atuar, ou nos casos em que o bem triunfa do mal
.

Comentário meu:

A ideia de que os maus espíritos vivem como condenados, no Umbral, Purgatório ou que quer que lhe chamemos, parece não ser coerente com a Codificação.

Citar
Passam no entanto os séculos, e, de repente, o mau Espírito pressente que as trevas acabarão por envolvê-lo; o circulo de ação se lhe restringe e a consciência, muda até então, faz-lhe sentir os acerados espinhos do remorso.
Inerte, arrastado no turbilhão, ele vagueia, como dizem as Escrituras, sentindo
a pele arrepiar-se-lhe de terror. Não tarda, então, que um grande vácuo se faça nele e
em torno dele: chega o momento em que deve expiar; a reencarnação aí está
ameaçadora... e ele vê como num espelho as provações terríveis que o aguardam; quereria
recuar, mas avança e, precipitado no abismo da vida, rola em sobressalto, até que
o véu da ignorância lhe recaia sobre os olhos. Vive, age, é ainda culpado, sentindo em
si não sei que lembrança inquieta, pressentimentos que o fazem tremer, sem recuar,
porém, da senda do mal. Por fim, extenuado de forças e de crimes, vai morrer.
Estendido numa enxerga ou num leito, que importa?
o homem culpado sente. sob aparente imobilidade, revolver-se e viver dentro de si
mesmo um mundo de esquecidas sensações. Fechadas as pupilas, ele vê um clarão
que desponta, ouve estranhos sons; a alma, prestes a deixar o corpo, agita-se
impaciente, enquanto as mãos crispadas tentam agarrar as cobertas... Quereria falar,
gritar aos que o cercam: - Retenham-me! eu vejo o castigo! - Impossível! a morte selalhe
os lábios esmaecidos, enquanto os assistentes dizem: Descansa em paz!
E contudo ele ouve, flutuando em torno do corpo que não deseja abandonar.
Uma força misteriosa o atrai; vê, e reconhece finalmente o que já vira. Espavorido, ei-lo
que se lança no Espaço onde desejaria ocultar-se, e nada de abrigo, nada de repouso.
Retribuem-lhe outros Espíritos o mal que fez; castigado, confuso e
escarnecido, por sua vez vagueia e vagueará até que a divina luz o penetre e esclareça,
mostrando-lhe o Deus vingador, o Deus triunfante de todo o mal, e ao qual não poderá
apaziguar senão à força de expiação e gemidos.
Georges."

Nota (de Kardec) - Nunca se traçou quadro mais terrível e verdadeiro à sorte do mau; será
ainda necessária a fantasmagoria das chamas e das torturas físicas?

comentário meu

É a iminência e depois o acto concreto da reencarnação, em mundos de espíritos do mesmo nível do que ele, ou até inferior, que o vai fazer realmente sofrer. O purgatório corresponde a uma situação de reencarnação e não de erraticidade, no que se refere aos espíritos endurecidos.

E é o facto de existirem mundos que servem de "purgatório"que justifica (segundo a minha interpretação da DE) a existência de mundos como o nosso, na medida em que são povoados por grande quantidade de espíritos maus (que ainda não são capazes de agir de melhor forma, mas que vão evoluir um dia e deixar de ser contados entre os maus, como todos nós já fomos, ou ainda somos, com grande probabilidade).

Bem hajam
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Diegas em 30 de Janeiro de 2015, 16:43
Olá, Vitor


Como poderia um espirito viver insulado e inerte, conforme o texto do livro "O céu e o Inferno" - A. Kardec" que vc trouxe e, ao mesmo tempo, estar em contato, agindo, de imediato, contra outrem ?

Após o desencarne o individuo encontra-se insulado, portanto, distante do convivio. E se vive na inércia, naturalmente, não age, e encontra-se em determinado local. O tempo de insulação e inércia varia conforme as obras praticadas. E vc até pode dar o nome que quiser a esse local de insulação: purgatório, inferno, umbral, colonia de baixo astral.... Na realidade, os nomes são de menos importância, desde que reconhecemos que o Espirito é imortal, que ele conserva a sua individualidade, e merece padecer pelos maus feitos que tenha praticado contra si e/ou outrem.

Ou vc acha que um malfeitor recém desencarnado - dependendo da espécie de delito que tenha cometido - sai, de imediato, a usucrinar a vida alheia sem responder por sua irresponsabilidade ? Por acaso, esse tipo de Espirito merece o prêmio da liberdade por toda ação nefasta ou sofrer a auto-punição ?

De certo, deverá sofrer o insulamento e a inercia será o seu tormento !


Abç
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 30 de Janeiro de 2015, 19:10
Olá amigo Diegas

Obrigado pela sua atenção ao meu post. Nele há duas partes: o texto citado, que é uma cópia do livro o Céu e o Inferno, que eu não inventei, nem sequer defendo como verdadeiro, pois, sem evidências confiáveis que me permitam confirmar ou desmentir o mesmo, seria uma especulação sem qualquer base estar defender qualquer das possibilidades.

Outra parte do meu post corresponde ao meu comentário, não no sentido de confirmar ou desmentir a parte citada, como eu já disse, mas no sentido de interpretar a mesma, na base da língua portuguesa.

Não concordo nem discordo com o que o amigo Diegas disse, pois você não me apresentou, nem tinha que me apresentar, quaisquer argumentos que me fizessem inclinar para as suas afirmações. Se bem entendi limitou-se a dar uma opinião ou palpite. Contudo esse palpite pareceu-me assentar numa interpretação equivocada do texto do espírito Georges.

Numa primeira fase, o espírito acordado da perturbação da morte, sente-se sozinho, como todos os espíritos. Mas, não suportando essa solidão, começa a procurar outros espíritos para atacar. Aproveita-se dos que sentem auto-culpa e se sentem decepcionados consigo mesmos, que, embora possam ser mais elevados do que ele, se encontram numa situação de fragilidade mental, pois compreendem e preocupam-se com a extensão dos erros terrenos que lhe podem atrasar a marcha para o progresso.

O texto citado não indica se o espírito merece ou não padecer pelos erros que cometeu. O que parece dizer é que aquele espírito, naquela fase de evolução, não se sente preocupado com culpas de qualquer espécie.

A obsessão das pessoas da Terra ocorre numa segunda fase. A doutrina espirita e as pessoas que constituem o movimento espirita passam a vida a falar em obsessores e em obsessões. Esses obsessores não são, decerto, bons espíritos. Serão espíritos maus,o que parece confirmar o texto citado do livro. Ora esses espíritos maus estarão, provavelmente, junto dos obsediados e não no Umbral, ou em local ou estado psicológico similar.


Citar
Ou vc acha que um malfeitor recém desencarnado - dependendo da espécie de delito que tenha cometido - sai, de imediato, a usucrinar a vida alheia sem responder por sua irresponsabilidade ? Por acaso, esse tipo de Espirito merece o prêmio da liberdade por toda ação nefasta ou sofrer a auto-punição ?

De certo, deverá sofrer o insulamento e a inercia será o seu tormento !

Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/accao-do-dia/a-passagem-pelo-umbral-e-obrigatoria/?action=post;num_replies=4#ixzz3QKbPnJIa

Essa é uma suposição do amigo que parece estar em contradição com o texto que citei, isto se bem entendi o que quis dizer. Eu, pessoalmente, não penso, e muito menos garanto, nada em relação a isso, pois não tenho nenhuma evidência que mo demonstre.

Baseando-me no que já li, no âmbito do espiritismo, o que me pareceu foi que a decisão de se melhorar é sempre do próprio espírito. E que o "chicote" vai zunindo cada vez mais forte, em encarnações em mundos ou situações encarnatórias cada vez piores, até que o espírito se dá por vencido e se arrepende. Embora o chicote tenha por função vergar a vontade do espirito e não castigá-lo, acaba por ser simultaneamente um castigo.

Quando estou em conflito com alguém, o que, por vezes, não consigo evitar, no calor do momento posso desejar que esse alguém seja castigado, que seja punido. Mas considero isso uma falha minha. Quando retomo a calma não quero que ninguém seja castigado pelo mal que me fez.

Posso querer é que esse alguém me compense positivamente pelo prejuízo que me possa ter causado. Ainda assim tenho de ponderar bem se não prejudiquei também outras pessoas da mesma forma. Pois se exijo reparação pelo mal que me fizeram tenho de contar que é normal e justo que outros me venham cobrar também a reparação, ainda que tenham decidido não o fazer antes (todavia, vendo-me a ser rigoroso com o pedido de reparação com terceiros é natural que se tornem também mais rigorosos comigo).       

Em conclusão, eu não desejo nem necessito que ninguém seja castigado pelo mal que me fizer. Desejo tomar medidas para evitar que ele não me faça de novo o mesmo mal e, talvez, que me compense com bens que compensem o mal antes feito, já que o tempo não
volta para trás. O mal que está feito, está feito!

Desejar a vingança de uma vitima, por pior que seja a injustiça que sofreu é erro. E se eu penso assim, decerto que aqueles que são mais elevados do que eu ainda terão pensamentos mais perfeitos. Castigo só por castigo seria crueldade, sobretudo contra criaturas ignorantes e pouco inteligentes.

Bem haja
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 30 de Janeiro de 2015, 21:53
Citar
Vitor Santos

"A ideia de que os maus espíritos vivem como condenados, no Umbral, Purgatório ou que quer que lhe chamemos, parece não ser coerente com a Codificação. "


Mateus:
Capítulo 5.
23 Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24 Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.
25 Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.
26 Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 30 de Janeiro de 2015, 22:09
Citar
Titulo:

A passagem pelo Umbral é Obrigatória ?


Esta pergunta seria o mesmo que perguntar
A passagem pela passagem é obrigatória ?

Pois que a palavra usada por André Luiz: UMBRAL

Representa o fenômeno natural em si,
a passagem

A Morte é para o corpo
a passagem é para a alma ou melhor o espírito

Logo é obrigatória ou melhor é a consequência do fenômeno natural

Não um lugar circunscrito
mas um condicionamento de afinidades

O Que esperar após a Morte para os habitantes que representam literalmente
a condição do Planeta em que vivem
que é como nos diz Kardec
ancorado nas instruções dos Espíritos
Um Mundo de "Provas e Espiações" ?

Alguém aqui será capaz de se declarar imune a tal realidade
será este declarante um mero espectador ?
que veio aqui apenas para um trabalho de pesquisa ?

Confessemo=nos devedores de hoje e de outrora
e corajosamente encaremos o que nos aguarda
fruto mesmo de nossas dúvidas e ausência de fortes convicções

Nossos trabalhos mediúnicos
onde nos permitem participar para auxiliar e para bem aprender
se realizam no campo do "pós passagem"
ou seja:
No Umbral
No Limiar
No Batente
No Ádito

"Crer é a suficiência do ter entendido"
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 30 de Janeiro de 2015, 22:17
Kardec usa a Palavra TREVAS

E portanto ninguém a questiona
ou lança anátema a ela
e nem ridiculariza Kardec
com ironias e desconfianças

Pois que deveriam

será um lugar circunscrito?
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 30 de Janeiro de 2015, 22:57
Citar
Titulo:

A passagem pelo Umbral é Obrigatória ?


Esta pergunta seria o mesmo que perguntar
A passagem pela passagem é obrigatória ?

Pois que a palavra usada por André Luiz: UMBRAL

Representa o fenômeno natural em si,
a passagem

A Morte é para o corpo
a passagem é para a alma ou melhor o espírito

Logo é obrigatória ou melhor é a consequência do fenômeno natural

Não um lugar circunscrito
mas um condicionamento de afinidades

O Que esperar após a Morte para os habitantes que representam literalmente
a condição do Planeta em que vivem
que é como nos diz Kardec
ancorado nas instruções dos Espíritos
Um Mundo de "Provas e Espiações" ?

Alguém aqui será capaz de se declarar imune a tal realidade
será este declarante um mero espectador ?
que veio aqui apenas para um trabalho de pesquisa ?

Confessemo=nos devedores de hoje e de outrora
e corajosamente encaremos o que nos aguarda
fruto mesmo de nossas dúvidas e ausência de fortes convicções

Nossos trabalhos mediúnicos
onde nos permitem participar para auxiliar e para bem aprender
se realizam no campo do "pós passagem"
ou seja:
No Umbral
No Limiar
No Batente
No Ádito

"Crer é a suficiência do ter entendido"

Perfeito!
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Diegas em 31 de Janeiro de 2015, 03:48
Olá, Vitor

'...pois você não me apresentou, nem tinha que me apresentar, quaisquer argumentos que me fizessem inclinar para as suas afirmações. Se bem entendi limitou-se a dar uma opinião ou palpite. Contudo esse palpite pareceu-me assentar numa interpretação equivocada do texto do espírito Georges...'

Se formos pelo caminho das evidências encontramo-nos empatados. Não basta dizer que a sua opinião baseia-se na interpretação que faz da DE, sem apresentar provas. Absoluta certeza do que ocorre após a morte, só desencarnado para saber. Mas impossivel imaginar que um determinado Espirito resida no Universo, sem um endereço de moradia ou localização geografica. Se o Espirito não é divisivel não pode ocupar 2 ou mais lugares ao mesmo tempo, então, tem de haver um local determinado que o localize quando desencarnar.

Imagine a situação cômica de um mensageiro de Deus localizando um Espirito recem-desencarnado sem a existencia de um local. Para qual endereço ou latitude/longitude sideral esse mensageiro vai se deslocar em busca desse desencarnado se não há um local definido ?

É como eu havia comentado: o nome do local para aonde vai o Espirito depois de desencarnado é de menor importancia, mas ele existe, é real. O Espirito desencarnado não vai para um local surreal, virtual, ou para dentro da propria consciencia (tal como afirmam alguns ilusionistas)

Disse o filosofo: 'Penso, logo existo'

E também poderia ter acrescentado: 'Existo, logo encontro-me num local'


Desencarnou ?

Por uma questão de logica, e não de palpite, esse desencarnado encontra-se em algum local. E esse lugar, como podemos ler do 'Ceu e o Inferno'  não é de imediato e novamente a superficie do planeta Terra.

Vc mencionou a existencia de 2 fases após o desencarne, então, o local que buscamos conhecer (chamo-o de umbral - é agradavel !) é o da primeira fase, aquele lugar em que o Espirito acorda da perturbação da morte, sente-se sozinho, como todos os espíritos e pergunta para si mesmo 'Eu morri ?' , 'Que lugar é este ?' E, não suportando a solidão - depois de muito tempo só e inerte - começa a procurar outros espíritos para atacar, azucrinando a cabecinha dos mais fragilizados.

Creio que a preocupação do forista que abriu este topico é saber se 'a passagem pelo umbral é obrigatoria'

Resposta: SIM e NÃO

SIM, se foi um espirito malfeitor; e a resposta é NÃO se foi um espirito que praticou boas obras - e este vai para o lugar dos bem-aventurados.

Enfim, todos estão/vão em/para algum lugar.


   
Abç

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 31 de Janeiro de 2015, 13:59
Olá amigo Diegas

Concordo consigo que não há evidências comprováveis no que se refere a este tipo de assunto, ou, pelo menos são insuficientes. Contudo o que diz o livro "O céu e o inferno" não é uma opinião minha e eu também não sou advogado de defesa do espírito Georges, nem de Allan Kardec. Se o amigo não concorda com o que diz o livro, ou o interpreta de modo diferente de mim, está no seu direito, mas eu não tenho nada a haver com isso.

Antes de me preocupar em caracterizar a vida dos espiritos errantes, preocupo-me com saber se existem ou não espíritos errantes. O que não ha duvidas é que existem, na DE, dois conceitos distintos: o estado de encarnado e o de desencarnado. A questão é definir qual a diferenca entre os dois estados. Pelas suas palavras, se bem entendi, parece não existir diferença. Parece estar a falar do estádio de erraticidade como quem fala de  um estado encarnado.

