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CODIFICAÇÃO => A Génese => Tópico iniciado por: Marianna em 09 de Setembro de 2009, 23:35

Título: A lenda do Dilúvio
Enviado por: Marianna em 09 de Setembro de 2009, 23:35

A LENDA DO DILÚVIO

A lenda do dilúvio, que encontramos em Gênesis: VII e VIII, é uma dessas passagens bíblicas que só podem ser tomadas ao pé da letra pelo fanatismo e a ignorância. Pouco importa que durante séculos as religiões cristãs, com seus doutores e sacerdotes, tenham sustentado a realidade literal dessa lenda.

A verdade histórica é apenas esta: a lenda do dilúvio corresponde a um dos arquétipos mentais atualmente estudados pela psicologia profunda. Os estudos de Karl Jung a respeito são bastante esclarecedores. Mas o arquétipo coletivo, que corresponde no plano social aos complexos psicanalíticos do plano individual, não é uma abstração. Pelo contrário, é uma realidade psíquica enraizada nos fatos concretos.

O dilúvio bíblico, por isso mesmo, tem duas faces: uma é a realidade histórica, a ocorrência real da catástrofe; outra é a interpretação alegórica, enraizada no arquétipo coletivo e que o texto sagrado oferece. O Livro dos Espíritos explica o problema do dilúvio através dessas duas faces, a real e a lendária. É o que vemos no seu item 59, nas "Considerações e Concordância Bíblicas referentes à Criação" , que se podem resumir nestas palavras: "O dilúvio de Noé foi uma catástrofe parcial, que se tomou pelo cataclismo geológico". Aliás, essa afirmação de Kardec foi posteriormente confirmada pelas investigações científicas.

O arqueólogo inglês sir Charles Leonardo Wooley descobriu ao norte de Basora, próximo ao Golfo Pérsico, ao dirigir as escavações para a descoberta dos restos da cidade de Ur, as camadas de lama do dilúvio mencionada na Bíblia. Pesquisas posteriores completaram a descoberta. O dilúvio parcial do delta dos rios Tigre e Eufrates é hoje uma realidade atestada pela Ciência. Foi esse dilúvio, ou seja, uma inundação parcial, que serviu de motivo histórico para a lenda bíblica.

Como acentua Kardec, nada perdeu com isso a Bíblia, nem a Religião. Mas ambas são diminuídas quando o fanatismo insiste em defender um absurdo, quando teima em dizer que Deus afogou o mundo nas águas de uma chuva de quarenta dias e fez Noé salvar-se, com a própria família e as privilegiadas famílias dos animais de cada espécie existente, para que a vida pudesse continuar na Terra.

Sustentar como realidade histórica a figuração ingênua de uma lenda, conferindo-lhe ainda autoridade divina, é ridicularizar o sentimento religioso e minar as bases da concepção espiritual do mundo. Foi esse processo infeliz de ridicularização que levou o nosso tempo ao materialismo e à descrença que hoje o dominam.

Que diriam os fanáticos da "palavra de Deus" ao saberem que o dilúvio bíblico tem por antecessores o dilúvio babilônico de Gilgamesch, historicamente chamado de "o Noé babilônico", e o dilúvio grego de Deucalião?

O Espiritismo esclarece esse problema, mostrando que o "arquétipo coletivo" do dilúvio é responsável pelo seu aparecimento em diversos capítulos da História das Religiões, e até mesmo na pré-História, entre os povos selvagens. É esse um dos pontos mais curiosos da psicologia das Religiões. Curioso notar que Deucalião, o Noé grego, e Pirra, sua mulher, tiveram três filhos, como aconteceu com Adão e Eva e depois com Noé. Em todas essas coincidências comprova-se a origem mitológica e a presença dos arquétipos coletivos nas passagens supostamente históricas da Bíblia.

Querer sustentar a realidade desses fenômenos ingênuos e impô-los ao povo como verdades divinas é querer confundir religião com superstição. O Espiritismo prefere esclarecer esses problemas à luz da razão. (...) Tudo nos mostra, numa análise cultural da Bíblia, que ela deve ser interpretada na perspectiva das civilizações agrárias, a que realmente pertence. A lenda do dilúvio, que é também um mito agrário e ocupa todo o espaço dos capítulo 6 a 10 da Gênesis, confirma plenamente o caráter local e racial do livro que as igrejas cristãs consideram como "palavra de Deus".