Bem haja


Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: EsoEstudos em 31 de Janeiro de 2015, 21:45
"Umbral" tornou-se um conceito encharcado de interpretações extensivas. Entre a Luz e as Trevas há o Umbral. Poderia ter sido usado outro nome, como "Purgatório", mas seria adotar outro conceito também bastante surrado.


O discurso espírita, quase sempre, é de tom religioso. Mesmo que não desejem, os espíritas quase sempre falam em tom de religiosidade. Isso não é crítica, mas tão somente um fato.


Quando o evolucionário desencarna sintoniza com os padrões a que se habilitou durante sua jornada terrestre. Há tantas egrégoras quantos sejam as coletividades com tom fundamental igual. O padrão de nossos pensamentos é esse tom fundamental. Como padrão, é a frequência predominante. Se é de período curto, o ser sintoniza ideário mais elevado, aqueles a que aprendemos a chamar de mais puros, com maior luz. Se é de período mais longo, o ser sintoniza com frequências rubras, menos puras, mais densas e devotadas ao que chamamos de ambientes trevosos.


O homem da Terra, notadamente nesse período de transição a que assistimos, em que miríades têm uma "última oportunidade" de conviver com o ente coletivo que permanecerá neste orbe, debate-se consigo mesmo por enfrentar focos intensos de tons mais graves, pondo à prova sua capacidade de manter um mínimo de elevação em seus próprios pensamentos.


Não são tempos fáceis.


Eu diria que a, assim chamada, passagem pelo Umbral não é obrigatória. Mas diria também que deve ser muito comum para grande parte das pessoas que retornam ao plano extrafísico por desencarnação.

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Diegas em 31 de Janeiro de 2015, 22:42
'...O discurso espírita, quase sempre, é de tom religioso. Mesmo que não desejem, os espíritas quase sempre falam em tom de religiosidade. Isso não é crítica, mas tão somente um fato...'


Olá, Marcos


Se me permite, acrescento que o tom se reveste de medo de morrer, de que seja o fim - um pavor indisfarçavel, notado pelo modo que se expressam, em diversos tópicos que participamos.



Abç


Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Diegas em 31 de Janeiro de 2015, 23:18
Olá, Vitor

'...Se o amigo não concorda com o que diz o livro, ou o interpreta de modo diferente de mim, está no seu direito, mas eu não tenho nada a haver com isso...'


Concordamos com o texto do livro 'Ceu e Inferno', mas o interpretamos de forma diferente.

Não há qualquer fórmula mágica de transformação do ser humano quando desencarna. Ele continua a ser a mesmissima pessoa que foi encarnada, boa ou má. O que muda é tão-somente o seu estado vibratório ao abandonar a roupagem carnal. Tal como a lei dos pesos especificos, dependendo do indice de materialidade que carrega em seu perispirito, ou o Espirito vai para 'cima' ou para 'baixo' (conceitos relativos só para conceituar por que sabemos que a Terra gira e não existe o alto ou baixo no Universo)

A Biblia refere-se à escada de Jacó, trata-se de uma boa imagem para dar uma vaga idéia ao representar a subida e descida espiritual. Inclusive enumera a quantidade de céus que devemos percorrer (o sétimo céu é o ultimo e das bem-aventuranças)

O primeiro céu - mais conhecido como baixo Umbral ou Terra-terra em virtude da proximidade com a superficie do planeta, é o local que Georges assim se refere 'Depois da morte, os Espíritos endurecidos, egoístas e maus...' Ou seja, Georges comenta sobre o local em que transitam os Espiritos mais endurecidos pela pratica do mal. Faltou a ele somente dizer o nome desse local, e esse local não é, de IMEDIATO, a superficie do nosso planeta.

Há Espiritos que demandam longuissimo tempo para poder sair desse local de insulamento e inércia. Só para ter uma minima idéia, André Luiz - que não foi uma pessoa má - perambulou 8 anos no Umbral. Por este exemplo, dá-se para imaginar a quantidade de tempo que devem 'sofrer e ranger os dentes' alguns Espiritos menos comportados.


Abç
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 01 de Fevereiro de 2015, 12:06
Amigo Diegas

Eu não sei se concordo ou discordo com os livros da Codificação. Em determinada fase da minha vida estudei os mesmos, isso é um facto. No seguimento do estudo no Novo Testamento da Biblia, ou seja na tentativa de entender o que Jesus de Nazaré dizia, segundo a Bíblia, a Codificação foi simultaneamente um alivio, uma vez que me dava uma interpretação aparentemente bem mais lógica do que os catecismos católicos e evangélicos, em geral, nos apresentavam, e uma lufada de ar fresco, ou melhor, de fé. Nessa fase da minha vida, o materialismo, no sentido de crer que somos apenas corpos de carne mortais, máquinas naturais, era a alternativa ao catolicismo. Contudo eu ainda recusava a possibilidade de a vida não ter sentido, em termos absolutos. De sermos apenas cadáveres adiados e nada mais.

A ideia que, justa ou injustamente, o amigo Diegas me dá, é que tem uma grande preocupação no que se refere à divisão da Doutrina Espirita (DE) no seio do movimento espirita. Com efeito, muitas pessoas não aceitam como ensinamento doutrinário as obras de Chico Xavier e outras, mas apenas a Codificação. Eu fui uma pessoa dessas, no que se refere à descrição dos espíritos como entidades que se alimentam, que se vestem, que tomam banho, etc. porque esse tipo de actividades corresponde aos cuidados que temos com o corpo de carne, aqui na Terra. Apodrecendo o corpo de carne esse tipo de conversa, perde o sentido para mim, o que não significa que perca o sentido para outras pessoas, cujas ideias respeito e nem sequer posso contestar. A realidade é o que é, independentemente do que nós pensamos ou cremos.

Para além de tudo o mais, a Codificação é o fundamento do espiritismo. Decepando-a, cortando-a aos bocados, abalamos o fundamento do espiritismo como uma de várias alternativas incluídas no espiritualismo. Isso não tem mal nenhum, desde que seja justificado.

O que não me parece bem é querer agradar a "Deus e ao diabo", como se diz metafóricamente no meu país. Ou somos espiritualistas espíritas (e nesse caso a Codificação é a nossa inspiração) ou somos espiritualistas de outras doutrinas mais ou menos distintas da espirita. E, sinceramente, penso que pessoas que atacam fortemente a Codificação atacam fortemente as raízes do espiritismo. Uma árvore sem raízes firmemente assentes pode cair... Mas, uma vez que eu não faço parte do movimento espirita, apenas vou passando por aqui para ver se encontro uma corda ou pistas que me permitam subir ao espiritualismo e me afastar do materialismo, não sinto a responsabilidade de defender nada nem ninguém, neste campo do conhecimento.

Não é uma corda de salvação que procuro, não se confunda. Eu não tenho medo da morte, porque morte, para mim (quando for eu o morto), não é sinónimo de sofrimento. O sofrimento, esse não desejo, como penso que ninguém deseja, a não ser os masoquistas.

Apenas me anima pensar que a vida tem um sentido e que não estou aqui apenas a titulo de máquina natural e mortal, e isso apenas é importante antes do desencarne. Depois do dia da passagem, das duas uma: ou acaba tudo - o que me garante que não mais sofro (e daí que possa até ser uma grande vantagem...), ou concluo que a morte espiritual não existe, apenas a carnal. Neste último caso terei o prémio de verificar que a vida, afinal, tem um sentido absoluto. Mas esse prémio já nada me ajuda nesta vida.

Hoje, as minhas preocupações são outras. Eu voltei à fase em que vacilava (tinha dúvidas) entre crer na vida depois de vida (ou da morte, como queiram) e crer no espiritualismo. Por cegueira espiritual da minha parte, que é provável, admito, ou por outra razão qualquer, não encontro suficientes evidências pessoais que me liguem definitivamente ao espiritualismo, a não ser a titulo de simpatia e esperança pessoal, sem motivação racional suficiente.

Quando confronto os espíritas com a necessidade de evidências pessoais, muitos dizem que é preciso crer mesmo sem ver, mostrando que afinal, também eles mesmos, não se baseiam em evidências. Que têm fé cega. Eu não espero milagres, nem que ninguém me possa trazer as evidências de que eu necessito. Todavia também não sei onde procurar. Aqueles que dizem que têm evidências seguras, em regra são pessoais. No fim de contas eu fico sempre pendurado apenas em palavras e crenças de outros. Assim, não vejo diferença entre a doutrina espirita e todas as outras. Não se trata de acreditar baseado em factos, mas de acreditar baseado na palavra de outras pessoas. 

Afinal Allan kardec pintava a DE como uma doutrina da qual podíamos constatar evidências cientificas (eu já não queria tanto, contentava-me com evidências pessoais). Uma doutrina que seria a transição da fé (crença), para a constatação, ainda na fase de encarnados. Eu não tenho ainda evidências satisfatórias, pelo menos pessoais. Mas ainda estou no campo da dúvida e da esperança. Também não aceitei a doutrina materialista.

A esta hora, se leu o que eu escrevi, já estará, provavelmente, a interrogar-se sobre o que tem isto a haver com a resposta ao seu post. Pois bem, o que o amigo me diz não passa da sua crença, fundamentada em André Luiz e/ou outras fontes. Como eu já disse, não posso nem quero contestar o que diz, pois crenças não se discutem, no fim de contas. Mas fica-me uma grande dúvida:

- Se os espíritos desencarnados deixam cá os órgãos dos sentidos e o cérebro, a apodrecer, estejam lá onde estiverem, não é lógico pensar que eles percepcionam o universo da mesma forma que nós. E se assim é, eles podem lembrar-se, talvez, do encarnado que foram, mas já não é lógico pensar que eles pensam tal como pensavam, na medida em que a inteligência e a memória estarão agora livres, não necessitando do cérebro para as manifestar, nem recebendo as influências do mesmo. Podem passar algum tempo confusos com a transição, sem lucidez mental (perturbação da morte). Mas assim que a recuperam, a lógica diz-nos que, tendo sido os espíritos que acompanharam o nosso corpo de carne terrestre, agora cadáver, serão a mesma entidade espiritual, mas já não os mesmos seres encarnados, tendo uma percepção da vida completamente diferente.             

Bem haja         
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: lconforjr em 01 de Fevereiro de 2015, 14:45

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      Certamente, se a passagem pelo Umbral implica sofrimentos de q natureza forem, ela não é obrigatória pois, se fosse, teríamos de admitir q a doutrina está incorreta e q a justiça divina é apenas uma ilusão pois, afirma a codificação, todos os sofrimentos (exceções já do conhecimento de quem estuda a DE), são merecidos e justos, e só os merecem aqueles q transgridem as lei de Deus.

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Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Paulo B em 01 de Fevereiro de 2015, 15:40
Queridos irmãos, bom dia a todos,

Primeiramente, gostaria de lhes dizer que é a primeira vez que me manifesto neste fórum espírita, no qual acabo de ingressar, impelido a manifestar meu ponto de vista pessoal sobre o comentário a respeito do livro Nosso Lar.

Com todo respeito, discordo da opinião que o considera como “um romance desprovido de caráter doutrinário”.
 
Primeiramente, entendo que a grande obra doutrinária é o próprio Livro da Vida, ou seja, as lições que colhemos da vida material e, principalmente, da vida espiritual. Sendo assim, os livros doutrinários (editados em papel e tinta), são meros reflexos da realidade universal, assim como o mundo material é um reflexo do mundo espiritual. Da mesma maneira, gostaria de lembrar que, antes de transcritas para o papel, as leis divinas já estavam escritas no “livro da natureza” (L.E., questão 626).

Além disso, o próprio Codificador entende “a existência na Terra como algo próximo à noção de purgatório, proposta pela igreja católica” (texto extraído da mensagem). E, sendo o plano terreno um reflexo do plano espiritual, por que não poderia existir, na erraticidade, algo semelhante ao purgatório terreno? 

É claro que a obra Nosso Lar é um romance. Mas, nem por isso, perde seu caráter doutrinário. Ocorre que sua narrativa, desenvolvida numa linguagem romântica e colorida, pode ensejar interpretações que se desvirtuam da essência contida na mencionada obra.
     
Aliás, muitas pessoas também desvirtuam a essência bíblica – tanto do antigo testamento, assim como do novo –, repleta de uma linguagem figurativa, de caráter didático ao alcance de um do povo antigo, outrora cativo nas terras do Faraó.
   
Contudo, penso que podemos extrair grandes lições do antigo testamento, não obstante sua linguagem compatível com a mentalidade humana daqueles que ainda se encontravam na infância espiritual. Aliás, “não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades” (L.E., questão 628).

Quanto ao novo testamento, vale lembrar que o nosso Mestre ali nos recomenda deceparmos nossa própria mão, sempre que esta for motivo de escândalo. Mas “Jesus não disse nenhum absurdo, para quem saiba compreender o sentido alegórico e profundo de suas palavras” (E.S.E., Capítulo VIII, item 17).

Com freqüência, os Espíritos se expressam de forma alegórica, a exemplo do texto contido no livro A Gênese, Capítulo II, item 27, onde nos dizem que “o homem é um pequeno mundo, que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo. Nesse universo, o corpo representará uma criação cujo Deus seria o Espírito.”

E voltando a Jesus, o Divino Mestre nos disse: “Vós sois deuses” (João 10:34).
Mas, estaria Jesus a nos incitar, para usurparmos o lugar de Deus na supremacia do Universo? Esta seria uma interpretação literal, porém, errônea. Pois, na realidade, tornamo-nos deuses, quando damos cumprimento integral às leis de Deus. E, neste momento, tornamo-nos prepostos do nosso Pai Celestial, com todo o poder necessário, para executarmos as Suas obras. E, assim, passamos a ser co-autores das Obras Divinas.

Por isso, ao dizer que somos deuses, Jesus complementou: “e podeis fazer tudo aquilo que faço e muito mais.” É claro que esse “muito mais” significa dizer tudo aquilo que Jesus não fez por pura conveniência, porque poderia ter feito muito mais, se o quisesse.

O fato é que o Céu, assim como o Inferno, bem como o Purgatório, ou o Umbral, são estados da consciência humana que, por sua vez, plasma essa realidade mental no plano material (quando o Espírito está encarnado) e no plano espiritual (quando o Espírito está desencarnado), sem importar que nome se dê a esses diversos estágios da consciência.

Quanto ao vocábulo “erraticidade”, não existe termo mais vago e abstrato do que este, para explicar, sucintamente, onde os Espíritos ficam entre uma e outra encarnação. Nada mais, porém, poderiam os Espíritos revelar ao mundo ocidental que, na segunda metade do Século XIX, estava ainda muito refratário à doutrina espírita, uma doutrina reencarnacionista, diametralmente oposta aos dogmas católicos que imperavam por toda Europa. Imaginem a comoção no meio daqueles leitores, um tanto céticos em relação ao Espiritismo, se Allan Kardec tivesse falado da existência de “cidades flutuantes” sobre nossas cabeças.  Por isso, tudo vem ao seu tempo.

No meu entender, não é o livro Nosso Lar que se afasta das cautelas do Codificador, mas, sim, determinados leitores, que têm a tendência de interpretarem literalmente tudo aquilo que lêem. Prendem-se à literalidade da lei, em detrimento do espírito da lei, quando deveriam enxergar o sentido metafísico de todas essas alegorias.  Afinal, “a letra mata, e o espírito vivifica” (II Coríntios 3:6).

Que a Paz de Jesus esteja sempre conosco,
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 01 de Fevereiro de 2015, 23:22
Bem vindo, amigo Paulo

Em assuntos sem comprovação possível nós podemos sempre manipular as palavras a favor daquilo que queremos que elas digam. Dessa forma todos arranjam razões para defender as crenças com que simpatizam, bem como dissertar de forma a conciliar tudo com tudo. E todos podem ficar felizes para sempre...