As civilizações agrárias, como acentuou Durkheim a respeito das cidades gregas, explicam-se pela Cosmossociologia. O cosmos participa das estruturas sociais, pois o homem está profundamente ligado à Natureza, entranhado na Terra. Por isso vemos, no dilúvio bíblico, Deus falando a Noé, este procurando embarcar todos os seres vivos na arca e servindo-se, depois, do corvo e da pomba para saber se o dilúvio acabara. Deus, homens e animais convivem e se entendem.

Não existe uma sociedade, mas uma cosmossociedade. A própria duração do dilúvio (quarenta dias) obedece a ritmos naturais, como o das estações, dos períodos lunares, das enchentes, dos períodos críticos da vida humana ou mesmo da gestação de animais ou do desenvolvimento dos vegetais. Noé solta um corvo da arca para saber se o dilúvio acabara; a seguir, uma pomba; sete dias depois (o número sete é também significativo) solta de novo a pomba e recolhe de volta com as mãos (símbolo carinhoso da relação homem-animal).

Todos esses pormenores são encontrados nas lendas do dilúvio referentes a vários povos antigos da Ásia, da Europa e da América, entre os quais os índios brasileiros. Entre os índios do México e da Nova Califórnia, por exemplo, Noé se chama Coxcox e a pomba é substituída pelo colibri. Todos os Noés, seja o mesopotâmico, o grego, o mexicano, o celta (que se chamava Dwyfan e sua mulher Dwyfach), são avisados por Deus (naturalmente o Deus de cada um desses povos) que estava irritado com a corrupção do gênero humano e manda o seu escolhido construir uma arca.

Só mesmo uma ingenuidade excessiva poderia fazer-nos aceitar o relato público do dilúvio como uma realidade histórica ou divina. A lenda bíblica do dilúvio corresponde a um mito dessa fase bem conhecida da História dos povos antigos, que é a fase mitológica. Sua realidade não é histórica nem divina: é simplesmente alegórica. O dilúvio é uma lenda que corresponde a um passado mitológico, comum a todos os povos.

Herculano Pires.



Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: MongeShaolin em 20 de Outubro de 2009, 23:52
Saudações,
Concordo que não foi um mito,
bem, devemos fazer uma interpretação
correta dos textos, não só gramatical,
mas sim pelos fatos e as circunstancias, por este
lado concordo plenamente, ou então tudo se tornaria superstição.
Mas o Diluvio existiu, não no mundo inteiro como está escrito, mas
em boa região.
Pesquisadores afirmam que pedaços da Arca se encontarm
no monte Arará.
Já tem até vídeos, que a mostram.

Abraços.
Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: Gera em 21 de Outubro de 2009, 23:09
companheira eu acredito que o dilúvio existiu mas não teve como causa uma chuva que cobriu o mundo todo, mas que poucos lugares ficaram a salvo das enchentes e torno a afirmar não teve como causa uma chuva.

abraços
Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: Diegas em 23 de Outubro de 2009, 02:54
Olá.

Nosso planeta já passou por três grandes cataclismas mundiais, em épocas remotas, e em intervalos de muitos milênios: o afundamento da Lemuria e as duas Atlantidas (pequena e a parte continental). Como consequencia, houve a renovação planetária com o advento da raça-raiz atlante (após a Lemuria) e a atual raça-raiz ariana (após a Atlantida).

Kardec aponta no livro 'A genese' que esses cataclismas ocorrem a cada 25 mil anos, sendo que caminhamos para mais um cataclisma, que proporcionará uma nova raça-raiz, espiritualmente regenerada. O planeta será promovido a um grau superior.


Abç  
Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: u1ferno(Fernando) em 23 de Outubro de 2009, 15:03
Os Dilúvios que foi "um só".

Dilúvio Sumério
O mito sumério de Gilgamesh, rei sumério da cidade-estado de Uruk que teria vivido no século XXVIII a.C., conta os feitos do rei da cidade de Uruk, Gilgamesh, que parte em uma jornada de aventuras em busca da imortalidade, nesta busca encontra as duas únicas pessoas imortais: Utanapistim e sua esposa, estes contam à Gilgamesh como conquistaram tal sorte, esta é a história do dilúvio. O casal recebeu o dom da imortalidade ao sobreviver ao dilúvio que consumiu a raça humana. Na tradição suméria, o homem foi dizimado por incomodar aos deuses. Segundo este mito, o deus Ea, por meio de um sonho, apareceu a Utanapistim e lhe revelou as pretensões dos deuses de exterminar os humanos através de um dilúvio. Ea pede a Utanapistim que renuncie aos bens materiais e conserve o coração puro. Utanapistim, então, reúne sua família e constrói a embarcação que lhe foi ordenada por Ea, estes ficam por sete dias debaixo do dilúvio que consome com os humanos. Aqui um techo de tal história:

"Eu percebi que havia grande silêncio, não havia um só ser humano vivo além de nós, no barco. Ao barro, ao lodo haviam retornado. A água se estendia plana como um telhado, então eu da janela chorei, pois as águas haviam encoberto o mundo todo. Em vão procurei por terra, somente consegui descobrir uma montanha, o Monte Nisir, onde encalhamos e ali ficamos por sete dias, retidos. Resolvi soltar uma pomba, que voou para longe, não encontrando local para pouso retornou (…) Então soltei um corvo, este voou para longe encontrou alimento e não retornou." (TAMEN, Pedro. Gilgamesh, Rei de Uruk. São Paulo: ed. Ars Poetica, 1992.)

Dilúvio hindu
Nas escrituras védicas da Índia encontramos um rei chamado Svayambhuva Manu, que foi avisado sobre o dilúvio por uma encarnação de Vishnu(Matsya Avatar). Matsya arrastou o barco de Manu e lhe salvou da destruição.

Dilúvio grego
A mitlogia grega relata a história de um grande dilúvio produzido por Poseidon, que por ordem de Zeus havia decidido pôr fim à existência humana, uma vez que estes haviam aceitado o fogo roubado por Prometeu do Monte Olimpo. Deucalião e sua esposa Pirra foram os únicos sobreviventes. Prometeu disse a seu filho Deucalião que construísse uma arca e nela introduziesse uma casal de cada animal, de forma análoga à Arca de Noé. Assim estes sobreviveram.

Ao terminar o dilúvio, a arca de Deucalião pousou sobre o Monte Parnaso, onde estava o Oráculo de Temis. Deucalião e Pirra entraram no templo, para que o oráculo lhes dissesse o que deviam fazer para voltar a povoar a Terra, e a deusa somente lhes disse:"Voltem aos ossos de suas mães" Deucalião e sua mulher adivinharam que o oráculo se referia às rochas.Destas formas, as pedras tocadas por Deucalião se converteram em homens, e as tocadas por Pirra em ninfas ou deusas menosres, por que ainda não se havia criado a mulher.

Dilúvio mapuche
Nas tradições do povo Mapuche igualmente existe uma lenda sobre uma inundação do lugar deste povo (ou do planeta). A lenda se refere à história das serpentes, chamadas Tentem Vilu e Caicai Vilu.

Dilúvio pascuenses
A tradição do povo da Ilha de Páscoa diz que seus ancestrais chegaram à ilha escapando da inundação de um mítico continente, ou ilha, chamado Hiva.


Dilúvio Maia
A mitologia do povo maia relata a existência de um dilúvio enviado pelo deus Huracán.

Segundo o Popol Vuh, livro que reúne relatos históricos e mitológicos do grupo étnico maia-quiché, os deuses, após terminarem a criação do mundo, da natureza e dos seres vivos, decidiram criar seres capazes de lhes exaltar e servir. São criados então os primeiros seres humanos, moldados em barro. Porém, esses seres de barro não eram resistentes ao clima e à chuva e logo se desfizeram em lama.

Então, os deuses criaram o segundo tipo de seres humanos, à partir de madeira. Essa segunda humanidade, ao contrário da primeira, prosperou e rapidamente se multiplicou em muitos povos e cidades (tudo indica que é nessa época da segunda humanidade que se passam as aventuras dos gêmeos heróis Hunahpú e Ixbalanqué contra os senhores de Xibalba). Mas esses seres feitos de madeira não agradaram aos deuses. Eles eram secos, não temiam aos deuses e não tinham sangue. Se tornaram arrogantes e não praticavam sacrifícios aos seus criadores. Então, os deuses decidem exterminar essa segunda humanidade através de um dilúvio. Ao contrário da maioria dos outros relatos conhecidos sobre dilúvios, nenhum indivíduo foi poupado.

Após a catástrofe, a matéria prima utilizada para moldar os novos seres humanos foi o milho. Foram criados quatro casais, que são considerados os oito primeiros índios quiché. Eles deram origem às três famílias fundadoras da Guatemala, pois um dos casais não deixou descendência.

Dilúvio asteca
No manuscrito asteca denominado como Código borgia, há a história do mundo dividido em idades, das quais a última terminou com um grande dilúvio produzido pela deusa Chalchitlicue.

Dilúvio inca
Na mitologia dos incas, Viracocha destruiu os gigantes com uma grande inundação, e duas pessoas repovoaram a Terra (Manco Capac e Mama Ocllo mais dois irmãos que sobreviveram.