Mas o que era útil, se possível, era defender a realidade e não as crenças sobre a mesma. Não podemo decidir a votos o que é a realidade e o que não é, nem alterar a realidade com manobras de retórica.

Se o Nosso Lar é uma obra que reflecte a realidade ou não é uma questão. Outra questão é se é coerente com a Codificacao Espirita ou não. Sobre a primeira questão não sei responder pois não conheço evidências que me permitam dar essa resposta. Já sobre a segunda questão parece-me bem evidente que a resposta e não e estou certo que eu nunca teria admitido o espiritismo como crença válida se, em alternativa a Codificação, me  tivesse sido apresentado apenas o Livro O Nosso Lar.

Para além de tudo o mais, se O Nosso Lar é uma obra que relata a realidade, não ha razão para não dizer o mesmo das centenas ou milhares de livros ditos espíritas que circulam por aí. E se assim é, para conhecer a literatura que define a realidade espiritual é necessário ler mais livros do que para obter muitas licenciaturas e mestrados. E isso não parece compativel com uma revelação aos simples, aos mais desfavorecidos, menos instruídos e menos propensos à leitura. Tratar-se-ia de uma revelação complicada de obter. E as inteligências superiores, em regra, sao o mais objectivas, claras e sucintas possível... É pouco provável que espalhassem a revelação espírita por centenas ou milhares de livros.

Bem haja
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: bblu em 01 de Fevereiro de 2015, 23:38
Na minha humilde opinião as coisas da vida e da morte são todas regidas por leis da física e da ciência como um princípio natural para todos.
Após a morte, dependendo de como um ser humano viveu em um corpo de carne, sua frequência ou vibração de energia imediatamente lhe colocará onde lhe é possível permanecer.
Um ser que vibra em frequência muito baixa, foi um criminoso por exemplo, carrega muita raiva ou culpa...não conseguiria permanecer em um lugar de muita luz.
Quando alguém é resgatado do umbral ou do abismo e é levado para outro ambiente onde ele permanece quase que em quarentena, até tenha recobrado boa parte de sua humanidade e possa conviver com outros.
O astral em volta da Terra é usado como um ambiente de recuperação e aprendizado no qual existe uma preparação antes de uma nova reencarnação.
Nele existem cidades como o nosso lar e outras. Mas nem todos necessitam ficar presos ao astral em volta da Terra. A criação de nosso Deus é bem mais vasta e existem outras escolas no cosmo.
Como a eternidade é adquirida após termos tido muitas encarnações e ascensões em várias das casas do nosso Pai o umbral não tem que ser necessariamente um lugar de passagem obrigatória, pois poderemos sempre fazer a escolha de crescermos e assim nossa vibração e frequência será sempre alta.
O umbral não é punição ele é o abrigo daqueles que ainda escolhem o não perdão, a vingança, o ódio, a culpa e dai por diante...a vibração deles não permite que habitem ou as vezes nem enxerguem um lugar melhor.


Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Diegas em 02 de Fevereiro de 2015, 10:37
Mas o que era útil, se possível, era defender a realidade e não as crenças sobre a mesma. Não podemo decidir a votos o que é a realidade e o que não é, nem alterar a realidade com manobras de retórica...'


Apesar de vc, até este momento, não ter tido qualquer tipo de experiência ou evidencia sobre a realidade da vida espiritual, assim mesmo crê ou mantém a crença sobre a mesma.

Da mesma forma, não percebo muita diferença na crença do homem ter pisado na Lua. O episodio do primeiro homem escondendo-se nas crateras lunares foi reportado, filmado, documentado, transmitido ao vivo, mas eu não tive nenhuma evidencia concreta de que isso realmente aconteceu. Então, trata-se de uma crença ! Deixei-me contagiar pela maioria, e até hoje acredito - sou um crente da ciência - que não se tratou de uma farsa, e nem os outras viagens que a sucederam. Esse negócio de ver para crer é muito relativo ou São Tomé, depende do grau da maneira de cada um.

O que nos leva acreditar em Kardec também é uma crença - mas uma crença bastante racional. Tudo o que Kardec codificou é muito lógico ! Mas, apesar de toda lógica e racionalidade, eu não escutei as batidas, não vi as mesas girarem, muito menos os Espiritos se comunicando diretamente, e nem Kardec escrevendo os livros. Provavelmente, nessa época, eu deveria estar dormindo em outro país ou desencarnado, muito distante do que acontecia na Sociedade de Paris.


Uma boa questão:

Citar
'...Se os espíritos desencarnados deixam cá os órgãos dos sentidos e o cérebro, a apodrecer, estejam lá onde estiverem, não é lógico pensar que eles percepcionam o universo da mesma forma que nós...

Também não sei por que no livro 'Céu e Inferno' os desencarnados reportarem possuir mãos, que nos veem, e principalmente, como processam os pensamentos. Talvez nos vejam por algo que não pode ser chamado de olhos; que raciocinem por algum meio estranho que também não pode ser chamado de cérebro. Eu, sinceramente, gostaria muito de afirmar que eles possuem um Perispirito (que é um organismo semi-material) e preferem manter a mesma anatomia/fisiologia da ultima encarnação !

Kardec é bem racional, mas devo admitir que minha crença nos desencarnados é fantasmagórica: observo-os, disformes - quanto mais lençóis para encobri-los, melhor. Sem uma forma definida, vagam pelo espaço infinito, a imitar nuvens dispersas, sem um determinado pouso ou destino.

Não vejo a hora de desencarnar e viver bem à vontade, sem leis, em uma sociedade totalmente desorganizada - tipo primatas. Começarei por uns grunhidos bem fortes, depois balançarei sobre as arvores, e sairei em viagem pelo Universo sem qualquer tipo de responsabilidade. Não me preocuparei com que o for vestir, moradia e cuidados com a alimentação - viverei só de brisa e diversão, de galho em galho, aqui e em outras galaxias !

Enfim, estou me preparando para a próxima desencarnação (de um total apx de 90) com um roteiro turístico bastante interessante - só delicias e aventuras !



Abç
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: HamLacerda em 02 de Fevereiro de 2015, 13:02
Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas » Vocabulário Espírita » PURGATÓRIO


PURGATÓRIO – do lat. purgatorium, o fato de purgar, de purus, puro, derivado do grego pyr, pyros, fogo, antigo emblema da purificação. Segundo a Igreja Católica, lugar de expiação temporária para as almas que ainda têm que purificar-se de quaisquer manchas. A Igreja não define de modo preciso onde se acha o Purgatório; coloca-o em toda parte no espaço, talvez ao nosso lado. Também não explora claramente a natureza das penas que aí sofrem; são sofrimentos mais morais que físicos; contudo há fogo, posto a alta teologia reconheça que esse vocábulo deva ser tomado em sentido figurado e como emblema da purificação. O ensino dos Espíritos é muito mais explícito a respeito. É certo que eles repelem o dogma da eternidade das penas. (Vide Inferno, Penas Eternas), mas admitem uma expiação temporária, mais ou menos longa, que, salvo o nome, não é outra coisa senão o Purgatório. Essa expiação se dá por meio de sofrimentos morais da alma no estado errante; os Espíritos errantes se acham por toda parte: no espaço, ao nosso lado, como diz a Igreja. Esta admite que no Purgatório haja certas penas físicas. A doutri­na espírita diz que o Espírito se depura, se purga de suas impurezas nas existências corpóreas; os sofrimentos e as tribulações da vida são expiações e provas pelas quais se eleva. Disso resulta que aqui na Terra estamos em pleno Purgatório. Aquilo que a doutri­na católica deixa no vago, os Espíritos precisam fazer ver e, por assim dizer, tocar com o dedo. Podem, pois, os Espíritos sofredores dizer que se acham no Purgatório, servindo-se de nossa linguagem. Se, em razão de sua inferioridade moral, não lhes é dado ver o ter­mo de seus sofrimentos, dirão que se acham no Inferno. (Vide Inferno).

Admite a Igreja a eficácia das preces pelas almas do purgatório; dizem-nos os Espíri­tos que pela prece chamamos os bons Espíritos e que então dão aos fracos a força moral que lhes falta para suportar as provas. Os Espíritos sofredores podem, pois, pedir preces, sem que haja nisto, contradição com a doutrina espírita. Ora, de acordo com o que sabemos dos vários graus dos Espíritos, compreendemos que eles possam pedi-las segundo a forma que lhes era familiar quando em vida. (Vide Prece).

A Igreja admite apenas uma existência corpórea, depois da qual a sorte do homem es­tará irrevogavelmente selada para a eternidade. Dizem-nos os Espíritos que uma única existência, por vezes abreviada pelos acidentes, não passa de um ponto na eternidade, não basta à alma para se purificar e que, em sua justiça, Deus não condena sem remissão aquele de quem não dependeu ser suficientemente esclarecido sobre o bem a fim de o praticar. Sua doutrina deixa à alma a faculdade de realizar numa série de existências aquilo que não pode fazer numa única. Nisto se acha a principal diferença. Mas se perscrutássemos cuidadosamente todos os princípios dogmáticos e se puséssemos de lado aquilo que deve ser tomado em sentido figurado, sem dúvida desapareceriam muitas das contradições aparentes.  




Grifos meus


Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: HamLacerda em 02 de Fevereiro de 2015, 13:11
O Céu e o Inferno » Primeira Parte - Doutrina » Capítulo V - O Purgatório » O Purgatório


1.– O Evangelho não faz nenhuma menção ao purgatório, que só foi admitido pela Igreja no ano de 593. É seguramente um dogma mais racional e mais consoante a justiça de Deus do que o inferno, visto que estabelece penas menos rigorosas, e resgatáveis para faltas de gravidade mediana.

O princípio do purgatório é, pois, baseado na equidade, porque, comparado à justiça humana, é a detenção temporária ao lado da condenação perpétua. O que se pensaria de um país que tivesse somente a pena de morte para os crimes e para os simples delitos? Sem o purgatório, há para as almas apenas duas alternativas extremas: a felicidade absoluta ou o suplício eterno. Nesta hipótese, o que se tornam as almas culpadas somente de faltas leves? Ou elas compartilham a felicidade dos eleitos sem serem perfeitas, ou sofrem o castigo dos maiores criminosos sem terem feito muito mal, o que não seria nem justo nem racional.

2. – Mas a noção do purgatório devia necessariamente ser incompleta; é por isso que, conhecendo somente a pena do fogo, fez-se dele um diminutivo do inferno; as almas também queimam aí, mas com um fogo menos intenso. Sendo o progresso inconciliável com o dogma das penas eternas, as almas não saem daí em consequência de seu avanço, mas pela virtude das preces feitas ou que se mandam fazer por elas. Se o pensamento inicial foi bom, não acontece o mesmo com as suas consequências, pelos abusos que originou. Por meio de preces pagas, o purgatório se tornou uma mina mais produtiva do que o inferno[1].

3. – O lugar do purgatório nunca foi determinado, nem a natureza das penas que aí se suportam claramente definida. Estava reservado à revelação nova preencher esta lacuna, explicando-nos as causas das misérias da vida terrestre, cuja justiça só a pluralidade das existências podia nos mostrar.

Essas misérias são necessariamente resultado das imperfeições da alma, pois se a alma fosse perfeita, não cometeria faltas e não teria de sofrer-lhes as consequências. O homem que fosse sóbrio e moderado em tudo, por exemplo, não seria vítima das doenças engendradas pelos excessos. Quase sempre, ele é desgraçado aqui embaixo por sua própria culpa; mas se é imperfeito, é porque o era antes de vir para a Terra; ele expia aí não só suas faltas atuais, mas as faltas anteriores que não reparou; suporta numa vida de provas o que fez suportar aos outros numa outra existência. As vicissitudes que experimenta são simultaneamente um castigo temporário e um aviso das imperfeições de que se deve desfazer para evitar as desgraças futuras e progredir rumo ao bem. São para a alma as lições da experiência, lições por vezes rudes, mas tanto mais proveitosas para o futuro quanto mais profunda for a impressão que deixam. Essas vicissitudes são a ocasião de lutas incessantes que desenvolvem suas forças e suas faculdades morais e intelectuais, fortalecem-na no bem, e das quais ela sai sempre vitoriosa, se tiver a coragem de sustentá-la até o fim. O prêmio da vitória está na vida espiritual, na qual ela entra radiosa e triunfante, como o soldado que sai do combate e vem receber a palma gloriosa.

4. – Cada existência é para a alma a ocasião de um passo adiante; de sua vontade depende que esse passo seja o maior possível, transpor vários níveis ou permanecer no mesmo ponto; neste último caso, ela sofreu sem proveito; e como sempre é preciso, cedo ou tarde, pagar sua dívida, ela precisará recomeçar uma nova existência em condições ainda mais penosas, porque a uma mácula não apagada ela acrescenta outra mácula.

É portanto nas encarnações sucessivas que a alma se desprende pouco a pouco de suas imperfeições, que ela se purga, numa palavra, até que seja bastante pura para merecer deixar os mundos de expiação por mundos mais felizes, e mais tarde estes para gozar da felicidade suprema.

O purgatório não é mais, então, uma ideia vaga e incerta; é uma realidade material que vemos, tocamos e sofremos; ele está nos mundos de expiação, e a terra é um desses mundos; os homens expiam aí seu passado e seu presente em benefício de seu futuro. Mas, contrariamente à ideia que dele se faz, depende de cada um abreviar ou prolongar aí sua estada, segundo o grau de avanço e de depuração ao qual ele chegou por seu trabalho sobre si mesmo; sai-se daí, não porque seu tempo acabou ou pelos méritos de outrem, mas devido a seu próprio mérito, segundo estas palavras do Cristo: “A cada um segundo suas obras”, palavras que resumem toda a justiça de Deus.

5. – Então, aquele que sofre nesta vida deve dizer a si mesmo que é porque não se purificou suficientemente em sua existência anterior, e que, se não o fizer nesta, sofrerá ainda na seguinte. Isto é simultaneamente equitativo e lógico. Sendo o sofrimento inerente à imperfeição, sofre-se enquanto se é imperfeito, como se sofre de uma doença enquanto não se está curado. É assim que enquanto um homem for orgulhoso, sofrerá as consequências do orgulho; enquanto for egoísta, sofrerá as consequências do egoísmo.


7. – Se considerarmos quão grande é o sofrimento de certos Espíritos culpados no mundo invisível, quão terrível é a situação de alguns, a que ansiedades estão sujeitos, e quanto essa posição é tornada mais penosa pela impotência em que se encontram de lhe ver o fim, poder-se-ia dizer que é para eles o inferno, se essa palavra não implicasse a ideia de um castigo eterno e material. Graças à revelação dos Espíritos, e aos exemplos que eles nos oferecem, sabemos que a duração da expiação está subordinada ao aperfeiçoamento do culpado.

8. – O Espiritismo não vem portanto negar a penalidade futura; vem, ao contrário, constatá-la. O que ele destrói é o inferno localizado, com suas fornalhas e suas penas irremissíveis. Ele não nega o purgatório, visto que prova que nós estamos nele; ele define-o e precisa-o, explicando a causa das misérias terrestres, e dessa forma faz crer nele aqueles que o negavam.

Ele rejeita as preces pelos mortos? Bem ao contrário, visto que os Espíritos sofredores as solicitam; ele faz disso um dever de caridade e demonstra sua eficácia para trazê-los de volta ao bem, e, por esse meio, abreviar seus tormentos[2]. Falando à inteligência, ele trouxe de volta a fé aos incrédulos, e à prece aqueles que zombavam dela. Mas diz que a eficácia das preces está no pensamento e não nas palavras, que as melhores são as do coração e não as dos lábios, as que se faz, e não as que se manda fazer por dinheiro. Quem ousaria então censurá-lo por isso?