A religião é um forte elo de ligação entre as várias culturas andinas, sejam elas pré-incaicas ou incas. A imposição do Deus Sol é um forte elemento da crença e dominação através do mental, ou seja daquilo que permanece impregnado por gerações nas concepções e mentalidades destas culturas, adorando o Deus imposto e entendendo ser ele o mais importante. Pedro Sarmiento de Gamboa, cronista espanhol do século XVI, relata como os Incas narravam sua criação e as lendas que eram passadas através da oralidade de geração em geração, desde o surgimento de Viracocha e seus ensinamentos, procurando definir um homem que o venerasse e fosse pregador de seus conhecimentos. Em algumas tentativas de criar este homem, Viracocha acaba punindo-o com um grande dilúvio pela não obediência como comenta Gamboa(2001): Mas como entre ellos naciesen vicios de soberbia y codicia, traspasaron el precepto del Viracocha Pachayachachi ,que cayendo por esta trasgresión en la indignación suya, los confundió y maldijo. Y luego fueron unos convertidos en piedras y otros en formas, a otros trago la tierra y otros el mar,y sobre todo les envió un diluvio general, al cual llaman uñu pachacuti , que quiere decir “agua que trastornó la tierra”. Y dicen que llovió sesenta días y sesenta noches, y que se anegó todo lo creado, y que solo quedaron algunas señales de los que se convierteron en piedras para memoria del hecho y para ejemplo a los venideros en los edificios de pucara que es sesenta leguas del Cuzco.

A narração do dilúvio está presente entre muitos povos e culturas por todo o mundo. O início de tudo, ou seja, a criação, é um fator muito importante para estabelecer relações e explicações sobre o que não se conhece e o que não foi vivido. Assim, os mitos e lendas buscam criar uma ancestralidade, um ponto em comum que defina a origem e o começo do cosmos e tudo existente nele, ou seja, o conhecer de si mesmo, do próprio homem inserido na natureza, buscando sua sobrevivência e continuidade de sua existência e a harmonia com os elementos naturais e sobrenaturais.

Dilúvio Uro
O povo uro (ou uru), que habita próximo ao Lago Titicaca, crê numa lenda que diz que depois do dilúvio universal, foi neste lago onde se viram os primeiros raios do Sol.

Dilúvio judaico
Segundo a Bíblia, Noé, seguindo as instruções divinas, constrói uma arca para a preservação da vida na Terra, na qual abriga um casal de cada espécie animal, bem como a ele e sua família, enquanto Deus, exercendo julgamento sobre os ante-diluvianos (povo de ações perversas), inundava toda a Terra com uma chuva que duraria quarenta dias e quarenta noites. Após alguns meses, quando as águas começaram a baixar, Noé enviou uma pomba, que lhe trouxe uma folha de oliveira. A partir daí, os descendentes de Noé teriam repovoado a Terra, dando origem a todos os povos conhecidos.

Na esfera cultural hebraica primitiva, o evento do Dilúvio contribuiu para o estabelecimento de uma identidade étnica entre os diferentes povos semíticos (todos descendentes de Sem, filho de Noé), bem como sua distinção dos outros povos ao seu redor (cananeus, descendentes de Canaã, neto de Noé, núbios ou cuxitas, descendentes de Cuxe, outro neto de Noé, etc.). No Antigo Testamento, Noé amaldiçoa Canaã e abençoa Sem, o que serviria mais tarde como uma das justificativas para a invasão e conquista da terra dos cananeus pelas Tribos de Israel.

Outros textos judaico-cristãos
Esta versão é considerada real por Criacionistas. Ainda na Bíblia, Jesus faz referência ao evento, no Livro de Mateus.

Igualmente, outros textos judaico-cristãos considerados apócrifos, tais como o Livro de Enoque, dizem que a história do dilúvio não somente foi um castigo aos homens que fizeram o mal, mas principalmente contra um grupo de anjos chamados vigilantes, e seus filhos gigantes, chamados nephillim. Estes seres, segundo estes textos haviam sido os causadores de um grande desequilíbrio entre os homens.Desta forma se uniriam as histórias destes seres nomeados en Gênesis. Esta versão do dilúvio bíblico se veria apoiada por uma passagem no Livro da Sabedoria.



Hipótese histórica
A consistência de tais histórias e sua extensa distribuição ao redor do globo fez com que alguns pesquisadores procurassem vestígios que a comprovassem, de acordo com métodos de pesquisa científicos.

Em 1998, os geólogos da Universidade de Columbia William Ryan e Walter Pittman elaboraram a teoria de que o Dilúvio na verdade seria um mito derivado de uma fantástica catástrofe natural, ocorrida por volta do ano 5600 a.C., nas margens do atual Mar Negro.

Segundo as proposições dos dois pesquisadores, o evento regional teria provocado a migração de diversos grupos sobreviventes – o que explicaria o caráter dito universal (que se encontra em várias culturas) do Dilúvio.

Para os geólogos, o evento foi provocado pelo degelo ocorrido ao final da última glaciação. Em suas pesquisas, analisaram as formações geológicas e imagens submarinas, concluindo que uma grande quantidade de água marinha rompeu o atual estreito de Bósforo, com a elevação paulatina e excessiva do Mar Egeu e dali para o Mar de Mármara, ocasionando a abrupta inundação do Mar Negro.

Aditaram, com muitos contraditores, que a agricultura, então incipiente na vida humana, também se propagara a partir dessa migração pela Europa, Ásia e Oriente Médio. O meio científico considera plausível o cataclismo, mas não as conclusões de que esta tenha sido a origem do mito do dilúvio.

Há a hipótese de que uma grande inundação tenha ocorrido na Mesopotâmia, causada pelos rios Tigre e Eufrates, por uma elevação anormal do nível d'água (estipula-se que as enchentes naturais da agricultura sazional daquela região seriam em torno de nove metros, e nessa época os rios encheram-se cinco metros a mais, isto é, catorze metros), causando devastação por toda a região em algum momento. Essa alternativa, no entanto, não transmite corretamente a vívida descrição de caos que os relatos parecem mostrar, pela escala monumental que a lenda assume. O relato bíblico do Dilúvio chega a dizer: "Assim foram exterminadas todas as criaturas que havia sobre a face da Terra, tanto o homem como o gado, o réptil, e as aves do céu; todos foram exterminados da terra; ficou somente Noé, e os que com ele estavam na arca" (Gênesis 7:21-23).

Alguns acreditam ainda que a própria arca poderia ser encontrada em algum ponto do Cáucaso, possivelmente no Monte Ararat, onde diversos relatos de pilotos que sobrevoaram a região durante a Segunda Guerra Mundial afirmavam ter visto um imenso barco no meio dessa cadeia de montanhas.

O próprio National Geographic já fez pesquisas a respeito.

Ainda segundo o cientista brasileiro Arysio Nunes dos Santos, o dilúvio estaria relacionado à lenda de Atlantis, cidade mítica grega, que ainda segundo ele, também teria suas equivalentes em inúmeras outras culturas.

É isso aí.
Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: Rafael Perszel em 05 de Março de 2011, 12:41
Não creio que o dilúvio seja apenas uma inundação parcial, visto que vários povos fora da mesopotâmia possuem lendas semelhantes. Vide o post do u1ferno.
Eu creio que temos ainda mais que isso. Neste ponto, pessoalmente, creio realmente que uma civilização em estágio avançado foi destruída na ocasião. Não é doutrina "espírita" e ninguém está obrigado a aceitar, mas é o que eu já exaustivamente li.
Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: Viandante em 05 de Março de 2011, 13:51
Bom dia,

eu também penso que não seja mito embora seja difícil de imaginar.
Li " que em 1951 uma equipe de arqueólogos encontrou uma tábua de madeira no topo da montanha Qaf (em Ararat) que pertence a arca de Noé", mas durante o texto eles dizem várias vezes " poderá ser", "poderá pertencer". Pelo que tenho pesquisado não existe certeza de sua existência, portanto muitos falam de mitologia.

Muita paz
Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: Nielson em 07 de Março de 2011, 17:15
Eu achei interessante o texto do autor Wilson do Amaral, e gostaria de postá-lo para auxiliar um pouco:

"Vista daqui, a história de Gilgamech, rei de Uruk, não é mais do que uma lenda. O mesmo não ocorre com Uruk, que, assim como Ur dos caldeus (onde teria nascido Abraão, o patriarca dos judeus), existiu.