9. – Quer o castigo ocorra na vida espiritual ou na terra, e seja qual for sua duração, ele sempre tem um fim, mais ou menos afastado ou próximo. Há, pois, em realidade, apenas duas alternativas para o Espírito: punição temporária graduada segundo a culpa, e recompensa graduada segundo o mérito. O Espiritismo repele a terceira alternativa, a da danação eterna. O inferno permanece como figura simbólica dos maiores sofrimentos cujo termo é ignorado. O purgatório é a realidade.

A palavra purgatório evoca a ideia de um lugar circunscrito: por isso ela se aplica mais naturalmente à terra, considerada como lugar de expiação, do que ao espaço infinito onde erram os Espíritos sofredores, e além disso a natureza da expiação terrestre é uma verdadeira expiação.

Quando os homens se tiverem aperfeiçoado, fornecerão ao mundo invisível apenas bons Espíritos, e estes, encarnando-se, fornecerão à humanidade corporal apenas elementos aperfeiçoados; então, a terra deixando de ser um mundo de expiação, os homens não sofrerão mais as misérias que são as consequências de suas imperfeições. É essa transformação que ocorre neste momento e que elevará a Terra na hierarquia dos mundos. (Ver Evangelho segundo o Espiritismo, cap. III).

10. – Por que então o Cristo não falou do purgatório? É que, não existindo a ideia, não havia palavra para representá-la. Ele serviu-se da palavra inferno, a única que era usada, como termo genérico, para designar as penas futuras sem distinção. Se, ao lado da palavra inferno ele tivesse posto uma palavra equivalente a purgatório, não teria podido precisar seu sentido verdadeiro sem antecipar uma questão reservada ao futuro; teria sido, além disso, consagrar a existência de dois lugares especiais de castigos. O inferno, em sua acepção geral, despertando a ideia de punição, encerrava implicitamente a do purgatório, que é apenas um modo de penalidade. O futuro, devendo esclarecer os homens sobre a natureza das penas, devia, por isso mesmo, reduzir o inferno a seu justo valor.

Visto que a Igreja acreditou dever, depois de seis séculos, reparar o silêncio de Jesus decretando a existência do purgatório, é porque pensou que ele não dissera tudo. Por que não ocorreria isso com outros pontos como com este?



Grifos meus

OBS: Retirei o item 6 do artigo para poder caber dentro do limite de 1000 caracteres do forum
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: PAULINO em 02 de Fevereiro de 2015, 15:18


   Amigo Vitor Santos,

1 - dou-lhe os meus parabens. Eu sabia, desde o inicio que era uma questão de tempo...

2 - quer uma corda, uma pista...?...procure um grupo de estudos espiritas particular, mesmo pequeno, onde se estude o espiritismo - não confundir com doutrina espirita - e que onde um ou mais mediuns recebam irmãos que com frequencia vêm confraternizar connosco e deixar alguns alertas e outros ensinamentos...

3 - com o tempo vai aprender a separar o trigo do joio...

4 - dê uma volta pelo site spiritwritings.com, entendo que o amigo não tem dificuldade no inglês, e veja como certos termos que usamos como originais, já fora usados nos anos de 1842 (!) em mensagens recebidas por médiuns, e publicadas em livros em 1848 e 1852, bastante tempo antes dos livros de Kardec, e quem pode dizer que Kardec não se inspirou nestes (?)...

5 - se posso deixar uma simples indicação, comece por;...Letters from a dead living Man, recebido por Esa Barker...este é o 1º. dos tres livros recebidos...só este 1º. volume foi traduzido para português, por volta de 1912, nos tempos em o espiritismo em portugal merecia esse nome, do espiritismo actual, que conheço, numa escala de 10, não lhe dou mais de 3...

6 - A fé ?...a fé é o único laço que nos prende ao -ainda- desconhecido, mas mais presente que nunca...

7 - enquanto que na Europa se gatinhava no espiritismo, já na velha Inglaterra e na América de forneciam (paletes industrias)...já sei...como em tudo, aqui tambem surge entremeado com joio...cabe-nos a nós fazer  a separação...
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: lconforjr em 02 de Fevereiro de 2015, 16:13
Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?

      Ref resp #19 em: 010215, às 23:38 de Bblu

      Bb disse: Na minha humilde opinião as coisas da vida e da morte são todas regidas por leis da física e da ciência como um princípio natural para todos.

      Conf: certamente, as coisas da vida e da morte relativas ao corpo material.

      Bb: Após a morte, dependendo de como um ser humano viveu em um corpo de carne, sua frequência ou vibração de energia imediatamente lhe colocará onde lhe é possível permanecer.

      Conf: meu jovem, precisamos entender a doutrina; ela mesma aconselha termos uma “fé raciocinada”, raciocinar para entende-la melhor; vamos, então, raciocinar sobre o q vc disse?

      - considerando os ensinamentos da doutrina, se frequência ou vibração, q nos colocarão onde nos é possível permanecer (certamente, ou em condições de alegrias ou de sofrimentos) dependem de como vivemos na carne, de que depende o modo como vivemos na carne, praticando ou o bem, ou o mal?       

      Bb: Um ser que vibra em frequência muito baixa, foi um criminoso por exemplo, carrega muita raiva ou culpa...não conseguiria permanecer em um lugar de muita luz.

      Conf: e, meu amigo, se somos todos, conforme a doutrina, criados perfeitamente iguais, pq (pq = qual é a causa de) uns vibrarão em frequencia muito baixa, terão raiva ou culpa, irão para lugar de pouca luz, ao passo q, com outros, pode acontecer o contrário de tudo isso?

      Pq uns podem, e outros não podem, conviver com os demais? Pq uns perderam boa parte de sua humanidade e agora têm de recobrá-la, ao passo q, com outros, isso não acontece?

      Bb:... o umbral não tem que ser necessariamente um lugar de passagem obrigatória, pois poderemos sempre fazer a escolha de crescermos e assim nossa vibração e frequência será sempre alta.

      Conf: se sempre podemos fazer a escolha de crescermos e, assim, conseguiremos ter uma vibração ou frequência mais alta, pq nem todos fazem a escolha conveniente, pq muitos decidem fazer a escolha q não os leva a crescer?

      Bb: O umbral não é punição ele é o abrigo daqueles que ainda escolhem o não perdão, a vingança, o ódio, a culpa e dai por diante...a vibração deles não permite que habitem ou as vezes nem enxerguem um lugar melhor.

      Conf: a questão aqui é semelhante a anterior: pq uns fazem escolhas tão erradas, eqto outros procuram fazer as escolhas acertadas?

      Boa semana para vc e seus queridos.
...............
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 02 de Fevereiro de 2015, 19:44
Olá amigo Diegas

Citar
Apesar de vc, até este momento, não ter tido qualquer tipo de experiência ou evidencia sobre a realidade da vida espiritual, assim mesmo crê ou mantém a crença sobre a mesma.

Da mesma forma, não percebo muita diferença na crença do homem ter pisado na Lua. O episodio do primeiro homem escondendo-se nas crateras lunares foi reportado, filmado, documentado, transmitido ao vivo, mas eu não tive nenhuma evidencia concreta de que isso realmente aconteceu. Então, trata-se de uma crença ! Deixei-me contagiar pela maioria, e até hoje acredito - sou um crente da ciência - que não se tratou de uma farsa, e nem os outras viagens que a sucederam. Esse negócio de ver para crer é muito relativo ou São Tomé, depende do grau da maneira de cada um.

O que nos leva acreditar em Kardec também é uma crença - mas uma crença bastante racional. Tudo o que Kardec codificou é muito lógico ! Mas, apesar de toda lógica e racionalidade, eu não escutei as batidas, não vi as mesas girarem, muito menos os Espiritos se comunicando diretamente, e nem Kardec escrevendo os livros. Provavelmente, nessa época, eu deveria estar dormindo em outro país ou desencarnado, muito distante do que acontecia na Sociedade de Paris.

O amigo tem toda a razão quando diz que a crença no que diz na Codificação é apenas uma crença. Não tenho nada a opor a esse raciocínio.

Eu tive algumas evidências na minha vida que posso ligar hipoteticamente à espiritualidade. Contudo elas não foram suficientes para eu excluir outro tipo de explicações.

Quanto à metodologia da ciência, quando comparada com a metodologia das organizações relacionadas com a espiritualidade e/ou religião, eu não tenho a mínima dúvida que a metodologia da ciência é mais credível.

Contudo a ciência não nega a espiritualidade, que eu saiba. Há alguns cépticos fanáticos que alegam isso, mas não se baseiam em métodos científicos para chegar a essa conclusão. A ideia de que a ciência adoptou posição materialista é falsa, tal como a ideia que a ciência adoptou a posição espiritualista.   

A metodologia da ciência assenta no cepticismo. Quanto mais testada uma evidência, com sucesso, mais credível é a mesma. Em relação à natureza do homem (mero corpo de carne ou, em alternativa, espírito imortal ligado a um corpo de carne mortal) a postura dos cientistas sérios é a dúvida. Eu gostava de não ter dúvidas, mas infelizmente não encontro forma de alcançar esse estado de sabedoria que permite eliminar a dúvida. Mas a esperança é a última a morrer, como se costuma dizer. Nunca se sabe se eu terei acesso a mais e melhores evidências no futuro,

Para além disso a ciência está permanentemente a evoluir e a proporcionar à engenharia forma de criar cada vez mais e mais complexos inventos, acessíveis a todos. A religião praticamente não produz evidências, e, muito menos, acessíveis a todos.

Citar
Não vejo a hora de desencarnar e viver bem à vontade, sem leis, em uma sociedade totalmente desorganizada - tipo primatas. Começarei por uns grunhidos bem fortes, depois balançarei sobre as arvores, e sairei em viagem pelo Universo sem qualquer tipo de responsabilidade. Não me preocuparei com que o for vestir, moradia e cuidados com a alimentação - viverei só de brisa e diversão, de galho em galho, aqui e em outras galaxias !

Enfim, estou me preparando para a próxima desencarnação (de um total apx de 90) com um roteiro turístico bastante interessante - só delicias e aventuras !

Quanto ao pertencer a uma sociedade de primatas, o amigo já alcançou os seus desejos. Nós somos da classe dos primatas, em termos de classificação zoológica, que eu saiba.

Mais uma vez lhe digo, mesmo face à sua ironia: o que nós pensamos que a realidade é não tem que ser o que ela é mesmo. A sua forma de pensar pode estar próxima da realidade ou não, seja ela qual for, porque não sei dizer-lhe como é a realidade, apenas posso acrescentar palpites meus ou subtrair palpites seus. Não vou debater crenças. Crenças não se discutem, por definição de crença, a não ser que encontremos um meio das crenças passarem a ser evidências credíveis (não necessariamente cientificas, mas se forem cientificas, melhor).

De qualquer modo, segundo a DE, quando encarnados somos constituídos por um espírito imortal (conjunto espírito + perispirito) associado a um corpo de carne mortal. Quando desencarnamos perdemos o corpo de carne mortal, que morre e fica a apodrecer, passando a chamar-se cadáver. Essa transformação terá, decerto, implicações. Não compreendo que um encarnado continue encarnado quando morre. O perispirito já tínhamos antes da carne morrer, segundo as mesmas fontes de informação.

A sua imaginação também é um pouco limitada, desculpe a sinceridade. Num universo tão grande, com tanta coisa para ver e aprender, sobretudo livre da prisão da carne, viver a imitar um primata, parece-me muito redutor. Mas, como eu já disse, o que eu penso ou o que o amigo pensa não é necessariamente a realidade, provavelmente nem próximo disso.

Aconteça-lhe o que acontecer, na hora certa, que só Deus sabe, talvez, desejo-lhe as maiores felicidades. Que tudo seja para si melhor do que o melhor que o amigo e eu conseguimos imaginar!  :)

Bem haja   

 

 
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 02 de Fevereiro de 2015, 19:48
Olá amigo Paulino

Gravei o seu post para analisar com mais calma. Pareceu-me que pode ter boas sugestões de leitura e/ou outras. Obrigado pela sua atenção.

Bem haja
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Edil Curvelo em 03 de Fevereiro de 2015, 00:01
Olá amigos

Como já se devem ter apercebido eu vivo uma fase em que a dúvida predomina na minha mente, no que diz respeito às questões espirituais. Para minha própria surpresa, mais ou menos de 2012 para cá, a minha fé vai reduzindo. Na realidade eu não me congratulo com essa situação. E,para ser sincero, preferia, sem hesitações, essa fase de grande fé que eu vivia em 2010, do que aquela que vivo agora. Essa fé era baseada em muitos pressupostos da Doutrina Espirita, embora não todos.

...


Bem hajam

Vitor Santos, a questão é que, no dito "mundo espiritual", o que predomina, é o pensamento. Ou melhor, este predomina mais do que aqui no chamado "mundo material". O que determina o sofrimento do espírito frente àquilo que ele faz ou fez, depende muito dos conceitos morais que ele possua "incutidos" em sua mente. Mas, por tudo que já estudei e vivenciei até hoje, tenho certeza que a realidade que engloba toda essa questão, é muitíssimo mais complexa do que isso, e muito mais até do que a codificação possa abarcar.
A princípio, não existe quem lhe castigue a não ser sua própria consciência. Ou seja, se você está contente, e  certo do que faz, seja lá o que for, isso não lhe faz sofrer. O que pode lhe fazer sofrer nesse contexto, é justamente a frustração por não conseguir satisfazer os seus desejos. E como no mundo material as restrições são muito maiores, entra aí o ponto da reencarnação ser um grande motivo de sofrimento, como você citou no final do texto. E outro ponto importante, é a forma como cada um interpreta a realidade que percebe. Isso varia ao infinito.

Agora, às questões complexas...
"Espíritos Superiores", "Devas" (dado sua atuação) e outros tipo de entidades, têm ou cumprem propósitos para este mundo e para os espíritos que nele vivem. Estes "insuflam" na mente dos espíritos, "estruturas energéticas" que os levam a caminhar na direção destes propósitos. Por isso, talvez, o espírito não tenha real liberdade para atuar no sentido que "lhe dê na telha" sem sofrer algum tipo de conflito que tenda a trazê-lo de volta para o propósito designado. Ou mesmo, na maior parte do tempo, ele se quer é capaz de pensar, desejar ou agir fora deste propósito.

Sobre o "problema" de haver ou não um "local" ou "locais" no mundo espiritual, questão essa bem polêmica aqui e que confunde o pensamento de muitos, se deve à falta de elementos a que muitos praticamente se impõem. É como o cientista que por não considerar, ou não "acreditar" em nada além daquilo que ele conhece como matéria, tem sua capacidade de compreensão limitada e não pode ir além de certo ponto.
Um conceito muito importante a ser considerado, que ficou muito famoso ultimamente, e para o qual muitos adotaram a denominação de "matrix", graças ao conhecido filme, aliado a outros conceitos relacionados dos conhecimentos esotéricos de várias vertentes, deixam claro que o "mundo material" nada mais é do que uma criação mental, como o é também tudo aquilo que supostamente, ou não, existe no dito "mundo espiritual". Na realidade, é uma criação mental de entidade(s) com capacidades muito além da nossa atual compreensão. Tempo, espaço, massa, etc, etc (propriedades atribuídas a nosso mundo material), estão, na verdade, na mente dos espíritos que vivem essa realidade, como estruturas/mecanismos conceituais pré estabelecidos. E mais. Essa "matrix" não se limita ao que "vemos" aqui no mundo físico, ela está em nossa mente e nos acompanha para "além".  No mundo astral, esses "pensamentos 3d", formam "locais" exatamente como os conhecemos aqui! E "pior"... Essas entidades, formam mundos, cidades e tudo mais que conhecemos aqui, também nesse plano, e noutros.