A lenda de Gilgamech está repleta de mistérios entremeados com a descrição de uma viagem rodeada de números sete: sete sábios, sete pães, sete ferrolhos, sete candeeiros,... A sabedoria popular chegou a dizer que o sete era “a conta do mentiroso”, contudo, para Gilgamech parece que o número está relacionado com a perfeição.
Assim como o sete, outra lenda de Gilgamech é encontrada na Bíblia. Trata-se do Dilúvio – evento lendário mais antigo que o próprio Gilgamech, mas, segundo a lenda, este conheceu pessoalmente o construtor da arca, que teria sobrevivido ao Dilúvio juntamente com sua família. A lenda do Dilúvio era comum aos antigos mesopotâmios, nem por isto trata-se de uma lenda exclusiva dessa civilização e os povos dela derivantes: os caldeus (os semitas e canitas). Também não é exclusiva dos semitas e dos canitas só porque está relatada na Bíblia. Os medos (da Média) primitivos contavam de uma lenda sobre um certo deus que criou o homem do barro vermelho, de onde vem o nome Adão (Adam), e, indignado, tentou destrui-lo numa enchente. Os nórdicos das terras altas e geladas, bem como os africanos, os persas e os gregos primitivos também possuíam sua lenda sobre o Dilúvio. Ásia, Europa, África, em fim, nas extremidades e espaços intermediários desses continentes tal lenda se tornara popular entre civilizações distintas e povos bem distantes, isto há, pelo menos, quatro mil anos. Porém, povos mais longínquos, como os olmecas, astecas, incas, maias, etc., habitantes primitivos das Américas, também contavam a lenda do Dilúvio.

Nos últimos dois mil anos a “lenda” se espalhou pelo mundo através da Bíblia. Como teria se disseminado antes desse tempo é uma incógnita, pois a Arqueologia apura que não havia ligação de qualquer espécie entre as civilizações americanas e os povos dalém do Atlântico desde muitos milhares de anos. Sendo assim, se lendas são fruto da imaginação local, por que razão esta lenda em especial teria se tornado universal? A resposta pode estar na consideração da hipótese de o Dilúvio ter realmente ocorrido e a hecatombe diluviana ter-se dado em todo o planeta. Mesmo assim, para os americanos primitivos, a lenda não teria se originado nas Américas. A própria lenda diz que sobreviveram à catástrofe universal apenas oito pessoas, as quais, segundo os mesopotâmios, deram origem aos médio-orientais, que posteriormente povoaram a Terra. Sendo assim, os povos não-mesopotâmios teriam importado a lenda do Dilúvio da própria Mesopotâmia, pois esses povos são ramificações dos mesopotâmios (os semitas, os canitas e os jafenitas). Estes últimos seriam os gregos, os nórdicos e os de língua romântica. Eles teriam partido dessa região logo após o Dilúvio, indo colonizar o resto do mundo. Por outro lado, se os povos não-mesopotâmios produziram essa lenda sem sofrer a influência da região mesopotâmica, o Dilúvio passa a ser uma lenda universal que surge simultaneamente em diferentes regiões do planeta. Por conseguinte, obrigatoriamente, ele perde o caráter de lenda, tornando-se factual, porque lendas não surgem em regiões distantes e de culturas distintas simultaneamente."
Título: Re: A LENDA DO DILÚVIO
Enviado por: Victor Passos em 07 de Março de 2011, 17:25
Ola muita paz e harmonia
Bons Amigos e Amigas

   Em todos os pontos do Planeta existem lendas , dos mais variados generos,por misticismo, por temor, por razões vivenciais de disciplina...

Vejamos mais;

Quando estudamos lendas do dilúvio um fato vem à luz: todas as civilizações parecem ter a mesma história.

Seria plausível que histórias de um dilúvio, da salvação de pessoas escolhidas por Deus para continuar a civilização e da construção de uma grande arca antes do dilúvio fosse propagada através da Ásia pelas grande rotas das caravanas. Explicar a semelhança entre as lendas nórdicas e celtas já seria mais difícil.

É concebível que os povos mediterrâneo conservassem a tradição de um desastre comum a todos, mas como os índios americanos poderiam saber disso e ter lendas quase idênticas?


América do Norte

Os primeiros colonizadores da América do Norte anotaram uma lenda das tribos dos Grande Lagos: “ Há muito tempo o pai das tribos indígenas habitava a região do sol nascente. Avisado em sonho de que um dilúvio cairia sobre a terra, ele construiu uma jangada na qual se salvou com sua família e todos os animais.

Navegou por muitos meses. Os animais, que naqueles tempo falavam, relamavam contra ele. Finalmente uma nava terra apareceu, e ele desembarcou com todos os animais, que desde então perderam a fala, como castigo por suas conspirações contra o seu salvador.”

Mais Lendas

George Catlin, antigo estudioso dos índios americanos, cita uma tradição em que o personagem principal é conhecido como “ o único homem” que “viajou” através da aldeia, parando em cada cabana e gritando até que o dono da cabana viesse perguntar o que acontecera.