Quando alguém acha absurdo que no plano astral, ou mundo espiritual, existam "locais", também pode considerar o mesmo no mundo material, pois sob essa mesma perspectiva, estes locais também não existem aqui! Sob está ótica, todo o ambiente 3D que temos aqui, é apenas uma "ilusão/criação" mental. Mas se você acha que um cidade daqui é "real", também o é, da mesma forma, uma cidade no mundo espiritual pois a existência de ambas é sustentada pelo mesmo mecanismo!
A diferença de atuação da mente do espírito sobre esses planos, está justamente no propósito para que foram criados. No mundo material, a "densidade" e "rigidez" de expressão de pensamento da mente que o manifesta é tal, que nosso pensamento sobre ele, tem uma influência mínima. E por isso ele se configura como um verdadeiro cárcere para o espírito que nele vive.

Bem, eu vou parar por aqui pois este assunto praticamente não tem fim. Mas acho que já foi suficiente para dar o que pensar...
Não se fruste pelo seu estado atual de conflito, pelo contrário... Porcure alargar seus horizontes pois a codificação não é toda verdade e muito menos verdade absoluta. Quem incorre no erro de pensar assim, encontra-se na mesma situação que qualquer fanático religioso.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Edil Curvelo em 03 de Fevereiro de 2015, 00:53
Queridos irmãos, bom dia a todos,

Primeiramente, gostaria de lhes dizer que é a primeira vez que me manifesto neste fórum espírita, no qual acabo de ingressar, impelido a manifestar meu ponto de vista pessoal sobre o comentário a respeito do livro Nosso Lar.

Com todo respeito, discordo da opinião que o considera como “um romance desprovido de caráter doutrinário”.
 
Primeiramente, entendo que a grande obra doutrinária é o próprio Livro da Vida, ou seja, as lições que colhemos da vida material e, principalmente, da vida espiritual. Sendo assim, os livros doutrinários (editados em papel e tinta), são meros reflexos da realidade universal, assim como o mundo material é um reflexo do mundo espiritual. Da mesma maneira, gostaria de lembrar que, antes de transcritas para o papel, as leis divinas já estavam escritas no “livro da natureza” (L.E., questão 626).

Além disso, o próprio Codificador entende “a existência na Terra como algo próximo à noção de purgatório, proposta pela igreja católica” (texto extraído da mensagem). E, sendo o plano terreno um reflexo do plano espiritual, por que não poderia existir, na erraticidade, algo semelhante ao purgatório terreno? 

É claro que a obra Nosso Lar é um romance. Mas, nem por isso, perde seu caráter doutrinário. Ocorre que sua narrativa, desenvolvida numa linguagem romântica e colorida, pode ensejar interpretações que se desvirtuam da essência contida na mencionada obra.
     
Aliás, muitas pessoas também desvirtuam a essência bíblica – tanto do antigo testamento, assim como do novo –, repleta de uma linguagem figurativa, de caráter didático ao alcance de um do povo antigo, outrora cativo nas terras do Faraó.
   
Contudo, penso que podemos extrair grandes lições do antigo testamento, não obstante sua linguagem compatível com a mentalidade humana daqueles que ainda se encontravam na infância espiritual. Aliás, “não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades” (L.E., questão 628).

Quanto ao novo testamento, vale lembrar que o nosso Mestre ali nos recomenda deceparmos nossa própria mão, sempre que esta for motivo de escândalo. Mas “Jesus não disse nenhum absurdo, para quem saiba compreender o sentido alegórico e profundo de suas palavras” (E.S.E., Capítulo VIII, item 17).

Com freqüência, os Espíritos se expressam de forma alegórica, a exemplo do texto contido no livro A Gênese, Capítulo II, item 27, onde nos dizem que “o homem é um pequeno mundo, que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo. Nesse universo, o corpo representará uma criação cujo Deus seria o Espírito.”

E voltando a Jesus, o Divino Mestre nos disse: “Vós sois deuses” (João 10:34).
Mas, estaria Jesus a nos incitar, para usurparmos o lugar de Deus na supremacia do Universo? Esta seria uma interpretação literal, porém, errônea. Pois, na realidade, tornamo-nos deuses, quando damos cumprimento integral às leis de Deus. E, neste momento, tornamo-nos prepostos do nosso Pai Celestial, com todo o poder necessário, para executarmos as Suas obras. E, assim, passamos a ser co-autores das Obras Divinas.

Por isso, ao dizer que somos deuses, Jesus complementou: “e podeis fazer tudo aquilo que faço e muito mais.” É claro que esse “muito mais” significa dizer tudo aquilo que Jesus não fez por pura conveniência, porque poderia ter feito muito mais, se o quisesse.

O fato é que o Céu, assim como o Inferno, bem como o Purgatório, ou o Umbral, são estados da consciência humana que, por sua vez, plasma essa realidade mental no plano material (quando o Espírito está encarnado) e no plano espiritual (quando o Espírito está desencarnado), sem importar que nome se dê a esses diversos estágios da consciência.

Quanto ao vocábulo “erraticidade”, não existe termo mais vago e abstrato do que este, para explicar, sucintamente, onde os Espíritos ficam entre uma e outra encarnação. Nada mais, porém, poderiam os Espíritos revelar ao mundo ocidental que, na segunda metade do Século XIX, estava ainda muito refratário à doutrina espírita, uma doutrina reencarnacionista, diametralmente oposta aos dogmas católicos que imperavam por toda Europa. Imaginem a comoção no meio daqueles leitores, um tanto céticos em relação ao Espiritismo, se Allan Kardec tivesse falado da existência de “cidades flutuantes” sobre nossas cabeças.  Por isso, tudo vem ao seu tempo.

No meu entender, não é o livro Nosso Lar que se afasta das cautelas do Codificador, mas, sim, determinados leitores, que têm a tendência de interpretarem literalmente tudo aquilo que lêem. Prendem-se à literalidade da lei, em detrimento do espírito da lei, quando deveriam enxergar o sentido metafísico de todas essas alegorias.  Afinal, “a letra mata, e o espírito vivifica” (II Coríntios 3:6).

Que a Paz de Jesus esteja sempre conosco,

Muito bom, Paulo! Muito bom mesmo!
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: bblu em 03 de Fevereiro de 2015, 02:03
Citar
Conf: se sempre podemos fazer a escolha de crescermos e, assim, conseguiremos ter uma vibração ou frequência mais alta, pq nem todos fazem a escolha conveniente, pq muitos decidem fazer a escolha q não os leva a crescer?




Porque temos livre arbítrio. Essa é a resposta. Cada um vive como escolhe. Somos sempre responsáveis por nossas escolhas durante a vida, lei de causa e efeito. Não existe um Deus que pune existe uma lei de causa e feito.


Você cria quando pensa. Você vive aquilo que cria. Se a sua vida gira em torno de ódio até o teu corpo astral se animaliza. A sua vibração será muito baixa. Isso é descrito até em livros de André Luiz.


Todos somos criados a semelhança do Pai, portanto somos iguais na criação. Mas, com certeza não estamos em estágios de evolução iguais. Porque a partir do nosso livre arbítrio criamos a vida que levamos e vibramos de acordo com a luz que criamos a nossa volta.


Espero que tenha lhe respondido as perguntas
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Diegas em 03 de Fevereiro de 2015, 10:50
'...A metodologia da ciência assenta no cepticismo. Quanto mais testada uma evidência, com sucesso, mais credível é a mesma...'

Olá, Vitor


Pelo meu post deu para notar que o meu desespero para desencarnar tá grande !


Apesar de divergirmos em alguns pontos doutrinários e os não-doutrinários (?) sobre a Espiritualidade sempre tive vc como excelente forista-debatedor. Já tivemos acaloradas discussões, mas vc nunca faltou com o respeito. O fórum sempre ganhou com a sua presença - aprendi muito e, espero continuar aprendendo.

Portanto, vou explorar:

Há algo que intriga, portanto, vê lá se o amigo ajuda a resolvê-lo pelo lado cientifico - penso que tem a ver com o tema deste tópico:

Sabendo haver uma relação direta, de que forma os nossos pensamentos/ações desmaterializam o Perispirito ?


Abç
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Lindomar267 em 03 de Fevereiro de 2015, 11:22
Bom dia! Sim é obrigatório para os espíritos que não evoluirão durante sua vida na terra
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: demis em 03 de Fevereiro de 2015, 14:40
 Amigos,

 É como o caso do suicidio. Não acredito minimamente que o Espirito suicida sofra horrores depois de consumar o acto pois isso poria em cheque toda a bondade de Deus. Simplesmente não acredito.
 Considero que o Espirito suicida fique numa situação de tremenda confusão pois ele pensa que matando-se tudo terminará e, como sabemos, não é isso que acontece.
 Terá apenas um novo recomeço e passará por esses mesmas situações que o levaram ao gesto de aniquilamento do próprio corpo.
 É isso que eu acredito.

 Sérgio
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 03 de Fevereiro de 2015, 15:11
Demis, o problema é saber se a bondade que atribuem a Deus (que foi definido pelos Espíritos superiores como inteligência suprema e causa primária de tudo, e não que é bom, bonito, justo,..), como dizia, o problema é saber se Deus é bom como entendemos que seja quem é bom. Para uma criança que tem que tomar um remédio amargo (óleo de figado de bacalhau, por exemplo) seus pais não são bons e só seriam se deixassem que ele ingerisse apenas sorvete, doces,..

Não é bom arriscar e depois descobrir que o remédio de Deus, que sob nosso ponto de vista chamamos de bom, é amargo demais.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: lconforjr em 04 de Fevereiro de 2015, 18:46
Re: A passagem pelo umbral é obrigatória

      Ref resp #27 em: 030215, às 00:01, de Edil Curvelo

      Edil ao Vitor Santos: a questão é que, no "mundo espiritual", o que predomina, é o pensamento. Ou melhor, predomina mais do que q no "mundo material"... O que determina o sofrimento do espírito, frente àquilo que ele faz ou fez, depende muito dos conceitos morais que ele possua "incutidos" em sua mente.

      Conf: Olá, amigo Edil q desapareceu e voltou com conceitos diferentes. Como estamos num fórum espírita, vou tentar comentar o q vc escreveu, se possível, pela ótica espírita; e, como sempre, no  meu papel de “advogado do diabo”; assim pergunto:

      - O q, para o amigo, significa “no mundo espiritual predomina o pensamento, mais do q este predomina no mundo material”?

      - então não havendo conceitos morais incutidos em sua mente, ele não sofrerá?

      - E se o sofrimento do espírito frente àquilo que ele faz ou fez, depende muito dos conceitos morais que ele possua "incutidos" em sua mente, de q depende esses conceitos morais, tão importantes q, conforme sejam, farão seus sofrimentos menos ou mais intensos?

      - E se considerarmos a hipótese, para mim inexistente, de q é a própria consciência que o castiga, qual é causa de ele haver agido conscientemente contra o q sua própria consciência lhe mostrava ser o certo a fazer?

      Edil: A princípio, não existe quem lhe castigue a não ser sua própria consciência.

      Conf: entendo o q quer dizer, e dentro do espiritismo há muitos companheiros q dizem a mesma coisa, o q indica q para eles, então, o OLE tem de ser repensado e reeditado, pq é nele q estão referidos castigos sem fim, que Deus criou leis e mundos de castigos, verdadeiros cárceres destinados àqueles q são sentenciados para expiações ou castigos, cumprimento de pena, por haverem transgredido as leis de Deus; e que Deus criou a terrível lei de causa e efeito a capitular sentenças para esses transgressores, q implicam sofrimentos torturantes, desesperadores e insuportáveis, q podem durar por multiplicadas  encarnações e se estenderem por milhões de anos; e, aos que as sofrem, podem se assemelhar a penas eternas!

      Edil: E outro ponto importante, é a forma como cada um interpreta a realidade que percebe. Isso varia ao infinito.

      Conf: sem dúvida, pela q o amigo colocou acima, a reencarnação poderá ser tomada por castigo obrigatório, pois ela é obrigatória e é um “grande motivo de sofrimentos”. E tenho de, forçosamente, fazer outra pergunta: se somos todos criados perfeitamente iguais, certamente nos quesitos q interessam à evolução, pq (pq = qual é a causa) a forma de interpretar a realidade vai ao infinito, pergunta válida sobretudo se considerarmos q a forma de interpretar a realidade, determina a ação/reação ao q interpretamos da realidade, na área psicológica, ou física? Será, então, q é devido à forma incorreta q interpretamos a realidade, q agimos incorretamente? Se é assim, qual é a causa de nossos sofrimentos, se erramos conforme interpretamos a realidade?

      Edil:... Ou mesmo, na maior parte do tempo, ele se quer é capaz de pensar, desejar ou agir fora deste propósito.

      Conf: se isso é uma verdade, se na maior parte do tempo o espirito sequer é capaz de pensar ou agir fora desses propósitos, pq a lei de causa e efeito o fará sofrer?

      Edil: Um conceito muito importante a ser considerado, que ficou muito famoso ultimamente, e para o qual muitos adotaram a denominação de "matrix", graças ao conhecido filme, aliado a outros conceitos relacionados dos conhecimentos esotéricos de várias vertentes, deixam claro que o "mundo material" nada mais é do que uma criação mental, como o é também tudo aquilo que supostamente, ou não, existe no dito "mundo espiritual". Na realidade, é uma criação mental de entidade(s) com capacidades muito além da nossa atual compreensão. Tempo, espaço, massa, etc, etc (propriedades atribuídas a nosso mundo material), estão, na verdade, na mente dos espíritos que vivem essa realidade, como estruturas/mecanismos conceituais pré estabelecidos. E mais. Essa "matrix" não se limita ao que "vemos" aqui no mundo físico, ela está em nossa mente e nos acompanha para "além".  No mundo astral, esses "pensamentos 3d", formam "locais" exatamente como os conhecemos aqui! E "pior"... Essas entidades, formam mundos, cidades e tudo mais que conhecemos aqui, também nesse plano, e noutros.

      Conf: pelo colocado acima, o amigo mostra q não comunga com os conceitos do espiritismo, certo? Pois, se comungasse não diria q sofremos devido a conceitos mentais impostos por quem quer q seja, por outros ou por nós mesmo pois, pela doutrina todos os sofrimentos são merecidos e aplicados de acordo com a perfeita justiça divina q só merecem sofrer os q transgridem as lei divinas.

      Suas colocações não mais são como antes e, me parece, não se harmonizam com a concepção religiosa de um Deus de amor e justiça. E não digo q o amigo esteja errado; digo q os foristas não entenderão o q vc diz.

      Abraços.
...........................     
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Edil Curvelo em 04 de Fevereiro de 2015, 21:52
Amigos,

 É como o caso do suicidio. Não acredito minimamente que o Espirito suicida sofra horrores depois de consumar o acto pois isso poria em cheque toda a bondade de Deus. Simplesmente não acredito.
 Considero que o Espirito suicida fique numa situação de tremenda confusão pois ele pensa que matando-se tudo terminará e, como sabemos, não é isso que acontece.
 Terá apenas um novo recomeço e passará por esses mesmas situações que o levaram ao gesto de aniquilamento do próprio corpo.
 É isso que eu acredito.

 Sérgio

Deus não é bom nem mal. Isso são apenas esteriótipos humanos baseados em conceitos e convenções morais.
O suicida sofre o tanto quanto sua mente acredita que ele fez algo de errado ou de terrível. Além do mais, se o que o fez cometer este ato foi uma situação de sofrimento e desespero, esta não desaparecerá como em um passe de mágica após o desencarne. Deus não é "piegas". Ele determinou um mecanismo de leis, e qualquer desequilíbrio gera reações. Simples assim.
Mas da mesma forma, se um suicida estava plenamente tranquilo e convicto do que fez e porque fez, provavelmente se manterá neste estado. Exceto, é claro, venha a se arrepender ser por algum motivo por achar que se equivocou.
Deus não castiga nem privilegia ou beneficia ninguém. Nosso mal é, por não sermos capazes de nos aproximarmos da realidade de Deus, não raro aproximamos Ele da nossa!
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Edil Curvelo em 05 de Fevereiro de 2015, 00:03

      - O q, para o amigo, significa “no mundo espiritual predomina o pensamento, mais do q este predomina no mundo material”?

      - então não havendo conceitos morais incutidos em sua mente, ele não sofrerá?

      - E se o sofrimento do espírito frente àquilo que ele faz ou fez, depende muito dos conceitos morais que ele possua "incutidos" em sua mente, de q depende esses conceitos morais, tão importantes q, conforme sejam, farão seus sofrimentos menos ou mais intensos?

Oi, irmão! Sumi por falta de motivação mesmo, mas algo "estranho" me inspirou uma estranha vontade de escrever algo aqui de novo. Vontade que, para tranquilidade dos fundamentalistas, não vai durar muito. rs  Aqui basta falar em Chico Xavier, pra alguém reclamar que não é doutrina ou mesmo espiritismo.
Mas acho que não "mudei" meus conceitos, apenas, quiça, os tenha "'ampliado" um pouco.

E é isso mesmo. O espírito é que causa sofrimento a si ao se debater com seus próprios sentimentos e conceitos. Mas, quanto ao mecanismo que gera e causa essa "sensação" ao espírito, já é outra história...
E do que dependem os conceitos morais que ele "absorve"? Ora, aí você já está querendo que eu lhe explique os mistérios de Deus e seus agentes ("credenciados" ou não...) no que se refere à Criação. A diversificação deles em cada espirito depende do mesmo motivo que promove a diversificação dos planos de existência, dos mundos, dos planetas, das raças, do animais, das plantas, dos elementos, etc, etc. Ou seja, eu não sei! Responda-me aí você se é que a codificação oferece os elementos necessários para tal.
O que posso dizer sobre isso, eu já disse. Pois "desconfio", que existam entidades insuflando propósitos nos espíritos que compõem esta humanidade. Mas como e qual o objetivo final disso, não faço muita ideia. E tudo evidencia pra mim que algumas dessas entidades sejam divergentes entre si.


      - E se considerarmos a hipótese, para mim inexistente, de q é a própria consciência que o castiga, qual é causa de ele haver agido conscientemente contra o q sua própria consciência lhe mostrava ser o certo a fazer?


Então você acredita num deus vingativo ou agentes dele que assim o são? Que se ocupam de fazer o "pecador" sofrer? Mas antes que pense em responder, quero lembrar que estive falando anteriormente, do sofrimento "moral".  E com isso, também não estou dizendo que não foram criados/incutidos no espírito, mecanismos para gerar esse sofrimento. Mas sim que as crenças e sentimentos deste, é que o fazem disparar esse mecanismo. Uma mente esvaziada de conceitos, paixões e apegos, não sofre porque, simplesmente, não tem pelo que sofrer. O sofrimento moral sempre tem uma causa mental. Isso parece bastante óbvio para mim.


      Edil: A princípio, não existe quem lhe castigue a não ser sua própria consciência.

      Conf: entendo o q quer dizer, e dentro do espiritismo há muitos companheiros q dizem a mesma coisa, o q indica q para eles, então, o OLE tem de ser repensado e reeditado, pq é nele q estão referidos castigos sem fim, que Deus criou leis e mundos de castigos, verdadeiros cárceres destinados àqueles q são sentenciados para expiações ou castigos, cumprimento de pena, por haverem transgredido as leis de Deus; e que Deus criou a terrível lei de causa e efeito a capitular sentenças para esses transgressores, q implicam sofrimentos torturantes, desesperadores e insuportáveis, q podem durar por multiplicadas  encarnações e se estenderem por milhões de anos; e, aos que as sofrem, podem se assemelhar a penas eternas!


Desculpe a sinceridade, mas OLE está cheio de "floreios" que, concordo e admito, terem sido necessários à ignorância espiritual da época e de muitos ainda hoje.
Para todos os efeitos, não existe outro cárcere para o espírito que não sua própria mente. A "matrix" age como um cárcere justamente em nossas mentes ainda incapazes de emergir dela.


      Edil: E outro ponto importante, é a forma como cada um interpreta a realidade que percebe. Isso varia ao infinito.

      Conf: sem dúvida, pela q o amigo colocou acima, a reencarnação poderá ser tomada por castigo obrigatório, pois ela é obrigatória e é um “grande motivo de sofrimentos”. E tenho de, forçosamente, fazer outra pergunta: se somos todos criados perfeitamente iguais, certamente nos quesitos q interessam à evolução, pq (pq = qual é a causa) a forma de interpretar a realidade vai ao infinito, pergunta válida sobretudo se considerarmos q a forma de interpretar a realidade, determina a ação/reação ao q interpretamos da realidade, na área psicológica, ou física? Será, então, q é devido à forma incorreta q interpretamos a realidade, q agimos incorretamente? Se é assim, qual é a causa de nossos sofrimentos, se erramos conforme interpretamos a realidade?

Aí voltamos a origem da diversidade, como citei acima. Eu, simplesmente, não sei! Felizmente não tenho a pretensão de entender, e muito menos de explicar, o que está muito além da minha capacidade. Mas a diversidade é um fato e está aí para todos verem. Assim como não podemos conceber o infinito, a nossa noção de autoconsciência, o surgimento do universo e de tantas outras coisas, ainda não há explicação para nossas mentes de como espíritos "supostamente" criados iguais, tornem-se tão distintos no curso da evolução. E muito menos temos noção do que é Deus e de como Ele "surgiu".


      Edil:... Ou mesmo, na maior parte do tempo, ele se quer é capaz de pensar, desejar ou agir fora deste propósito.

      Conf: se isso é uma verdade, se na maior parte do tempo o espirito sequer é capaz de pensar ou agir fora desses propósitos, pq a lei de causa e efeito o fará sofrer?


Na realidade, eu quis dizer que a mente do espírito não pode ir além dos limites do propósitos. Mas a causa primária do sofrimento em si, novamente, não sei e não posso responder.


      Edil: Um conceito muito importante a ser considerado, que ficou muito famoso ultimamente, e para o qual muitos adotaram a denominação de "matrix", graças ao conhecido filme, aliado a outros conceitos relacionados dos conhecimentos esotéricos de várias vertentes, deixam claro que o "mundo material" nada mais é do que uma criação mental, como o é também tudo aquilo que supostamente, ou não, existe no dito "mundo espiritual". Na realidade, é uma criação mental de entidade(s) com capacidades muito além da nossa atual compreensão. Tempo, espaço, massa, etc, etc (propriedades atribuídas a nosso mundo material), estão, na verdade, na mente dos espíritos que vivem essa realidade, como estruturas/mecanismos conceituais pré estabelecidos. E mais. Essa "matrix" não se limita ao que "vemos" aqui no mundo físico, ela está em nossa mente e nos acompanha para "além".  No mundo astral, esses "pensamentos 3d", formam "locais" exatamente como os conhecemos aqui! E "pior"... Essas entidades, formam mundos, cidades e tudo mais que conhecemos aqui, também nesse plano, e noutros.

      Conf: pelo colocado acima, o amigo mostra q não comunga com os conceitos do espiritismo, certo? Pois, se comungasse não diria q sofremos devido a conceitos mentais impostos por quem quer q seja, por outros ou por nós mesmo pois, pela doutrina todos os sofrimentos são merecidos e aplicados de acordo com a perfeita justiça divina q só merecem sofrer os q transgridem as lei divinas.

      Suas colocações não mais são como antes e, me parece, não se harmonizam com a concepção religiosa de um Deus de amor e justiça. E não digo q o amigo esteja errado; digo q os foristas não entenderão o q vc diz.

      Abraços.
...........................     

Sim, eu comungo daquilo que nele, pra mim, se aproxima da realidade. Se o espiritismo é, se transformou, ou está sendo transformado numa doutrina limitada e dogmática, não é culpa minha. Nada pode "conter" ou estar acima da Verdade, ou melhor, da conexão do espirito com sua fonte, sua origem! Muitos parecem esquecer ou nunca terem atentado para o fato de que a codificação espírita, ou qualquer outra doutrina, não são a fonte íntima de conhecimento do espirito. Apenas, "na melhor da hipóteses", uma tentativa de ajudar este a se conectar com ela.
Quanto a concepção "religiosa" (religião para mim é apenas uma conspiração de espíritos para dominar outros espíritos e mantê-los na ignorância) de Deus, vejo precisamente o contrário. São justamente os "religiosos" que fazem Deus à sua imagem e semelhança e o transformam num simples indivíduo pensante, com sentimentos, caprichoso e vingativo. O que, no mínimo, beira as raias do ridículo! Deus, "seja lá o que for", pelas próprias evidencias expressas no pouco que podemos perceber da Criação é, "no mínimo", um princípio inteligente cuja natureza é absolutamente intangível, inalcançável e indescritível para espíritos inferiores como nós. Não me parece plausível que seja qualquer coisa que se aproxime da individualidade, e muito menos de conceitos humanos de amor e justiça.
O problema é, como ocorre com todas as "religiões", transformar nossa relação com Deus, num simplório e infantil conto de fadas. Como, muito inspiradamente (talvez sem imaginar o quanto!), disse Shakespeare; "Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia."
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Kazaoka em 05 de Fevereiro de 2015, 01:06
Sobre a pergunta de abertura deste tópico, se a passagem pelo umbral é obrigatória. Não, não é! Só vai para lá quem quer ou merece. O problema é a inapetência que costuma tomar conta de nós, impedindo-nos de lutar contra as próprias imperfeições, fazendo-nos acomodar naquilo que poderíamos e deveríamos mudar. Ai "aceitamos" a condição umbralina como uma coisa normal e natural para todos.
Isso é um erro! Ninguém tem que, fatalmente, ir para o umbral, por isso disse que só vai para lá quem quer ou se deixa levar
.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 05 de Fevereiro de 2015, 12:15


Deus não é bom nem mal. Isso são apenas esteriótipos humanos baseados em conceitos e convenções morais.


Lucas 18:19

Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 05 de Fevereiro de 2015, 12:21
Amigos,

 É como o caso do suicidio. Não acredito minimamente que o Espirito suicida sofra horrores depois de consumar o acto pois isso poria em cheque toda a bondade de Deus. Simplesmente não acredito.
 Considero que o Espirito suicida fique numa situação de tremenda confusão pois ele pensa que matando-se tudo terminará e, como sabemos, não é isso que acontece.
 Terá apenas um novo recomeço e passará por esses mesmas situações que o levaram ao gesto de aniquilamento do próprio corpo.
 É isso que eu acredito.

 Sérgio

Bom!
digo por experiência
que em parte concordo com sua colocação

Não se pode generalizar nenhum caso de suicídio
a situação destas almas diferem muito

pois que muitos se matam consciente que se lançam fora da vida física
e assim realmente o fazem...e assumem o que fazem

muitos sofrimentos já existiam em vida física

Mas saibamos
que não temos o direito de atentar criminalmente contra nós e muito menos moralmente contra as determinações divinas

senão!

As virtudes de resignação, paciencia , esperança, fé.... perderiam seus valores
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 05 de Fevereiro de 2015, 12:49
Citar
Deus não é bom nem mal. Isso são apenas esteriótipos humanos baseados em conceitos e convenções morais.

Lucas 18:19

Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.
Só caberia saber duas coisas: o que Jesus quis dizer com essa máxima? o que é Deus ser bom? (esse bom é o bom que os encarnados entendem?)

Bom, para nós encarnados, é alguém que faça coisas que não causem sofrimento aos outros, ou faça coisas que tragam felicidade aos outros. Enfim, alguém que por natureza só crie coisas boas, que tragam prazer, felicidade.

Se o caminho da evolução Espiritual pode não ser somente um caminho de felicidades (felicidades como os Espíritos entendem que sejam felicidades), então, para esses Espíritos que sofrem, Deus não pode ser bom. Não é à toa que muitos ateus argumentam contra a existência de Deus, pelo fato de os sofrimentos existirem, logo, se existem, Deus não poderia existir, pois Deus não poderia ser mau, o contrário do que as religiões afirmam: que Deus é bom!

Mas Deus realmente é bom, se soubermos que as leis que criou servem para a evolução dos Espíritos e os Espíritos ao evoluírem serão mais felizes; mas essas leis sábias (outro conceito relativo à inteligência humana) causam sofrimentos em alguma fase da evolução (pelo menos talvez de grande parte dos Espíritos), então para nós Deus é bom sem entendermos como Deus é bom. Deus é bom, ou porque dessa forma rendemos homenagens a Deus (e alguns diriam: bajulamos Deus), ou porque simplesmente e cegamente acreditamos que Deus é bom e neste último caso ficamos sem saber responder àqueles ateus que usam dessa ideia de Deus ser bom para argumentarem, como dito, que Deus não pode existir.

Quem acreditar emocionalmente que Deus é bom, pode acabar se dando mal, ao pensar que por ser bom, a lei de Deus não o fará sofrer, caso atente contra essa lei.






Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 05 de Fevereiro de 2015, 15:05
III – Atributos da Divindade

10. O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?

— Não. Falta-lhe, para tanto, um sentido.

11. Será um dia permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

— Quando o seu espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, tiver se aproximado dela, então a verá e compreenderá.

Comentário de Kardec: A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza intima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, á medida que o seu senso moral se desenvolve, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas e ele faz então, a seu respeito, uma idéia mais justa e mais conforme com a boa razão embora sempre incompleta.

12. Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter uma idéia de algumas de suas perfeições?

— Sim, de algumas. O homem se compreende melhor, à medida que se eleva sobre a matéria; ele as entrevê pelo pensamento.

13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?

— Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo, mas ficai sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e às vossas sensações, não dispõe de expressões. A razão vos diz que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, pois, se tivesse uma de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo, e, por conseguinte, não seria Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber.

Comentário de Kardec: Deus é ETERNO. Se ele tivesse tido um começo, teria saído do nada. ou. então, teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.

É IMUTÁVEL. Se ele estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.

É IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria.

É ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do Universo.

É TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que ele não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.

É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar da sua justiça, nem da sua bondade.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 05 de Fevereiro de 2015, 15:17
O Céu e o Inferno

 O Espírito sofre, quer no mundo corporal, quer no espiritual, a consequência das suas imperfeições. As misérias, as vicissitudes padecidas na vida corpórea, são oriundas das nossas imperfeições, são expiações de faltas cometidas na presente ou em precedentes existências. Pela natureza dos sofrimentos e vicissitudes da vida corpórea, pode julgar-se a natureza das faltas cometidas em anterior existência, e das imperfeições que as originaram.

(Primeira Parte - Capítulo 7 – Código Penal da Vida Futura)

de Allan Kardec
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 05 de Fevereiro de 2015, 15:43
Olá.

Citar
13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?

— Do vosso ponto de vista, sim

Vamos ficar somente com o atributo Eterno:

Do dicionário:

Citar
eterno
e.ter.no
adj (lat aeternu) 1 Que não tem princípio nem fim. 2 Que teve princípio, mas não terá fim. 3 De duração indefinida. 4 Que se faz ou se repete amiúde. 5 Imortalizado, célebre. Var: eternal. Antôn (acepções 2 e 3): transitório, efêmero. sm Deus.

Obviamente que a definição é em relação ao tempo!

Vejamos a questão 240, e já naquela época (meados do século XIX) já poderia deixar alguém com ‘a pulga atrás da orelha’ quanto à relatividade do conceito de tempo.