A essa pergunta ele respondia contando a histéoria da “triste catastrofe que se abatera sobre a superfície da terra através de uma inundação”, e dizendo que era “ a única pessoa salva da calamidade universal”; atracou seu barco numa montanha do oeste, onde mora agora, e veio abrir uma farmácia. Para isso precisava de ferramentas que lhe seriam dadas pelo proprietário de cada cabana; se isso não fosse feito haveria um novo dilúvio e ninguém se salvaria, já que era com essa ferramentas que o barco seria contruido.

Os Hopis

Uma Lenda Hopi descreve um lugar em que grandes cidades foram criadas e a navegação; mas quando o povo se tornou corrupto e violento, um grande dilúvio destruiu o mundo.
“Ondas mais altas que as montanhas caíram sobre a terra; os continentes se partiram e foram submersos pelos mares. “ A tradição iroquesa sustenta que o mundo foi destruído pelas águas, e apenas uma família se salvou, com dois animais de cada raça.

America Central

De acordo com antigos documentos astecas, Por exemplo, o Noé do México foi Coxcox, também chamado de Teocipactli ou Tezpi, que salvou com sua mulher num barco ou jangada de cipestre.
Pinturas retratando o dilúvio foram descobertas entre os astecas, mistecas, zapotecas, tlascalanos e outros.

A semelhanças da tradição desses povos com a narração da Gênesis e dos documentos caudeus é impressionante : “Tezpi embarcou numa grande arca com sua mulher, seus filhos, alguns animais e sementes, cuja preservação era fundamental par a sobrevivência da raça humana.
Quando o Deus supremo Tezxatlipoca decidiu que as água baixassem, Tezpi enviou um abutre; mas o pássaro, vendo as carcaças que cobriam a terra, não voltou. Tezpi enviou outros pássaros, m´s só o beija-flor voltou, trazendo um galho no bico. Então Tezpi, vendo que o campo já estava florescendo, deixou a arca no Monte Colhucau.

Os Maias

O Popol Vuh era uma crônica escrita em hierógrifos maias que foi queimada pelos espanhóis durante as guerras de conquistas e depois traduzida de memória para línguas latinas. Essa lenda maia sobre o dilúvio conta o seguinte: Então as águas foram agitadas pelo desejo do coração do Paraíso (Hurakán), e uma grande inundação arrasou essas criaturas....Eles foram tragados e uma névoa escura desceu dos céus....a terra escureceu, e uma chuva torrencial cai – chovia de dia e de noite....Houve um estrondo sobre suas cabeças, como se fosse produzido por fogo.

Então os correram, tentaram salvar-se uns aos outros, cheios de desespero; tentaram subir nas casas e as casas caíam; tentavam subir nas árvores e estas caíam; tentavam entrar nas grutas, e elas fechavam.....Água e fogo contribuíram para a ruína universal durante o ultimo grande cataclismo que precedeu a quarta criação.”

Colombia

Os índio colombianos, os chibchas, têm uma lenda que diz que o dilúvio foi causado pelo deu Chibchacun, condenado pelo deus supremo Bochica a sustentar a terra sobre suas costas. Diz-se então que os terremotos acontecem quando Chibchacun se mexe. (Na lenda grega, Atlas sustenta o céu, e às vezes a terra, em seus ombros) E a lenda do dilúvio dos Chibchas é muitos semelhante à grega; para se livrar da água que cobria terra após o dilúvio, Bochica abriu um barranco em Tequendama- na lenda grega as águas desaparecem pelo orifício de bambibia.

América do Sul

Na costa leste da américa do sul os índios guaranis têm uma lenda sobre Tamandará que, quando as chuvas caíram e começaram a inundar a terra; ficou no vale, em vez de subir para as montanhas com seus companheiros. Quando as águas subiram ele subiu numa palmeira e comeu frutas enquanto enquanto esperava.

As águas arrancaram a palmeira, e Tamanaré e sua mulher usaram-na como barco, enquanto a terra, as florestas e as montanhas desapareceram. Quando as águas tocaram o céu, Deus fez com que elas parassem, e Tamandaré, que parara no alto de uma montanha, desceu ao ouvir o bater das asas de um pássaro celeste como sinal de que as águas estavam acabando, e começou a repovoar o mundo.

Conhecidências

Os Nóes do Mediterrâneo, Europa e Oriente Médio devido á existência de documentos escritos, são melhores conhecidos por nós.
Com o nome próprio de Ut-Napishtim da Babilônia, o BaBaisbata do Marabarata indu, o Yima da lenda persa e o Deucalion da mitologia grega, que repovoaram a terra com pedras que se transformaram em homens, Aparentemente existiram vários Noés, mas um não sabia da existência do outro.

A Razão

A razão do dilúvio, em todas essas lendas, é quase sempre a mesma : a humanidade se tornou má, e Deus decidiu destruí-la, mas salvou um casal bom que começasse tudo de novo.