Citar
240. A duração, os Espíritos a compreendem como nós?
“Não e daí vem que nem sempre nos compreendeis,
quando se trata de determinar datas ou épocas.”
Os Espíritos vivem fora do tempo como o compreendemos. A
duração, para eles, deixa, por assim dizer, de existir. Os séculos,
para nós tão longos, não passam, aos olhos deles, de instantes
que se movem na eternidade, do mesmo modo que os relevos do
solo se apagam e desaparecem para quem se eleva no espaço.

Atualmente sabemos que o tempo não ‘corre’ de forma constante e independentemente de nada. O tempo ‘corre’ dependendo de outra variável, a velocidade com a qual o corpo se move. É uma expressão matemática encontrada por Einstein e é bem fácil de perceber, nessa expressão, a relação entre essas duas grandezas, tempo e velocidade.

O intervalo de tempo entre dois instantes é dado pela expressão matemática:

T2 – T1 = (T2 – T1)/ raiz quadrada (1 – V ^ 2/ c ^ 2)

Traduzindo, se é que precisa de tradução: o intervalo de tempo entre dois instantes T1 e T2 para um objeto que se desloque com uma velocidade V, é dado pela razão entre a diferença entre esses dois instantes e a raiz quadrada da diferença entre a unidade e a razão entre o quadrado da velocidade em que o objeto se desloca e o quadrado da velocidade da luz. (basta pegar uma calculadora científica dessas bem baratinhas, pegar um intervalo de tempo, por exemplo 3 segundos e depois ficar atribuindo valores para a velocidade com que o corpo se desloca, para sabermos que o tempo 'corre' diferente para diferentes velocidades).

Por que trouxe essa expressão de Einstein aqui? Com certeza não foi para dizer que entendo de teoria da relatividade, da qual não entendo patavinas, mas para dizer que hoje sabemos, cientificamente, que o tempo não ‘corre’ de forma constante, por mais absurdo que isso nos possa parecer  (inclusive já foram feitos experimentos científicos comprovando que isso ocorre na realidade).

Mas se o que foi dito na questão 240 não bastou para que os da época pudessem desconfiar, então hoje temos a confirmação, pois se mesmo para nós encarnados o tempo não ‘corre’ de forma constante, como podemos dizer que Deus é Eterno, com exatidão (e não sob nosso ponto de vista daquela época). Mas mesmo se não existisse a questão 240 e não houvesse essa descoberta de Einstein, ainda assim, por simples dedução lógica, chegaríamos à conclusão de que Deus, que criou tudo, inclusive o tempo, não poderia ser ‘medido’, ou comparado com aquilo que Ele mesmo criou, o tempo. Aproveitando o que é dito na questão 240: se os Espíritos vivem fora do tempo, como o conhecemos, o que dizer de Deus? Que é atemporal e se é atemporal, não pode ser Eterno; apenas Eterno sob nosso ponto de vista!

Se isso é válido para o Eterno, por que não poderia ser válido para os outros atributos que ‘sob nosso ponto de vista’ atribuímos a Deus?

PS Para quem quiser testar aquela expressão matemática e para eu não ficar como um contador de causo de pescador, sugiro que atribuam para a velocidade em que o corpo se desloca, velocidades bem elevadas, muito acima das nossas velocidades conhecidas mais elevadas (projéteis de armas). A diferença só ocorre realmente, ou melhor, sensivelmente para velocidades da ordem de 10 % da velocidade da Luz; ou seja, devemos atribuir valores para a velocidade do corpo de cerca de 30.000km/s (como se alguém viajasse 3/4 da circunferência da terra em apenas um segundo). Adotando velocidades muito baixas, do nosso cotidiano, as calculadoras não teriam capacidade, normalmente, para acusar alguma diferença entre os tempos. Mas, por mais que essa expressão tenha validade para velocidades astronômicas, digamos assim, isso não retira a comprovação de que o tempo não 'corre' de forma como intuitivamente achamos que corra e é isso que é importante para pensarmos sobre essa questão de eternidade, pois quando pensamos em eternidade, pensamos em um tempo que 'corre' de forma constante, que não depende de nada, como se fosse, aliás, um outro deus.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Edil Curvelo em 05 de Fevereiro de 2015, 22:44
O problema de muitos de nós, está em sempre colocarmos mais fé na "letra morta", do que em nossa própria percepção interna, por mais parca que ainda seja.
Considero a bíblia um dos maiores embustes de todos os tempos, e a existência de Jesus; uma conveniência que muito poucos ousam contestar... A codificação espírita poderia ter elucidado "muito mais" se não estivesse, à época, fadada ao fracasso por, si quer, tentar...

Os ateus infelizmente, no que diz respeito ao conhecimento espiritual, incorrem no mesmo erro dos religiosos. Este últimos por acreditarem cegamente naquilo que outros homens, tão normais quanto eles, inventaram e escreveram em livros. E os primeiros por se revoltarem contra essas invenções a ponto de abafarem suas próprias percepções íntimas. É claro que, felizmente, sempre existem algumas exceções de ambos os lados. 

De fato, para a conveniência, para parecer "politicamente correto" no meio social, e para um estado geral de comodidade e conforto, é simples se "associar" a uma "religião" e credenciar as próprias palavras se escorando nas "escrituras", mas para atingir, ou melhor, para perseguir o verdadeiro conhecimento que é ilimitado e dinâmico, isso é ridiculamente inútil e sem valor algum!
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Fevereiro de 2015, 00:10
Bom

Parece-nos que o Espiritismo
está bem claro em suas definições
pois é vanguarda no se posicionar
nesta batalha no campos das ideias

Na linha de "front"
destaca-se todo o seu conteúdo
com uma estratégia ímpar de jamais atacar
mesmo que seja atacado

Defende-se num comportamento curioso
de jamais se impor
e sim o de convidar a conhecê-lo

Não obriga e nem escraviza os seus vencidos
acolhe-os como membros da mesma ordem
dividindo obrigações e conhecimentos

Em suas imponentes  flâmulas
não tremula mãos trêmulas
e não adota em seus caracteres
código algum de humilhação

Por esta razão
vencedor que é
e sempre será

Deixa ir em paz
aqueles que livremente e
apaixonados pelo próprio orgulho
Não entendem que devem
se aproximar

hasta la vista baby !



Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 06 de Fevereiro de 2015, 10:24
Boas palavras Moisés, mas não pude deixar de achar graça no fecho do teu texto, com uma frase de 'o exterminador do futuro' ;D
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Edil Curvelo em 06 de Fevereiro de 2015, 11:03
De fato estas são ótimas características do espiritismo. O que faz não me arrepender de ter nascido dentro dessa doutrina. Mas isso não tem muito a ver com a busca da realidade que, invariavelmente, requer o rompimento de fronteiras.
E por falar em orgulho, é fato que os espiritas tem, nesse "defeito" e também na "soberba", mais do que nunca, uma grande barreira a transpor!...
Ao contrário, é preciso humildade para admitir que se sabe muito pouco, para pode investigar, aprender e continuar avançando. A estagnação e a inércia, são dos maiores efeitos colaterais do orgulho.

Aproveito também para deixar aqui algumas palavras muitos interessantes ditas por Emmanuel:

"Vós outros, os que me ouvis, sem jamais haverdes freqüentado os núcleos do Espiritismo, não vos impressioneis com as minhas assertivas. No Espaço, uma das modernas tradições é a de que, ultimamente, chegam às portas do céu somente os ateus e materialistas generosos que fazem o bem pelo bem, alheios às convenções e ao sentido das recompensas. Com essa lembrança não desejo menosprezar os esforços da fé, mas quero lembrar a necessidade do trabalho sincero, perseverante, decidido e leal nas mais belas expressões de solidariedade real e de simplicidade na vida"!

Emmanuel
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 06 de Fevereiro de 2015, 11:11
Citar
A estagnação e a inércia, são dos maiores efeitos colaterais do orgulho.
A estagnação e a inércia são efeitos é da preguiça, ou das tarefas do dia-a-dia (me encaixo nas duas!)
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 06 de Fevereiro de 2015, 11:17
Olá amigo Moisés

A minha resposta é sobre a citação de um comentário de Kardec no Céu e o Inferno. Diz ele que as misérias e vicissitudes são devidas às nossas imperfeições. Parece-me uma regra lógica, mas que devia ser enunciada de uma outra forma: As vicissitudes servem para nos ajudar a ultrapassar e compreender as nossas imperfeições. Se nos fazem sofrer, como uma doença devida a algo que não esta bem no nosso corpo, o papel delas não é castigar as imperfeições (que Deus nos permite ter e que não teríamos Se Ele não o quisesse), o papel delas é perceber que existem imperfeições que nos levam a atitudes erradas. O aperfeiçoamento ou não é decisão nossa.

Todavia não posso concordar com Kardec que seja possível deduzir o tipo de faltas de encarnações anteriores pelas vicissitudes do presente, nem as imperfeições que as causaram. Compreendo que as imperfeições que se conservam de uma encarnação anterior podem gerar atitudes erradas parecidas com as de encarnações anteriores. Contudo, se as imperfeições foram compreendidas e se foram ultrapassadas, por decisão nossa, não me parece lógico que continuem a gerar as mesmas atitudes a que nos levaram no passado, pois isso era a negação da possibilidade de aperfeiçoamento. Em resumo: se as imperfeições eram a causa de vicissitudes , e se essas causas deixaram de existir, na encarnação seguinte, devem cessar essas vicissitudes (efeitos).

Em conclusão, nesta encarnação mostram-se as imperfeições existentes e não as passadas que já se extinguiram. Só as que não se extinguiram devem gerar vicissitudes. Mesmo assim não me parece possível analisar alguém, com o mínimo rigor, sem estar na pele da pessoa. As causas do que nos acontece são um conjunto complexo e não apenas de natureza moral.

Esta é a minha forma de deduzir as consequências do que a Codificação ensina. A realidade, essa não conheço, de forma a poder dizer que confirma as minhas deduções ou opiniões ou as de qualquer outra pessoa. Se Deus não nos criou perfeitos, isto é, com todas as nossas potencialidades desenvolvidas, não foi para nos castigar pelas nossas imperfeições, mas para as desenvolvermos.

Bem haja
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 06 de Fevereiro de 2015, 12:47
Citar
Todavia não posso concordar com Kardec que seja possível deduzir o tipo de faltas de encarnações anteriores pelas vicissitudes do presente, nem as imperfeições que as causaram. Compreendo que as imperfeições que se conservam de uma encarnação anterior podem gerar atitudes erradas parecidas com as de encarnações anteriores. Contudo, se as imperfeições foram compreendidas e se foram ultrapassadas, por decisão nossa, não me parece lógico que continuem a gerar as mesmas atitudes a que nos levaram no passado, pois isso era a negação da possibilidade de aperfeiçoamento. Em resumo: se as imperfeições eram a causa de vicissitudes , e se essas causas deixaram de existir, na encarnação seguinte, devem cessar essas vicissitudes (efeitos).
Olá amigo Vitor, não sei a qual texto especificamente o amigo se refere, mas e se as imperfeições não foram compreendidas e ultrapassadas? mas mesmo que tenham sido aprendidas e ultrapassadas, pelo que já li, o que podem perdurar são as tendências; mas o fato de termos tendências não nos faz dar vazão a essas tendências justamente pelo fato de terem sido ultrapassadas (algo que talvez tenha a ver com aquelas tendências infonfessáveis). Seria algo parecido com as bordoadas que levamos nessa vida mesma e que após levarmos, não deixamos de ter as tendências que nos levaram a levar essas bordoadas, apenas sabemos que não devemos mais agir de forma a apanharmos mais e esse entendimento poderia ser levado não só a essa vida, mas a outras passadas.

Abraço.

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 06 de Fevereiro de 2015, 14:19
Olá amigo Moisés

A minha resposta é sobre a citação de um comentário de Kardec no Céu e o Inferno. Diz ele que as misérias e vicissitudes são devidas às nossas imperfeições. Parece-me uma regra lógica, mas que devia ser enunciada de uma outra forma: As vicissitudes servem para nos ajudar a ultrapassar e compreender as nossas imperfeições. Se nos fazem sofrer, como uma doença devida a algo que não esta bem no nosso corpo, o papel delas não é castigar as imperfeições (que Deus nos permite ter e que não teríamos Se Ele não o quisesse), o papel delas é perceber que existem imperfeições que nos levam a atitudes erradas. O aperfeiçoamento ou não é decisão nossa.

Olá Vitor
bem que suas colocações fazem um bom sentido
observemos que a DE nos insiste a bem observar
e a nos observar....
pela observação que vemos uma qualidade superior em um outro em relações a nós...
cuidemos-nos com aplicações perseverança...
as doenças se curarão e as qualidades adquiriremos

Citar
Todavia não posso concordar com Kardec que seja possível deduzir o tipo de faltas de encarnações anteriores pelas vicissitudes do presente, nem as imperfeições que as causaram. Compreendo que as imperfeições que se conservam de uma encarnação anterior podem gerar atitudes erradas parecidas com as de encarnações anteriores. Contudo, se as imperfeições foram compreendidas e se foram ultrapassadas, por decisão nossa, não me parece lógico que continuem a gerar as mesmas atitudes a que nos levaram no passado, pois isso era a negação da possibilidade de aperfeiçoamento. Em resumo: se as imperfeições eram a causa de vicissitudes , e se essas causas deixaram de existir, na encarnação seguinte, devem cessar essas vicissitudes (efeitos).

Dizem os especialistas em auto ajuda
que se continuarmos fazendo o que sempre fazemos
continuaremos a receber o que sempre recebíamos...
entendo que a observação de Kardec é válida
é que queremos apurar as causas e nelas construir algum alibi
será?
rsrs
Creio que o grupo de vicissitudes ultrapassa as nossas expectativas
e com isso a fonte de nossas misérias...ainda estão por descobrir...

Citar
Em conclusão, nesta encarnação mostram-se as imperfeições existentes e não as passadas que já se extinguiram. Só as que não se extinguiram devem gerar vicissitudes. Mesmo assim não me parece possível analisar alguém, com o mínimo rigor, sem estar na pele da pessoa. As causas do que nos acontece são um conjunto complexo e não apenas de natureza moral.
Sim !  a empatia é sinal de caridade e auxilia adquirir virtudes
más convenhamos
mesmo eliminemos algumas imperfeições
não quer dizer que esgotamos todas as imperfeições
visto que , cada patamar que assumimos
nossa visão se dilata
e o novo nos surpreende como das vezes de outrora
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Esta é a minha forma de deduzir as consequências do que a Codificação ensina. A realidade, essa não conheço, de forma a poder dizer que confirma as minhas deduções ou opiniões ou as de qualquer outra pessoa. Se Deus não nos criou perfeitos, isto é, com todas as nossas potencialidades desenvolvidas, não foi para nos castigar pelas nossas imperfeições, mas para as desenvolvermos.

Sim
Creio
Deus nos atrai
desde o nosso surgir

e nós vamos indo

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Edil Curvelo em 06 de Fevereiro de 2015, 16:47
Citar
A estagnação e a inércia, são dos maiores efeitos colaterais do orgulho.
A estagnação e a inércia são efeitos é da preguiça, ou das tarefas do dia-a-dia (me encaixo nas duas!)

Estava falando de estagnação e inércia da mente. Mas está valendo também...  :D
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Vitor Santos em 06 de Fevereiro de 2015, 22:20
Ola amigo Horizonte

As suas afirmações não me parecem muito divergentes das minhas. Na vida, mesmo sem entrar em explicações espirituais, as nossas imperfeições levam-nos a atitudes erradas. Erros de comunicacao com as outras pessoas, por exemplo. Se eu fosse capaz de me exprimir melhor gastava muito menos energia. Se eu fosse, sobretudo, mais paciente, teria muito a ganhar com isso, etc.

A frase que eu comentava era uma frase de Kardec que o amigo Moises postou neste tópico. E aquilo que me fez confusão nessa frase foi a ideia de que, das atitudes desta encarnação podemos concluir sobre as imperfeições e faltas das anteriores. Isto porque a causa das nossas atitudes, segundo me diz a experiencia de vida, não se resume a questões morais e porque é complicado avaliar as outras pessoas sem serrana pele delas, seja em relação ao que for. Os ingleses até tem uma frase mais engraçada. Em vez de dizer estar na pele do outro dizem estar nos sapatos do outro.

De qualquer modo devem existir algumas imperfeições que vamos eliminando (eliminar a imperfeição não se resume a estar convencido que se eliminou a mesma, pois podemos estar iludidos em relação a isso, mas estar mesmo livres da imperfeição). Compreendo isso e julgo que é essa uma das mensagem que a sua resposta encerra. Todavia, se se eliminou mesmo uma imperfeição ela deve deixar de nos limitar e de nos causar problemas e sofrimentos, deixando-nos disponiveis para tentar eliminar outras, que, em regra, são muitas.

As causas do que nos acontece na vida são complexas. E não são apenas morais, decerto. Algumas nem são resultado de decisões racionais e conscientes, ao que parece. Todavia encontramos na nossa história passada da nossa encarnação presente relações causa-efeito que não parecem ser espirituais, mas resultado de sermos um conjunto de pessoas que se interrelacionam pelas mais diversas razões. Entre elas existem as razões espirituais, provavelmente, mas não me parecem fáceis de apurar. E as pessoas tendem a classificar as várias razões de acordo com as respectivas crenças espirituais, de acordo com a experiência da vida e dos conhecimentos que possuem. Um espírita, quando a vida lhe corre mal tende a pensar que sao as más influencias espirituais, um médico a pensar que são problemas de saúde física, um psicólogo que são problemas de saúde mental, um supersticioso que foi um feitiço que lhe lançaram, um católico pensa que sao as forcas diabólicas a actuar, etc.

Bem haja
A







Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 06 de Fevereiro de 2015, 23:03
Citar
De qualquer modo devem existir algumas imperfeições que vamos eliminando (eliminar a imperfeição não se resume a estar convencido que se eliminou a mesma, pois podemos estar iludidos em relação a isso, mas estar mesmo livres da imperfeição). Compreendo isso e julgo que é essa uma das mensagem que a sua resposta encerra. Todavia, se se eliminou mesmo uma imperfeição ela deve deixar de nos limitar e de nos causar problemas e sofrimentos, deixando-nos disponiveis para tentar eliminar outras, que, em regra, são muitas.

Olá amigo Vitor, por enquanto utilizo esse seu parágrafo para corrigir o que eu escrevi e que verifico que não faz sentido para mim mesmo:

Citar
"mas mesmo que tenham sido aprendidas e ultrapassadas, pelo que já li, o que podem perdurar são as tendências;.."
O 'ultrapassadas' que escrevi não deveria existir, pois ultrapassar seria realmente não mais sofrer pela mesma questão.

Vou dar uma estudada na indicação que o colega Moisés nos trouxe, ver o contexto, ler com calma seu texto e depois continuamos.

Abraço.

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Fevereiro de 2015, 11:16
Comentários de Herculano Pires:

Descrições da vida espiritual nas zonas inferiores do espaço

Regiões em que os espíritos continuam apegados às formas da vida material – “Ação e Reação”, de André Luiz, uma contribuição dos espíritos para as comemorações do centenário.
O primeiro centenário do Espiritismo teve, também as suas comemorações no outro lado da vida. Não foi apenas em nosso plano material, neste reverso da vida em que nos arrastamos, apegados à densidade da matéria grosseira, que o grande acontecimento despertou entusiasmos. Embora o advento do Espiritismo nos pareça um fato específico do nosso mundo, pois a doutrina veio para orientar os homens encarnados, a verdade é que esse fato se refere também aos planos espirituais. E o que é mais importante: esse fato tem tanta significação para nós, quanto para os Espíritos.
Todos os que militam no movimento espírita sabem que os Espíritos participam ativamente dos trabalhos doutrinários. Nada mais natural, portanto, do que a sua intensiva participação nas comemorações do centenário. Uma prova concreta dessa participação acaba de ser dada pela publicação de mais um livro psicografado por Francisco Cândido Xavier, livro que traz no prefácio de Emmanuel, as seguintes frases: “Um século de trabalho, de renovação e de luz. Para contribuir nas homenagens ao memorável acontecimento, grafou, André Luiz, as páginas deste livro”.
Como se vê, “Ação e Reação”, novo livro de André Luiz, que a Federação Espírita Brasileira acaba de publicar, é uma contribuição espiritual para as comemorações do centenário. E que excelente contribuição! O título é suficiente para indicar o conteúdo. André Luiz faz uma ampla exposição do problema de ação e reação, através de exemplos colhidos diretamente nas zonas sombrias em que vivem os espíritos sofredores.
Os livros de André Luiz, que já constituem volumosa coleção, valem por um verdadeiro trabalho de ilustração dos princípios espíritas, por meio de relatos de episódios vividos nos planos espirituais. Em Nosso Lar, primeiro volume da série, temos a descrição pormenorizada de uma cidade espiritual, destinada à preparação das criaturas para a espiritualidade superior. Em Os Mensageiros, a descrição dantesca das zonas de sofrimento, regiões purgatoriais ou infernais – como queiram –, em que se arrastam as almas dos que não souberam compreender as oportunidades da encarnação terrena. Mensageiros são os Espíritos superiores, que descem às zonas sombrias ou à própria face da terra para trazerem socorro às criaturas entregues ao desespero, à angústia, ao remorso e a todas as formas de sofrimento espiritual.
Em “Ação e Reação” os fatos se passam, também, numa zona espiritual densamente carregada de influências materiais. Em meio a uma região aparentemente abandonada, em que as “almas brutas e bravas”, a que se refere Dante, rugem, choram, esbravejam e gemem, perdidas nas sombras e resgatadas pela ventania de suas próprias iniquidades, ergue-se um conjunto arquitetônico que oferece asilo, conforto e cura aos que se puseram em condições de ser socorridos, ou seja, aos Espíritos que começaram a se arrepender de seus erros.
“O estabelecimento – diz André Luiz – situado nas regiões inferiores, era bem uma espécie de Mosteiro São Bernardo, em zona castigada por natureza hostil, com a diferença de que a neve, quase constante em torno do célebre convento encravado nos desfiladeiros, entre a Suíça e a Itália, era ali substituída pela sombra espessa, que, naquela hora, se adensava ao redor da instituição, como se tocada por ventania incessante.”
Para os que não conhecem os princípios da Doutrina Espírita e não estão familiarizados com descrições das zonas espirituais mais próximas da crosta terrestre, tudo isso pode parecer ilusório, imaginário, pouco provável. Mas os que sabem que os Espíritos não são mais do que homens desencarnados e que, como os homens terrenos, vivem a sua vida, executam os seus trabalho se realizam as suas construções, compreendem bem as descrições de André Luiz.
Há quem não admita a existência de coisas tão concretas no plano espiritual.André Luiz se refere, porém, às zonas inferiores, aquelas em que os Espíritos, ainda demasiado apegados às formas da vida material, não conseguiram “libertar-se em espírito”. É edificante ver, em “Ação e Reação”, como os Espíritos Superiores trabalham nessas regiões, prestando sua assistência caridosa aos irmãos que se transviaram nas sendas egoístas da vida terrena.

PIRES, J. H. O mistério do bem e do mal. S. Bernardo do Campo: Correio Fraterno, 1992.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 07 de Fevereiro de 2015, 12:01
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Há quem não admita a existência de coisas tão concretas no plano espiritual. André Luiz se refere, porém, às zonas inferiores, aquelas em que os Espíritos, ainda demasiado apegados às formas da vida material, não conseguiram “libertar-se em espírito”.
Sou um dos que não consegue entender e, portanto, não admite essas existências tão concretas no plano espiritual. Principalmente quando existe essa ênfase (tão concretas) que pode sugerir que esses mundos, que não duvido que existam para os Espíritos desencarnados, sejam tão concretos como a terra. Quando estamos encarnados, nossos corpos físicos, de carne, ossos, são formados pelos mesmos elementos químicos que existem pela natureza (pelo solo) e isso, penso, tem a ver com a necessidade que temos de interagir com este mundo físico, a terra. Mas como iriam interagir os desencarnados com mundos físicos como a terra, se não têm mais corpos materiais semelhantes aos daqueles mundos em que passam a viver? se interagem é porque possuem a mesma natureza desses mundos. Não é questão de ficar aqui na terra, mas questão de estar vivendo, sofrendo o que acontece em um meio que dizem que é tão concreto. Posso estar enganado, o dia que mudar de opinião será muito tranquilo para mim, afinal sendo tão concreto, ou não, o fato é que existem esses mundos!

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: lconforjr em 07 de Fevereiro de 2015, 13:03
Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?

      Ref resp #48 em: 060215, às 11:11, de Noriz

      Noriz citou palavras de outro companheiro: A estagnação e a inércia, são dos maiores efeitos colaterais do orgulho.

      Noriz disse: A estagnação e a inércia são efeitos da preguiça, ou das tarefas do dia-a-dia (me encaixo nas duas!).

      Conf: e, meus queridos amigos, caímos na mesma ladainha de sempre, da qual não conseguimos sair pq não conhecemos as respostas para as coisas mais básicas para se entender a doutrina e, consequentemente, a vida: “se a estagnação e a inércia são dos maiores efeitos do orgulho” e se todos os efeitos têm suas causas, de quais causas o orgulho é efeito? Se a estagnação e a inércia são efeitos da preguiça, a preguiça é efeito de quê?

      De nada nos adianta saber q estagnação, inércia, orgulho, preguiça, egoísmo, maldades, perversões, imoralidades são causas q prejudicam nossa evolução, se nem mesmo sabemos, nem mesmo conhecemos quais são as causas desses estorvos q estão em nosso caminho! Nem mesmo conhecemos as causas de eu ser bom ou de eu ser mau!

      E, se não conhecemos quais são suas causas, como vamos evitar de incidir e reincidir nelas para avançarmos em nosso progresso espiritual?

.......................

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Moises de Cerq. Pereira em 07 de Fevereiro de 2015, 16:10
86. O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter
existido, sem que isso alterasse a essência do mundo
espírita?

R -“Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante
a correlação entre ambos, porquanto um sobre o
outro incessantemente reagem.”

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////
Correlação
s.f. Semelhança; relação de correspondência entre dois seres, duas coisas, duas ideias que se relacionam entre si.
Estatística. Relação de interdependência entre duas ou entre múltiplas variáveis.
Matemática. Relação entre variáveis matemáticas que ocorrem em conjunto com outras ou de maneira não casual.
Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: Norizonte da Rosa em 07 de Fevereiro de 2015, 16:53
Citar
86. O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter
existido, sem que isso alterasse a essência do mundo
espírita?
R -“Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante
a correlação entre ambos, porquanto um sobre o
outro incessantemente reagem.”

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////
Correlação
s.f. Semelhança; relação de correspondência entre dois seres, duas coisas, duas ideias que se relacionam entre si.
Estatística. Relação de interdependência entre duas ou entre múltiplas variáveis.
Matemática. Relação entre variáveis matemáticas que ocorrem em conjunto com outras ou de maneira não casual.
Moisés, dada sua sutileza dessa postagem, até fiquei com dificuldade de entender, mas acredito que foi em resposta ao que escrevi. Se foi então vamos lá:

O 'tão concretas' do texto, pelo menos para mim significa algo muito material como a terra, parto desse entendimento.

O que questiono, o que não consigo fazer entrar no meu bestunto é como um ser que só tem perispírito, vá para um mundo material (que poderia ser a terra mesmo) e que sofra desse mundo material influências como se tivesse também um corpo material? quem está no umbral, ou no vale dos suicidas está em um mundo 'tão material' exatamente como descrevem? na terra acredito que não poderia ser, pois onde estariam esses vales, esses lugares tenebrosos? onde? ou são lugares que estão próximos da terra? mas se estão próximos da terra são 'tão material' e mesmo assim invisíveis, sutis? ou uma ou outra coisa, ou são 'tão materiais', ou não são materiais e aí podem estar em qualquer lugar e por afinidade dos pensamentos dos encarnados na terra, podem 'estar próximos' da terra.

Em nosso lar, não existem enfermarias? nas enfermarias existem camas, onde os pacientes são acomodados; mas se os pacientes, no caso, apenas têm perispírito, por que precisariam de camas materiais? pois são mundos 'tão materiais'!

E do que escrevi, neguei a influência de um mundo em outro? os desencarnados não estão em nossa volta nos influenciando? não são, digamos, atraídos por nós?

Abraço.



Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: HamLacerda em 07 de Fevereiro de 2015, 17:25

      Conf: e, meus queridos amigos, caímos na mesma ladainha de sempre, da qual não conseguimos sair pq não conhecemos as respostas para as coisas mais básicas para se entender a doutrina e, consequentemente, a vida: “se a estagnação e a inércia são dos maiores efeitos do orgulho” e se todos os efeitos têm suas causas, de quais causas o orgulho é efeito? Se a estagnação e a inércia são efeitos da preguiça, a preguiça é efeito de quê?



Citar
"10. Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria." KARDEC


A propósito, o nome do artigo completo se chama "A origem do bem e do mal"



A Gênese » A Gênese » Capítulo III - O bem e o mal » Origem do bem e do mal

10. Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria.

O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente às exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal é, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.

Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, visto que, a não ser assim, Deus teria feito coisas inúteis e, até, nocivas. No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.



Grifos meus

Título: Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?
Enviado por: lconforjr em 08 de Fevereiro de 2015, 13:43
Re: A passagem pelo umbral é obrigatória?

      Ref resp #60 em: 070215, às 17:25, de HamLacerda

      Conf (resp ant): e, meus queridos amigos, caímos na mesma ladainha de sempre, da qual não conseguimos sair pq não conhecemos as respostas para as coisas mais básicas para se entender a doutrina e, consequentemente, a vida: “se a estagnação e a inércia são dos maiores efeitos do orgulho” e se todos os efeitos têm suas causas, de quais causas o orgulho é efeito? Se a estagnação e a inércia são efeitos da preguiça, a preguiça é efeito de quê?
....
      Ham em reposta (para explicação) citou: "10. Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria." KARDEC

      Conf: olá, amigo Ham, sem dúvida, e vc sabe, essa não é uma resposta completa; é apenas uma meia-resposta.

      Vamos raciocinar: estagnação atraso implica sofrimentos, atraso na caminhada do aperfeiçoamento; do mesmo modo, o orgulho, certo? Se a preguiça tb implica sofrimentos, pois é uma causa de estagnação, pq o homem ou espírito tem de sofrer se, pela doutrina, todas as paixões e vícios são resultantes, não da vontade do homem, mas do instinto de conservação (conforme texto citado por vc para explicar sobre a pergunta q fiz em minha resposta anterior, como está colocado no início desta)?

      Ham (texto de "Gênese"/10): No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.

      Conf: meu amigo Ham, pois aí, na citação q vc faz do Gênese/10, voltamos, de novo, àquela "ladainha" tantas vezes repetida e nunca respondida pelos q estudam a doutrina; esse trecho, suscita questões tb básicas, aliás extremamente básicas para que se possa entender a doutrina e, consequentemente, entender a vida. Vamos lá:

      - se todos os efeitos têm suas causas; se, pelo livre-arbítrio que temos, podemos escolher o bem, escolher não cometer abusos, qual é a causa de escolhermos o abuso, se é nele q reside o mal?     

      - somos, as criaturas daquele q é em tudo Perfeição, somos todos mentalmente desequilibrados q, como os masoquistas, podendo escolher não sofrer, propositadamente escolhem sofrer, pois no sofrer sentem prazer?! Escolher abusar, se é no abuso q reside o mal, sem dúvida, é a mesma coisa q escolher sofrer, concorda? O q diz o amigo?

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