O Paraíso Perdido

Além dessas tradições comuns, há a questão do próprio nome, isto é, dos nomes dados ao paraíso terrestre ou ponto de origem da tribo ou nação. Esses nomes são especialmente semelhantes entre os índios da América dos Sul e do Norte, que correspondem à Aztlan e Atlán, Tolán, e do outro lado do Atlântico na semelhança dos nomes de terrs perdida, como Avalon, Lyonesse, Ys, Antilhas, a ilha Atlântica das sete cidades e, no antigo Mediterrâneo, Atlantis, Atalanta, Atarant, Atlas, Aaru, Aulu e outras mais.

Segundo Donnelly, um dos maiores pesquisadores no assunto “.....Todas as raças civilizadas do mundo herdaram alguma coisa da civilização de épocas mais antigas; e assim como “todos os caminhos levam a Roma”, todas as linhas convergentes da civilização levam à Atlantida.....”

Timaeus Critia

Este dialogo foi escrito por Platão no século IV a.c, que se referia ao continente perdido de Atlântida, dialogo descrito por Sólon em uma de suas viagens ao Egito, onde através de um sacerdote Egipcio, que Le informou de registros antigos da existência de um continente, além das Colunas de Hércules(antigo nome de Gilbratar) perdido á muito tempo no fundo do mar.
“Era maior que a Líbia e a Ásia juntos, com montanhas majestosas, ferteis planícies, rios navegáveis, ricos depósitos de minerais e a população grande e trabalhadora”

Revelações Mediúnicas

Segundo o médium Edgar Cayce em 1945, conhecido como o profeta adormecido, com lembranças de outras encarnações suas e de outras pessoas que ele leu, mais ou menos setecentas entrevistas psíquicas em estado de transe.


Nas histórias estão todas retratradas a história de Atlantida, desde sua origem até a sua idade do ouro, com suas grandes cidades de pedras, quando possuía todos os tipos de comodidade modernas, tais como comunicações de massa, transporte por terra, aéreo e submarino, e alguns que ainda não atingimos, tais como a neutralização da gravidade e a utilização de energia solar através de cristais de “pedras de fogo”. E o Mau uso desses cristais causou dois dos cataclismos que vieram a destruir Atlântida.

“A deterioração da civilização da Atlantida, segundo as leituras de Cayce, foi a causa de sua destruição final. Os fatores incluíam descontentamento do povo, escravidão dos trabalhadores e “misturas”(filhos resultantes das relações entre humanos e animais), conflitos entre “Filhos da Lei Única”e os depravados “ Filhos do Demônio”, sacrifícios humanos, adultérios e fornicações generalizadas e mau uso das forças da natureza, principalmente o emprego das “pedras de fogo”. Que eram usadas para castigo e tortura.”

Quanto à referência de Cayce à deterioração ou autodestruição da Atlântida, basta substituir as palavras “pervesão”por “materialismo” e “pedras de fogo” por “bombas”, para termos uma mensagem que se aplica a nossa época atual.

Sabendo que estamos numa época em que se fala em predomínios oligárquicos para um controle mundial, desvalorização dos princípios espirituais e todos os setores de nossa sociedade, será que o fim da Atlântida, não seria uma visão da nossa futura humanidade?

Muita paze harmonia

Victor Passos
Título: Re: A lenda do Dilúvio
Enviado por: Marianna em 25 de Janeiro de 2018, 17:14

Já vimos, que o dilúvio bíblico foi apenas uma inundação parcial, no delta dos rios Tigre e Eufrates, o que está comprovado pelas escavações arqueológicas.

Vimos que Adão e Eva são apenas o mito alegórico do aparecimento da raça hebraica, e que Jeová não é o Deus único do Novo Testamento, mas apenas o deus-familiar do clã de Abrão, Isaac e Jacó.
 
Noé solta um corvo da arca para saber se o dilúvio acabara; a seguir, uma pomba; sete dias depois (o número sete é também significativo) solta de novo a pomba e a recolhe de volta com as mãos (símbolo carinhoso da relação homem-animal).

Todos esses pormenores são encontrados nas lendas do dilúvio referentes a vários povos antigos da Ásia, da Europa e da América, entre os quais os índios brasileiros. Entre os índios do México e da Nova Califórnia, por exemplo, Noé se chama Coxcox e a pomba é substituída pelo colibri.

A lenda bíblica do dilúvio corresponde a um mito dessa fase bem conhecida da História dos povos antigos, que é a fase mitológica.
 
J. Herculano Pires.